Capítulo UHL 1171 - Sinceros
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Tenham uma boa leitura!]
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A lâmina pendurada no ar não caiu de imediato.
Elyndariel ergueu o rosto devagar, e o silêncio que veio junto não foi constrangimento. Foi uma escolha.
Ela olhou para Zao Tian como quem mede o peso de uma pergunta e decide que, já que a noite tinha sido arrancada de qualquer normalidade, o restante também não precisava fingir.
"Quando eu vi Gu Ren lutar." Elyndariel disse.
Aethandor não se mexeu, mas a atenção dele ficou ainda mais presente, como se o nome não dito, por si só, já tivesse a capacidade de alterar o rumo daquela conversa.
Elyndariel continuou, sem pressa.
"Quando eu vi aquela arma nas mãos dele… eu imaginei que não estivesse aqui." Ela tocou com dois dedos a tampa de uma das arcas, sem abrir de novo: "E eu imaginei, também, que vocês tinham encontrado uma forma de usar o que eu esperava encontrar."
Ming Xue manteve o olhar fixo em Elyndariel, e não era hostilidade. Era leitura.
Ye Yang ficou quieto, porque sabia exatamente do que ela estava falando, mesmo sem ouvir o nome.
Zao Tian não demonstrou surpresa. Ele aceitou o jogo como se já estivesse nele desde o início.
"Você tem alguma razão." Zao Tian respondeu.
Elyndariel ergueu uma sobrancelha, com um gesto mínimo.
Zao Tian prosseguiu.
"Aquela arma foi criada de um jeito que conversa com essa ideia." Ele escolheu cada palavra com cuidado: "Só que não por nós."
Aethandor inspirou fundo uma vez, breve demais para ser ansiedade, mas longo o suficiente para denunciar que a frase tinha atingido exatamente onde deveria.
Elyndariel ficou olhando para Zao Tian, como se estivesse tentando arrancar mais do que ele tinha dito.
Contudo, ela não conseguiu. E isso pareceu agradá-la de um jeito estranho.
Um sorriso curto apareceu no canto da boca dela.
"Eu não posso esconder a minha frustração." Elyndariel admitiu, e a honestidade não veio como uma fraqueza. Veio como alívio: "Eu passei a noite inteira imaginando que, quando as arcas fossem abertas, eu veria algo… específico."
Momoa soltou um som baixo, quase um riso, sem humor.
"Você apostou, então." Ele disse.
Elyndariel olhou para ele de lado, e o olhar dela não foi agressivo.
"Sim." Ela respondeu: "Eu apostei."
O silêncio na sala ficou mais pesado por um instante, porque ninguém ali precisava fingir que aquela aposta era pequena.
Então, Elyndariel voltou para Zao Tian.
"Eu fui falsa." Ela disse, e dessa vez as palavras vieram sem enfeites: "Não com vocês em tudo. Não no que importa para o acordo. Mas eu fui falsa ao não dizer o que realmente queria… e ao construir um caminho onde eu esperava que vocês me entregassem aquilo sem saber o que estavam fazendo."
Ye Yang abriu a boca para falar, mas fechou.
Zao Tian levantou uma mão, não como ordem, mas como sinal de que aquilo era entre ele e ela.
"Eu entendo." Zao Tian disse.
Elyndariel sustentou o olhar dele, como se esperasse um julgamento.
Zao Tian,entretanto, não deu.
"A forma como você fez isso foi limpa." Ele continuou, num tom compreensivo: "Você não exigiu. Você não ameaçou. Você colocou a expectativa onde ela podia existir sem virar uma chantagem."
Elyndariel pareceu aceitar a análise, mas o rosto dela ainda carregava um tipo de incômodo.
"Isso não me absolve." Ela disse, envergonhada.
Zao Tian inclinou a cabeça, e a resposta veio com uma frieza que não tinha crueldade.
"Se eu estivesse no seu lugar, eu faria o mesmo." Ele afirmou.
A frase atravessou a sala como uma confirmação perigosa. Porque, naquela frase, havia uma verdade maior do que a conversa: os humanos não eram ingênuos, e eles não fingiriam ser.
Elyndariel soltou o ar, e o sorriso dela voltou, mais evidente.
"Eu gosto disso." Ela disse: "Eu gosto da sua sinceridade."
Zao Tian não respondeu com elogios. Ele apenas esperou.
Elyndariel continuou, e o tom dela baixou um pouco, como se a sala finalmente fosse privada de verdade.
"Eu peço desculpas." Ela disse: "Porque… até agora, eu fui a única a mentir na relação entre nós."
Ming Xue mexeu o olhar pela primeira vez, rápido, como quem mede o peso da palavra mentir e decide que ela era exagerada.
Zao Tian, por sua vez, falou antes de qualquer um.
"Você não mentiu." Ele corrigiu: "Você omitiu."
Elyndariel abriu um sorriso breve, quase de gratidão por ele ter encontrado um termo menos corrosivo.
"É uma forma bonita de colocar." Ela comentou.
"É uma forma precisa." Zao Tian respondeu: "E não é uma quebra de confiança tão severa."
Nesse momento, Aethandor olhou para Zao Tian, e, naquele olhar, havia um interesse que não era apenas político. Era o tipo de interesse de alguém que tenta entender como a mente do outro funciona.
Zao Tian continuou.
"Nós estamos nos conhecendo agora." Ele disse:. "Vocês têm receios. Nós temos receios. E receios, em uma realidade como a nossa, não são sentimentos. São mecanismos de defesa."
Elyndariel inclinou levemente a cabeça, concordando.
Zao Tian não elevou a voz, mas cada palavra que saía da boca dele parecia encaixada num argumento que ele já tinha feito muitas vezes.
"Qualquer vantagem, para qualquer lado, pode ser explorada como uma forma de garantir superioridade." Ele disse, mas estendeu a forma de pensar, completando: "Ou sobrevivência."
Momoa concordou com um aceno, como se dissesse que aquilo era simples demais para ser chamado de filosofia.
Elyndariel ficou mais relaxada, e isso, por si só, foi estranho.
Depois do deserto, relaxar parecia indecente, mas ela relaxou.
E quando ela relaxou, a pergunta veio de um jeito quase casual, como se ela quisesse testar se a casualidade ainda existia naquela noite.
"Existe alguma possibilidade de vocês me entregarem aquilo?" Elyndariel perguntou.
O silêncio na sala não foi de choque. Foi de expectativa. Porque, naquele segundo, até quem fingia não saber do que se tratava sabia.
Zao Tian respondeu rápido demais para ser um improviso.
"Não." Ele disse.
Aquela única palavra não foi dura por prazer. Foi dura por necessidade.
Zao Tian então, completou, e o pedido de desculpas veio junto, como algo que ele considerou obrigatório.
"Desculpe." Ele disse: "Mas não."
Elyndariel não reagiu com raiva. Ela reagiu com uma frustração que parecia inevitável.
"Eu imaginei." Ela murmurou, mais para si do que para eles: "Eu só precisava ouvir."
Zao Tian, porém, não se aproveitou da derrota dela naquela pergunta.
Ele explicou, porque aquilo era política, e a política exige que o outro entenda por que perdeu.
"O poder que aquilo pode gerar, nas mãos de qualquer lado, desequilibra qualquer tipo de relação." Ele argumentou: "Hoje nós estamos falando de uma aliança. Amanhã, alguém pode estar falando de submissão."
Elyndariel estreitou os olhos.
"Você acha que eu usaria isso contra vocês…" Ela concluiu.
Zao Tian não negou de imediato. Ele escolheu a resposta com cuidado, como se estivesse tentando não ferir, mas também não mentir.
"Eu acho que o seu povo usaria." Ele respondeu.
Aethandor mexeu os dedos, num gesto discreto, mas a frase atingiu o que precisava.
Zao Tian continuou.
"Mesmo que não seja você." Ele disse: "Mesmo que você seja contra. Mesmo que você tente controlar. Sempre existe um momento em que uma coisa desse tamanho escapa do dono."
Elyndariel ficou quieta, e a quietude dela já não era orgulho. Era entendimento.
Zao Tian aproveitou o caminho aberto e empurrou a imagem que ele queria que ela enxergasse.
"Imagine a casa Vaelondir com isso." Ele disse.
Ming Xue não se mexeu, mas os olhos dela ficaram mais frios, como se o cenário tivesse sido desenhado com nitidez demais.
Zao Tian prosseguiu.
"O ressentimento deles já é um problema." Ele disse: "O orgulho exacerbado deles, hoje, quase virou uma guerra dentro do seu próprio casamento."
Ao escutar aquilo, Elyndariel fechou a mão sobre a tampa da arca, firme.
"Eu sei." Ela disse.
"Se eles tivessem esse poder nas mãos…" Zao Tian deixou a frase incompleta por meio segundo, e o vazio serviu melhor do que qualquer conclusão: "O que aconteceria com eles?"
Elyndariel não respondeu, porque responder seria admitir que a imagem era real.
Momoa, impaciente, entrou como ele sempre entra quando a conversa começa a rodear o óbvio.
"Eles fariam a coisa mais burra possível." Ele disse: "E iam chamar isso de destino."
Elyndariel soltou o ar, e, por um instante, o rosto dela mostrou algo próximo de cansaço.
"Eu não estou pedindo isso para mim." Ela disse, voltando para Zao Tian: "Eu estou pedindo isso pelo meu povo."
Zao Tian assentiu.
"E eu estou negando pelo seu povo também." Ele respondeu.
Elyndariel o encarou, e o olhar dela disse que aquilo era fácil demais de afirmar quando não era o seu povo que ficaria para trás.
Zao Tian viu. E então fez algo que não precisava fazer.
Ele ofereceu uma alternativa, mesmo sabendo que ela não era equivalente.
"Eu posso te dar uma Arma do Espírito." Zao Tian disse.
Ming Xue olhou para ele, rápida, como se quisesse perguntar se aquilo era prudente.
Zao Tian não se explicou para Ming Xue, pois ele estava fazendo exatamente o que fazia quando queria segurar uma ponte sem entregar o rio.
"Você se casou com Ye Yang." Zao Tian continuou: "E você é alguém que eu preciso ter como aliada entre os elfos."
Aethandor ficou muito imóvel quando escutou a proposta, porque aquela frase não era um agrado.
Era uma declaração de prioridade.
Elyndariel, por um momento, pareceu tocada.
Ela então respondeu com sinceridade, e o agradecimento dela foi real.
"Eu agradeço." Ela disse.
Então ela balançou a cabeça, leve.
"Mas eu já tenho uma." Elyndariel completou.
A frase atravessou a sala como mais um detalhe que muita gente ali não esperava.
Ye Yang olhou para ela, e havia surpresa no gesto, não por desconfiança, mas porque aquilo era uma informação que nem todo mundo tinha na mesa.
Elyndariel percebeu.
"Esse nunca foi um assunto para o pátio." Ela disse, simples.
Zao Tian aceitou a explicação.
"Então você entende por que eu não posso." Ele falou.
Elyndariel respirou fundo, e o relaxamento dela desapareceu um pouco.
"Eu entendo." Ela disse: "E isso não torna menos frustrante."
Zao Tian assentiu.
"Não torna." Ele concordou: "E eu não vou fingir o contrário."
A sinceridade dele pareceu agradar de novo. E Elyndariel se aproximou um pouco, só o suficiente para a conversa ganhar um tom mais direto.
"Se você não quer que isso exista na mesa… por que vocês continuam com isso?" Ela perguntou, e a pergunta era uma curiosidade real. "Por que não destruíram?"
Zao Tian não sorriu.
"Porque não é tão simples assim." Ele respondeu. "E porque existem coisas que, se você destrói por medo, você só prova que estava certo em temer."
Elyndariel apertou os lábios.
"Bonita filosofia." Ela disse.
"Não é filosofia." Momoa comentou: "É logística."
Ming Xue, até então quieta, falou pela primeira vez, sem elevar a voz.
"E também é contenção." Ele disse: "Quando você entende o que algo pode fazer, você não joga isso no mundo para ver no que dá."
Elyndariel olhou para Ming Xue por um segundo, como se estivesse recalculando o tipo de mulher que ela era.
Depois voltou para Zao Tian.
"Então me diga uma coisa." Ela disse: "Se eu tivesse isso nas mãos… eu conseguiria ativar?"
A pergunta veio com simplicidade demais para ser simples.
Zao Tian ficou em silêncio por um instante. Não porque não sabia responder, mas porque ele estava decidindo quanta resposta dar.
Então, depois de pensar, ele optou pelo meio termo.
"Eu não sei." Ele disse. "E essa é uma das razões."
Elyndariel soltou um riso curto, frustrado.
"Eu sabia que você diria isso." Ela disse.
Zao Tian continuou, antes que ela transformasse a frase dele em evasão.
"Mas eu posso te perguntar o contrário." Ele disse: "Você tinha como ativar?"
Aethandor virou o rosto levemente para Elyndariel, e, naquele gesto mínimo, havia uma curiosidade perigosa.
Elyndariel hesitou.
Foi uma hesitação rara nela, e por isso ficou evidente.
"Eu tinha algumas ideias." Ela admitiu.
Zao Tian esperou, e Elyndariel completou, com uma honestidade que parecia doer no próprio orgulho: "Mas eu só poderia testar se tivesse isso nas mãos."
A sala ficou quieta de novo.
A quietude de gente que percebe que a conversa chegou no ponto central. Porque, naquele segundo, tudo se encaixou.
A aposta dela.
O desconforto dela.
A forma como ela tinha esperado que os humanos trouxessem aquilo por acidente.
Não era só ganância.
Era uma tentativa.
Era um desejo de resolver um problema do próprio povo com uma ferramenta que talvez nem o povo dela soubesse usar.
Zao Tian olhou para Elyndariel por mais tempo do que o necessário, como uma confirmação de que ela estava, de fato, falando sério.
"Você queria experimentar." Ele disse.
Elyndariel não negou.
"Eu queria." Ela respondeu: "Eu ainda quero."
Ming Xue cruzou o olhar com Zao Tian de novo, rápido.
Era um aviso: cuidado com o que ela vai pedir em seguida.
Zao Tian percebeu, e, mesmo assim, não recuou.
Elyndariel manteve o tom controlado, quase íntimo.
"Você entende por que isso me frustra." Ela disse: "Vocês chegam aqui com coisas que parecem mudar o mundo, e eu tenho que assistir, do lado de fora, como se a história fosse só de vocês."
Zao Tian respondeu sem teatralidade.
"Eu entendo." Ele disse: "E eu também entendo por que você tentou do jeito que tentou."
Elyndariel respirou, e o olhar dela ficou mais leve por um instante.
"Então você não me julga." Ela concluiu.
"Eu te julgo como alguém que faz as escolhas de uma líder." Zao Tian respondeu: "E líderes… fazem escolhas ruins quando não têm opções melhores."
A frase foi dura e gentil ao mesmo tempo.
Elyndariel sorriu, e o sorriso dela foi de uma aceitação amarga.
"Eu odeio que você tenha razão." Ela confessou.
Momoa, por sua vez, soltou outro som baixo, quase divertido.
"Bem-vinda ao clube." Ele disse.
Ye Yang finalmente falou: "Elyndariel… Eu não queria que essa noite fosse assim."
Elyndariel olhou para ele, e, por um instante, a sala lembrou que aquilo ainda era um casamento.
"Nem eu." Ela respondeu: "Mas o destino decidiu lembrar a gente do que ele é."
Zao Tian aproveitou o espaço para encerrar o que precisava ser encerrado, sem fechar portas que ainda tinham que existir.
"Se existir qualquer forma segura de equilibrar isso sem colocar essa coisa nas mãos de ninguém, nós podemos conversar." Ele disse: "Mas entregar… não."
Elyndariel assentiu, lentamente.
Ela não concordava com o coração.
Ela concordava com a mente.
"Então eu vou ter que encontrar outra forma." Ela murmurou, mais para si.
Zao Tian não respondeu de imediato.
Ele ficou olhando para as arcas, para os presentes, para o vazio invisível onde o objeto que ela queria não estava. E então voltou o olhar para ela.
"Você tinha algumas ideias." Ele repetiu, como se marcasse aquilo: "Quais?"
Elyndariel sustentou o olhar dele. Ela parecia pronta para responder.
Mas não respondeu.
Não ainda.
Porque, naquele tipo de noite, toda resposta tinha um preço.
“Não importa mais…” Ela desconversou, antes de olhar para Ye Yang e mencionar: “Agora, eu tenho que me concentrar em outra saída.”
