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Capítulo UHL 1169 - Sem Bravatas

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Tenham uma boa leitura!]


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Quando a luta acabou, o vento voltou a ser apenas o que era… Calmo.


Não porque o deserto tivesse se acalmado, mas porque, pela primeira vez desde o pátio do casamento, alguém tinha arrancado a violência do centro do palco e a colocado no lugar que ela merecia: um erro caro demais para continuar.


O planeta abaixo deles estava mutilado.


A cicatriz que cruzava o horizonte não parecia mais uma rachadura. Parecia uma fratura que o mundo carregaria por eras, como se a própria crosta tivesse sido puxada por mãos invisíveis até ceder.


Onde antes havia dunas, agora havia osso. Solo duro exposto. Rochas abertas. E, em vários pontos, camadas internas aparecendo em cortes longos, como se alguém tivesse descascado a superfície por curiosidade.


Os elfos, espalhados em arco no céu, não aplaudiram. Também não vaiaram.


Eles apenas encararam. E, no silêncio deles, havia uma coisa que não existia antes do combate: cálculo.


Eles tinham visto muitos duelos. Tinham visto heróis. Tinham visto punições. Mas aquilo não tinha sido um duelo.


Aquilo tinha sido uma casa importante sendo desarmada, amputada e calada por um humano, sozinho.


E ninguém ali podia se dar ao luxo de fingir que era sorte.


O olhar de muitos elfos não estava mais em Calenor.


Estava no espaço entre os humanos. No modo como o grupo se posicionava sem barulho, sem hesitação, como se aquilo tudo fosse parte de uma realidade com a qual eles já lidavam há muito tempo.


Elyndariel permaneceu no centro da decisão, acima do cenário destruído. O movimento dela tinha encerrado o golpe final, mas não tinha encerrado a consequência.


E consequência ali era política.


Calenor ainda respirava com dificuldade, sendo sustentado por dois Vaelondir.


Ao redor dele, feridos flutuavam em posições instáveis, tentando segurar os gritos, tentando estancar os sangramentos, tentando segurar, sobretudo, a vergonha de terem sido expostos ao ridículo.


Alguns tinham perdido membros. Outros estavam com cortes profundos.


Havia corpos tremendo por choque e falta de ar. E havia olhos olhando para Gu Ren com ódio suficiente para ser perigoso, mesmo quando o corpo já não conseguia sustentar a própria postura.


Gu Ren, por sua vez, ainda segurava a Pequena Brisa.


A forma híbrida estava recolhida o suficiente para não parecer um convite imediato à continuação, mas a presença dele não tinha sumido.


Ela apenas estava guardada, como se ele tivesse decidido, por conta própria, não humilhar mais.


A decisão de parar tinha sido por respeito a Elyndariel, mas a decisão de não continuar esmagando tinha sido dele.


Foi isso que deixou alguns elfos ainda mais desconfortáveis, porque eles não estavam acostumados a ver alguém poderoso segurar a mão sem ser obrigado.


O círculo de espectadores começou a se reorganizar.


Casas grandes se aproximaram um pouco, cautelosas, como quem não quer perder nenhum detalhe.


Casas menores murmuravam rápido, como se já estivessem escrevendo versões diferentes daquela história para vender, para usar, para sobreviver.


E os Vaelondir, mesmo quebrados, mantinham a tensão no ar, como se qualquer aproximação fosse virar outro conflito.


Foi aí que Zao Tian se moveu.


Não foi teatral. Foi o mesmo tipo de movimento que ele fazia quando uma decisão prática se impunha: direto, sem pedir licença ao drama.


Gins veio junto, silencioso.


Ming Xiao acompanhou na mesma linha.


E Momoa, ao lado, não parecia preocupado em ser bem visto. Parecia preocupado em evitar a próxima estupidez.


Eles desceram, atravessando o vazio entre os observadores e os feridos, e a reação foi imediata.


Alguns elfos recuaram instintivamente, como se aquele grupo fosse uma ameaça prestes a atacar de novo.


Outros ficaram parados, mas endureceram o olhar, tentando manter orgulho onde já não havia segurança.


Os Vaelondir ergueram o que restava de postura quando perceberam a aproximação.


Um dos que ainda tinha os dois braços levantou a mão, criando uma barreira de vento fraca demais para ser um ataque, mas forte o suficiente para ser um aviso.


"Não se aproximem." Ele disse, com a voz trêmula de raiva e exaustão.


Momoa respondeu primeiro, porque Momoa não tinha paciência para cerimônias quando a realidade já tinha esmagado a etiqueta.


"Vocês já perderam." Ele disse, sem suavizar: "E vocês sabem disso."


O Vaelondir tentou sustentar o olhar, mas o próprio corpo dele denunciava o limite.


"Não precisamos de nenhuma ajuda humana." Ele rebateu, como se a frase fosse uma muralha.


"Vocês precisam." Ming Xiao disse, e o tom não foi provocação. Foi constatação.


Gins, por sua vez, apenas parou ao lado, observando os ferimentos como quem não estava interessado no debate.


Zao Tian manteve os olhos no grupo, lendo a tensão.


"Se vocês morrerem aqui, o que vem depois fica pior para todo mundo." Ele disse.


Um murmúrio atravessou o arco de espectadores.


Não era comum ouvir um humano falar desse jeito no meio de uma humilhação alheia.


A lógica normal daquele tipo de situação era deixar sangrar. Deixar morrer. Deixar a vergonha virar um trauma e, com o trauma, viesse o medo.


Contudo, Zao Tian estava falando em evitar uma escalada. Como se ele não estivesse preocupado em parecer vitorioso. Como se ele estivesse preocupado em não dar desculpa para uma guerra estúpida.


O Vaelondir que sustentava a barreira apertou os dentes.


"Você acha que temos escolha?" Ele rosnou.


Momoa deu um passo no ar, e o peso do movimento não foi uma ameaça aberta, mas foi o suficiente para silenciar alguns murmúrios.


"Sempre tem uma escolha!" Momoa disse: "Só que vocês gostam de fingir que orgulho é igual a destino."


O Vaelondir tentou responder, mas um gemido alto interrompeu.


Um dos feridos, mais abaixo, perdeu estabilidade e quase caiu, porque a aura dele oscilou de novo.


A perda de sangue estava vencendo a raiva, e Gins se moveu antes que ele caísse.


Ele segurou o ferido pelo ombro, estabilizou o corpo no ar e colocou a palma na região do corte, sem esperar por uma permissão.


O Vaelondir arregalou os olhos.


"Não toque em…" Ele tentou impedir, mas o protesto não terminou.


A energia da vida se manifestou.


Sem selos. Sem matrizes.


Aquilo foi um fluxo limpo, silencioso, entrando como uma espécie de calor controlado.


O ferido engasgou, não de dor, mas de alívio involuntário.


A hemorragia desacelerou; A pele ao redor do corte se contraiu; As fibras internas, esmagadas, começaram a se reorganizar.


O ferido, ainda consciente o suficiente para sentir, apertou a mandíbula e soltou um som baixo, confuso.


"Como…" A pergunta dele morreu, porque o próprio corpo respondeu por ele.


A dor diminuiu; O tremor perdeu força; E, o mais humilhante de tudo para alguns ali, foi que a cura tinha vindo sem nenhum teatro.


Sem nenhum símbolo. Sem que o curandeiro pedisse nada à energia espiritual.


Era o mais puro e evidente domínio.


Os elfos ao longe reagiram com um choque diferente do que tinham sentido na luta.


Eles não gritaram, mas se inclinaram. Como se, de repente, estivessem vendo algo que não cabia no que eles sabiam sobre o cultivo.


Alguns elfos, que claramente entendiam de medicina, ficaram com o olhar preso na mão de Gins, pois aquilo não era o que eles chamariam de tratamento.


Era algo mais direto. 


Mais nu.


E, por isso mesmo, mais assustador.


Enquanto isso, Ming Xiao se aproximou de outro ferido, um que estava segurando o próprio cotoco com a outra mão, tentando não olhar para a ausência do membro.


"Se você continuar assim, você vai perder mais do que perdeu no combate." Ming Xiao disse.


O Vaelondir tentou levantar o queixo.


"Eu… não preciso…"


"Precisa." Ming Xiao cortou, sem crueldade: "Se você morrer aqui, você vira uma desculpa. Não vira um exemplo de honra."


A palavra desculpa acertou mais fundo do que o ferimento, porque era exatamente isso que aquela casa queria evitar e, ao mesmo tempo, estava prestes a criar.


Momoa olhou para os Vaelondir em volta e falou mais alto, para que o círculo todo entendesse.


"Ouçam bem." Ele disse: "Vocês foram vencidos. E isso acontece. Sempre tem alguém mais forte do que você."


Um Vaelondir, mais jovem, com os olhos ainda cheios de fúria, rosnou.


"Isso não…"


"Isso é a única coisa que importa agora." Momoa interrompeu: "Você pode escolher morrer por orgulho… ou pode escolher viver e lidar com a realidade. A realidade não se curva porque você grita ou não gosta dela."


O jovem abriu a boca, mas fechou. Porque ele não tinha outro argumento que não fosse ego.


E, sendo sincero, ego não estancava sangue.


Zao Tian, enquanto isso, olhou para o Vaelondir da vida que tinha sido arremessado para baixo e ainda estava se recuperando do impacto e da exposição aos gases.


A aura dele estava irregular, como se a própria técnica de suporte tivesse sido desorganizada pelo trauma e falta de ar.


Ele tentou se erguer, mas o corpo falhou.


Zao Tian se aproximou e parou a uma distância respeitosa.


"Você não precisa gostar disso." Zao Tian disse: "Só precisa aceitar."


O Vaelondir respondeu com um olhar carregado de rancor: "Você quer que eu aceite ser… salvo por você?"


Zao Tian não piscou.


"Eu quero que você não morra por causa de um erro que não tem retorno." Ele disse.


O Vaelondir riu, soltando um som curto e doente, antes de questionar: "Erro?"


Zao Tian inclinou a cabeça, e a resposta veio seca, sem sadismo.


"Vocês entraram para matar um convidado em um lugar onde não deviam lutar." Ele disse: "Isso não foi honra. Foi estupidez."


O Vaelondir apertou os dentes, mas, ao redor, outros Vaelondir já estavam cedendo.


Não por humildade, mas por instinto de sobrevivência.


Quando viram a hemorragia diminuir em um, e a estabilidade voltar em outro, eles perceberam que recusar ajuda ali seria escolher morrer em público. E morrer em público, daquela forma, não viraria uma lenda bonita.


Viraria vergonha.


Um Vaelondir mais velho, com um corte profundo no flanco, tentou manter a postura.


"Se tocar em mim…"


Momoa deu um passo ao lado dele, e a fala foi breve.


"Você já foi tocado pelo chão hoje." Ele disse: "E não foi com carinho. Então pare de atuar."


O Vaelondir trincou o maxilar, mas, quando Ming Xiao estendeu a mão, sem pressa, ele não afastou.


A cura começou. E foi aí que o espanto virou algo maior.


Eles estavam vendo energia vital sendo aplicada como uma ferramenta refinada.


Sem selos.


Sem matrizes.


Os elfos curandeiros presentes, que tinham se aproximado com cautela, ficaram parados como se estivessem testemunhando uma violação de paradigma.


Um deles, claramente alguém respeitado, deixou escapar uma frase que não foi para aparecer: "Isso… não é possível sem uma estrutura."


Outro respondeu, igualmente baixo: "Ou nós é que não sabíamos que era."


A diferença parecia pequena, mas ela cortava um mundo ao meio.


Zao Tian se ajoelhou no ar ao lado de um Vaelondir que tinha perdido muito sangue.


O ferido tentou protestar com a última força: "Não… preciso…"


Zao Tian encostou dois dedos na região acima do corte, sem pressão, como se estivesse apenas marcando um ponto.


"Você não está aceitando isso por mim." Ele disse: "Você está aceitando isso para não dar mais motivos para ninguém tomar decisões piores."


O Vaelondir engoliu em seco, e, quando Zao Tian finalmente liberou a energia, o choque percorreu o círculo inteiro.


A energia da vida dele não parecia tímida. Não parecia improvisada.


Ela parecia natural demais para ser secundária.


O tratamento foi tão limpo que alguns elfos sentiram um incômodo real, como se estivessem vendo alguém falar um idioma proibido sem esforço.


O ferido, que estava tremendo, parou de tremer; A respiração dele regularizou; A hemorragia cedeu de um modo que não parecia uma “cicatrização forçada”, mas uma reorganização perfeita.


E, por alguns segundos, o céu ficou quieto, não por medo do combate, mas pela pergunta que nasceu na mente de todos ao mesmo tempo.


Como?


Alguns elfos já tinham catalogado Zao Tian como um símbolo perigoso.


O único manipulador da luz vivo.


Uma coisa rara demais para ser ignorada, e perigosa demais para ser tratada como curiosidade.


Até então, a comparação fácil era chamá-lo de um novo Zaki, e usar isso como uma referência confortável para o desconhecido.


Mas aquilo…


Aquilo não era luz.


Aquilo era vida.


E a vida, daquele jeito, não era comum nem dentro de casas que se orgulhavam de curar.


Um murmúrio diferente se espalhou.


Um murmúrio que já não tinha admiração, nem simples indignação. Tinha inquietação. Tinha medo.


Um elfo, ao fundo, falou alto o suficiente para ser ouvido por casas próximas, sem perceber que tinha acabado de expor o próprio pânico.


"Ele controla a vida… assim?"


A pergunta ficou no ar, e ninguém respondeu em voz alta, porque a resposta era óbvia demais.


Sim.


E se ele controlava vida daquele jeito, com essa precisão, com essa eficiência, sem estrutura, sem matrizes ou selos… então a pergunta seguinte era inevitável.


Se isso é o “segundo” elemento dele… O que seria, então, o nível real dele na luz?


A conclusão não precisava ser dita para machucar.


Ela machucava sozinha.


Zao Tian se levantou no ar com calma e olhou para o conjunto Vaelondir.


Alguns já estavam estabilizados. Outros ainda estavam sendo atendidos por Gins e Ming Xiao.


Momoa circulava como um guardião impaciente, não permitindo que ninguém transformasse a cura em uma discussão.


E Calenor… Calenor continuava recusando.


Ele se afastava sempre que alguém tentava se aproximar.


Os dois que o sustentavam não sabiam mais se estavam ajudando ou sendo usados como muletas para manter a narrativa.


"Não encostem em mim." Calenor rosnou, e a voz dele tinha mais orgulho do que fôlego.


Momoa olhou para ele com um desprezo direto.


"Você não quer cura." Momoa disse: "Você quer um aplauso atrasado e que não fez por merecer."


Calenor tentou erguer a lança em resposta, mas a mão falhou.


A aura dele oscilou, fraca.


Ele não era mais ameaça naquele instante. Era apenas um homem tentando se agarrar ao que restou do próprio nome.


Zao Tian não insistiu.


Ele não precisava salvar Calenor. Ele precisava impedir que a morte de Calenor ali virasse um gatilho imediato.


E havia mais de um jeito de impedir isso.


Ele olhou para Elyndariel, ao longe.


Ela observava sem interferir, mas o olhar dela estava atento, pesado.


Zao Tian sabia que, naquele momento, a autoridade dela era o único escudo real entre a casa Vaelondir e uma decisão ainda mais burra.


Ele voltou para os Vaelondir que estavam aceitando ajuda e falou, para que eles e o público entendessem o ponto.


"Se vocês quiserem continuar vivos, aceitem." Ele disse: "Se quiserem transformar isso em uma tragédia maior, recusem e morram. Mas não finjam que isso é honra."


O silêncio que veio depois foi diferente.


Era silêncio de gente reavaliando o mundo.


Porque, no mesmo dia, eles tinham visto duas coisas que mudavam toda a lógica.


Tinham visto um humano subjugar uma casa élfica com poder suficiente para destruir um planeta.


E tinham visto humanos, depois disso, descerem para curar os inimigos.


Isso era o que os elfos realmente temiam.


Não era a força bruta. Era a certeza de que os humanos não estavam blefando quando falavam de guerra.


Eles tinham disciplina para lutar; Tinham força para vencer; E tinham frieza o suficiente para não transformar toda vitória em massacre inútil.


O medo que antes era uma dúvida virou certeza.


Não era mais "talvez os humanos sejam perigosos". Era "eles são".


E se eles eram assim entre si, se eles conseguiam lidar com casas antigas e orgulhosas desse jeito…


Então quando diziam que estavam dispostos a enfrentar deuses, não eram bravatas de quem nunca viu o céu quebrar.


Era uma promessa de quem já vive em guerra há tempo demais para se impressionar com nomes.


Um Vaelondir, com o rosto pálido pela perda de sangue, olhou para Zao Tian enquanto a vida dele era estabilizada e, num fio de voz, deixou escapar algo que era um reconhecimento involuntário: "Vocês… realmente acham que podem sustentar uma guerra contra qualquer raça."


Zao Tian respondeu sem levantar a voz.


"Não é uma questão de achar." Ele disse: "É uma questão de estar preparado para não ter escolha."


A frase percorreu o círculo.


Alguns elfos se incomodaram, porque ela não soava como uma ameaça.


Soava como uma realidade.


Gins terminou de estabilizar um dos feridos e se afastou um pouco, avaliando se alguém ainda corria risco imediato.


Ming Xiao ajudou a recolocar um ferido em posição, orientando a respiração, corrigindo fluxo interno com um toque.


Momoa encarou o grupo Vaelondir mais rígido e falou, como quem esfrega um conceito simples no rosto de uma casa inteira.


"Guardem isso nas memórias de vocês." Ele disse: "Vocês encontraram alguém mais forte. Isso acontece. Aceitar é o que separa quem vive de quem vira uma história mal contada."


Os Vaelondir, mesmo fervendo por dentro, não tinham mais força para responder com soberba.


E o público élfico… o público tinha sido obrigado a engolir algo que nunca quis admitir.


Eles não estavam lidando com humanos que pediam espaço.


Eles estavam lidando com humanos que tomavam espaço, sustentavam e ainda escolhiam como terminar. E, no centro disso, Zao Tian se mostrou ainda pior do que o que imaginavam.


Porque agora eles viam, com clareza, que a raridade dele não era só a luz.


Era a combinação. Era a perfeição. Era o fato de que o segundo elemento dele não parecia “segundo”.


Parecia tão absoluto quanto o primeiro.


E a pergunta que ninguém ousou dizer em voz alta ficou flutuando no céu, mais pesada do que a fratura no planeta.


Se ele faz isso com vida… O que ele faz com luz?




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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