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Capítulo UHL 1170 - Constrangedor

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Tenham uma boa leitura!]


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A retirada dos Vaelondir não teve dignidade.


Teve pressa. Teve silêncio engolido. Teve sangue que já não era sangue, mas uma memória pegajosa na mente de quem assistiu.


Quando os feridos finalmente estabilizaram o bastante para não cair do céu, os membros restantes da casa formaram uma espécie de cordão, tentando esconder o que já não dava para esconder.


Calenor foi o último a atravessar o portal.


Não porque tinha alguma grandiosidade em permanecer, mas porque o corpo dele estava pesado demais para sustentar a própria mentira.


Dois Vaelondir o seguravam como se carregassem uma estátua quebrada, e ele ainda tentou virar o rosto uma vez, buscando Gu Ren com o olhar.


Não havia ódio limpo ali.


Havia algo mais feio: a necessidade de que o mundo confirmasse que ele ainda existia.


Gu Ren não devolveu nada. Ele apenas ficou parado no ar, com a Pequena Brisa já recolhida e a aura reduzida ao mínimo, como se tivesse decidido, de propósito, não dar ao derrotado nem o luxo de um último confronto de olhares.


Elyndariel observou a saída como quem fecha uma porta com cuidado para não ouvir o barulho do fracasso.


Aethandor sustentou o portal por tempo suficiente para que todos passassem, e, quando o último Vaelondir cruzou, o arco se fechou com a mesma elegância silenciosa com que tinha sido aberto.


O deserto ficou… Mutilado. E, por cima dele, ficou o público.


E o problema era que o público já não sabia o que fazer com as próprias mãos.


Alguns elfos ainda estavam em choque. Outros já estavam discutindo em sussurros, porque o sussurro era a última forma de manter a ilusão de que aquilo não tinha sido uma humilhação pública de escala histórica.


Os humanos, por sua vez, não celebravam.


Não por falta de vontade em alguns, mas porque eles entendiam o que vinha depois. E o depois sempre era o que matava mais.


Aethandor foi o primeiro a tentar puxar o mundo de volta para a superfície. Ele se aproximou no ar, com a postura impecável, como se pudesse costurar o tecido social com as mesmas mãos que dobravam o espaço.


"Acredito que..." Ele começou, e a voz dele carregava aquela formalidade que um anfitrião usa para fingir que um incêndio foi apenas uma vela derrubada: "A noite ainda não terminou."


Ele varreu os rostos ao redor, buscando um ponto de equilíbrio.


"O castelo ainda está aberto." Aethandor continuou: "O vinho ainda está servido. E... este casamento ainda é um símbolo. Seria um desperdício deixar que o orgulho de uma casa estrague o que foi construído aqui hoje."


Alguns elfos assentiram, como se estivessem agradecidos por alguém dizer algo que não fosse o nome Vaelondir. Outros não reagiram.


Eles apenas encaravam os humanos. E aquelas encaradas não eram curiosidade.


Era medo disfarçado de avaliação.


Aethandor estendeu a mão para o lado e abriu um portal novo, revelando, do outro lado, o pátio do castelo.


Luzes, música distante, agora estranha, e uma festa que ainda existia no corpo... mas já tinha morrido na alma.


"Voltemos." Ele disse.


Houve um movimento lento, indeciso. Como se todo mundo soubesse que, ao atravessar, estaria fingindo.


Zao Tian ficou por último, observando o arco de elfos.


Ele já tinha visto guerras começarem por menos, então, ele se aproximou de Elyndariel, mantendo a voz baixa o suficiente para não transformar o pensamento em um anúncio.


"Talvez..." Ele disse, com cuidado: "Seja melhor nós voltarmos para casa."


Elyndariel virou o rosto, e o olhar dela não era irritado. Era simplesmente... irredutível.


"Por quê?" Ela perguntou, como se a resposta fosse óbvia demais para ser aceita.


Zao Tian sustentou o olhar.


"Porque cada segundo nosso ali vai ser estranho." Ele respondeu: "Eles não vão olhar para você. Vão olhar para nós."


Elyndariel segurou o silêncio por um instante, como se estivesse decidindo se a realidade merecia uma concessão.


Então ela falou, sem elevar a voz, e ainda assim com a força de alguém que não negocia a própria noite.


"Ainda é o meu casamento." Ela disse.


A frase ficou no ar como um marco.


Elyndariel continuou, e a segunda parte veio com uma clareza quase desarmante: "Vocês são meus convidados… Então a festa continua."


Zao Tian abriu a boca para dizer algo, mas parou.


Ele já sabia que insistir seria, nesse caso, desrespeito.


Elyndariel completou, firme, olhando para o portal como se olhasse para o próprio castelo e dissesse "me obedeça".


"Eu espero que vocês retornem." Ela disse.


Zao Tian assentiu: "Então nós voltaremos." 


A resposta dele não foi por submissão, mas uma escolha estratégica. E, também, um reconhecimento silencioso de que Elyndariel tinha decidido enfrentar o constrangimento com o mesmo orgulho com que enfrentaria um exército.


Enquanto o grupo começava a se mover na direção do portal de Aethandor, Raya ficou para trás por um segundo, porque os olhos dela estavam em Gu Ren.


Gu Ren ainda pairava no ar, mais afastado, com a postura neutra, como se estivesse tentando devolver o próprio coração para o ritmo normal depois de ter sido uma tempestade.


Raya se aproximou como quem sabe exatamente qual é o lugar dela no caos.


Ela parou diante dele, de braços cruzados, com um sorriso pequeno, e disse como se estivesse falando sobre a coisa mais simples do mundo: "Obrigada."


Gu Ren olhou para ela, sem surpresa.


"Por quê?" Ele perguntou.


Raya apontou com o queixo, como se não precisasse explicar.


"Você cumpriu a promessa." Ela disse.


Gu Ren ficou em silêncio por um segundo. Foi um daqueles silêncios que ele usava sempre que ia cortar uma investida dela pela raiz.


Só que, dessa vez, ele não veio com a lâmina que afastava.


"Eu nunca prometi isso." Ele disse.


Raya sorriu mais, satisfeita pela negativa, porque era a negativa típica que ela já esperava.


Só que Gu Ren continuou, e a sequência não foi uma recusa completa…


"Mas eu entrei numa briga por você." Ele admitiu, como se fosse um fato inconveniente: "Então... você tem alguma razão."


Raya inclinou a cabeça, apreciando o momento.


"Então… o que acontece agora?" Ela perguntou, provocante, como quem joga uma pedra no lago só para ver o tamanho das ondas.


Gu Ren olhou para ela por alguns segundos. E Raya esperou o golpe.


Esperou o "não é assim".


Esperou a frase fria de sempre.


Esperou a distância.


Só que ele não disse nada.


Gu Ren apenas ergueu o braço.


Um gesto simples.


Um convite silencioso.


Raya, por um instante, perdeu o ar como se tivesse levado um impacto. E, sem esconder o prazer, ela enlaçou o braço dele com força, como se quisesse garantir que aquele gesto era real.


Depois, ela encostou a cabeça no ombro dele.


Gu Ren não recuou.


Não tentou corrigir.


Não tentou quebrar a cena.


Ele apenas aceitou.


E isso foi o suficiente para deixar Raya extasiada, porque Gu Ren aceitar uma investida dela sem dizer "não" era mais raro do que qualquer tesouro dentro de uma arca.


Ela sorriu contra o ombro dele.


"Eles vão nos olhar muito." Ela murmurou.


Gu Ren respondeu, seco, como sempre: "Que olhem."


Raya segurou uma risada baixa e comentou: "Você está aprendendo."


Gu Ren não respondeu, mas levou ela junto. E, para quem assistisse de longe, aquilo parecia casual.


Contudo, para quem conhecia a relação dele com Raya, parecia impossível.


Uma coisa que ainda não foi anunciada, mas já existia.


Quando atravessaram o portal e retornaram ao pátio, a música ainda tocava. Só que não tocava do mesmo jeito.


O vinho ainda estava nas taças, mas ninguém bebia como antes.


As conversas eram mais baixas; As risadas, raras, pareciam forçadas; E, acima de tudo, os olhares eram constantes.


A comitiva humana virou o centro gravitacional do castelo.


Não por glamour.


Por medo.


Por necessidade.


Zao Tian percebeu isso no primeiro passo.


Era como se todo elfo no pátio tivesse aprendido, no deserto, que "ameaça humana" não era uma expressão política.


Era literal.


E, como toda coisa literal demais, ela alterava as prioridades.


Casas grandes se aproximavam em pequenos grupos, fingindo casualidade, mas a linguagem corporal denunciava as intenções: alianças, conversas, promessas.


Casas menores cochichavam, se perguntando qual seria o preço de um bom relacionamento com a humanidade.


Curandeiros élficos olhavam para Zao Tian, Gins, Ming Xiao e Momoa como se olhassem para algo que deveria estar numa lenda, não numa noite de casamento. E os mais antigos... os mais antigos observavam como quem já estava recalculando o futuro.


Zao Tian ficou ao lado de Ming Xue por um tempo, tentando sustentar a própria presença sem virar um espetáculo.


Ming Xue manteve o olhar firme, em alerta, como se estivesse pronta para arrancar qualquer iniciativa burra antes que ela nascesse.


Ye Yang tentava se comportar como um noivo, mas era impossível.


A noite tinha sido marcada, e a marca era visível demais.


Momoa, no entanto, parecia quase feliz com o desconforto.


Ele circulava com uma taça, e, quando alguém desviava o olhar com medo, ele parecia achar isso engraçado.


Aethandor tentou manter a etiqueta viva, conversando, oferecendo, guiando. Mas até ele parecia ter perdido parte da capacidade de acreditar no próprio papel.


Foi então que Elyndariel decidiu mudar o foco.


Ela chamou Zao Tian e o grupo com um gesto discreto, e os conduziu para dentro do castelo, por corredores que abafavam o barulho do pátio e deixavam o mundo de fora parecendo um rumor distante.


Uma sala reservada os aguardava.


Luz suave; Mesas longas; E, no centro, as arcas.


As arcas que Zao Tian tinha dado como presente.


Aethandor entrou junto, mantendo a postura, mas o olhar dele tinha aquela curiosidade de quem sabe que ali havia coisas que não deveriam estar em mãos comuns.


Elyndariel se aproximou como alguém que não estava ali para se encantar, pois ela estava ali para procurar.


Zao Tian percebeu no primeiro instante.


Aquele não era o jeito de alguém que quer ver brilho de um presente caro. Era o jeito de alguém que quer encontrar o presente certo.


Os servos élficos, chamados em silêncio, abriram as arcas com cuidado.


Tampa após tampa.


O interior foi revelando itens impossíveis, organizados como se a própria realidade tivesse sido dobrada para caber ali dentro.


O ar da sala pareceu ficar mais pesado.


Alguns dos elfos presentes prenderam a respiração.


Elyndariel, por sua vez, examinou.


O olhar dela passava pelos presentes como quem lê palavras em uma língua que já conhece.


Tesouros.


Relíquias.


Materiais raros.


Armas.


Coisas que fariam casas menores e maiores perderem a sanidade.


E ela, entretanto, continuava procurando.


Zao Tian não disse nada de imediato.


Ele deixou a cena acontecer.


Deixou o silêncio trabalhar.


Contudo, conforme os minutos passavam, ficou impossível fingir que aquilo era apenas curiosidade.


Ming Xue percebeu também.


O olhar dela encontrou o de Zao Tian por um instante.


Foi um entendimento rápido.


Algo não estava lá, e ela queria essa coisa.


Elyndariel abriu mais uma arca, mais um conjunto de presentes que fariam a história tremer.


Ainda assim, o olhar dela não se iluminou.


Por fim, ela fechou a tampa devagar, como se estivesse evitando que o som denunciasse sua frustração.


Zao Tian respirou. E decidiu parar de permitir que aquilo ficasse implícito.


Ele perguntou com calma, sem ataque, sem ironia: "Você está procurando por alguma coisa específica?" 


Aethandor ficou imóvel, atento.


Alguns servos prenderam o ar.


Elyndariel não se virou de imediato. Ela permaneceu com a mão sobre a tampa da arca, como se estivesse escolhendo a forma certa de existir naquele segundo.


Zao Tian continuou, do mesmo jeito, porque já tinha decidido não fingir.


"Existe alguma coisa que você queria..." Ele disse, e a pausa foi pequena, mas pesada: "E que não está aqui?"


O subtexto entrou na sala sem precisar de um nome.


A Forja de Hefesto.


A hipótese levanta.


A ideia de que ela soubesse; De que ela esperasse; De que ela acreditasse que, por acidente ou destino, eles trariam algo daquela importância sem entender o que era.


Lentamente, Elyndariel ergueu o rosto, com aquela pergunta pendurada no ar como uma lâmina que ainda não caiu.



O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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