top of page
Garanta o seu exemplar.png

Capítulo UHL 1159 - Impecáveis

[Capítulo patrocinado por Davi Laureano. Muito obrigado pela contribuição!!! 


ATENÇÃO: LINK ATUALIZADO. Venham fazer parte da nossa comunidade no Telegram! https://t.me/+tuQ4k5fTfgc1YWY5


ATENÇÃO: OS EXEMPLARES FÍSICOS E DIGITAIS DO PRIMEIRO LIVRO DE O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ JÁ ESTÃO DISPONÍVEIS NAS MAIORES LIVRARIAS DO BRASIL E DO MUNDO. APOIE O NOSSO TRABALHO E GARANTA JÁ UM EXEMPLAR TOTALMENTE REESCRITO E REVISADO, E COM TRECHOS INÉDITOS.


Quer ver um mangá de O Último Herdeiro Da Luz? Então, a sua ajuda é muito importante para que possamos alcançar novos limites!


Para patrocinar um capítulo, use a chave PIX: 31988962934, ou acesse https://www.ultimoherdeirodaluz.com/patrocinarcap para outros métodos de pagamento, que podem ser parcelados em até 3x sem juros.


Para ver as artes oficiais da novel, que estão sendo postadas diariamente, siga a página do Facebook https://www.facebook.com/Herdeirodaluz


Ou a página do instagram https://www.instagram.com/herdeirodaluz/


Todas as artes e outras novidades serão postadas nas nossas redes sociais, e vêm muitas outras por aí, então siga as nossas páginas e não perca a chance de mostrar à sua mente qual é o rosto do seu personagem favorito!


Ps: Link do Telegram atualizado!


Tenham uma boa leitura!]


-----------------------


O prazo de cinco dias para o casamento entre Ye Yang e Elyndariel passou muito rápido.


Entre o trabalho de separação do itens do arsenal de GIlgamesh que seriam dados como presente e a preparação de Ye Yang para a nova vida, os dias simplesmente voaram.


Hoje, o prazo havia chegado ao fim, e um grupo se reunia para formar a comitiva que acompanharia o noivo até sua cerimônia.


O Vale da Esperança não costumava ver aquele tipo de cena.


Aquela gente vivia em movimento, em guerra, em reuniões que cheiravam a urgência e em roupas que priorizavam sobrevivência. Quase sempre havia poeira, sangue seco, marcas de treino, armaduras fechadas, mantos rasgados, ou, no caso de Momoa, a ausência completa de qualquer preocupação em parecer apresentável.


Naquela manhã, porém, o lugar parecia ter sido preparado para uma cerimônia dentro da própria cerimônia.


A comitiva humana se formava aos poucos, reunida num ponto amplo, com espaço suficiente para os últimos ajustes, para as caixas seladas de presentes e para os olhares inevitáveis.


Porque, por mais que todos ali se conhecessem há tempo demais, ninguém estava acostumado a ver o outro daquele jeito.


Zao Tian foi um dos primeiros a chegar.


Ele não usava o que usava em batalha. Não carregava aquele peso de cenário. Estava com um conjunto de túnica e calça douradas, impecáveis, e, em meio ao brilho do tecido, havia uma estrela de quatro pontas bordada em branco, o símbolo que ele adotara para a Casa Zao. Aquele detalhe simples fazia o conjunto parecer mais do que luxuoso; fazia parecer oficial.


Alguns dos presentes olharam uma segunda vez, não por dúvida, mas por estranheza.


Era Zao Tian, e ainda assim havia algo novo nele.


Ming Xue chegou logo depois, ao lado dele, e o contraste foi imediato.


As vestes dela eram verdes, maravilhosas, com detalhes dourados e a mesma estrela de quatro pontas. O corte era elegante e cuidadoso, pensado para realçar, não para expor. Havia pele à mostra em pontos precisos, o suficiente para trazer uma sensualidade clara, mas sem atravessar a linha do que seria indecente. O resultado era um equilíbrio perigoso, ainda mais por causa do contraste com os olhos azuis e com o cabelo amarelo.


Gins, que estava a alguns passos, ficou imóvel por um instante, e então desviou o olhar como se tivesse lembrado, tarde demais, que Ming Xue era esposa de Zao Tian e que encarar demais era pedir problema.


Zao Tian percebeu e não disse nada, mas o canto da boca dele subiu, rápido.


Ming Xiao apareceu como se tivesse decidido fazer o Vale lembrar quem era o rei ali, mesmo fora do trono.


Ele vestia-se em verde também, com uma imponência que não vinha só da postura. O casaco de pele escura por cima das vestes parecia ter sido feito de uma besta demoníaca que lembrava um urso, pesado e luxuoso ao mesmo tempo. Era o tipo de peça que não deixava dúvida sobre o valor de quem a usava.


Ao lado dele, Zao Kumiko vinha com a mesma intenção.


Os trajes dela eram muito semelhantes aos de Ming Xiao, dignos de uma rainha, com o mesmo cuidado de corte e o mesmo tom de realeza que não precisava ser anunciado. A surpresa, ali, era ver os dois como um par completo, não como líderes em prontidão.


"Se eu te visse assim numa guerra, eu acharia que você enlouqueceu." Momoa comentou, sem qualquer cerimônia, olhando para Ming Xiao.


"Se você me visse assim numa guerra, você já estaria morto." Ming Xiao respondeu, no mesmo tom de provocação, e Kumiko apenas inclinou o rosto, satisfeita, como se aquela fosse a confirmação que esperava.


Kyon chegou sem buscar atenção, e foi exatamente por isso que chamou atenção.


Ele estava de azul, com trajes elegantes, mas nada chamativo. Era um tipo de elegância contida, limpa, que combinava com ele. Um conjunto bem ajustado, sem exagero, feito para não atrapalhar nem parecer frágil.


Gins veio logo em seguida, também de azul, mas com um corte diferente.


A roupa dele era elegante, sim, mas tinha algo de lutador no jeito como caía no corpo, como se estivesse pronta para virar uma roupa de combate se fosse necessário. Os detalhes verdes traziam uma ligação discreta com o Vale, sem tirar dele aquela identidade direta de quem vive em treino e conflito.


Jaha apareceu próximo deles, bem trajado, com um conjunto que lembrava o de Gins, só que mais jovem, mais ajustado ao corpo, como se alguém tivesse tentado traduzir a mesma linguagem para alguém que ainda estava aprendendo a ocupar o próprio lugar.


Gins olhou para o irmão por um instante e assentiu.


Não foi um elogio falado.


Foi reconhecimento.


Joster chegou e o ambiente notou.


Os trajes dele eram beges, cor de areia, em camadas bem trabalhadas, com tecido leve e bem cortado, faixa larga na cintura e uma estrutura cerimonial que parecia ter vindo de um povo que conhece sol demais e vento demais. Era elegante sem ser frágil, e o resultado era inesperado, porque Joster, quase sempre, parecia pronto para virar uma pedra e brigar com o mundo.


"Você parece alguém que vai negociar um reino inteiro." Yan Chihuo comentou, olhando para Joster.


"Se precisar, eu negocio." Joster respondeu, com aquela calma irritante de quem realmente negociaria.


Singrid chegou como sempre chegava: impossível de ignorar.


Ela nunca tirava a armadura dourada, mas, por cima dela, desta vez, havia um longo casaco de pele, pesado, elegante, cobrindo a maior parte do metal e dando à presença dela um tom cerimonial sem apagar o que ela era.


Aqueles que não a viam há muito tempo pararam por um instante, tentando conciliar as duas imagens.


O ouro da armadura. A pele por cima. O olhar dela, que não mudava em ocasião nenhuma.


Kyon olhou de canto e comentou, baixo: "Ela conseguiu ficar ainda mais ameaçadora."


Singrid ouviu.


"Ótimo." Ela respondeu, como se fosse um elogio.


Yan Chihuo apareceu junto com eles, e o Vale percebeu, de repente, que o homem tinha senso estético quando queria.


Ele estava vestido de azul, e uma fita na cintura, da mesma cor dos cabelos dele, ciano, cortava o conjunto com uma assinatura pessoal. Era simples no detalhe, mas impactante no conjunto.


Ao lado dele, Nallrian vinha como acompanhante, e a presença dela trouxe aquele tipo de silêncio que só elfos conseguem arrancar de um ambiente humano.


Ela estava de verde, num tom que combinava com o de Yan Chihuo de um jeito quase ofensivo para quem acreditava em coincidências. As vestes dela tinham elegância própria, fluida, bem ajustada ao corpo, mas sem parecer frágil. Os dois, juntos, formavam um belo casal, mesmo sem serem isso. E foi impossível não notar.


Momoa olhou uma vez, depois olhou de novo.


"Vocês estão fazendo isso de propósito?" Ele perguntou, direto.


Yan Chihuo nem virou o rosto.


"Eu não faço nada de propósito." Ele respondeu.


Nallrian sustentou o olhar de Momoa com calma.


"Ele está mentindo." Ela disse.


Yan Chihuo coçou a cabeça, como se não fosse discutir aquilo ali.


Depois, Yang Hao chegou e, por um instante, o ambiente ficou mais formal sem ninguém pedir.


Ele estava vestido de vermelho, com o manto imperial da Dinastia Yang. A capa tinha um colarinho de pele branca, e aquilo dava ao conjunto um peso de história que não precisava ser explicado para ninguém. 


Ele não parecia só elegante.


Ele parecia o Imperador, mesmo longe do palácio.


Yang Chao e Yang Fen vieram junto, com trajes cerimoniais de generais da Dinastia Yang, também vermelhos, alinhados e impecáveis. A surpresa ali era ver os dois sem marcas de combate, sem a aparência de homens que tinham acabado de sair de uma batalha ou de uma cela. Eles estavam como deveriam estar quando representavam uma dinastia inteira.


Ming Xue olhou para Yang Fen por um instante e comentou, baixa, para Zao Tian: "Agora eu entendo por que aquela gente gosta tanto de cerimônias."


Zao Tian respondeu, sem desviar o olhar da formação: "Só assim para eles ficarem minimamente bem apresentáveis."


Momoa foi uma chegada estranha, e a presença dele trouxe um choque cômico inevitável.


Ele estava de camisa e calça, o mais simples possível, mas estava limpo, alinhado, e aquilo por si só já era um evento para ele.


Ele parecia alguém tentando ser elegante com a mesma seriedade com que tentaria quebrar uma montanha no soco.


"Eu tô elegante." Momoa anunciou, sem nenhum constrangimento.


Yang Hao olhou de cima a baixo, avaliando rápido.


"Você está aceitável." Ele respondeu.


Momoa assentiu, satisfeito, como se tivesse recebido a maior condecoração possível.


Hakim chegou e, por um instante, até os que estavam acostumados com reis sentiram que havia um rei ali.


Ele estava vestido com vestes dignas de realeza, feitas de tecido claro e caro, em camadas longas que desciam com fluidez. Havia bordados discretos, detalhes de acabamento em tons que lembravam ouro, e uma cobertura elegante na cabeça, bem ajustada, que completava o conjunto com sobriedade e imponência. Era um visual que lembrava o deserto, a tradição e o poder acumulado de Gard.


Jaha olhou para Hakim por um instante longo, como se visse ali um futuro possível, e então endireitou o próprio traje, tentando parecer menos aprendiz.


Zao Tian observou a formação e, por um momento, pareceu genuinamente satisfeito.


Não pela vaidade, mas pelo símbolo.


Ali estava a liderança humana, e, por uma noite, ela pisaria num mundo que não era deles sem parecer inferior.


As caixas de presente estavam agrupadas, seladas, e as marcas de inventário indicavam cuidado. Não era excesso. Não era resto.


Enquanto isso, todos esperavam por Ye Yang.


Foi então que Gu Ren chegou.


O manto longo, branco, luxuoso, já seria suficiente para chamar atenção, mas o que realmente fazia o Vale olhar era a marca do tigre branco no peito e nas costas, bordada com fios de ouro. Era um símbolo que não pedia permissão para existir.


O cabelo longo e preto dele estava amarrado num rabo de cavalo, e o conjunto inteiro parecia feito para alguém que sabe exatamente quem é.


Gins soltou um assobio curto.


"Isso ficou… ridiculamente bom." Ele disse em desaprovação a si mesmo.


Gu Ren olhou de canto.


"Não começa." Ele respondeu.


Kyon comentou, baixo, com uma diversão contida: "Ele achou que vinha discreto."


Dessa vez, Gu Ren não deu uma resposta, porque a confirmação do que os dois disseram estava no jeito que metade do Vale olhou para ele.


Gu Ren ficou de costas para o caminho por onde os últimos chegariam, analisando os presentes selados com um cuidado que era mais hábito do que necessidade.


E foi por isso que ele não viu Raya chegar.


Quando ela apareceu, o Vale inteiro percebeu antes dele.


O vestido vermelho que ela usava era sensual de um jeito que ninguém ali tinha visto nela. A barriga à mostra, as costas expostas, a lateral da perna esquerda aparecendo no corte, e um decote profundo o bastante para puxar o olhar instintivamente, mesmo sem mostrar nada indevido. Era o tipo de peça que parecia ter sido feita para uma mulher que sabe o efeito que causa e decide usar isso como uma arma.


E o pior não era só o vestido.


Era como ela se movia.


O cabelo bagunçado e volumoso, como uma juba viva, mas longo, feminino e impressionantemente bonito, ganhou um efeito deslumbrante enquanto ela caminhava. Parte das mechas alaranjadas ficou flamejante, como se ela tivesse escolhido transformar a própria presença em um brilho que ninguém ali teria a coragem de ignorar.


Yan Chihuo, que era mestre dela há anos, simplesmente ficou boquiaberto.


Ele piscou duas vezes, como se estivesse tentando decidir se aquilo era real.


Nallrian olhou para ele e comentou, sem misericórdia: "Você parece um homem simples."


Yan Chihuo continuou olhando, sem nem se preocupar em negar.


Raya atravessou os olhares como se todos fossem só a confirmação do óbvio. E, quando chegou perto de Gu Ren, ela não anunciou nada.


Ela apenas colocou o braço direito dentro do braço esquerdo dele.


O perfume veio primeiro, inebriante, quente, doce e agressivo ao mesmo tempo.


Gu Ren sentiu, reconheceu o toque na hora, e o corpo dele reagiu antes da mente.


Ele se virou pronto para repreender.


Pronto para cortar.


Pronto para dizer não de novo.


Mas… quando ele bateu os olhos nela de tão perto, a coisa mudou.


Os olhos de Raya eram alaranjados, num tom quase vermelho, e o efeito daquele olhar, somado ao perfume, somado à beleza absurda que ela decidiu trazer naquele dia, congelou Gu Ren por um instante.


Ele ficou sem palavras.


Sem reação.


A firmeza dele não desapareceu, mas ficou presa na garganta como se o mundo tivesse escolhido aquele segundo para testar a disciplina dele.


Raya sorriu, satisfeita, como se tivesse vencido uma guerra inteira com um passo e um cheiro.


"Pronto." Ela disse, sussurrando: "Agora você entendeu."


Gu Ren abriu a boca para negar.


Nada saiu.


Momoa olhou para aquilo e soltou uma gargalhada curta, sem qualquer tentativa de esconder.


Gins arregalou os olhos e virou o rosto.


Kyon colocou a mão na boca, tentando não rir.


Ming Xue olhou para Zao Tian com o canto do olho, como se observasse para saber se ele não estava olhando mais do que deveria.


Zao Tian respondeu com o silêncio de quem decidiu que aquele problema não era dele.


Yang Hao observou a cena com uma frieza quase científica, e então comentou: "Isso vai dar trabalho."


Gu Ren finalmente conseguiu se mexer, mas, quando tentou puxar o braço, Raya apertou com o tipo de posse calma que só alguém completamente sem vergonha consegue usar.


"Não." Ela disse, como se fosse ela quem estivesse dando as ordens.


Gu Ren encarou ela.


E ainda assim… não saiu.


Não com ela daquele jeito.


Não de tão perto.


Não olhando para aqueles olhos e sentindo aquele perfume.


Foi nesse momento que Ye Yang chegou.


O choque foi imediato.


Ele estava tão parecido com Yang Hao que chegou a ser perturbador. A diferença era óbvia para quem conhecia: os cabelos de Ye Yang eram curtos, enquanto Yang Hao mantinha os seus longos. Mas, fora isso, era como olhar para a mesma presença repetida de forma cruel.


Ye Yang estava vestido como um noivo de verdade, em vermelho e dourado, com fios colocados na roupa para ficarem incandescentes às vezes, dando a impressão de que ele estava em chamas por dentro. Era bonito demais, sólido demais, e carregava uma energia que denunciava o nervosismo.


Zao Tian foi o primeiro a se aproximar.


Ele olhou Ye Yang de cima a baixo e soltou um som curto, satisfeito.


"Você está pronto." Ele disse.


Ye Yang engoliu seco.


"Eu acho que sim." Ele respondeu.


Zao Tian assentiu e então falou, sem exagero, mas com firmeza: "Você vai se casar com uma mulher tão bonita que a maioria dos homens jamais vai conseguir compreender."


Ye Yang respirou devagar, e a tensão dele virou um sorriso rápido.


"Eu tô nervoso." Ele admitiu.


Ming Xiao deu um passo e olhou para ele com uma expressão compreensiva e disse: "Se você não estivesse, eu te chamaria de idiota."


Ye Yang soltou um riso curto e assentiu, como se aquilo fosse exatamente o que ele precisava ouvir.


Gu Ren ainda estava com Raya presa ao braço, e, agora, tinha um motivo perfeito para se libertar. Ele tentou.


Contudo, dessa vez, foi seu corpo que não conseguiu se mover.


Gu Ren fechou os olhos por um instante, controlando a própria expressão que entregava que aquilo não era nem um pouco ruim.


Enquanto isso, Zao Tian estendeu a mão e o espaço respondeu.


Um portal se abriu, estável, limpo, direcionado ao mundo dos elfos.


O brilho dele iluminou os trajes, as caixas, os símbolos bordados, e por um instante o Vale da Esperança pareceu uma corte reunida, pronta para atravessar uma fronteira hostil.


Zao Tian olhou para o grupo.


"Vamos." Ele disse.


Ye Yang respirou fundo e deu o primeiro passo.


Os demais seguiram.


Um por um, a comitiva atravessou, e o portal se fechou logo em seguida, deixando o Vale de novo com o silêncio normal de quem viu algo grande partir.


E foi exatamente aí que Cruz apareceu.


Ele estava todo elegante, arrumado, e isso por si só já era suspeito demais.


Ele vinha xingando, em voz alta, com uma raiva genuína.


"Isso é uma sacanagem!" Ele gritou.


Atrás dele, Shara'Kala veio correndo, segurando um baita pedaço da roupa dele nas mãos, rasgado de forma clara, como se ela tivesse ficado agarrada nele até o último segundo.


"Cruz!" Ela chamou, irritada: "Pare de agir como uma criança!"


"Eu queria ir!" Cruz respondeu, virando para ela com a indignação de alguém que se considera sempre injustiçado.


"Você não vai!" Shara'Kala disse, ofegante, erguendo o pedaço rasgado como prova: "Olha isso! Você tentou fugir!"


"Eu tentei porque vocês são todos covardes!" Cruz rebateu: "É um casamento! Eu queria ver! Eu queria comer! Eu queria beber! Eu queria…"


"Você queria arrumar confusão!" Shara'Kala cortou.


Cruz apontou para o lugar onde o portal tinha estado e afirmou: "Eu sou parte do grupo!"


"Você é parte do problema!" Shara'Kala respondeu, sem paciência: "Você não é alguém que se leva para um evento diplomático!"


Cruz arregalou os olhos, cinicamente, e disse: "Eu sou perfeitamente educado!"


Shara'Kala olhou para o pedaço rasgado na mão e depois para ele.


"Você acabou de tentar me morder." Ela falou.


Cruz travou por meio segundo, e então desconversou: "Foi reflexo."


Shara'Kala respirou fundo, como quem faz força para não pegar ele pelo colarinho de novo.


"Reflexo.. é?!"


Cruz abriu a boca para protestar outra vez, mas, antes que algo saísse, Shara'Kala deu um passo à frente, enfiou o pedaço de tecido rasgado na mão dele e apontou para dentro do Vale.


"Vai trocar de roupa e vai ficar aqui." Ela ordenou: "Se você quebrar mais alguma coisa, eu mesma vou te amarrar num tronco."


Cruz olhou para o tecido rasgado, depois olhou para o céu, derrotado e furioso.


"Eu odeio vocês." Ele resmungou.


Shara'Kala cruzou os braços e respondeu: "Eu também te amo, Cruz."


Ele virou o rosto, ainda bravo, e resmungou: "Não fala assim. Parece que você tá feliz."


Shara'Kala sorriu, de canto e respondeu: "Eu estou."


Cruz ficou parado ali, elegante demais, derrotado demais e revoltado demais, enquanto o Vale voltava ao seu ritmo.


Longe dali, a comitiva humana já atravessava o mundo dos elfos.


E o casamento entre as raças estava prestes a começar.


O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
bottom of page