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Capítulo UHL 1177 - Isolamento

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Tenham uma boa leitura!]


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O chamado de Zargoth chegou até Decarius como uma lâmina curta.


"Zao Tian."


A voz atravessou o amuleto sem chiado, sem falha, seca, como se o Khan estivesse economizando sílabas.


Zao Tian nem teve tempo de responder do jeito certo. Ele sequer conseguiu inspirar direito para escolher palavras.


"Zargoth, o que houve?" Ele perguntou, sentindo a urgência no tom do Khan.


Ele esperou algum tempo, e a resposta não veio.


O silêncio que entrou no lugar dela parecia um corte.


Zao Tian apertou o amuleto com força, e a primeira reação dele foi técnica, automática, quase fria: "Zargoth, repita."


Nada.


"Zargoth."


Nada.


Ele mudou de canal, fez o que sempre fazia quando a transmissão falhava.


Chamou de novo.


"Uhr'Gal, aqui é Zao Tian. Confirmem a recepção."


Nada.


O amuleto não chiou.


Não falhou.


Não deu sinal algum de interferência.


Ele simplesmente… não devolveu uma resposta.


Zao Tian ficou um segundo olhando para o objeto na mão como se ele tivesse virado pedra. E foi aí que a apreensão subiu do estômago para a garganta.


Sem nem ver o que estava acontecendo, ele sentiu que aquilo não era só uma falha.


Era algum tipo de isolamento.


Ele apertou o amuleto de novo, como se a pressão pudesse arrancar alguma resposta do metal.


"Zargoth."


Nada.


Ao redor, o Vale da Esperança estava calmo demais para comportar aquilo.


Tudo ainda estava em movimento, rotinas ainda existiam, e essa normalidade era quase ofensiva diante do vazio que tinha acabado de se abrir do outro lado.


Zao Tian ergueu o rosto e procurou alguém com o olhar.


Não para pedir opinião, mas para transformar a ausência em alguma ação.


"Chamem todo mundo que estiver no Vale." Ele convocou.


O tom não permitia demora.


A ordem correu. E, enquanto isso, em Uhr'Gal, o céu finalmente decidiu parar de ser apenas silêncio.


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A primeira coisa que mudou sobre a atmosfera orc não foi a forma…


Foi a sensação.


Os guerreiros na linha superior sentiram como se o ar tivesse engasgado.


Não era um vento.


Não era uma nuvem.


Uma hesitação do próprio espaço aconteceu, como se a atmosfera estivesse tentando prender a respiração.


E então veio o tremor, e, com ele, o segundo corpo celeste, verde, parado como uma sentença a poucos milhares de quilômetros, começou a vibrar com um pulso lento, profundo, impossível de associar a qualquer movimento normal.


Os postos de vigia captaram primeiro pela pele, depois pelos ossos.


Amuletos estalaram com vozes simultâneas.


"Ele… ele tremeu."


"Confirmem."


"Tremeu de novo."


Zargoth estava no interior da fortaleza, ainda com o amuleto na mão, com o canal prioritário aberto e o nome de Zao Tian preso na língua.


Ele ouviu os relatórios e, por um instante, o corpo dele tentou voltar para cima no mesmo segundo.


Mas esse segundo não existiu, porque a coisa no céu não esperou.


O tremor virou uma abertura.


Foi súbito.


E não aconteceu como uma rachadura lenta, nem como um desabrochar paciente.


Foi como se um mundo inteiro tivesse decidido se desdobrar de uma vez.


A superfície verde, antes lisa demais para ser pedra e grande demais para ser árvore, partiu em linhas enormes que não eram fissuras de rocha.


Eram fendas vivas.


E dessas fendas surgiu algo que não cabia na mente de um guerreiro.


Um abraço… Uma expansão.


Era como se o corpo do Curupira tivesse lembrado que podia ocupar mais espaço do que ocupava.


A primeira porção que se abriu parecia um corte no próprio céu. E, do corte, veio a floresta.


Uma massa de troncos, raízes e copas comprimidas, densas, como um continente vegetal virado do avesso, se projetando para fora e crescendo em direção a Uhr'Gal.


Os guerreiros que estavam no alto recuaram por instinto.


Alguns gritaram ordens. Outros só gritaram mesmo.


"NÃO ATAQUEM!" A voz de Zargoth explodiu no canal, mas já era tarde para parecer um comando e cedo demais para parecer controle.


O céu, acima de Uhr'Gal, começou a se fechar, como uma cobertura de selva.


A expansão veio em velocidade absurda, e, por alguns segundos, a linha defensiva inteira ficou suspensa entre duas realidades.


De um lado, o planeta orc. Do outro, um mundo verde que estava vindo como se quisesse engolir tudo.


A maioria tentou descer, tentou se aproximar do solo, como se chão fosse uma segurança.


Alguns tentaram subir, como se a altitude fosse sinônimo de fuga.


E o resultado disso foi uma desordem total.


A expansão não escolhia. Ela apenas cobria.


O Curupira envolveu a atmosfera como se ela fosse um tecido.


A pressão do ar mudou de uma vez; a luz se alterou; o horizonte sumiu; o céu deixou de ser céu e virou teto.


Um teto de floresta de cabeça para baixo.


Copas gigantescas preenchendo tudo, raízes se estendendo como veias, troncos grossos cruzando acima como pontes orgânicas.


A sensação claustrofóbica veio antes do fechamento completo, porque, mesmo com espaço, o cérebro percebe quando o “fora” está sendo roubado.


Guerreiros voando bateram uns nos outros.


Formações colapsaram.


Linhas viraram aglomerados.


E, no meio do caos, a pior percepção começou a se espalhar.


Não era só que o Curupira estava se aproximando…


Ele estava colocando Uhr'Gal dentro dele.


As bordas da expansão passaram pela linha superior como uma sombra sólida.


Alguns guerreiros, no extremo, conseguiram escapar por reflexo, voando para fora do arco de cobertura no último instante.


Eles ficaram do lado de fora, no vazio, com Uhr'Gal ainda visível por alguns segundos… e, logo em seguida, parcialmente oculto por aquela massa verde que se fechava como um casulo.


A maioria não teve essa chance.


A maioria estava sob o teto quando a cobertura final veio.


E então, em muito pouco tempo, o planeta inteiro entrou numa penumbra vegetal.


Os amuletos começaram a morrer.


Todos de uma vez.


As vozes se cortaram no meio das frases.


"Eu estou vendo…"


"Ele está fech…"


"Khan, a li…"


Então veio o silêncio.


Só silêncio.


Como se alguém tivesse arrancado todo o som que saía daquele mundo.


Zargoth, ainda no interior, sentiu o canal cair e encarou o amuleto como se ele tivesse traído Uhr'Gal.


Ele apertou, bateu, tentou reativar.


E nada.


Foi nesse instante que a fortaleza tremeu.


A primeira vibração no chão foi leve, como se um gigante tivesse encostado um dedo do lado de fora.


Depois veio a segunda, mais pesada.


E a terceira foi o bastante para derrubar a poeira do teto e fazer corredores ecoarem com um som abafado, orgânico, como se o planeta tivesse sido abraçado por algo vivo e muito maior.


Gritos começaram a surgir do lado de fora.


O céu acima das muralhas tinha virado floresta invertida. E não havia mais “longe” no horizonte.


Havia apenas o teto verde e a sensação de estar dentro de algo.


Zargoth saiu do ponto de comunicação com passos rápidos, tentando reunir algum comando no corpo.


Ele chegou ao pátio interno, onde Zao Rei ainda estava.


O humano tinha ouvido o tremor. Tinha sentido a mudança de luz. E, quando a sombra vegetal se projetou sobre Uhr'Gal, ele também entendeu, pelo instinto, que o mundo tinha fechado.


Zargoth olhou para ele.


O olhar foi uma acusação inteira sem precisar de palavras.


E quando a voz saiu, saiu como uma pedra jogada na cara de alguém: "Você..."


Zao Rei não se mexeu, mas o corpo dele ficou rígido: "Eu não…"


"Você me fez descer." Zargoth cortou, e a raiva dele não era teatral. Era a raiva de um líder que sente o controle escorrer pelos dedos: "Você me fez chamar Zao Tian."


Zao Rei abriu a boca, procurando algo para se justificar: "Eu só tentei ajudar!"


A fortaleza tremeu de novo.


O som do lado de fora ficou mais alto.


Era o pânico.


Zargoth apertou o amuleto, como se quisesse estrangular o silêncio.


Nada.


Ele voltou os olhos para Zao Rei, e a frase saiu, baixa e venenosa: "Se isso respondeu ao chamado…"


Zao Rei ficou pálido de um jeito que nem precisava ser descrito. Ele engoliu seco e disse, rápido, porque também estava com medo: "Eu não tenho controle sobre um deus."


"Eu sei." Zargoth respondeu, e isso foi pior do que xingamento, porque carregava desprezo e desespero ao mesmo tempo: "E é exatamente por isso que você devia ter ficado calado."


Do lado de fora, a desordem atingiu o pico.


Guerreiros que ainda estavam no ar, presos sob o teto, tentavam reorganizar linhas, mas não havia referência.


As copas e troncos invertidos bloqueavam as estrelas, bloqueavam o céu, bloqueavam qualquer noção de direção.


Alguns gritavam por uma formação.


Outros gritavam por suas mães.


Outros gritavam ordens que ninguém ouvia porque os amuletos não respondiam.


E, no meio da confusão, o inevitável aconteceu.


Um grupo, tomado pelo pânico, decidiu que ficar parado era morrer devagar.


Eles atacaram.


Aquilo foi um ataque coordenado…


Foi um surto.


Lanças, técnicas, cortes, impactos que normalmente fariam o ar tremer… Tudo foi lançado contra a floresta invertida acima.


O resultado, no entanto, foi humilhante.


Os golpes desapareceram no verde como se tivessem sido engolidos por água.


Alguns ricochetearam de volta em forma de estilhaços de casca e seiva, atingindo os próprios atacantes.


Outros simplesmente sumiram, como se o Curupira não tivesse nem registrado a intenção.


E isso piorou o pânico.


Porque, quando você ataca e não existe reação, o cérebro entra em curto.


Se não dói, não importa. Se não importa, então você não existe.


Um segundo grupo atacou.


Um terceiro tentou parar os ataques.


E o caos virou uma guerra interna de instinto contra disciplina.


Zargoth saiu para fora no momento em que o céu já era quase totalmente verde.


Ele levantou voo e subiu, tentando alcançar algum ponto alto de comando.


Quando ele chegou no alto, as copas invertidas estavam tão perto que o planeta parecia ter encolhido.


O espaço aéreo de Uhr'Gal, que sempre foi um sinônimo de liberdade para um povo que voa para lutar, agora parecia um corredor.


Um corredor imenso, mas ainda assim um corredor. E corredores são lugares onde você pode ser encurralado.


Zargoth abriu a boca e gritou.


Não no amuleto.


No ar.


"FORMAÇÃO! Parem de atacar!"


Alguns ouviram.


Alguns não.


Muitos estavam longe, distraídos com o pânico.


Tudo era sufocante demais.


Zargoth avançou até um grupo que estava disparando.


Ele tentou segurar o braço do primeiro.


"Chega!"


O orc se virou com olhos selvagens.


"Ele está fechando a gente aqui!"


Zargoth rosnou: "E você acha que você vai furá-lo com isso?"


O orc hesitou por meio segundo.


O meio segundo em que percebeu que a pergunta era ridícula.


Mais acima, uma porção da floresta pareceu se ajustar.


Não como resposta aos ataques, mas uma forma de acomodação do corpo, como quem mexe um ombro e, sem intenção, faz um quarto tremer.


Um tronco deslocou um pouco; Raízes se arrastaram pelo ar; E o efeito disso foi pior do que qualquer ataque, pois foi prova de que aquilo era vivo e estava terminando de fechar o abraço.


Um canto do horizonte, que ainda deixava uma fresta de céu, sumiu.


A última linha de azul desapareceu atrás de folhas e casca. E Uhr'Gal, por inteiro, entrou em uma noite verde.


Não era escuridão completa. Havia luz filtrada, luz úmida, luz como se estivesse dentro de mata fechada.


Contudo, o planeta inteiro agora existia sob uma floresta de cabeça para baixo.


A sensação de claustrofobia se tornou coletiva, como uma febre.


No solo, alguns começaram a bater em portas, a correr sem rumo.


Anciões começaram a gritar para o povo não ajoelhar.


Guerreiros começaram a discutir se aquilo era um julgamento ou uma armadilha.


E ninguém, absolutamente ninguém, conseguia confirmar nada, porque nenhuma voz atravessava para lugar nenhum.


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Em Decarius, Zao Tian continuava apertando o amuleto.


Ele pediu para que o grupo se reunisse.


Alguns chegaram voando, outros surgiram de portais internos do Vale, todos percebendo que havia urgência porque Zao Tian não chamava todo mundo daquele jeito sem um bom motivo.


"O que aconteceu?." Cruz perguntou.


Zao Tian não respondeu de imediato.


Ele tentou mais uma vez, como se a insistência pudesse atravessar o bloqueio: "Zargoth."


Nada.


Ele abaixou o amuleto e disse, baixo: "Eu acho que Uhr'Gal caiu."


A frase pareceu errada no ar, como se não combinasse com a realidade.


Mas ninguém riu.


Porque ninguém ali ria quando um assunto era tão sério.


"Ele me chamou." Zao Tian continuou: "E depois… sumiu."


Shara’Kala, que escutou sobre a sua terra natal supostamente ter caído, ficou agitada, querendo sair dali no mesmo instante.


O grupo, no entanto, tentou acalmá-la e contê-la, para que, juntos, eles pudessem checar o que estava acontecendo sem que um único deles precisasse se expor, correndo direto para o que pode ou não ser uma armadilha.


Zao Tian, apesar de parecer calmo, sentia o mesmo que Shara’Kala, afinal, seu irmão estava em Uhr’Gal.


O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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