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Capítulo UHL 1174 - Entre Mundos

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Tenham uma boa leitura!]


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Enquanto isso, o Reino Divino não tinha pressa, pois, pressa era um vício das coisas que podiam morrer de verdade.


Ali, o tempo não era uma linha que empurrava tudo para frente. Era um oceano parado, com correntezas invisíveis, onde decisões antigas ainda faziam ondas no presente.


Krishna estava no centro de uma engrenagem que voltou a girar depois de eras de silêncio.


O processo de fortalecimento dos deuses acontecia como uma rotina nova, dura, quase militar, empurrada por uma necessidade que não pedia opinião. 


Era disciplina. 


Era reconstrução. 


Era uma tentativa de transformar uma safra jovem e impulsiva em algo que pudesse sustentar o próprio peso.


Geb foi convocado com a mesma frieza com que se convoca um instrumento.


A ordem chegou, e ele obedeceu.


A sala onde Krishna o aguardava tinha a presença de um lugar que não precisava se justificar para ninguém. Não era a mesma sala de Odin, mas carregava a sombra dela, como se a arquitetura inteira do Reino Divino tivesse sido moldada para lembrar que o Pai de Todos ainda existia mesmo adormecido.


Krishna não precisava levantar a voz.


Ele não precisava levantar nada para ser visto como o ser supremo naquela estrutura.


Quando Geb entrou, a conversa entre eles já estava acontecendo no silêncio. 


Em um único olhar, muita coisa já tinha sido dita.


"Você demorou." Krishna disse.


Geb baixou a cabeça o suficiente para ser uma submissão, mas não o suficiente para ser uma humilhação.


"Eu vim assim que fui chamado." Geb respondeu.


Krishna observou como quem observa uma peça que ficou tempo demais guardada e ainda tenta fingir que não enferrujou.


"Você ficou preso por tanto tempo que seu senso de urgência envelheceu." Krishna comentou.


Geb não respondeu.


Krishna caminhou um passo, e isso foi o bastante para o peso da sala se rearranjar.


"Eu não te chamei para te acusar de atraso." Krishna continuou: "Eu te chamei porque, entre todos aqui, você é uma das poucas coisas que sobraram daquilo que o Reino Divino foi."


Geb manteve o olhar baixo.


"Eu não sou nada além de um servo." Ele disse, escolhendo a frase como um escudo.


Krishna soltou um som curto, quase um riso, mas sem humor.


"Essa é a frase que você usa quando quer parecer inofensivo." Krishna respondeu: "E é exatamente por isso que ela não serve mais."


Geb sentiu o aviso, mas não se moveu.


Krishna parou diante dele, a uma distância que não era agressiva, mas era íntima demais.


"Eu vou te perguntar sobre o passado." Krishna disse.


Geb ergueu os olhos por um instante, e depois voltou a baixá-los.


"Eu não tenho nada a oferecer além do que eu lembro." Geb falou.


"Ótimo." Krishna respondeu: "Porque o que você lembra é tudo o que nós temos."


Geb permaneceu calado, esperando pela pergunta.


Krishna não se apressou. Ele tinha o tempo do Reino Divino do lado dele, e usava isso como uma arma ao seu favor.


"Na Grande Guerra…" Krishna começou.


A expressão de Geb não mudou, mas algo nele endureceu, como se o nome do evento ainda carregasse um certo calor.


Krishna continuou.


"Eu morri." Krishna afirmou, sem drama: "O Pai de Todos morreu. Isso é conhecimento de todos, até mesmo entre os deuses mais jovens."


Geb assentiu uma vez, mínimo.


Krishna inclinou levemente a cabeça, como se medisse a reação.


"Mesmo assim, nós voltamos." Krishna disse. "E voltamos vazios."


Geb ficou quieto.


Krishna prosseguiu, com a precisão de quem arruma um problema em uma lista.


"Voltamos sem memórias completas." Krishna disse: "Voltamos como ecos, com reflexos, com instintos que parecem sabedoria, mas não são."


Geb sabia que a frase era um golpe indireto em toda a estrutura divina.


Krishna continuou, sem se importar se doía.


"Com uma exceção." Krishna disse.


Geb não reagiu.


Krishna deixou o nome surgir só depois que a sala inteira já tinha entendido.


"Heimdall." Krishna falou.


O nome caiu no ar como uma peça de metal em água parada.


"Ele é o único que reencarna sabendo." Krishna disse: "O único que carrega todas as vidas na cabeça como se o universo tivesse decidido que ele seria o livro de registros."


Geb manteve o rosto neutro.


Krishna estreitou os olhos.


"Nós não sabemos por quê." Krishna disse: "Nem os mais antigos souberam, mesmo antes da Guerra. Isso sempre foi assim. Como uma regra que ninguém escreveu, mas todos obedecem."


Geb respirou com cuidado.


Krishna deu mais um passo, e agora a pergunta chegou perto do osso.


"Ele sumiu." Krishna disse.


Geb sabia que não era uma verdade tão correta assim, mas não respondeu.


Krishna continuou, como se estivesse enumerando perdas.


"Iara também sumiu." Krishna disse.


A palavra fez um pequeno movimento no olhar de Geb, quase imperceptível.

Krishna viu.


"Você não sabia." Krishna comentou.


Geb permaneceu em silêncio, mas a ausência de reação já era uma resposta.


Krishna não sorriu, apenas continuou.


"É claro que você não sabia." Krishna disse: "Você ficou preso. E enquanto você ficou preso, o Reino Divino tentou se reorganizar com a mesma vontade de sempre."


Geb apertou a mandíbula, mas não falou.


Krishna se virou um pouco, não para se afastar, mas para caminhar dentro do próprio raciocínio.


"Eu vou te contar coisas que você não viu, Geb." Krishna disse: "E eu vou te contar porque eu preciso que você entenda o cenário antes de eu te fazer as perguntas certas."


Geb não levantou a cabeça, mas escutou como se sua vida dependesse disso.


"Depois da Grande Guerra, apenas dois deuses sobreviveram." Krishna disse.


A frase foi dita sem peso, e, ainda assim, pareceu derrubar algo dentro de Geb.


"Dois?" Geb perguntou, antes de conseguir se impedir.


Krishna olhou para ele, e o fato de Geb ter falado foi mais interessante do que a pergunta.


"Sim." Krishna respondeu: "Iara e Curupira."


Geb ficou imóvel.


O nome Curupira não era só um nome. Era um ponto de referência antigo demais para a mente de Geb aceitar de imediato.


Krishna percebeu o choque e não teve piedade.


"Eles guiaram os deuses no começo. Ou recomeço." Krishna disse: "Contaram a história do que veio depois. Tentaram evitar que as coisas se repetissem."


Geb engoliu em seco.


"Mas…" Krishna continuou, e o tom dele ganhou um desprezo contido: "A nova safra não queria se conter com as correntes que eles desejavam criar em nós."


Geb se manteve quieto.


Krishna, por sua vez, não precisava que Geb concordasse. Ele precisava que Geb fosse informado do tamanho do fracasso.


"Iara tentou insistir." Krishna disse: "Tentou convencer os deuses a serem pacíficos, a não se espalharem como uma doença, a não repetirem os mesmos erros."


Geb não falou.


Krishna cruzou as mãos atrás do corpo.


"E no começo… foi fácil para muitos chamarem isso de sabedoria." Krishna disse: "Até o momento em que a paz dela começou a parecer uma corrente."


Geb percebeu o veneno nas palavras, mas não se atreveu a interromper.


Krishna continuou.


"Nós nascemos para governar." Krishna disse, e não havia dúvida naquela frase: "Essa é uma crença que se instala no sangue dos deuses cedo ou tarde. Mesmo naqueles que fingem que não."


Geb respirou fundo, pois ele concordava com isso.


Krishna o encarou de novo.


"Iara viu a rota de colisão com a criação se aproximar." Krishna disse: "Viu deuses jovens repetindo os passos dos antigos, abrindo feridas antigas, tocando nas bordas do abismo como se fosse brincadeira."


Geb manteve a cabeça baixa, mas o coração dele já estava mais rápido.


"Então ela partiu." Krishna disse.


"Quando?" Geb perguntou, sem conseguir evitar.


"Há poucos anos." Krishna respondeu: "E ninguém sabe onde ela está."


Depois de dizer aquilo, Krishna inclinou levemente a cabeça, como se quisesse marcar a diferença.


"O Curupira, entretanto, partiu muito antes." Krishna disse: "Há milênios. Muito antes de nós termos a chance de transformar o aviso dele em arrependimento."


Geb permaneceu calado.


Krishna, então, voltou ao ponto central, e a voz dele ficou ainda mais firme.


"Agora, eu estou comandando o fortalecimento dos deuses." Krishna disse: "Porque alguém precisa comandar alguma coisa antes que isso vire outra guerra."


Geb não respondeu, mas Krishna completou, e a frase veio com a dureza de um fato.


"Eu não participo ou participei de debates." Krishna disse: "E não participava mesmo antes. Até poucos dias atrás, eu nunca saía da sala onde o Pai de Todos repousa."


Geb levantou o olhar, rápido, e abaixou de novo.


Krishna não explicou. Ele não precisava.


"Mas o mundo mudou." Krishna disse: "E eu saí porque eu vi que ninguém aqui sabe onde estão os limites do aceitável ou da nossa destruição."


Geb engoliu seco, sentindo que parte daquela frase era para ele.


Krishna deu um passo para o lado, e agora a conversa ficou frontal de verdade.


"Então nós estamos sem Iara." Krishna disse: "Sem o Curupira. Sem Heimdall."


Geb permaneceu imóvel, mesmo após escutar Heimdall ser mencionado de novo.


Krishna estreitou os olhos, percebendo uma fraca reação ao nome.


"Você sabe onde Heimdall está?" Krishna perguntou.


O ar ficou pesado, mas Geb não respondeu. 


Ele não queria que Heimdall fosse libertado de jeito nenhum.


Krishna não insistiu nesse ponto ainda. Ele apenas guardou como faca.


"Eu quero entender a Grande Guerra." Krishna comentou:. "Não a história que os deuses contam para justificar o que fizeram. Eu quero entender o motivo."


Geb sentiu um peso antigo se aproximando.


Krishna continuou.


"Todo mundo sabe que os deuses iniciaram a guerra." Krishna disse: "Todo mundo sabe que o Pai de Todos ordenou os ataques."


Geb concordou.


"Mas nós não sabemos por quê." Krishna afirmou, antes de confessar: "E isso é ridículo."


Geb ficou em silêncio, enquanto Krishna deu mais um passo e parou.


"Você foi um dos nomes de confiança do Pai de Todos." Krishna disse: "Você esteve lá."


Geb manteve um certo orgulho na face ao escutar aquilo.


Krishna o encarou como se quisesse arrancar a resposta pela força do olhar, e comentou: "Eu vou te perguntar diretamente…"


Geb sentiu que o momento chegou e até ajeitou a sua postura.


"Por que a guerra começou?" Krishna perguntou.


Um silêncio muito cheio aconteceu, e Geb respirou fundo.


Krishna não piscou, e completou a pergunta: "Por que o Pai de Todos deu a ordem?"


"Por que nós atacamos primeiro?" Krishna perguntou.


Geb finalmente abriu a boca, para contar o que deu início à Grande Guerra. 


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Enquanto isso, na engrenagem do universo, outro acontecimento central começou…


Uhr'Gal, diferente do Reino Divino, não tinha o luxo de uma sala silenciosa.


Uhr'Gal tinha urgência.


Um primeiro alerta veio como um sussurro que virou um grito.


Um sentinela no alto de um platô, em posição de vigia, sentiu o céu mudar antes de ver qualquer coisa. Não foi uma mudança de cor. Foi uma mudança de presença, como se o espaço, de repente, tivesse ficado pesado demais para ser um simples espaço.


Ele levou o amuleto à boca e informou na mesma hora: "Algo está vindo."


A voz saiu firme, mas havia uma falha curta, involuntária, como se o corpo dele tivesse tentado negar o que sentia.


A resposta veio rápida, de outro posto.


"O quê?"


O sentinela olhou para cima, para o vazio acima da atmosfera, e a garganta dele secou.


"Algo grande." Ele respondeu.


Houve um segundo de silêncio.


"Grande quanto?" A outra voz perguntou, agora menos paciente.


O sentinela hesitou, E a hesitação dele não era dúvida. Era medo de dizer.


"Grande como…" Ele engoliu seco: "Como um mundo."


O amuleto estalou com interferência por um instante, como se a própria transmissão tivesse sido afetada por uma pressão invisível.


"Repete." A outra voz exigiu.


O sentinela apertou os dentes.


"Como um planeta." Ele repetiu.


O acionamento do alarme não precisou de mais nada para acontecer.


O som correu pelo planeta orc como fogo em palha seca.


Sinos. Tambores. Gritos de comando. O tipo de movimentação que não precisava de explicação, porque Uhr'Gal sabia reconhecer um presságio.


Guerreiros saíram de casas e cavernas, atravessaram ruas, subiram encostas, e, em minutos, o céu acima do planeta começou a se encher de sombras em movimento.


Orcs voando para posições defensivas, formando círculos e linhas, cada um carregando armas e liberando suas auras como uma extensão do próprio instinto de sobrevivência.


O Khan foi avisado antes que o segundo alarme terminasse de tocar.


Zargoth surgiu entre seus generais, e o olhar dele varreu o céu sem perder tempo com perguntas que não ajudariam.


Chegando lá, ele levou o amuleto à boca e exigiu: "Relatório." 


Vozes responderam quase ao mesmo tempo, como se o planeta inteiro tivesse um único pulmão.


"Uma presença enorme no limite do alcance."


"A assinatura de energia espiritual é… estranha."


"A distância caindo rápido demais."


Zargoth franziu o cenho.


"Rápido demais como?" Ele perguntou.


Uma voz respondeu, e havia confusão nela.


"Em alta velocidade." o sentinela disse: "E está acelerando!"


Zargoth ficou imóvel por meio segundo.


O céu acima de Uhr'Gal não mostrava uma forma clara ainda, mas a sensação era como um peso empurrando a atmosfera.


Orcs no alto da camada superior começaram a sentir o que o primeiro sentinela sentiu.


Um guerreiro na linha mais alta piscou e jurou ter visto, por um instante, a coisa mais próxima do planeta já muito mais perto do que deveria estar.


Ele piscou de novo. E ela estava longe de novo.


O coração dele disparou, e o instinto gritou que aquilo não fazia sentido.


A voz dele saiu no amuleto sem pensar.


"Eu vi ele…" Ele começou.


"Viu o quê?" Alguém perguntou.


O guerreiro travou.


"Eu vi ele já aqui." Ele disse, e a frase pareceu louca até para si mesmo: "E depois não estava."


O canal ficou em silêncio por um instante.


Zargoth ouviu. E, pela primeira vez, o rosto dele endureceu de um jeito que não tinha nada a ver com bravura.


"Formação de defesa total." Zargoth ordenou.


Assim que a ordem foi dada, os generais se moveram.


Linhas se fecharam; Grupos foram enviados para proteger o núcleo do planeta, não porque fosse provável um ataque direto ali, mas porque, quando algo do tamanho de um mundo se aproxima, não existe “longe” o suficiente para se sentir seguro.


No alto do céu, a primeira sombra verdadeira começou a aparecer

.

Não como um objeto pequeno crescendo, mas como um pedaço do próprio vazio sendo coberto.


O espaço, naquela direção, parecia perder a cor. Parecia perder profundidade. Como se a realidade estivesse tentando, discretamente, desviar o olhar para não admitir que algo enorme demais estava atravessando o caminho.


Os orcs na linha mais alta sentiram uma pressão na pele, nos ossos, nas veias espirituais.


Energia.


Muita energia.


E algo mais.


Uma presença antiga, mas não no sentido de idade como história.


Antiga como uma regra. Como uma coisa que não tem uma explicação de sua existência, mas existe.


Um general, ao lado de Zargoth, falou baixo, tentando não parecer abalado.


"Isso não é um exército." Ele disse.


Zargoth não respondeu.


Outro general apertou o amuleto.


"Identificação?" Ele tentou, como se fosse possível.


"Eu não… eu não sei." O sentinela original respondeu com a voz fraca: “Eu não consigo… explicar…”


Zargoth respirou fundo.


"Então descreva." Ele ordenou.


O sentinela olhou para o céu, e a visão dele parecia escorregar.


"É grande." Ele repetiu, impotente: "É… como se fosse um mundo flutuando, mas não é uma rocha. Não é um corpo celeste. Não é… normal."


Mais acima, um guerreiro gritou, não de pânico, mas de alarme físico.


"Ele está aqui!" Ele berrou no amuleto.


E, no mesmo instante, metade da linha superior sentiu a presença como se tivesse atravessado a distância em um passo.


Um passo. Como se o “entre” tivesse sido dobrado.


A coisa estava longe e perto ao mesmo tempo, e isso esmagava o senso de realidade dos que tentavam olhar.


Um orc tentou avançar para interceptar, por instinto. 


Outro o segurou pelo ombro.


"Não." Ele disse: "Não chegue perto."


"Por quê?" O primeiro rosnou.


O segundo não respondeu com uma explicação. Respondeu com um tremor involuntário na mão. Porque, naquele momento, até guerreiros acostumados com a guerra sentiram uma verdade simples…


Aquilo não era algo que você enfrenta para provar coragem.


Aquilo era algo que você enfrenta apenas se não tiver escolha.


Zargoth apertou os dentes e falou para todos.


"Ninguém ataca sem a minha ordem." Ele rugiu.


As linhas se mantiveram. O céu escureceu mais naquela direção. E, por um segundo, algo como um contorno surgiu, amplo demais para caber na mente.


Uma massa que lembrava um mundo, mas não obedecia a lógica de movimento de grandes corpos.


Algo que carregava força suficiente para esmagar a atmosfera sem tocar nela.


Um general sussurrou perto de Zargoth, e a palavra saiu como superstição involuntária.


"Isso parece…" Ele começou.


Zargoth cortou na hora, para não causar um alarde precoce.


"Não diga." Ele ordenou.


O general calou, porque dizer seria admitir que o planeta inteiro estava reconhecendo um mito sem nome.


Os tambores soaram de novo, mais por nervos do que por necessidade.


No alto, a linha defensiva orc parecia pequena demais a medida que a distância encurtava. E o céu parecia grande demais.


A coisa continuou se aproximando, e cada minuto era estranho, porque ninguém conseguia medir quanto tempo passava de verdade.


Alguns juravam que ela avançava em saltos. Outros juravam que ela estava parada e o planeta é que estava sendo puxado.


E todos, sem exceção, sentiram a mesma inquietação no fundo do peito.


Como se o relógio do universo, ali, não estivesse funcionando do jeito certo.


Zargoth encarou o vazio coberto e apertou o amuleto outra vez.


"Preparem o planeta." Ele disse, e a frase não foi uma bravata. Foi uma aceitação. "Se isso tentar tocar Uhr'Gal… nós precisamos resistir."


Enquanto isso, no céu, a sombra aumentava cada vez mais.




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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