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Capítulo UHL 1161 - Olhares

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Tenham uma boa leitura!]


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A noite não mudou de tom depois do incidente… Mudou apenas de atenção.

O castelo seguiu respirando ao som de música baixa, com vinho bem servido e sorrisos calibrados, como se a própria nobreza élfica tivesse aprendido, por hábito, a engolir o constrangimento antes que ele virasse um rumor oficial.


A comitiva humana permaneceu calma.


Não porque o ambiente era amistoso, mas porque eles já tinham visto o suficiente do mundo para entender que, em lugares assim, a calma não é um estado.


É uma arma.


Gu Ren voltou a ficar ao lado de Raya sem dar margem para novos testes. Ele não a segurava, não a prendia, não criava cena, mas a posição dele era clara o bastante para que qualquer um entendesse que a distância entre “elogio” e “provocação” ali era curta demais.


Raya, por sua vez, parecia satisfeita de um jeito perigoso.


Ela não sorria para o salão inteiro. Apenas sorria como quem sabe que o salão inteiro está olhando. E fazia isso parecer natural.


Zao Tian conversava com um grupo de representantes menores, respondendo a convites com a mesma diplomacia calculada, quando percebeu um movimento.


Aethandor se aproximou como quem já está dentro do espaço dos outros há tempo demais para precisar anunciar.


Os elfos que estavam falando com Zao Tian recuaram sem que ninguém precisasse pedir. Alguns por respeito. Outros por desconforto.


Então, Aethandor parou a uma distância curta.


O olhar dele passou por Zao Tian, depois por Momoa, como se tivesse decidido que era melhor falar onde todos pudessem ouvir… mas sem dar ao castelo a chance de transformar aquilo em um espetáculo.


"Você deveria saber." Aethandor disse, baixo, sem rodeios: "O incidente com Calenor Vaelondir não vai morrer com o vinho da noite."


Zao Tian manteve o rosto neutro.


"Achei que ele tivesse aceitado a correção." Ele respondeu.


Aethandor inclinou a cabeça uma fração.


"Ele aceitou a correção." Ele disse: "Calmo. Conformado. Educado."


Aethandor fez uma pausa curta, como se escolhesse uma palavra que não fosse exagero, então disse: "E é exatamente isso que preocupa."


Zao Tian não se mexeu, mas perguntou: "O que você quer dizer?"


Aethandor não olhou para Gu Ren nem para Raya. Ele olhou para o salão, para as casas reunidas, e falou como se a resposta fosse óbvia.


"A Casa Vaelondir não gosta de ser contrariada." Ele disse: "E Calenor… é um Vaelondir de um jeito que nem o pai dele era."


Momoa, a um passo, soltou um som curto, algo entre o desdém e a curiosidade.


Zao Tian ignorou o som e perguntou com objetividade: "Quem é Calenor, exatamente?"


Aethandor pareceu satisfeito com a pergunta, porque isso significava que Zao Tian não estava subestimando.


Ele respondeu sem pressa, como quem recita uma história que já foi repetida em dezenas de banquetes.


"Chamam-no de Herói da Fronteira Leste." Aethandor começou: "Porque, quando a fronteira quase cedeu, ele ficou."


Zao Tian não interrompeu.


Aethandor continuou, agora com um pouco mais de densidade na voz: "Foi uma campanha longa contra um exército orc que atravessou o vale de Khar-Moruun e queimou três fortalezas antes de encontrar uma resistência real." Ele disse: "Eles tinham generais de nome. Não bandidos. Não comandantes improvisados."


Aethandor então citou o primeiro nome como se aquilo, por si só, bastasse para marcar importância: "Grumhakar Dente-de-Ferro. O general que quebrou o Portão de Uldren com as próprias mãos e carregava a corrente arrancada de um titã orc como símbolo."


Aethandor citou o segundo.


"Varka O Trovão-Seco. O que comandava a ala de choque. Dizem que ele lutava com um martelo de ossos de besta demoníaca e que os clãs o seguiam porque ele nunca recuava, mesmo quando recuar era a única escolha sensata."


O terceiro veio com um peso diferente.


"Shaagra das Lâminas Gêmeas. Ela não era só força. Era tática. Foi ela quem unificou cinco clãs rivais por medo e lucro, e transformou uma horda em um exército."


O quarto nome, Aethandor falou com uma leve frieza.


"Uruuk Olho-Rasgado. O general que conhecia emboscadas como se tivesse nascido dentro das sombras. Matou elfos suficientes para virar um mito para os próprios orcs."


E o quinto encerrou como uma sentença.


"Kroth Varr, o Portador do Estandarte Negro. O símbolo vivo da campanha. Enquanto ele estava em pé, o exército orc não acreditava em derrota."


Momoa ergueu as sobrancelhas, como se, por algum motivo, aquilo tivesse se tornado mais interessante.


Zao Tian manteve o controle e perguntou: "E Calenor?"


Aethandor respondeu como se não tivesse gosto em admitir, mas admitisse porque é verdade: "Calenor eliminou os cinco."


Houve um instante em que o salão pareceu mais distante, apesar do som continuar.


Zao Tian olhou para Aethandor sem expressão, e perguntou: "Como?"


Aethandor não sorriu.


"Na frente de milhares." Ele disse: "Não foi um rumor. Não foi ‘dizem’. Foi testemunhado. Foi em campo aberto."


Aethandor inclinou o rosto na direção de um ponto alto do salão, onde varandas davam vista para o pátio e para o céu.


"Quando a fronteira começou a cair, os elfos estavam morrendo aos montes. Famílias inteiras fugiam, cidades inteiras estavam para ser evacuadas. Calenor entrou no meio da linha orc como se estivesse indo buscar algo que já era dele. Uma vez que ele começou… não parou mais."


Aethandor fez uma pausa curta o suficiente para deixar o peso entrar.


"A fama dele não é injustificada." Ele disse: "Ele batalhou diante dos olhos de um povo inteiro. Salvou vidas. Milhões. Literalmente. E voltou como alguém que não aceita mais ouvir ‘não’ sem considerar isso uma ofensa pessoal."


Zao Tian absorveu sem demonstrar muito sentimento, antes de perguntar: "E a Casa Vaelondir?"


Aethandor respondeu com a mesma secura.


"Voláteis. Orgulhosos. Extremamente voltados para o próprio interesse." Ele disse: "Eles não se dão bem com as outras casas porque, no fim, sempre querem ser o centro de tudo. Mesmo quando não deveriam."


Momoa bufou, como se aprovasse a honestidade.


Aethandor continuou: "Após a batalha, a fama de Calenor cresceu tanto que, quando ele retornou… não demorou para ele tomar o comando da casa do próprio pai."


Zao Tian estreitou os olhos: "Tomar?"


Aethandor assentiu.


"Não foi uma transição gentil." Ele disse: "Foi política. Foi na base da pressão. Foi aquele tipo de mudança que as pessoas chamam de ‘natural’ depois que percebem que resistir custa demais. Hoje, a casa Vaelondir obedece a ele. E ele… não gosta de ser parado na frente dos outros."


Ao escutar aquilo, Zao Tian respirou devagar.


Ele olhou para o salão por um instante, como se medisse o quanto daquela história já era conhecida por ali.


Então, como se já tivesse vivido aquilo antes, ele respondeu sem elevar a voz: "Eu entendo o peso dele."


Aethandor não pareceu aliviado e avisou: "Entender não impede a provocação."


Zao Tian inclinou a cabeça, com um gesto mínimo.


"Ele tentou tocar a mão de Raya." Zao Tian disse: "Gu Ren reagiu. Foi correto."


"Foi." Aethandor respondeu: "Mas mesmo assim Vaelondir vai interpretar como uma humilhação pública."


Zao Tian balançou a cabeça e não cedeu.


"Então ele pode escolher o que fazer com isso." Ele disse: "A decisão sobre o que vem depois depende dele."


Aethandor observou por um instante longo, como se tentasse encontrar arrogância naquela frase.


E não encontrou.


Ele encontrou apenas firmeza e controle.


"E você?" Aethandor perguntou, pois não conseguia interpretar ao certo o que Zao Tian quis dizer: "O que fará se ele escolher mal?"


Zao Tian respondeu com a mesma serenidade: "Estou preparado para qualquer cenário."


Aethandor respirou fundo, e o olhar dele escapou, por instinto, para Momoa.


Momoa estava ali como uma ameaça permanente por natureza.


Aethandor falou, ainda para Zao Tian, mas a última palavra pareceu mirar Momoa: "Existe a chance de uma provocação. Pequena. Calculada. Para ver se vocês reagem."


Antes que Zao Tian respondesse, Momoa inclinou o corpo um pouco para a frente e falou com aquela sinceridade brutal que não se encaixava em castelo nenhum.


"Eu tô elegante demais pra estragar minhas roupas." Ele disse, olhando para Aethandor como se estivesse conversando com alguém no campo de treino: "Mas se alguém quiser arranjar uma briga num casamento… eu adoro um tumulto."


O silêncio ao redor não aconteceu, porque o castelo era grande demais para parar por uma frase, mas, na bolha em volta deles, a atenção se concentrou como lâmina.


Aethandor olhou para Momoa. O olhar dele não era julgamento moral.


Era de leitura. E, por um instante curto, a expressão comedida dele falhou só o suficiente para mostrar que aquilo incomodou.


Não apenas porque Momoa era grosseiro, mas porque Momoa era forte.


Era aquele tipo de força que não precisa de refinamento para ser respeitada.


Aethandor soltou apenas um som: "…"


Depois, ele voltou o olhar para Zao Tian.


"Eu fiz o que podia." Ele concluiu, sem dramatizar. "Eu avisei."


Zao Tian assentiu: "Eu agradeço."


Aethandor inclinou a cabeça, num gesto pequeno, e então recuou com a mesma discrição com que tinha chegado, como se não quisesse que o castelo inteiro percebesse que ele estava ajudando humanos.


Momoa acompanhou o recuo com o olhar.


Quando Aethandor se afastou o suficiente, Momoa falou baixo, para o grupo, sem disfarçar o prazer que sentia: "Se esse herói vier nos testar… eu sou o primeiro voluntário."


Yang Hao olhou para Momoa e respondeu com uma frieza simples: "Você não fará nada, a menos que precise."


Momoa ergueu as sobrancelhas e respondeu: "Eu só vou apertar a mão dele… Até ele pedir para parar."


Zao Tian, por sua vez, não discutiu. Ele apenas observou o salão, porque o ar tinha mudado.


Havia uma expectativa no ar.


Então, de repente, uma agitação começou na área externa, crescendo rápido.


Vozes se levantaram, não em desordem, mas em anúncio.


Servos corriam. Alguns nobres se moviam para as varandas. Outros se alinhavam nos corredores que davam para o pátio principal.


A música, que antes era discreta, baixou mais ainda, como se os próprios músicos tivessem entendido que, naquele momento, o som era desnecessário.


Zao Tian sentiu a energia primeiro…


Uma presença entrando no domínio como se o lugar inteiro fosse uma extensão dela.


Raya também percebeu, e, pela primeira vez naquela noite, o sorriso dela mudou.


Gu Ren levantou o olhar.


O castelo inteiro se voltou para fora. 


E então ela chegou.


Uma carruagem de fogo atravessou o céu do pátio como uma estrela em chamas.


Era um fogo controlado, moldado, elegante, como se cada chama tivesse sido ensinada a dançar com disciplina. A estrutura da carruagem parecia feita de metal claro e pedra negra, com linhas finas, arcos e detalhes que brilhavam como ouro sob o reflexo do próprio incêndio contido.


Puxando a carruagem, havia dragões.


Dragões de porte absurdo, com escamas que refletiam a luz em tons quentes, asas largas cortando o ar com uma lentidão majestosa. E o fogo que saía das narinas era uma prova de existência.


As correntes eram cerimoniais, reforçadas, e ainda assim parecia óbvio que aqueles animais não estavam ali por submissão comum.


Eles estavam ali por um pacto. Por domínio.


O pátio inteiro parou.


Mesmo os elfos ricos demais para se impressionar com coisas normais ficaram imóveis.


Casas pequenas que nunca tinham visto algo daquele nível se curvaram sem perceber.


O vento da passagem da carruagem levantou tecidos e cabelos.


A chama refletiu em joias.


O calor passou por todos como um beijo distante, e ainda assim foi suficiente para fazer a pele reagir.


Momoa soltou um som baixo de aprovação, como se, por um instante, aquele espetáculo tivesse valido a viagem.


"Isso sim é chegada." Ele murmurou.


Enquanto isso, a carruagem desceu devagar, e o fogo não queimou o chão. Ele apenas iluminou.


Quando tocou o pátio, as chamas recuaram como se obedecessem a um comando, formando um arco acima da entrada.


Servos se aproximaram.


Elfos de alta patente se alinharam.


E então a porta se abriu.


Elyndariel apareceu.


O mundo ficou menor por um segundo.


Ela era o tipo de beleza que muda referências.


Os cabelos dela caíam com perfeição, claros e brilhantes, como se refletissem o céu. A pele era limpa, luminosa, e os olhos… os olhos tinham uma intensidade que não parecia compatível com delicadeza. Ela estava vestida com algo era, ao mesmo tempo, um traje de gala e um símbolo de afirmação.


Tecidos claros, detalhes dourados, camadas finas que se moviam como se tivessem vida própria. Havia brilho, sim, mas não de ostentação, e, sim, de autoridade.


O tipo de autoridade que faz um castelo inteiro se lembrar de quem é a dona.


Ela desceu com calma.


Sem pressa.


Sem olhar para os lados como quem procura aprovação.


O olhar dela varreu o pátio e encontrou exatamente o que queria encontrar: a rota, o altar, o corredor que seria aberto.


Sob os olhares hipnotizados de todos, Elyndariel caminhou em direção a um altar montado sob uma enorme cerejeira.


A árvore parecia antiga demais para ser medida. O tronco largo sustentava uma copa vasta, e as flores rosadas caíam devagar, como se o próprio tempo tivesse sido treinado para não atrapalhar.


O altar era discreto em estrutura e grandioso em intenção.


Pedra clara, entalhes suaves, e um espaço amplo para que todos vissem.


Quando Elyndariel se posicionou, o castelo inteiro pareceu se alinhar como se tivesse ensaiado tudo.


Os elfos começaram a se mover em um fluxo organizado. Como se cada casa soubesse exatamente onde ficar.


E, sem que ninguém precisasse dar uma única ordem ou instrução, um caminho se abriu.


Um corredor imenso, da base do pátio até o altar.


Pessoas recuaram.


Tecidos se afastaram.


Vozes diminuíram.


Olhares se fixaram na entrada do corredor, onde o noivo deveria aparecer.


Ye Yang estava a alguns passos de Zao Tian quando percebeu o que estava acontecendo.


Naquele momento, o nervosismo dele subiu como fogo, pois, naquele instante, não havia força que resolvesse o peso dos milhares de olhares que caíam sobre ele.


Zao Tian então inclinou o rosto para ele, sem dramatizar.


"É agora." Ele disse, baixo.


Ye Yang respirou fundo. O ouro e o vermelho da roupa dele pareceram mais vivos sob a luz do fogo que ainda dançava ao longe, e os fios incandescentes na vestimenta pulsaram uma vez, como se respondessem ao coração acelerado.


Ele engoliu seco… E deu o primeiro passo.


O corredor inteiro sustentou a respiração.


Elyndariel, por sua vez, não se mexeu.


Ela apenas esperou. Como alguém que sempre foi o centro das atenções e agora escolhia dividir isso com uma decisão que iria reescrever a história.


Ye Yang caminhou, passo a passo, sendo fitado por cada olho presente, analisado, julgado, medido…


O castelo inteiro estava de olho nele. 


O universo inteiro estava a alguns passos de uma união histórica.


O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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