Capítulo UHL 1180 - Chocante
[Capítulo patrocinado por Gabriel Santana Melo. Muito obrigado pela contribuição!!!
ATENÇÃO: LINK ATUALIZADO. Venham fazer parte da nossa comunidade no Telegram! https://t.me/+tuQ4k5fTfgc1YWY5
ATENÇÃO: OS EXEMPLARES FÍSICOS E DIGITAIS DO PRIMEIRO LIVRO DE O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ JÁ ESTÃO DISPONÍVEIS NAS MAIORES LIVRARIAS DO BRASIL E DO MUNDO. APOIE O NOSSO TRABALHO E GARANTA JÁ UM EXEMPLAR TOTALMENTE REESCRITO E REVISADO, E COM TRECHOS INÉDITOS.
Quer ver um mangá de O Último Herdeiro Da Luz? Então, a sua ajuda é muito importante para que possamos alcançar novos limites!
Para patrocinar um capítulo, use a chave PIX: 31988962934, ou acesse https://www.ultimoherdeirodaluz.com/patrocinarcap para outros métodos de pagamento, que podem ser parcelados em até 3x sem juros.
Para ver as artes oficiais da novel, que estão sendo postadas diariamente, siga a página do Facebook https://www.facebook.com/Herdeirodaluz
Ou a página do instagram https://www.instagram.com/herdeirodaluz/
Todas as artes e outras novidades serão postadas nas nossas redes sociais, e vêm muitas outras por aí, então siga as nossas páginas e não perca a chance de mostrar à sua mente qual é o rosto do seu personagem favorito!
Ps: Link do Telegram atualizado!
Tenham uma boa leitura!]
-----------------------
O contorno de Uhr’Gal, visto de fora, era como uma prisão.
Enquanto observava, Zao Tian manteve o grupo longe o suficiente para que pudessem pensar.
E eles pairavam no vazio, com todos olhando para a coisa.
Sem o amuleto, Uhr’Gal era um silêncio absoluto, e aquele silêncio era ofensivo, porque não havia nem mesmo interferência.
"Isso não é uma barreira comum." Ming Xiao disse.
Zao Tian não respondeu de imediato.
Ele fixou o olhar no verde, buscando qualquer padrão que parecesse construção, mas não havia.
Era orgânico.
Era denso.
E parecia… intencional.
"Se a gente atacar isso…" Cruz começou, e a frase morreu na própria boca, porque o pensamento já estava completo no rosto de todo mundo.
Ming Xue comentou em resposta: "Se a gente atacar, o que acontece com quem está preso lá dentro?"
Hildeval olhou para a cobertura como se tentasse medir a espessura pela sensação, não pelos olhos.
"Não dá pra saber se isso é uma casca ou um corpo." Ele disse.
Kyon estava com os olhos travados na região onde a luz parecia mais refratada, como se houvesse camadas sobre camadas: "Se isso é o corpo de alguma coisa… qualquer golpe nosso pode virar um golpe contra o que tem embaixo dele."
Singrid não perguntou se deveriam atacar.
Ela perguntou o que ninguém queria colocar em palavras de forma direta: "Isso é… E se não tiver mais ninguém lá?"
O silêncio depois dessa frase foi pior do que o silêncio do amuleto.
Jaha, por sua vez, foi quem deu voz ao medo de um jeito mais cru, mais simples, como sempre fazia quando queria cortar o excesso de pensamento.
"E ainda existe alguém lá?" Ele perguntou.
Ele olhou para Zao Tian, e os olhos dele tinham uma pergunta dentro da pergunta.
"Ou isso engoliu tudo e pronto?"
Zao Tian sentiu o estômago apertar.
Ele pensou no irmão. Pensou em Zargoth. Pensou no planeta inteiro debaixo daquela cobertura. E pensou em como seria fácil, naquele cenário, errar o primeiro golpe e transformar uma tentativa de resgate em um enterro coletivo.
"Eu preciso ter certeza." Zao Tian disse.
Gu Ren, ao lado, falou pela primeira vez, e foi só o necessário: "Como?"
Zao Tian não respondeu com bravata. Ele respondeu com a única coisa que ainda fazia sentido quando o universo não dava informação nenhuma.
"Eu consigo." Ele disse.
Depois, ele se afastou um pouco do grupo para que ninguém no alcance do que ele ia fazer interferisse.
Lenta e metodicamente, ele juntou energia espiritual a forçou nos seus olhos para enxergar além do que olhos comuns podiam ver.
Zao Tian franziu o cenho e concentrou um feixe invisível aos olhos comuns, um padrão de emissão tão fino que não era feito para iluminar, mas para retornar informações. Qualquer tipo de informação.
Ele prendeu a respiração por um instante quando a primeira camada da casca respondeu com resistência, como se a luz, ali, tivesse peso. Como se a cobertura tivesse aprendido a tratar qualquer coisa que se aproximasse como algo a ser filtrado.
Zao Tian forçou mais. E a luz avançou.
Por uma fração mínima, ele sentiu o retorno.
O corpo do Curupira não era uma única camada. Era uma estrutura de densidades variáveis, com veios, nós, cavidades, fibras comprimidas e bolsões que pareciam existir para absorver impactos.
Uma arquitetura viva.
E, dentro dela… estava Uhr’Gal.
Inteiro.
A atmosfera, comprimida sob a coisa, ainda existia como um volume preso, como se o planeta tivesse sido colocado dentro de uma estufa colossal.
Zao Tian sentiu uma pontada de alívio tão forte que quase virou raiva, porque alívio, naquele cenário, parecia um luxo.
"Está inteiro." Ele disse, sem perder a concentração.
A frase foi dita para o grupo ouvir: "Uhr’Gal está inteiro."
Jaha soltou o ar, mas não relaxou, e perguntou: "Então por que ninguém responde?"
Zao Tian apertou os dentes e buscou mais informações.
A luz atravessou mais fundo, e o retorno ficou mais claro.
E foi aí que ele viu o que, de longe, parecia apenas um tremor de brilho dentro do casulo.
Olhando com calma, deu para perceber que eram disparos. Linhas rápidas demais para olhos comuns acompanharem. Linhas que atravessavam o ar interno de Uhr’Gal, sumiam ao tocar matéria e reapareciam do outro lado.
No mesmo instante, Zao Tian sentiu o instinto puxar o corpo dele para frente.
Ele avançou três passos no vazio.
E parou.
Parou porque, enquanto continuava a ver, ele percebeu que a coisa estava atacando o solo. Estava atacando ruas, muralhas e praças. Mas… não havia orc algum sendo ferido.
Ele via flechas atravessando corpos e não deixando nada.
Ele via guerreiros caindo, não por morte, mas por choque.
Ele via sangue que não parecia pertencer a nenhum dos que estavam caindo.
Era como se a coisa estivesse caçando algo que corria por Uhr’Gal… e todo o resto fosse apenas um pedaço de espaço no caminho.
Então, Zao Tian ficou imóvel.
A luz nos olhos dele tremia, não por falha, mas por irritação, porque a mente dele não encaixava aquilo.
O que era aquilo?
Uma punição sem punição?
Uma caçada dentro de um planeta?
Uma prisão que virou uma arena para um alvo que ninguém consegue ver?
Ming Xiao percebeu a mudança na postura de Zao Tian antes de ouvir qualquer palavra.
"O que você viu?" Ele perguntou.
Zao Tian demorou para responder, porque a resposta parecia absurda quando dita em voz alta.
"Eu vi ataques." Ele disse: "Eu vi flechas atravessando tudo lá dentro."
Cruz arregalou os olhos e teve que perguntar: "Orcs morrendo?"
"Não." Zao Tian respondeu, e a palavra saiu crua, porque ele também achava isso errado.
Zao Tian não tinha certeza, mas ele tinha uma suspeita que era pior do que qualquer certeza.
"Eu vi sangue surgindo no ar." Ele disse: "Sem corpo. Sem queda. Como se o alvo não estivesse no mesmo plano…"
Escutando o que Zao Tian dizia, Kyon olhou para a casca verde e, por um instante, a expressão dele foi menos de um guerreiro e mais de alguém tentando lembrar de um detalhe esquecido.
"Essa coisa lembra…"
Ele parou, e foi Ragnar quem terminou: "Isso não é ‘uma coisa’."
"E se isso for ele?"
A pergunta não precisava de um nome para fazer sentido, mas, ainda assim, o nome existia, pairando entre eles como uma peça que estava prestes a encaixar.
Ragnar manteve o olhar fixo na casca verde.
A postura dele não era de temor.
Era analítica. Crítica.
Para ele, uma coisa daquele tamanho não forçava medo. Ela forçava-o a medir o que dava para contra ela sem esmagar quem estava embaixo.
"Ele?" Hildeval repetiu.
A palavra saiu quase como ironia, não por desrespeito, mas por contraste. Porque “ele”, ali, significava muito.
Singrid se adiantou, olhando para Zao Tian, para a cobertura, para os pontos onde a luz filtrava de forma estranha.
"Realmente… Não só um deus qualquer." Ela constatou.
Ming Xue não desviou o olhar.
"Na Singularidade, alguém descreveu algo assim." Ela disse.
A voz dela carregava reconhecimento: "Foi como alerta operacional."
“De quem vocês estão falando?” Shara’Kala, perdida naquela série de deduções que só ela não estava por dentro, finalmente questionou, afinal, era o mundo dela que estava cercado.
Ryuuji, que tinha permanecido quieto, respondeu com poucas palavras: "Curupira."
O nome atravessou o grupo como uma confirmação. Não houve aquele instante humano de “não pode ser”. O que houve foi um ajuste coletivo de prioridade.
Se era o Curupira, então aquilo não era um acidente.
Se era o Curupira, então aquele cerco tinha uma intenção.
Shara’Kala franziu o cenho.
Ela olhou de um para o outro, e a expressão dela mostrava a irritação de estar numa conversa onde todo mundo já ouviu um trecho da história e ela não.
"Curupira!?" Ela repetiu.
"Eu conheço o nome através de cantigas de velhos e ameaças para crianças." Ela disse, antes de apontar para coisa e comentar: “Mas vocês estão falando como se tivessem visto uma coisa parecida antes."
Zao Tian finalmente tirou os olhos do Curupira e olhou para ela.
"Íxion falou." Ele disse: "Ele descreveu algo assim. A escala. A floresta. Um deus que ocupa o espaço de um mundo."
Shara’Kala estreitou os olhos, absorvendo o peso como alguém que já aprendeu que mitos, em Uhr’Gal, às vezes são só fatos antigos contados por bocas erradas: "E vocês acreditaram."
"Não é uma questão de acreditar." Ming Xiao respondeu: "A descrição bate com o que estamos vendo."
Mesmo diante daquela revelação, Shara'Kala não deixou o silêncio se acomodar.
"Então parem de descrever e comecem a fazer alguma coisa." Ela disse, e a voz dela não pediu licença para o peso da situação: "Eu não vim até aqui para assistir vocês discutirem o nome de uma coisa enquanto o meu mundo está trancado por fora."
Zao Tian virou o rosto para ela por um instante, e não precisou explicar que a urgência dela era a dele também.
"Eu também não tenho tempo." Ele disse.
A frase saiu com a secura de quem já tinha calculado o que a demora significava, mesmo sem números.
"Meu irmão está lá dentro." Zao Tian continuou: "Se isso estiver caçando alguém no meio do planeta, cada minuto é uma roleta, e eu não vou ficar parado esperando o acaso escolher."
Cruz ergueu o olhar para o casulo verde, e falou o que importava, sem enrolar: "Plano curto. A gente aproxima. Vê se tem um ponto de contato, algum ponto de entrada, qualquer falha. Se não tiver, a gente cria uma."
"Sem golpes excessivos." Ming Xue respondeu, e o aviso não foi um pedido, foi um limite: "Se Uhr’Gal está inteiro, não vai ser a gente que quebrará o que ainda não foi quebrado."
Kyon apontou para o trecho em que a luz refratava diferente, onde Zao Tian tinha fixado o olhar antes.
"Ali está com comportamento de camada." Ele disse: "Se isso tiver tensão acumulada, qualquer ruptura vira um escape de atmosfera. A gente se aproxima por fora do eixo, não pelo centro. Se houver alguma ejeção, não pega a gente de frente."
"Chega de conversa." Zao Tian não esperou mais nenhuma concordância verbal ou plano: "Vamos."
Logo em seguida, ele se lançou para frente, e o grupo o acompanhou, mantendo a distância entre si como se tivesse sido ensaiada.
A cada metro que avançavam, a sensação de silêncio não mudava. Nenhuma vibração. Nenhuma interferência. Nada no amuleto. Nada no vazio além deles e daquele corpo colossal cobrindo um mundo.
Zao Tian voltou a comprimir energia nos olhos por um segundo, só para confirmar o que já tinha visto, e a resposta veio como antes: camadas, densidades, veios, bolsões, um tecido vivo que não se comportava como pedra, metal ou barreira comum.
"Não encostem." Ele falou, sem elevar o tom: "Ainda."
Shara'Kala respondeu sem diminuir a marcha.
"Eu não vou encostar." Ela disse: "Mas eu vou chegar perto o suficiente para escolher onde eu vou enfiar uma lâmina, se for preciso."
Ming Xiao se posicionou ao lado de Zao Tian e disse "Se for para abrir uma brecha, eu abro!"
Zao Tian ia responder quando o próprio casulo mudou, e não foi uma sutileza que exigisse olhos treinados para observar…
Foi um acontecimento brutal.
De dentro de Uhr’Gal, uma explosão de ar foi disparada do solo para cima, como se o planeta tivesse cuspido a própria atmosfera em um único golpe.
A pressão interna encontrou uma falha criada na força, e a falha virou uma abertura.
O corpo do Curupira se rompeu em um ponto específico, e a ruptura não foi uma rachadura lenta. Foi um rasgo, arrancado por uma violência que não tinha a assinatura de nenhuma das pessoas ali fora.
O jato atravessou o tecido verde e se lançou no espaço como uma lança invisível, carregando partículas, poeira, fragmentos de matéria e um volume de ar que imediatamente se expandiu em todas as direçõe.
Mesmo no vazio, a massa ejetada tinha poder, e o grupo sentiu o corpo ser forçado para trás como se alguém tivesse empurrado uma atmosfera na direção deles.
Zao Tian sentiu o empurrão atravessar o peito como uma compressão, e fixou o próprio corpo no vazio enquanto olhava direto para a abertura.
De uma hora para a outra, o buraco estava lá, irregular, e as bordas já se mexiam.
O Curupira não estava sangrando como um ser comum. Estava reagindo como uma estrutura que não admite falha: o tecido se contraía, se reorganizava, tentava fechar a ruptura, fibra sobre fibra, com a densidade aumentando ao redor da margem como se o corpo redistribuísse material para cicatrizar.
"Ele está regenerando." Kyon disse, e não era surpresa, era um fato: "E rápido."
Zao Tian, que ainda estava olhando dentro do Curupira, se surpreendeu, mas o que chamou o foco de Zao Tian não foi a regeneração… Foi a direção dos disparos que ele fazia lá dentro.
As linhas rápidas que ele tinha visto por dentro, aqueles ataques que atravessavam matéria sem ferir orcs, agora se tornaram visíveis até para quem não estava com seu espectro de visão, porque a abertura criou um contraste: os disparos vinham do interior, cruzavam o ar que escapava, e convergiam em direção ao buraco.
Era um caminho.
Um caminho traçado pela perseguição. E o alvo da perseguição estava se movendo para a abertura.
"Ele está vindo." Zao Tian avisou, vendo que aquilo que o Curupira caçava estava saindo de Uhr’Gal.
“Quem?” Gu Ren perguntou.
“Eu não sei, mas eu sinto que tenho que impedir!” Zao Tian respondeu, e, antes que qualquer outro ali pudesse perguntar outra coisa ou se mover, um rasgo já tinha se formado no espaço. Um rasgo dourado, em alta velocidade.
*Craaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…* Zao Tian cortou o vazio a uma velocidade absurdamente alta. Os orcs que estavam ao redor de Uhr’Gal nem viram ele se aproximando, apenas viram ele estar lá de uma hora para a outra.
O grupo inteiro, pego desprevenido, ficou para trás, e o que eles viram acontecer a seguir foi totalmente inesperado…
“Segure!” Enquanto Zao Tian se lançava em direção ao buraco numa velocidade que só era possível observar por seres de altíssimo nível, uma voz grave veio do mundo verde.
Zao Tian seguindo a trajetória das flechas, escutou e quase perdeu a atenção.
A voz estava orientando ele. Era como se… Ela precisasse que eles trabalhassem juntos.
Zao tian ficou em um momento breve de indecisão. Ele não sabia se fazia o que a voz pediu ou se ia contra ela, porém, dentro de sua mente, Gold deu uma luz a ser seguida, dizendo: “Confie nele, moleque!”
Após escutar aquilo, Zao Tian não pensou em mais nada e apenas segurou uma das flechas que o Curupira tinha disparado.
*Tap.* Ambos, a flecha e Zao Tian, se moviam em alta velocidade, então foi fácil agarrá-la. Contudo, não foi tão fácil acreditar no que a flecha revelou para ele, porque, assim que agarrou o objeto, Zao Tian sentiu a sua percepção de tudo ao redor mudar drasticamente, enxergando camadas de diferentes planos, e, em um deles, Samir estava fugindo, sozinho.
Um membro desgarrado da Trindade era o alvo do Curupira em Uhr’Gal.
