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Capítulo UHL 1178 - Desespero

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Tenham uma boa leitura!]


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Zao Tian não discutiu com o silêncio. Ele discutiu com o que o silêncio significava.


Ele ficou mais um instante com o amuleto na mão, como se a insistência fosse uma ferramenta legítima contra um bloqueio desse tipo, e então aceitou o que o próprio corpo já tinha aceitado antes da mente.


Uhr'Gal estava isolada.


E, se um planeta inteiro some sem deixar nem um chiado, não existe luxo em esperar mais dez minutos para ver se volta.


"Vamos." Zao Tian disse.


O grupo que estava no Vale da Esperança já tinha se aproximado, cada um entendendo o peso do tom sem precisar de explicação adicional.


Shara'Kala não fez cena. Ela só ficou pronta.


Ming Xiao olhou para o amuleto na mão de Zao Tian e perguntou, com frieza prática: "Você recebeu alguma outra coisa?"


"Nada." Zao Tian respondeu.


Gu Ren não comentou.


Ming Xue também não.


Hildeval, Singrid e Ragnar não perguntaram mais nada.


Quando a informação é simples e horrível, perguntas são só um jeito de atrasar o movimento.


Zao Tian fez um gesto curto e pediu: "Sem alarde. Sem chamar mais ninguém. A gente vai e vê com os próprios olhos."


Cruz apontou para o céu do Vale, como se quisesse garantir que a ausência de urgência externa não enganasse ninguém: "E Decarius?"


"Decarius fica com a cúpula." Zao Tian respondeu. "Joster e Gaspar estão no meio do trabalho. Eles não podem sair de lá."


Kyon apertou os dedos uma vez, como quem confirma mentalmente a lista.


Gins e Jaha já estavam alinhados, prontos para acompanhar.


Ryuuji não disse nada.


Ming Xiao apenas assentiu, e o gesto foi o suficiente.


Zao Tian olhou para Shara'Kala e disse: "Você vem."


"Eu já estava indo desde a primeira palavra." Shara'Kala respondeu.


Zao Tian virou o rosto para o amuleto mais uma vez, como se pudesse arrancar uma última migalha de informação.


Nada.


Ele guardou.


E então o grupo partiu.


A saída do Vale da Esperança foi limpa, rápida, como se eles estivessem tentando não acordar o próprio medo.


E, conforme atravessavam o espaço, o silêncio pareceu ganhar espessura.


Não era só a distância.


Era a sensação de que havia uma região no universo onde som nenhum atravessava. E que essa região tinha o formato de Uhr'Gal.


Muito antes de chegarem perto o suficiente para ver detalhes, eles viram o que não deveria existir.


Um contorno verde ao redor do planeta.


Uma cobertura. Como casca. Como um mundo embrulhado em outro mundo.


Cruz diminuiu a velocidade primeiro, porque o corpo reagiu antes do cérebro.


"Isso…" Ele murmurou.


Zao Tian não completou por ele. Ele só manteve o olhar naquilo, e a mente dele fez o trabalho que a mente de todo mundo faz quando reconhece uma ameaça grande demais.


Tentar transformar em algo que pode ser resolvido.


Contudo, não havia resolução pronta ali. O que havia era um planeta inteiro sob uma floresta invertida, sem céu, sem espaço, sem saída óbvia.


"Sem comunicação mesmo." Ming Xiao disse, e a frase não foi mais uma suposição.


Zao Tian tentou chamar de novo, porque o gesto era inevitável.


"Zargoth."


Nada.


Nem um chiado.


Nem uma interferência.


Era como se Uhr'Gal não estivesse na rede do universo naquele momento.


Eles continuaram avançando, com cuidado, mantendo distância suficiente para não parecer uma provocação.


E foi aí que a parte de dentro de Uhr'Gal se encheu de gritos, porque, do lado de dentro, o caos tinha virado a rotina.


O planeta inteiro estava sob um teto verde e vivo, e a claustrofobia era como um veneno lento.


Os ataques não tinham parado de imediato.


Ao contrário.


No primeiro minuto após o fechamento completo, a raiva orc explodiu como sempre explode quando não encontra um alvo adequado.


A partir daquele ponto, qualquer coisa grande se tornava um alvo. E, naquele dia, tal coisa estava bem acima das cabeças deles.


Explosões estouravam em pontos aleatórios do globo.


De longe, pareciam faíscas pequenas demais para justificar o barulho. De perto, eram crateras de impacto, ondas de choque atravessando vales, energia espiritual rasgando o ar e batendo contra troncos invertidos acima.


Os golpes subiam.


Sumiam.


Voltavam em forma de casca.


Voltavam em forma de seiva.


Voltavam em fragmentos grossos o suficiente para esmagar casas e derrubar guerreiros no ar.


E, mesmo assim, o Curupira não revidava.


Não havia uma onda de retorno.


Não havia nem um golpe de punição.


Havia apenas a floresta recebendo os ataques e sangrando do jeito que algo vivo sangra quando não se move para se defender.


A ausência de revide fez os mais desesperados atacarem mais, pois o cérebro do guerreiro entende duas coisas: Ou aquilo é invencível; Ou aquilo não pode revidar.


E a primeira opção sempre enlouquece mais.


Zargoth subiu e desceu sobre o planeta como uma sombra de comando tentando agarrar a garganta do caos com as mãos.


Sem amuleto funcionando, não havia canal; Não havia rede; Não havia controle por transmissão.


Havia apenas presença e voz. E a voz, naquele cenário, precisava atravessar montanhas.


Ele pousou no alto de uma cadeia rochosa e viu, ao longe, três colunas de energia subindo em direções diferentes.


Ele ouviu explosões. Ouviu gritos. E, por baixo de tudo, ouviu a coisa mais perigosa que existe em um planeta sitiado.


O som de gente decidindo sozinha.


Zargoth se lançou em direção ao ponto mais barulhento.


Ele chegou rápido o suficiente para ver um grupo inteiro disparando ataques para cima como se quisessem abrir um buraco na cobertura.


Alguns estavam no ar, outros no solo, e todos tinham o mesmo olhar… Aquele olhar de quem já aceitou que está preso e quer transformar a prisão em uma guerra só para ter a sensação de que está fazendo algo.


Zargoth aterrissou no meio, e o impacto dele no chão foi o bastante para silenciar dois por instinto.


"Chega." Ele rosnou.


Um dos soldados, com os olhos febris, virou o rosto e respondeu sem medir suas palavras: "Khan, ele fechou a gente aqui!"


"Eu sei." Zargoth devolveu.


"Então por que você não deixa a gente…" Ele tentou argumentar, mas frase não terminou.


Zargoth não discutiu. Ele não gritou mais alto.


Ele fez o que um Khan faz quando precisa arrancar um planeta do abismo.


Ele matou.


O golpe foi curto.


Limpo.


Uma decisão sem drama.


O soldado descontrolado caiu sem nem entender que tinha virado um exemplo.


O som do corpo caindo no chão foi abafado demais para o tamanho do choque que ele causou.


O grupo inteiro travou. E esse travamento foi mais valioso do que qualquer discurso.


Zargoth, sério, olhou para os rostos ao redor, e a voz dele saiu com a calma perigosa de quem não está mais tentando convencer.


"Se mais alguém atacar sem ordem, eu repito." Ele disse.


Um guerreiro engoliu seco.


Outro deu um passo para trás.


Alguns fecharam as mãos nas armas como se quisessem protestar, mas ninguém se moveu.


Porque, naquele instante, uma verdade simples se espalhou: Agora, eles tinham dois inimigos… O teto… E o próprio pânico.


Zargoth olhou para cima.


O teto verde estava ferido em alguns pontos.


Cortes; Rasgos; Seiva escorrendo em fios longos e grossos, pingando em chuva lenta sobre o planeta. E, ainda assim, nada revidava.


O Curupira não punia.


O Curupira não respondia.


Zargoth respirou fundo, e a conclusão dele veio como uma faca no coração.


Se aquilo quisesse matar, já teria matado.


Se aquilo quisesse esmagar, já teria esmagado.


A intenção do Curupira não era hostil. Ou, pior, a intenção nem era sobre eles.


Pensando assim, o descontrole orc era ainda mais intolerável.


Zargoth subiu no ar de novo, mais alto, e reuniu energia no peito.


Ele elevou sua voz, para que ela chegasse aos quatro cantos do planeta, e, quando falou, o som correu como uma ordem que mordia a orelha de cada um.


"UHR'GAL!"


O nome do planeta virou um chamada de guerra.


Muitos pararam só por escutar.


Alguns continuaram atacando, e Zargoth viu as explosões ao longe como doenças que insistiam em viver.


Ele não esperou o silêncio completo para continuar: "AQUI É ZARGOTH!"


A voz bateu em montanhas, em fortalezas, em cavernas, e voltou com eco suficiente para parecer que o planeta inteiro falava junto.


"VOCÊS VÃO PARAR DE ATACAR!"


Um grupo ao longe ainda lançou um golpe.


Zargoth viu. E a voz dele ficou mais dura.


"QUEM CONTINUAR, EU VOU CAÇAR UM POR UM!"


Ao dizer aquilo, ele não ameaçou com prisão, nem com algum castigo simbólico. Ele ameaçou de morte.


Para um orc, só existe uma linguagem que atravessa o pânico: A certeza das consequências.


"EU JÁ MATEI UM HOJE!" Zargoth rugiu: "E EU VOU MATAR OUTROS SE PRECISAR!"


O planeta inteiro ficou mais quieto.


E, enfim, lentamente, as explosões diminuíram.


Uma aqui.


Outra lá.


Até que, por alguns segundos longos, não houve nenhum golpe subindo.


Zargoth pairou acima de uma planície e escutou o mundo.


Escutou respirações.


Escutou passos.


Escutou, principalmente, o silêncio que volta quando a violência recua.


Ele desceu, pousou no alto de uma muralha, e olhou para a linha do horizonte.


Ainda não havia céu. Só a floresta invertida, e, por baixo, um planeta inteiro tentando reaprender a ficar quieto.


Zargoth sentiu raiva. Uma raiva real.


Não da coisa no teto, mas da fraqueza, do impulso burro, da necessidade de destruir para sentir que ainda tem algum controle.


Ele virou o rosto e viu Zao Rei abaixo, no pátio interno, cercado por orcs que não sabiam o que fazer com um humano como ele naquele dia.


Zao Rei olhava para cima como todo mundo.


Apesar do medo evidente no corpo, ele ainda estava ali. Vivo. Sob responsabilidade do Khan.


Zargoth fechou a mão uma vez, como se quisesse esmagar o próprio pensamento de culpa antes que ele atrapalhasse as decisões.


Foi aí que o teto se moveu.


A floresta se agitou como um músculo, como uma pele se contraindo.


O movimento começou em um ponto específico acima de uma fortaleza, e se espalhou em ondas lentas de folhas e raízes, reorganizando troncos.


O planeta inteiro sentiu a mudança como um calafrio.


Guerreiros que tinham acabado de baixar as armas voltaram a levantar por reflexo.


Alguns deram um passo para trás. Outros subiram no ar de novo, tentando achar um ângulo.


Zargoth sentiu o impulso coletivo de atacar voltar e cortou antes de virar outro incêndio.


"NÃO!" Ele projetou a voz de novo, e o grito foi mais ameaçador ainda.


O movimento continuou mesmo assim.


E, então, a forma apareceu.


Ela emergiu da própria superfície verde como se estivesse sendo empurrada para fora.


Uma figura humanoide feita de raízes, folhas e troncos, com articulações que não eram ossos, mas nós.


Ela carregava um arco longo. Grande demais para ser uma arma comum. E, mesmo assim, perfeitamente proporcional para as mãos dela.


O silêncio que veio depois disso não foi um silêncio de reconhecimento instintivo.


Um silêncio de caça.


à vista de todos, a figura ergueu o arco… E apontou.


Não foi para Zargoth.


Não foi para um general.


Não foi para uma muralha.


Ela apontou para baixo… Para dentro do pátio… Para o ponto onde um humano estava.


Zao Rei.


Quando viu aquilo, Zargoth sentiu o sangue gelar de um jeito que não combinava com ele.


Naquele momento, uma coisa ficou clara de imediato.


Aquilo não era um ataque aleatório…


Aquilo era uma intenção real e focada.


Antes que Zargoth pudesse mover o corpo, outras formas começaram a surgir.


Primeiro dez.


Depois cem.


Depois mil.


E então a superfície inteira do teto, em vários pontos ao redor do globo, começou a cuspir figuras semelhantes como se o planeta estivesse sendo observado por um exército de silhuetas vegetais.


Centenas de milhares. Espalhadas por todo o corpo do deus, com arcos surgindo e flechas sendo encaixadas.


Todas, mesmo distantes, pareciam alinhadas por uma mesma decisão.


Zargoth desceu em disparada.


Ele nem pensou em se esconder.


Ele pensou em proteger. Porque, se Zao Rei morre sob a proteção de Uhr'Gal, não é só um humano que morre.


É uma relação que morre junto.


É a chance de uma aliança que vira cinza.


É uma guerra inteira que ganha um motivo novo.


Zargoth cortou o ar em velocidade máxima, e a mente dele trabalhou mais rápido do que o corpo.


Ele calculou a distância. Calculou o tempo. Calculou ângulos.


E então… A flecha foi disparada.


O som não era de uma corda vibrando como em uma arma comum.


Aquilo foi um estalo orgânico, como uma raiz se rompendo.


A flecha desceu sem fazer curva.


Ela vinha reta. Direta. E vinha rápido o suficiente para parecer que o espaço estava ajudando.


Zargoth viu, ainda em movimento, a verdade que doeu mais do que qualquer ataque.


Ele não alcançaria.


Mesmo com toda a velocidade. Mesmo com tudo o que ele era.


A flecha já tinha decidido o destino antes dele decidir reagir.


No pátio, Zao Rei finalmente entendeu o que estava acontecendo.


Ele ergueu o rosto.


Viu a figura no teto.


Viu o arco.


Viu o movimento.


E, quando a flecha apareceu no campo de visão dele, vindo como uma linha atravessando a luz filtrada da mata invertida, o corpo dele travou de um jeito cruel.


Não havia cultivo em seu corpo.


Não havia técnica alguma em sua mente.


Não havia um reflexo treinado.


Havia, ali, apenas um humano olhando para a própria morte se aproximando rápido demais para o medo ser traduzido em um grito.


Impotente perante a força de um Grande Deus, os olhos de Zao Rei se arregalaram. E ele ficou parado, preso no segundo em que tudo se resume a uma única coisa vindo na sua direção.


O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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