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Capítulo UHL 1168 - Caçada

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Tenham uma boa leitura!]


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O braço arrancado girou no ar por meio segundo antes de ser engolido pelo vento, e aquele único detalhe foi o que fez o deserto inteiro entender, de verdade, o que tinha acabado de acontecer.


Não foi um golpe de advertência. Foi um recado sangrento.


O Vaelondir da vida gritou, e o grito não foi de dor comum. Foi de choque, de um corpo tentando registrar que algo que sempre esteve ali simplesmente, mas não estava mais.


A aura dele oscilou, como se a própria técnica de regeneração tivesse sido atropelada pela velocidade e pela precisão do corte.


Gu Ren não ficou admirando o resultado. Ele apenas manteve a Pequena Brisa na mão, com o corpo híbrido sustentando o ar como se o céu fosse seu chão.


Abaixo dele, o vento do planeta obedeceu.


Calenor encarou a cena com os olhos arregalados por um instante, e esse instante foi a última coisa parecida com lucidez que apareceu no rosto dele.


Depois, a expressão fechou.


O orgulho dele não recuou.


Ele se quebrou.


E, quando quebrou, virou a mais pura intenção assassina.


"Matem-no!" Calenor rugiu de novo, como se repetir a ordem pudesse alterar a realidade.


Os Vaelondir restantes, já comprometidos, atacaram em sequência.


Relâmpagos vieram como redes.


Água veio em lâminas largas que tentavam congelar o ar ao redor de Gu Ren.


Terra subiu em espinhos e placas, tentando forçar a colisão e empalar.


Zonas de escuridão se multiplicaram, puxando o vento para dentro, criando pequenas zonas mortas onde a velocidade seria reduzida.


E o fogo, agora, tentava explodir tudo.


Gu Ren se moveu, mas não como antes, desviando e punindo com cuidado.


Dessa vez, ele entrou de vez no clima da luta e dos seus adversários.


A Pequena Brisa desenhou um arco e o ar ao redor virou uma lâmina.


Um Vaelondir de terra tentou erguer um bloco para interceptar, mas bloco se partiu em duas metades perfeitas, e o cultivador perdeu o braço junto com a parede que acreditava que o salvaria.


Ele nem entendeu o que tinha acontecido.


O corte foi limpo, silencioso, e o corpo dele recuou por reflexo, tarde demais.


O público, longe, soltou um som coletivo, como se todo mundo tivesse engolido o próprio fôlego ao mesmo tempo.


Elfos gritaram nomes.


Outros recuaram mais alto, instintivamente, porque a distância já não parecia suficiente.


Entre os humanos, o olhar de Ye Yang ficou duro.


Raya não piscava.


Ming Xue apenas acompanhava, fria, como se estivesse assistindo uma sentença inevitável sendo executada.


E Zao Tian… Zao Tian olhava para o grupo Vaelondir ao fundo como quem vê uma catástrofe política se formando em tempo real.


Enquanto isso, a Vaelondir do relâmpago tentou, por fim, prender Gu Ren de verdade.


Ela lançou um raio em espiral, uma jaula viva que serpenteava, tentando abraçar o corpo dele.


Gu Ren estendeu a mão livre, e o ar ao redor do raio mudou.


O que Gu Ren fez não apagou eletricidade. Ele mudou o meio.


O raio buscou por um caminho, mas encontrou uma densidade e composição diferentes, como se o próprio ambiente tivesse deixado de ser um amigo.


A jaula falhou, deformando, e a Vaelondir arregalou os olhos por uma fração de segundo.


Gu Ren rapidamente apareceu ao lado dela, com um salto curto, impossível de acompanhar.


A Pequena Brisa subiu… E desceu.


A ponta passou pelo ombro, e o braço dela se desprendeu com uma precisão brutal, caindo como uma bandeira rasgada.


A Vaelondir gritou, e o relâmpago ao redor dela morreu de uma vez, como se o instinto tivesse desligado o elemento para tentar salvar o corpo.


Ela caiu no ar por um segundo, antes de se estabilizar com desespero.


O Vaelondir da vida tentou interceptar novamente, avançando com força e se regenerando, agora mais perto do pânico do que de coragem.


Ele veio para agarrar, para segurar, para criar o segundo necessário para que o grupo pudesse lançar tudo.


Gu Ren, porém, não deu esse segundo.


O que ele deu foi dor.


O ar ao redor do Vaelondir mudou de um jeito que não era bonito, nem heroico. A atmosfera ficou irritante. Áspera. Como se tudo ao redor tivesse virado um ataque.


Os olhos do Vaelondir lacrimejaram na hora. A garganta dele fechou por instinto, enquanto a pele exposta começou a arder.


Era amônia.


Como consequência de um domínio absoluto sobre gases, puxados, comprimidos e liberados, Gu Ren estava causando uma dor excruciante ao inimigo.


O Vaelondir da vida levou a mão ao rosto, engasgando, e a regeneração dele não podia regenerar o fato de que ele não conseguia respirar bem.


Seus pulmões doíam, e, por isso, ele perdeu o ritmo.


E perder ritmo diante de Gu Ren, naquela forma, era o mesmo que perder membros.


Gu Ren passou por ele e golpeou com a lança de lado, usando o cabo como uma extensão do corpo.


O impacto foi tão violento que o Vaelondir foi arremessado para baixo, atravessando uma camada de poeira e batendo contra o solo duro.


O chão estourou e uma enorme cratera se abriu.


A rachadura do planeta, já extensa e profunda, correu mais alguns quilômetros como resposta.


Calenor gritou… De frustração. De ódio.


Então, ele atacou como um animal que esqueceu que existe um futuro.


Calenor avançou com som e vento, rasgando o ar em lâminas múltiplas, tentando cortar Gu Ren em ângulos que nenhum humano “deveria” conseguir ler.


Contudo, Gu Ren leu. E ele não bloqueou.


Ele entrou por dentro. E, pela primeira vez, a plateia viu Calenor perder mais do que um pedaço de roupa.


A Pequena Brisa passou perto demais.


Calenor girou para desviar, e ainda assim sentiu.


Um corte curto abriu a lateral do ombro, e o sangue apareceu no ar como um detalhe pequeno… porém impossível de esconder.


O círculo de elfos explodiu em murmúrios indignados.


Os Vaelondir ao fundo, os que ainda não tinham entrado, ficaram vermelhos.


Havia mãos fechando.


Havia gente se movendo.


Havia olhos brilhando com a vontade de fazer uma idiotice maior ainda.


Zao Tian sentiu o peito ficar frio.


"Isso não vai parar sozinho." Ming Xue disse, e pela primeira vez, ela não soou apenas analítica. Soou preocupada com a consequência, não com a violência.


Zao Tian respondeu sem tirar o olhar do grupo Vaelondir: "Eu sei."


Gu Ren, lá embaixo, já não estava só punindo.


Ele estava esmagando.


A Pequena Brisa, por ser uma Arma do Espírito, se movia como se fosse extensão direta da intenção dele, sem hesitação, sem “peso” morto.


Cada estocada era um corredor de alta pressão. Cada giro era uma tempestade localizada.


Ele alternava o vento puro com gases que não eram para matar diretamente, mas para quebrar a organização, causando irritação, sufocamento ou tontura.


Um Vaelondir de água tentou congelar o ar em torno do corpo dele.


Gu Ren rarefez a zona e o gelo não se formou bem. E, quando ela tentou compensar com lâminas líquidas, ele respondeu com uma rajada em alta pressão que estourou o líquido e o transformou em uma chuva irregular.


A água voltou para ela como chicote, um coice, e a Vaelondir foi cortada pelo próprio ataque, abrindo feridas longas nos antebraços.


Ela perdeu o controle do elemento por um segundo, e Gu Ren aproveitou esse segundo e arrancou a perna dela com um golpe que parecia mais simples do que deveria ser.


O corpo dela rodou no ar, e, por instinto, ela tentou regenerar, mas a regeneração de alguém do seu elemento não faz um membro crescer só porque o orgulho manda.


Ela caiu, desesperada, segurando o que restou, enquanto a aura dela tremia.


A plateia gritou de novo.


Alguns elfos cobriram o rosto. Outros ficaram hipnotizados pelo horror.


Os humanos, por dentro, sentiam uma satisfação suja e inevitável, porque era isso que muitos tinham esperado desde o pátio do casamento: Um castigo inevitável.


Mas Zao Tian não conseguiu sentir alívio, porque cada amputação era um prego a mais no caixão da prudência Vaelondir.


E Calenor… Calenor estava perdendo a capacidade de reconhecer isso.


Ele atacava sem parar. Ele já não calculava seus movimentos. Ele só queria alcançar Gu Ren e rasgar algo que provasse para todos que ele ainda era o herói da própria história.


"Você vai cair!" Calenor gritou, e a voz dele já não tinha forma. Ela era rouca e grave.


Gu Ren respondeu, ainda calmo.


"Você já caiu." Ele disse.


Depois, ele atacou de novo. Dessa vez, sem economizar.


A Pequena Brisa atravessou uma esfera de escuridão e a rasgou ao meio como se fosse um tecido.


O Vaelondir que manipulava aquilo sentiu o impacto refletir no próprio corpo, e o peito dele afundou como se tivesse levado um soco interno.


Ele cuspiu sangue e perdeu altitude, mas Gu Ren não o perseguiu.


Ele virou para o lado e acertou outro Vaelondir, um de fogo, que veio com uma explosão tentando engolir tudo.


Gu Ren puxou ar, o fogo perdeu volume, e a lança entrou pelo espaço aberto, atravessando a coxa do homem e arrancando o membro inteiro com a mesma brutalidade eficiente de antes.


A perna caiu. O fogo apagou. O Vaelondir gritou.


E aquela gritaria virou um coro muito ruim para a casa.


Calenor viu cada queda, viu cada membro perdido pelos seus familiares, e cada sangue no ar.


Contudo, em vez de escutar a voz da razão e recuar, ele ficou mais louco ainda.


A aura dele começou a vibrar de um jeito diferente, como se a própria técnica estivesse sendo forçada além do limite seguro.


Ele estava se destruindo para tentar destruir. E isso era o tipo de coisa que termina em morte.


"Chefe!" Alguém gritou do grupo Vaelondir, ao longe, e a palavra saiu como uma súplica.


Calenor simplesmente ignorou.


Ele avançou com a lança e, junto, soltou uma onda sonora tão aguda que o ar ao redor ficou branco por um instante, como se vibração tivesse virado matéria.


A onda atravessou o campo, cortou rochas, abriu linhas no solo duro, e, na fissura planetária, uma nova bifurcação surgiu.


O planeta gemeu.


Gu Ren desviou por pouco. E, no desvio, a Pequena Brisa desenhou uma linha que passou perto demais do pescoço de Calenor.


Calenor sentiu o vento e a morte encostarem na sua alma.


Ele arregalou os olhos, e, pela primeira vez, o medo apareceu no seu olhar.


Contudo, o medo dele não virou prudência.


Virou desespero.


Ele atacou de novo, de novo, e de novo, como um homem tentando esconder o medo atrás de velocidade.


Gu Ren não deu espaço.


Ele entrou por dentro de uma estocada, girou o corpo, e a Pequena Brisa veio por baixo, mirando o pescoço de Calenor com uma intenção limpa de acabar com aquilo de uma vez por todas.


Aquele era o golpe final.


E, naquele instante, o círculo de espectadores explodiu em reações diversas.


Alguns elfos gritaram como se fosse tarde demais. Alguns Vaelondir se moveram, tentando avançar.


Ye Yang prendeu o ar.


Momoa inclinou o corpo, pronto para quebrar meio mundo.


Zao Tian abriu a boca para dizer algo que não saiu.


Elyndariel, por sua vez, se moveu.


Antes do tempo de um piscar de olhos, ela apareceu entre os dois como se o espaço tivesse sido dobrado para servir a vontade dela. E, com um gesto elegante, ela ergueu a mão.


O ar ficou frio.


Um frio limpo. Sem espetáculo. Sem excesso.


O gelo surgiu como uma lâmina transparente, uma placa fina e perfeita, condensada com uma precisão absurda no exato ponto onde Pequena Brisa passaria.


Então, o golpe de Gu Ren bateu.


E parou.


O som foi seco, bonito e cruel ao mesmo tempo.


Um estalo cristalino atravessou o deserto, e a placa de gelo, mesmo trincando, segurou.


Segurou porque Elyndariel quis. Segurou porque ela tinha poder suficiente para impor um fim àquela loucura que já tinha passado do ponto.


Por um segundo, Gu Ren ficou imóvel, com a lança presa contra o gelo.


A forma híbrida dele vibrava, a aura ainda alta, mas o olhar dele foi parar em Elyndariel.


E, nesse olhar, havia respeito.


Elyndariel encarou de volta, séria, e disse: "Chega."


A palavra não foi um pedido. Foi o encerramento.


Calenor, atrás dela, respirava como um homem afogado que voltou à superfície por acaso.


A roupa dele estava em tiras; O corpo coberto de hematomas, cortes, marcas; O ombro sangrava; A aura instável tremia.


Ele estava vivo por um detalhe. E, mesmo assim, os olhos dele ainda tentavam procurar Gu Ren como se quisessem continuar.


Elyndariel, por sua vez, virou o rosto só o suficiente para olhar Calenor de canto.


O frio no olhar dela foi pior do que a batalha inteira.


"Você já desonrou sua casa hoje." Ela disse, e a voz dela não subiu nem tremeu: "Se insistir em morrer aqui… vai me obrigar a transformar a sua morte em um exemplo."


Calenor tentou falar, mas o que saiu foi apenas um som rouco, atravessado por dor e orgulho quebrado.


Gu Ren, ainda com Pequena Brisa na mão, ficou parado por um instante.


A aura dele começou a diminuir, não porque ela “acabou”, mas porque ele escolheu recolhê-la.


O olhar de tigre ainda estava lá, mas o corpo parecia aceitar o comando interno de parar.


A Pequena Brisa tremeu uma vez, obedecendo ao dono.


O público, lá longe, ficou em silêncio.


Um silêncio que tinha duas camadas.


A primeira era satisfação. Aquela satisfação suja e inevitável de ver Calenor e os Vaelondir sendo esmagados do jeito que mereciam por terem transformado um casamento em um tentativa de execução e de autoafirmação.


A segunda era medo. Medo do que a casa Vaelondir faria depois de ter sido humilhada e mutilada diante de todo o povo élfico.


Zao Tian, com o olhar fixo no grupo Vaelondir, viu o mesmo que Ming Xue viu.


Eles não estavam só chocados. 


Eles estavam… fervendo. E isso era o que realmente importava agora, porque a surra tinha lavado a alma de muitos, mas o mundo real sempre cobra a conta depois.


Enquanto isso, Elyndariel manteve o gelo diante de Gu Ren por mais um segundo, garantindo que a decisão estivesse cravada no ar.


Então ela baixou a mão e a placa se desfez em fragmentos finos, que viraram neve por um instante antes de desaparecer.


"Retirem os seus." Ela ordenou, para os Vaelondir.


O tom não foi gentil. Foi o tom de quem manda até no orgulho alheio. E ela ainda completou: “Se mais alguém quiser lutar ou morrer hoje, terá que fazer isso tendo eu como sua algoz!”


Alguns Vaelondir desceram rápido para recolher os feridos, tentando segurar gritos, tentando parecer menos quebrados do que estavam.


Outros só encaravam Gu Ren com um ódio mudo.


Calenor, de joelhos no ar por um segundo, foi segurado por dois dos seus.


Ele ainda tentava erguer o rosto. Ainda tentava manter a narrativa. Mas a verdade já tinha sido escrita.


E Gu Ren, com Pequena Brisa na mão, olhando para Elyndariel com a calma de quem sabe que foi interrompido por uma autoridade legítima, permaneceu parado… como um predador que aceitou parar de morder não por incapacidade, mas porque alguém maior decidiu que a caça tinha acabado.


Por enquanto.



O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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