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Capítulo UHL 1162 - Aliança

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Tenham uma boa leitura!]


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A marcha de Ye Yang pelo corredor não foi apressada, nem pesada demais.

Foi tensa.


Havia uma diferença sutil entre caminhar para um altar e caminhar para uma batalha. E, ainda assim, o corpo dele sabia como ocupar espaço sob julgamento.

As flores da cerejeira caiam devagar, como se o próprio ar quisesse suavizar a tensão. 


O fogo distante da carruagem de Elyndariel já não rugia; ele apenas existia, como um brilho controlado no pano de fundo, lembrando a todos que aquela mulher era dona de si e de tudo ao redor.


Quando Ye Yang chegou ao último degrau do altar, o corredor atrás dele pareceu se fechar.


Todos voltaram às suas posições, e Elyndariel olhou para ele sem pressa.


De perto, ela era ainda pior para qualquer autocontrole. Não havia esforço na beleza dela. Era como se o mundo tivesse sido montado com parâmetros diferentes quando decidiu fazê-la existir.


Ye Yang sentiu o nervosismo apertar a garganta.


Não era medo dela. Era o peso da decisão.


Ele respirou e, com a voz baixa o suficiente para não virar um espetáculo, perguntou: "Você tem certeza disso?"


Elyndariel nem piscou quando respondeu: "Tenho."


A firmeza veio limpa, sem romantização, sem a necessidade de convencer ninguém. Era uma escolha dita como lei. E, ao ouvir aquilo, Ye Yang sentiu o estômago aliviar, como se uma parte dele estivesse esperando, não o casamento em si, mas aquela confirmação.


Então, um som suave começou a nascer ao redor.


Um conjunto de instrumentos discretos, com cordas e sopros leves, foi preenchendo o pátio com um ritmo que parecia acompanhar a queda das flores.


Quatro elfos se aproximaram do altar.


Nenhum deles parecia sacerdote.


Eram anciões de casas diferentes, escolhidos não por devoção, mas por tradição e imparcialidade. Cada um carregava um objeto cerimonial simples, de materiais diferentes, representando pactos que os elfos respeitavam há eras: um fio de prata, uma taça de cristal, um pequeno disco de pedra clara gravado com runas de passagem, e uma lâmina curta sem fio, polida, feita apenas para marcar símbolos e nunca para ferir.


O primeiro ancião, um homem de cabelos brancos e olhos verdes profundos, falou ao pátio com uma voz que não precisava gritar.


"Hoje não celebramos uma divindade."


As casas ouviram.


Os humanos também.


"Celebramos um acordo entre vontades. A escolha de duas vidas de se tornarem um caminho só. E a escolha de dois povos de não transformarem o desconhecido em uma guerra por reflexo."


O segundo ancião, uma mulher de pele clara e olhar sereno, ergueu o fio de prata.


"Este fio representa a continuidade. O que não se rompe quando há esforço para manter."


Ela entregou o fio primeiro a Elyndariel.


Depois a Ye Yang.


Os dois seguraram as pontas, e, ao fazerem isso, o fio brilhou por uma fração de segundo, como se o simples contato com duas presenças tão diferentes exigisse do símbolo uma confirmação.


O terceiro ancião colocou a taça de cristal entre os dois.


Dentro, havia uma água translúcida que refletia o céu, as torres, e os rostos de ambos com uma clareza quase desconfortável.


"Olhem."


Eles olharam.


A água não mostrava futuro.


Não mostrava passado.


Não era uma visão.


Ela apenas refletia com fidelidade absoluta: dois seres diferentes, lado a lado, aceitando a mesma luz.


"Aqui, vocês se veem sem máscaras." O ancião disse: "E, ao se verem, escolhem seguir mesmo assim."


Elyndariel tocou a borda da taça com dois dedos.


Ye Yang repetiu o gesto.


A água vibrou de leve, como se o cristal tivesse reconhecido a decisão e guardado aquilo como uma memória.


O quarto ancião, por fim, apresentou o disco de pedra gravado.


"Este é o limite."


Ele colocou o disco no chão, entre os pés dos noivos, e as runas gravadas se acenderam como linhas finas.


"O casamento é uma fronteira entre o que vocês eram e o que serão. Quem atravessa não retorna ao lugar exato de antes. A pergunta não é se haverá tempestade. A pergunta é se vocês atravessarão juntos."


Ye Yang engoliu seco.


Elyndariel sustentou o olhar dele com calma.


Então, sem que precisassem dizer mais nada, ambos deram um passo à frente, pisando sobre as runas.


O brilho do disco não explodiu. Ele apenas se espalhou em círculos suaves, passando pelos degraus do altar e escorrendo pelo pátio com uma luz baixa, chegando até as fileiras mais distantes.


Era uma assinatura.


Uma confirmação pública de que aquela passagem tinha acontecido.


Zao Tian observava com atenção.


Ao lado dele, Ming Xue estava silenciosa, mas o jeito como ela olhava para o altar dizia que, apesar da postura política, ela ainda sabia reconhecer a beleza quando ela era verdadeira.


Ming Xiao mantinha a postura rígida, mas os olhos dele seguiam as runas no chão com uma curiosidade genuína.


Yang Hao estava com o rosto impassível, mas, por dentro, parecia fazer contas: o peso desse gesto, o peso desse acordo, o peso das consequências.


Momoa, por outro lado, parecia mais confuso do que emocionado, e isso por si só era engraçado.


"Eu achei que ia ter grito e sangue." Ele murmurou, baixo.


Kyon olhou para ele e sussurrou: "É porque você é um animal."


"Obrigado." Momoa respondeu como se fosse um elogio.


Foi no meio desse momento, enquanto a cerimônia avançava, que Zao Tian percebeu uma movimentação discreta no perímetro do pátio.


Calenor Vaelondir retornava ao salão externo, agora sem o bêbado escandaloso.


O andar dele era controlado demais. A roupa impecável de antes ainda estava perfeita, mas a expressão parecia um pouco mais fria, como se a noite tivesse ganhado uma nota que ele não gostou de ouvir.


E, ao lado dele, um pequeno grupo de Vaelondir se acomodou sem chamar atenção.


Zao Tian não precisava procurar muito para confirmar o que Aethandor havia avisado.


Calenor, por instantes curtos, olhou na direção de Gu Ren. E o olhar não era o de um homem que esqueceu um detalhe.


Era rancor.


Contido.


Polido.


Mas rancor.


Gu Ren, por sua vez, nem parecia perceber. Ou fingia não perceber. Ele estava ao lado de Raya como antes, atento ao que importava naquela noite: não dar ao castelo a chance de transformar qualquer coisa em uma brasa.


Raya também estava quieta. O que, vindo dela, era uma prova do quanto ela entendia a importância do momento para Ye Yang.


A cerimônia seguiu.


A mulher anciã tomou a lâmina sem fio e a ergueu entre os dois.


"Esta lâmina não corta carne. Corta as possibilidades."


Ela virou o punho da lâmina para Ye Yang.


"Você aceita compartilhar sua vida com Elyndariel sem pedir que ela diminua o que é?"


Ye Yang respondeu sem hesitar: "Aceito!"


Ela virou o punho para Elyndariel.


"Você aceita compartilhar seu domínio com Ye Yang sem tratar a existência dele como uma concessão?"


Elyndariel respondeu no mesmo tom: "Aceito!"


Então, com a lâmina cerimonial, a anciã tocou de leve o pulso de Ye Yang.


Ela não feriu, mas uma marca de brilho fino surgiu na pele dele, como uma linha de luz que se assentou ali, discreta.


Ela fez o mesmo em Elyndariel.


As duas linhas brilharam uma vez, e então se acalmaram, como selos que registram o momento e unem dois corpos.


Por fim, o ancião do fio de prata levantou as mãos.


"Agora, o que é de um… reconhece o outro."


Ele guiou o fio de prata para que ambos o entrelaçassem nos próprios pulsos, com cada um prendendo a ponta no pulso do outro.


Era um símbolo de conexão.


Quando o nó se completou, o fio se dissolveu em partículas de luz e desapareceu, como se o gesto bastasse e o objeto fosse dispensável.


O silêncio que veio não foi artificial. Foi aquele silêncio que as multidões fazem quando sabem que estão assistindo algo histórico e, por instantes, não querem estragar com uma única respiração alta.


Aethandor, numa das varandas, observava sem expressão.


As casas menores olhavam como se estivessem vendo uma lenda nascer.


As casas grandes olhavam como quem mede riscos e oportunidades ao mesmo tempo.


E, no centro, Elyndariel deu um passo a mais.


Ye Yang fez o mesmo.


Ela ergueu a mão e tocou o rosto dele com uma delicadeza que parecia quase absurda para alguém tão poderosa. A ponta dos dedos dela foi como uma promessa sem palavras.


Então, ela inclinou o rosto.


Ye Yang hesitou por meio segundo, não por dúvida, mas pelo choque de estar ali, vivo, no topo do mundo, diante de um castelo inteiro e uma história inteira, prestes a ser reescrita.


E então ele fez o que precisava ser feito…


Ele beijou Elyndariel.


Da parte dele, não foi um beijo exibido. 


Foi real.


E o efeito foi devastador.


O pátio explodiu em aplausos e vozes.


Flores caíram mais rápido, como se a cerejeira tivesse sido tomada por um entusiasmo estranho.


Alguns elfos ergueram taças.


Outros sorriram de verdade.


Outros sorriram porque precisavam.


Ye Yang, por dentro, parecia ter saído do chão.


Por um segundo, ele se viu no centro de algo que nunca imaginou que mereceria.


Com o beijo, o casamento foi realizado. E, com ele, a aliança.


Aquilo não estava escrito em papel.


Estava escrito em olhos, em testemunhas e em um símbolo que agora o mundo inteiro teria de engolir.


A música mudou.


A partir dali, não era mais fundo discreto.


Era festa.


Tambores, cordas e sopros mais vivos, num ritmo que parecia puxar corpos e risos. Mais vinho circulou. Bandejas maiores. Servos correndo com eficiência. Casas se aproximando com pressa, como se tivessem medo de perder o momento de serem vistas.


Os noivos foram conduzidos a uma posição de destaque, sob um arco floral que parecia ter sido moldado para emoldurar a vitória de Elyndariel.


Uma cadeira para ela.


Uma para Ye Yang.


E, ao redor, espaço suficiente para que todos enxergassem, mesmo de longe: o humano sentado ao lado da senhora do castelo.


Ye Yang ainda estava com o olhar um pouco perdido, como se o mundo tivesse ficado leve demais.


Elyndariel virou o rosto para ele, com um sorriso mínimo.


"Você está respirando como quem acabou de sobreviver." Ela comentou.


Ye Yang riu curto.


"Eu acho que sobrevivi." Ele respondeu, e então, olhando ao redor, para as torres, para os estandartes, para o pátio lotado, ele perguntou com uma sinceridade quase infantil: "Isso tudo… é seu?"


Elyndariel olhou para o castelo como quem olha para algo que sempre esteve ali.


"É." Ela disse. E, então, com uma calma que parecia absurda, ela apontou para além das muralhas, para as montanhas, para os vales e para um horizonte que se perdia nas nuvens: "Tudo o que você vê… e o que você não vê… é meu."


Após dizer isso, ela voltou o olhar para ele e corrigiu: "Nosso, agora."


Ye Yang engoliu seco, e então tentou transformar aquilo em leveza, porque o peso era grande demais.


"Então… desculpa." Ele disse, brincando: "Você caiu num golpe do baú. Eu não tenho nada pra dividir com você. Nenhum castelo. Nenhum vale. Nada.”


Elyndariel deixou o sorriso crescer um pouco.


Depois, ela estendeu a mão e tocou o peito dele, bem no centro, como se escolhesse aquele lugar para a resposta.


"A riqueza, às vezes, não está nas terras." Ela disse: "Nem nos bens. Nem no que os olhos conseguem contar."


O dedo dela pressionou de leve: "Na maioria das vezes, ela stá aqui. Dentro das coisas."


Ye Yang ficou em silêncio por um instante, e a pergunta que vinha crescendo desde o primeiro convite finalmente escapou: "O que você realmente quer com esse casamento?" 


Elyndariel passou a mão sobre a mão dele, deslizando os dedos com calma, como se estivesse prestes a responder algo que ela não diria para mais ninguém.


Ela abriu a boca…


E foi interrompida.


Um fluxo de convidados começou.


Eram os presentes.


Primeiro vieram os que queriam ser vistos.


Depois os que queriam marcar posição.


Depois os que queriam parecer generosos para que a generosidade virasse mais moedas.


Arcas pequenas, caixas longas, joias, pergaminhos selados, armas de exibição, itens raros demais para serem tratados como “lembrança”. Cada entrega vinha acompanhada de felicitações.


Algumas sinceras, ditas com um brilho real.


Outras falsas, disfarçadas de sinceras com técnicas refinadas.


"Eternidade e harmonia, Lady Elyndariel."


"Que o noivo humano seja digno de sua luz."


"Que as fronteiras se abram e prosperem."


"Que os mundos se inclinem diante da união."


Ye Yang respondia com educação, tentando não parecer perdido.


Elyndariel respondia com naturalidade, como quem nasceu para receber aquilo sem parecer incomodada.


A conversa íntima foi empurrada para um canto invisível.


Não por falta de importância, mas porque cerimônias assim tinham fome de espetáculo.


Foi então que a comitiva humana se moveu.


As arcas que carregavam não eram uma ostentação comum.


Eram grandes demais, seladas demais, pesadas demais.


E, ainda mais importante: carregavam uma sensação de “muito” mesmo sem abrir.


Espaços internos artificiais.


Uma engenharia do próprio Zao Tian que permitia milhares de armas e artefatos num volume que, por fora, parecia apenas uma arca cerimonial.


Quando Zao Tian e os seus chegaram ao ponto de entrega, o pátio inteiro voltou a ficar atento de um jeito diferente.


Porque aquele era o momento que muitos esperavam de verdade.


A confirmação material.


O novo status de Elyndariel diante das casas.


O tamanho real da aliança com a humanidade.


Os olhos se multiplicaram. As conversas morreram em ondas curtas. Até Calenor, em algum ponto do salão, inclinou o rosto para ver.


Zao Tian se aproximou com calma.


Ele não parecia nervoso. Ele parecia dono do próprio papel naquele teatro.


Ele inclinou a cabeça para Elyndariel, depois para Ye Yang, e falou com a mesma firmeza elegante que usaria diante de um inimigo.


"Parabéns." Ele disse.


As palavras foram simples, mas a forma como ele disse fez soar como algo oficial.


"Que este casamento seja mais do que um evento." Zao Tian continuou: "Que seja um marco. Para vocês… e para o que vem depois."


Ele fez um gesto sutil, e as arcas foram colocadas.


O som da madeira reforçada tocando a pedra pareceu alto demais, mesmo sem ser.


Zao Tian manteve o olhar em Elyndariel e continuou: "Estes presentes representam um legado antigo. Um arsenal recuperado, avaliado e escolhido para não ser insulto nem esmola."


Alguns elfos engoliram seco.


Outros arregalaram os olhos, porque eles sentiram o peso, mesmo sem abrir.


Zao Tian respirou e, então, disse a frase que fez o castelo inteiro congelar por um segundo: "E, ainda assim… o maior presente que a humanidade deu a você… está ao seu lado."


Ele virou o rosto e apontou, sem teatralizar, para Ye Yang.


Ye Yang piscou, confuso, como se não esperasse aquilo.


Zao Tian continuou, e a voz dele ficou um pouco mais pessoal, mesmo sem perder o controle.


"Esse homem é como um irmão para mim." Ele disse: "Ele já salvou minha vida… direta ou indiretamente… mais vezes do que eu consigo contar."


O pátio inteiro ouviu. Até os descontentes.


E então veio a insinuação.


Velada.


Irrefutável.


"Se você busca algo de valor que eu possa dar…" Zao Tian disse, olhando diretamente para Elyndariel: "Não busque apenas em armas, tesouros ou status."


Ele fez uma pausa curta, só o suficiente para que cada casa percebesse o aviso escondido no elogio.


"Busque o amor dele." Zao Tian concluiu: "Porque isso vale mais do que qualquer lâmina… e mais do que qualquer presente que eu ou qualquer casa aqui possa oferecer."


O silêncio que veio foi perfeito.


Não por constrangimento.


Por impacto.


Elyndariel sustentou o olhar de Zao Tian por um instante.


Ela não estava ofendida, nem sorridente. Ela estava apenas… avaliando.


Como alguém que reconhece quando recebe um presente e um aviso na mesma caixa.


Ye Yang olhou para Zao Tian com uma gratidão que não sabia expressar. E, por trás das taças e das flores, o castelo inteiro entendeu, ao mesmo tempo, que a aliança tinha sido selada.



O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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