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Capítulo UHL 1166 - Idiotas

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Tenham uma boa leitura!]


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O hematoma na lateral do abdômen de Calenor escurecia rápido demais para ser ignorado enquanto a roupa rasgada balançava no vento do deserto como uma marca pública de dor e humilhação.


Calenor ficou imóvel por um segundo longo, olhando para Gu Ren como se tentasse decidir se aquilo tinha acontecido mesmo, ou se o universo tinha cometido um erro de cálculo ao permitir que um humano o tocasse.


Gu Ren, por sua vez, não aproveitou o silêncio para provocar.


Ele apenas respirou, calmo, e disse, com a mesma voz baixa e limpa de antes: "Pare com isso."


Calenor estreitou os olhos ao escutar o pedido.


Gu Ren completou, sem mudar o tom: "Antes que você se machuque de verdade."


Não era esse o intuito, mas a frase caiu pior do que qualquer insulto. Porque ela não veio carregada de ódio, nem de desafio. Veio como aviso, como se Gu Ren estivesse falando com alguém que não sabe onde está pisando.


O rosto de Calenor contraiu. O sorriso tinha desaparecido, e o que sobrava agora era uma raiva pura, tentando ser elegante e falhando miseravelmente.


"Você…" Ele começou, e a palavra ficou presa, esmagada pelo próprio orgulho.


Na mesma hora, o vento ao redor dele respondeu como se tivesse ouvido a fúria.


O zumbido que antes era fino virou um assobio agressivo, rasgando o ar em volta, empurrando poeira e arrancando areia do chão como se aquele mundo estivesse sendo desfolhado.


"Você tem coragem de falar comigo assim?" Calenor cuspiu, e a voz dele perdeu a cortesia de vez: "Depois de um golpe barato… você ainda acha que pode me aconselhar?"


Gu Ren manteve o olhar firme.


"Não foi barato." Ele respondeu. "Foi conrolado."


O murmúrio do público cresceu.


As casas élficas, que antes vibravam com o show, começaram a perceber que o show tinha mudado de dono.


E isso era um problema.


Calenor apertou a lança na mão.


O metal perfeito parecia vibrar, como se a arma estivesse respondendo ao desejo do sangue que ele tinha mencionado no casamento.


"Controlado?" Calenor repetiu, e a palavra saiu quase como um riso. Um riso doente: "Então me mostre o resto."


E com essas palavras, ele avançou.


Dessa vez, não havia elegância. A lança veio em sequência, girando em arcos amplos, com cada movimento puxando lâminas de vento e ondas sonoras que se sobrepunham como camadas de uma tempestade construída.


A areia explodiu em colunas.


As rochas do deserto começaram a se partir por proximidade.


O ar ganhou aquele som de serra, como se o planeta inteiro estivesse sendo cortado em fatias invisíveis.


Gu Ren não recuou como antes.


Ele se moveu, mas agora a movimentação dele não era só evasão.


Ele usava o corpo como um tipo de eixo e o vento como uma ferramenta.


Uma mão subia e desviava a pressão. A outra anulava o som, empurrando gás para fora, puxando oxigênio, criando bolsões de ar rarefeito e denso para quebrar o ritmo.


Calenor atacava com lâminas e vibração.


Gu Ren respondia com geometria e física.


O primeiro choque real de forças veio quando Calenor lançou uma lâmina de vento horizontal, grossa demais para ser chamada de lâmina, tentando varrer tudo.


Gu Ren bateu o pé no chão e, com um gesto curto, soltou uma rajada contrária. Uma rajada contínua, em alta pressão, como um martelo invisível.


*Craaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…*


O encontro das duas correntes fez o ar estalar com violência.


A areia no meio simplesmente desapareceu.


Ela não foi levantada. Foi arrancada do lugar e arremessada para longe, como se o deserto tivesse perdido a própria pele.


O público gritou, mas o grito não era mais de diversão.


Era de instinto.


Porque aquela onda alcançou os espectadores como um empurrão de vento que quase os desequilibrou no ar.


Aethandor reagiu primeiro.


Sem alarde, ele se moveu para a lateral, levantando a mão e alterando a posição do portal, como se criasse um limite invisível.


Elyndariel não disse nada, mas o olhar dela endureceu, porque ficou óbvio que aquele “lugar apropriado” estava prestes a ser testado até o limite.


"Pra longe!" Alguém gritou entre os elfos. E, como se a multidão tivesse se lembrado de uma regra básica de sobrevivência, eles começaram a se afastar.


Eles subiram, porque não existia mais solo confiável ali.


Todos voaram, buscando altitude e distância, formando um arco enorme no céu deserto, com o portal como referência ao fundo, como uma janela aberta para o casamento que tinha sido abandonado.


Enquanto isso, a planície lá embaixo virou um campo de crateras.


O vento passou a carregar pedras em vez de poeira, e, no centro, os dois continuaram.


Calenor queria um show. Então ele deu ao público um desastre.


Ele girou a lança e o ar ao redor dela começou a cantar em múltiplas frequências, como se cada rotação afiasse o mundo.


Ele avançou com uma estocada que não era para perfurar apenas Gu Ren, mas o espaço junto com ela.


A ponta passou e o rastro abriu um corte no ar, uma linha de pressão que continuou por quilômetros, arrancando o topo de uma duna inteira e, atrás dela, descascando o deserto até revelar solo duro, escuro, antigo, como uma camada que nunca deveria ver a luz.


A areia foi varrida.


O planeta, ali, ficou nu.


Ainda assim, aquilo parecia uma consequência pequena diante do que vinha.


Gu Ren subiu junto. Ele voou sem esforço, acompanhando o ritmo do adversário como se não estivesse sendo puxado para uma batalha de ego.


Calenor atacou de novo, agora usando o som como lâmina.


Uma onda aguda atravessou o espaço entre eles. A vibração fez o ar do deserto vibrar em formas estranhas, e o solo duro abaixo começou a rachar em linhas finas, como vidro sob pressão.


Gu Ren inclinou o corpo, girou o tronco, e a onda passou.


No instante seguinte, ele estendeu a mão. E o ar “parou” num ponto.


Gu Ren criou um bolso denso, saturado de gases que ele puxou do ambiente e comprimiu, e a onda sonora bateu naquele meio diferente e perdeu a entonação.


O que era um estrondo, virou um mero ruído.


Calenor rosnou, frustrado, e tentou outro ângulo, lançando lâminas em sequência.


Gu Ren evitou todas, com movimentações mínimas.


Um desvio de ombro.


Uma inclinação de cabeça.


Um passo no ar.


E, a cada tentativa, Gu Ren devolvia uma punição precisa.


Uma rajada no antebraço.


Um golpe de pressão no ombro.


Um empurrão invisível na base da lança que desviava a arma de trajetória.


Nenhum deles eram ferimentos letais. E era isso que irritava.


Calenor queria sangue, mas Gu Ren estava dando uma aula de disciplina.


Junto com a evolução da intensidade, a frustração de Calenor virou fúria. E, com fúria, ele parou de tentar vencer.


Ele começou a tentar destruir.


O vento ao redor dele se ampliou, virando um redemoinho que engolia o deserto, puxando a areia que restava, pedras soltas, e até pedaços de rocha que já tinham sido arrancados.


Um funil de tempestade subiu ao céu, girando como se quisesse abraçar o planeta inteiro.


A multidão, agora distante e no ar, se moveu mais para trás ainda.


Alguns elfos perderam a postura aristocrática e começaram a demonstrar um temor real.


Aethandor manteve o portal estável, mas os olhos dele estavam frios.


Ele sabia que um mundo deserto ainda tinha limites. E eles estavam chegando.


Zao Tian, ao lado de Ming Xue, não piscava.


A preocupação dele não era Calenor morrer. Era Calenor sobreviver e transformar aquilo em política.


"Ele vai longe demais." Ming Xue disse, baixo, sem emoção na voz.


Zao Tian respondeu com o mesmo controle: "Ele já foi."


Ming Xue acompanhava o campo, e a cada novo ataque de Calenor, o que ela via era o mesmo padrão: Gu Ren punindo sem encerrar. Como se estivesse segurando. Como se estivesse tentando não quebrar algo maior do que o corpo do adversário.


E isso era exatamente o problema.


Porque, em algum momento, segurar a mão vira um risco. E riscos viram acidente.


E acidentes podem virar uma casa inteira de justificativas de vingança.


Enquanto conversava com a sua esposa, Zao Tian olhou de relance para o lado do público élfico, buscando o que realmente importava.


E ele encontrou.


Os Vaelondir estavam inquietos, e era por causa de um nervosismo comum, mas, sim, de indignação.


Eles se moviam constantemente em pequenos agrupamentos, trocando palavras rápidas, com os olhos brilhando de raiva ao ver o chefe da casa ser tocado, empurrado, rasgado e punido.


Alguns apontavam para o rasgo na roupa e cochichavam. Outros olhavam para Gu Ren como se ele tivesse cometido um crime, não por atacar, mas por expor a casa ao ridículo.


E a tensão neles tinha um gosto conhecido: a vontade de intervir.


"Olha." Ming Xue murmurou, seguindo o mesmo foco de Zao Tian.


Um dos Vaelondir mais próximos de Calenor fez menção de avançar, para se aproximar o suficiente de “ajudar” se necessário.


Outro segurou o braço dele, falando algo, e o gesto foi contido, mas o rosto dele também estava vermelho.


Eles estavam a um fio de fazer alguma estupidez.


Zao Tian sentiu o estômago apertar, não por medo de combate, mas pelo tipo de estupidez que povos orgulhosos cometem quando são feridos no orgulho.


"Se eles entrarem…" Ye Yang começou, de longe, e parou, porque a frase não precisava terminar.


Zao Tian respondeu baixo, quase para si: "Eu espero que não chegue a esse ponto..."


Gu Ren, no centro, continuava lutando com as mãos nuas.


Calenor vinha com lança, lâminas de vento e som. E mesmo assim, cada investida era frustrada.


Gu Ren desviava da ponta por poucos centímetros, como se estivesse dizendo: você não me alcança.


E então punia.


Um golpe de pressão que fazia Calenor perder ângulo.


Uma rajada curta que pegava a lateral do braço e deixava os músculos tremendo.


Um empurrão que deslocava o corpo dele no ar, forçando-o a recuperar a postura diante da plateia.


A cada punição, o público reagia em ondas diferentes.


Os elfos comuns começavam a se dividir entre choque e admiração.


Casas experientes ficavam silenciosas, lendo o que era óbvio: Calenor não tinha o controle daquela luta.


Os humanos ficavam tensos, porque sabiam que isso nunca acabava bem politicamente.


Calenor tentou uma manobra maior.


Ele ergueu a lança e o redemoinho ao redor se contraiu, comprimindo ar e som numa única direção.


O ataque veio como um projétil de tempestade.


O impacto arrancou uma faixa inteira do solo duro, abrindo um sulco que mostrava camadas internas do planeta, como carne sendo exposta. E, em algum lugar distante, uma linha de rachadura se formou e correu, serpenteando o globo.


Aquela era uma rachadura que não deveria existir. Como se o planeta inteiro estivesse começando a ceder sob a pressão acumulada.


A reação do público foi imediata.


Eles subiram mais alto. Mais longe. Mais rápido.


Porque, agora, havia o risco de o mundo se partir.


Gu Ren desviou do núcleo do ataque por um fio, e, pela primeira vez, o olhar dele ficou um pouco mais sério.


Ele olhou para Calenor como alguém que percebe que o adversário desistiu de vencer e começou a querer provar algo impossível.


Gu Ren, então, falou, ainda calmo, e a voz dele atravessou o vento: "Você está tentando se matar para não admitir que errou."


Calenor gritou de raiva, e o grito dele veio junto com uma onda sonora que fez o ar tremer.


"Eu vou te apagar da existência!" Ele rugiu.


Gu Ren não respondeu com outro grito.


Ele se aproximou, e, com as mãos nuas, fez o impensável para a plateia: entrou na zona de alcance da lança…


Calenor estocou.


Gu Ren girou o corpo por dentro do golpe, como se o ar fosse um degrau.


A ponta passou raspando.


Gu Ren colocou a palma aberta contra o cabo, empurrando o cabo no instante certo.


A lança desviou, enquanto o movimento de Calenor perdeu alinhamento.


E então Gu Ren soltou uma rajada curta, pontual, em alta pressão, direto no peito.


*Baaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaang…*


Calenor foi jogado para trás no ar, roçando uma nuvem de poeira que não deveria existir naquela altura.


O público explodiu em sons.


Alguns elfos gritaram o nome de Calenor. Outros, em choque, gritaram sem nome nenhum.


E foi nesse instante que Zao Tian confirmou o que temia.


Os Vaelondir se moveram. Mais de um.


Duas figuras avançaram no ar, saindo do grupo, como se a honra deles tivesse estourado a contenção.


O fio tênue tinha se rompido.


Ming Xue apertou o maxilar, enquanto Zao Tian sentiu a frieza entrar no peito.


"Idiotas..." Ele murmurou.


Na mesma hora, Ye Yang e Momoa se mexeram para impedir os Vaelonir…


“Se mais gente pode entrar nessa festa, então é a minha vez de fazer um pouco de exercício.” Momoa comentou enquanto inclinava o corpo para frente, mirando um dos Vaelonir, com uma intenção genuína de mandá-lo tão longe que ele atravessaria todo o sistema solar.


“Eles já perderam a narrativa da honra!” Ye Yang também teceu um comentário enquanto fazia o mesmo.


Na mesma hora, Elyndariel segurou Ye Yang pelo pelo braço.


“Não faça isso!” Ela pediu. Parecia uma ordem, mas foi um pedido. 


Enquanto pedia aquilo para Ye Yang, Elyndariel acenou com a cabeça, apontando para Zao Tian, que tinha se aproximado de Momoa.


“Deixe ele resolver isso, por favor!” Zao Tian pediu a Momoa, sem segurá-lo.


Momoa olhou para o lado. Ele não era alguém que seguia ordens ou cedia em relação às suas vontades, mas a forma com que Zao Tian pediu mexeu com ele.


“Você vai mesmo deixar isso acontecer?” Momoa questionou, preocupado com Gu Ren.


Zao Tian, por sua vez, acenou em concordância, enquanto dizia: “Nós quatro podemos intervir e curar qualquer dano que essa luta cause a eles, quando for o momento.”


Enquanto dizia aquilo, Zao Tian se referia a Momoa, a Gins, a Ming Xiao e a ele mesmo.


O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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