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Capítulo UHL 1163 - Promessa Cumprida

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Tenham uma boa leitura!]


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A festa não diminuiu depois do presente. Ela apenas ganhou um novo tipo de tensão, mais refinada, mais perigosa.


A música continuava alta o suficiente para puxar risos e passos. Taças seguiam sendo erguidas. Servos cortavam o pátio como sombras treinadas, oferecendo vinho, frutas cristalizadas, carnes finas e sobremesas tão delicadas que pareciam indecentes para um mundo que ainda se lembrava da guerra.


As casas falavam mais alto agora.


O álcool tinha feito seu trabalho: soltou línguas, relaxou posturas, e transformou parte da etiqueta em espetáculo.


As, porém, arcas continuavam fechadas. E isso, por si só, já era um imã.


O que Zao Tian havia dito ao entregar os presentes ainda ecoava no pátio como uma frase que não se desfaz.


O maior presente está ao seu lado.


Elyndariel havia ouvido.


Ela não respondeu com entusiasmo nem com risadas. Ela apenas sustentou o olhar dele por um instante e, com a calma enigmática de quem não precisa provar nada, disse: "Eu sei reconhecer o que me é raro."


Foi só isso.


Sem floreio.


Sem teatralidade.


O tipo de frase que deixa cada um interpretar do jeito que for mais útil.


Ye Yang, ao lado dela, não conseguiu evitar o sorriso, porque aquela resposta soava, ao mesmo tempo, como gratidão e como aviso.


A comitiva humana se reorganizou em torno de mesas baixas, num canto do pátio onde a vista da montanha e do céu fazia o castelo parecer ainda mais absurdo.


Eles permaneciam presentes, acessíveis, mas nunca disponíveis demais.


Ming Xue conversava com Kumiko sobre coisas pequenas, como se estivesse se esforçando para lembrar que ainda existe uma vida fora das estratégia.


Kyon, com uma taça na mão, comentava com Gins sobre a forma como os elfos carregavam o próprio nome como se fosse uma arma.


Jaha ouvia mais do que falava, e isso era bom.


Ming Xiao e Yang Hao mantinham a mesma postura de homens que não relaxam por hábito.


Hakim observava o pátio como quem vê um tabuleiro com peças bonitas demais.


Yan Chihuo, por outro lado, parecia confortável, irreverente, e Nallrian o acompanhava com aquele tipo de quietude que deixa o outro parecer mais barulhento do que realmente é.


Momoa comia. E comia como se aquilo fosse um ato diplomático.


"Eu gosto desse mundo." Ele disse, mastigando com satisfação: "Eles bebem bem."


"Você gosta de qualquer lugar que te alimente, não é?!." Ming Xue respondeu, sem olhar.


"Exatamente." Momoa confirmou, e bebeu de novo.


Zao Tian estava no meio deles, conversando sobre coisas simples, justamente para não transformar a noite inteira em política.


Ele falou de Decarius como quem fala de casa, sem abrir detalhes perigosos. Falou do Vale da Esperança, do fato de que o vento ali parecia sempre carregar poeira mesmo quando não deveria.


E, em algum momento, Ming Xiao comentou, num tom casual: "Quando tudo isso acabar… eu quero um mês inteiro sem ouvir ninguém dizer a palavra ‘urgente’."


Yang Hao respondeu: "Isso não existe."


Ming Xiao sorriu como se já soubesse.


A conversa quase parecia normal.


Quase…


Porque o pátio inteiro continuava orbitando as arcas.


Era impossível não notar.


Os olhares sempre voltavam, insistentes. As casas fingiam desinteresse, mas se aproximavam em pequenas ondas, como se estivessem apenas passando por ali. Até que um deles, um elfo de idade intermediária, com uma postura impecável e sorriso bem colocado, se aproximou com um grupo discreto atrás.


A roupa dele trazia o símbolo de uma casa que não era das maiores, mas também não era pequena. O tipo de casa que sobrevive fazendo alianças e escolhendo com precisão onde se colocar.


Ele inclinou a cabeça para Elyndariel e Ye Yang, primeiro.


"Minhas felicitações." Ele disse, com voz leve: "Que a união de vocês dure mais do que nossas memórias."


Elyndariel respondeu com um aceno curto.


Ye Yang imitou, educado.


Então o elfo olhou para as arcas e, sem desrespeito, sem fome evidente, fez o pedido que todos ali estavam segurando na garganta desde o coliseu.


"Com toda a reverência… Lady Elyndariel…" Ele começou: "Seria possível ver uma peça?"


O pátio não silenciou inteiro, porque a música e a festa eram grandes demais, mas, ao redor deles, a atenção se fechou como um círculo.


O elfo continuou, justificando antes que alguém interpretasse como uma afronta: "Até poucos dias atrás, o arsenal de Gilgamesh era tratado como um mito por muitos. Histórias para assustar jovens e impressionar casas menores. Ver algo… apenas uma peça… não seria uma curiosidade vulgar. Seria…" Ele escolheu a palavra com cuidado: "Um privilégio histórico."


Outros elfos se aproximaram sem perceber que estavam se aproximando.


Alguns fingiram estar apenas caminhando.


Alguns pararam com as taças no meio do gesto.


A fome pela confirmação era coletiva.


Elyndariel não respondeu de imediato.


Ela virou o rosto para Ye Yang, não por insegurança, mas por algo mais simples e mais íntimo.


Ela queria ter certeza.


Não de que as arcas eram reais, mas de que, ao abrir, ela não estaria exibindo algo indigno.


Ela não aceitaria vergonha naquele momento.


Não naquele castelo.


Não naquela noite.


Ye Yang encarou o olhar dela e entendeu na hora.


Ele então assentiu, devagar, com convicção.


Um gesto pequeno, mas firme. Como se dissesse: você não foi enganada.


Momoa, que já estava entediado com o suspense, se intrometeu com a sinceridade brutal de sempre.


"Abre logo." Ele disse, sorrindo: "Se for falso, a gente ri e quebra alguém depois. Se for verdadeiro, a gente ri também. É lucro dos dois jeitos."


Kyon fechou os olhos por um instante, como se pedisse paciência ao universo.


Elyndariel, surpreendentemente, soltou um som que poderia ser riso… se ela fosse uma mulher comum.


Mas ela não era.


Ela apenas olhou para Momoa e disse: "Você é uma presença… marcante."


Momoa ergueu a taça.


"Obrigado." Ele respondeu de novo, como se fosse elogio.


Então Elyndariel se levantou.


O pátio inteiro pareceu endireitar a coluna.


Ela caminhou até a arca mais próxima, pousou a mão sobre o selo e, com um movimento simples, desfez o fechamento cerimonial.


No mesmo instante, veio a sensação de uma barreira se abrindo e um espaço interno se expandindo.


Ela ergueu a tampa. E, no mesmo instante, o mundo ao redor pareceu perder cor por um segundo.


Porque o que havia ali dentro não parecia caber em realidade.


Não era uma caixa cheia de metal empilhado. Era um vazio profundo, amplo, organizado por camadas invisíveis. E, suspensos dentro daquele espaço artificial, havia armas.


Milhares.


Dispostas como se cada uma tivesse seu lugar.


Lanças, espadas, arcos, adagas, martelos e até peças estranhas demais para serem reconhecidas de imediato.


Algumas brilhavam.


Outras pareciam absorver a luz.


Havia gemas, correntes, encaixes, inscrições, e, acima de tudo, havia poder.


Um poder que não gritava, mas apertava o ar.


O tipo de presença que faz o instinto de sobrevivência levantar a cabeça mesmo durante uma festa.


Elyndariel ficou imóvel por um instante.


Não era fácil chocar uma mulher como ela. Mas aquilo chocou.


O rosto dela não mudou muito, mas os olhos… os olhos ficaram um pouco mais atentos, como se ela tivesse acabado de perceber que o presente era muito maior do que esperava.


Ela respirou fundo. E, com cuidado, estendeu a mão para dentro do espaço.


Calmamente, ela escolheu e puxou uma lança.


O movimento pareceu simples, mas, quando a arma cruzou o limite da arca e entrou no mundo real, o pátio inteiro sentiu.


O ar ficou mais denso.


As flores da cerejeira tremeram como se uma tempestade tivesse passado por elas.


Alguns elfos deram um passo para trás sem perceber.


A lança era perfeita.


Comprida, equilibrada, feita de um metal que parecia claro e escuro ao mesmo tempo, como se a matéria não tivesse decidido um único estado.


A ponta era fina, impossível, e o fio não era “afiado” no sentido comum.


Ele parecia inevitável.


O cabo tinha inscrições que não eram decorativas. Eram uma forma linguagem antiga, gravada com precisão.


E o poder… o poder não era uma aura espalhafatosa. Era aquela sensação de que, se aquela arma quisesse, ela atravessaria o castelo inteiro e continuaria.


O elfo que tinha pedido para ver uma peça ficou com a boca entreaberta.


Várias taças pararam no ar.


Até os descontentes olharam com um cuidado novo, como se tivessem percebido que o mundo humano tinha trazido algo que não se responde com arrogância.


Zao Tian observou, sem sorrir.


Ele já sabia o que tinha ali, mas ver os elfos entendendo, de verdade, trouxe uma satisfação silenciosa.


Os olhares que antes eram afiados agora ficaram… mais tênues. Mais cautelosos.


Porque a promessa do coliseu tinha se tornado metal na mão de Elyndariel.


Elyndariel girou a lança só o suficiente para que as casas vissem detalhes. E foi nesse instante que Calenor Vaelondir se aproximou.


Ele não veio em linha reta, elegante.


Ele era aquele tipo de homem que sabe que qualquer coisa que ele diga vai ser ouvida.


Ele parou a uma distância respeitosa de Elyndariel e inclinou a cabeça.


"Lady Elyndariel." Ele disse, e a voz dele tinha cortesia: "Posso?"


Elyndariel olhou para ele por um instante longo.


Calenor era um convidado de peso. Um nome. Um título. Um homem que podia fazer barulho se quisesse.


Ela não demonstrou gosto nem desgosto. Apenas respondeu: "Pode."


Ela ofereceu a lança.


Calenor a segurou com um cuidado que parecia reverência, mas não era submissão.


Ele avaliou o peso, a textura, a construção.


Os olhos dele se moveram pelas inscrições. E, então, com um sorriso pequeno, ele disse: "Ela realmente faz jus à reputação da ferreira que casou com o deus da forja."


Alguns elfos sorriram, satisfeitos por ouvir uma validação da boca de alguém como ele.


Calenor continuou observando.


Depois fez um movimento de exibição…


Um giro controlado, elegante, típico de quem já mostrou armas em salões antes.


A lança desenhou um arco no ar, e a ponta brilhou sob a luz do pátio.


Só que, ao fim do giro…


A ponta parou.


Direcionada a alguém. 


Mesmo que de longe, mesmo que não encostasse… Ela estava apontada para Gu Ren.


Foi um daqueles momentos em que a festa continua, mas o mundo interno de quem está perto congela.


Porque todo mundo viu. Até quem fingiria não ver.


Gu Ren, por sua vez, não se mexeu.


Nem um passo.


Nem uma expressão.


Ele apenas ficou parado, calmo, como se aquilo fosse pequeno demais para merecer reação.


Raya, ao lado dele, não sorriu mais.


Os olhos dela ficaram estreitos, como se ela mesma quisesse avançar em Calenor e parar de brincar de menina frágil.


Elyndariel, na posição de noiva e senhora do castelo, ia repreender.


O rosto dela mudou uma fração, o suficiente para mostrar que aquilo era impróprio, mas Calenor falou antes.


Ele olhou para a lança como se estivesse apenas avaliando a ferramenta, e então disse, alto o suficiente para que os próximos ouvissem, e baixo o suficiente para soar como uma provocação: "A arma é boa."


Ele levantou um pouco a ponta, ainda na direção de Gu Ren, e continuou: "Mas precisa conhecer o gosto do sangue."


A frase caiu no pátio como uma gota de veneno em uma taça cheia.


Aquilo era um desafio formal. Era um convite para que Gu Ren reagisse e, ao reagir, virasse o problema no casamento de Elyndariel.


Gu Ren, entretanto, continuou parado.


Calmo.


Como se a lança apontada para ele não fosse nada.


Como se o homem diante dele não fosse um herói.


O olhar dele nem passava por Calenor. Ele olhou apenas para três pessoas naquele momento…


Zao Tian…


Ye Yang…


E Elyndariel.


Era deles que Gu Ren precisava de uma resposta. Seriam eles que decidiriam se ele continuaria ali, parado, ou se faria outra coisa.


O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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