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Capítulo UHL 1181 - Ainda Não

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Tenham uma boa leitura!]


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A flecha vibrou na mão de Zao Tian como se fosse viva, não por vontade própria, mas porque carregava uma lógica que não pertencia ao plano comum. Era como segurar um vetor que apontava para algo que os olhos, sem aquilo, fingiam que não existia.


No instante em que a percepção dele abriu, Samir apareceu onde não deveria aparecer… Numa camada paralela, colada ao mundo real como uma película que não deixava marca, como se a realidade aceitasse a presença dele desde que ninguém notasse.


Zao Tian sentiu o sangue subir de uma vez, e a respiração dele ficou rápida, não por falta de ar, mas porque o corpo tentou escolher entre atacar e entender.


A escolha foi feita antes do pensamento terminar.


"Filho da..." Ele rosnou, baixo, como se a palavra seguinte fosse um veneno que não deveria existir ali.


Samir estava fugindo. Sozinho. E isso era tão errado quanto o resto daquela situação, porque a Trindade nunca jogava uma peça solitária no tabuleiro sem estar segurando uma segunda faca nas costas de todos.


Zao Tian não sabia o que Samir estava fazendo em Uhr’Gal, mas ele sabia o suficiente sobre o modo como eles operavam para não precisar de uma prova adicional.


Se Samir estava lá, era porque alguma coisa estava sendo quebrada por dentro.


Alguma estrutura estava sendo corroída.


Alguma decisão tinha sido tomada contra a vida de milhares, ou milhões, e aquilo não era um acidente.


Zao Tian apertou a flecha com força, e a energia dele respondeu como um instinto treinado, comprimindo, alinhando, preparando o corpo para acelerar em linha reta.


Então, ele se lançou. Ele se lançou para o ponto onde Samir corria, dentro do Domínio da Miragem Eterna, naquela camada onde o inimigo acreditava estar intocável.


O espaço ao redor dele virou um borrão, e agora, era flecha quem seguia para onde Zao Tian queria.


Cada fração de segundo reduzia a distância. Ele era plenamente capaz de alcançar Samir. E Samir percebeu, porque mesmo confiando no Domínio, ele não era cego para deslocamentos no plano real.


Ele sentiu o corte no vazio, sentiu o deslocamento, como uma sombra que não deveria existir, e olhou por reflexo para trás, mas não viu ninguém.


Ele viu flechas. E o pensamento dele, rápido e viciado, encaixou a explicação mais confortável.


Zao Tian não estava vendo.


Samir manteve a fuga. Ele se moveu como alguém que entende que o tempo é a única moeda real quando se está dentro de um Domínio: se eu abrir distância, eu ganho a próxima ação.


Zao Tian encurtou a diferença mais uma vez.


A flecha na mão dele não era só uma arma. Era um instrumento de leitura. E o instrumento entregava tudo que ele precisava naquele momento: a trilha, o deslocamento, as micro-alterações do plano onde Samir passava como um corpo que não deixava pegada, mas deixava perturbação.


Então, para Zao Tian, a invisibilidade não era mais invisibilidade.


Ele sentiu o impulso de acelerar de uma vez e simplesmente cortar o espaço entre eles.


O golpe seria cego para quem assistisse, mas não para ele, porque ele enxergava o alvo.


Ele ia matar Samir ali mesmo.


A chance era única.


Foi exatamente o Domínio da Miragem Eterna que salvou os irmãos quando eles se enfrentaram, e agora, com a flecha como chave entre as dimensões, não havia como Samir se esconder dele.


O câncer da Trindade precisava ser extirpado.


Zao Tian sentiu isso com uma clareza fria, sem adornos, sem heroísmo.


Se eles continuassem vivos, continuariam abrindo feridas no universo até não restar nada além de um império vazio sob um “olho” que não merecia existir.


E, no exato momento em que ele ia transformar essa intenção em ataque, a voz veio de novo.


Não no ar.


Direto na percepção dele, como se o próprio espaço tivesse escolhido falar apenas com quem conseguia ouvir.


"Espere."


Foi uma ordem, não um pedido.


Zao Tian quase ignorou.


O corpo dele até tentou avançar mesmo assim, e por uma fração mínima ele sentiu resistência, como se a flecha tivesse aumentado de peso, como se a chave não quisesse atravessar o último metro.


"Agora não." A voz reforçou, mais grave, mais próxima: "Não mate ainda."


Zao Tian rangeu os dentes.


Ele não queria política.


Ele não queria conversa.


Ele só queria resolver.


Ele queria arrancar Samir do Domínio como se arrancasse uma praga da raiz, antes que ela tivesse a chance de se espalhar mais uma vez.


Dentro da mente, Gold falou com a impaciência de quem não precisava provar nada para ninguém, mas ainda assim escolhia orientar porque entendia o valor de uma jogada bem feita.


"Você está vendo apenas parte que te dá prazer." Gold disse: "Mas não está vendo a parte que te dá a vitória."


Zao Tian sentiu a raiva virar um fio tenso, e a vontade dele quase mordeu a própria língua de tão forte que era.


"Eu mato ele e acabou!" Zao Tian respondeu, em pensamento, como se a simplicidade fosse argumento o suficiente.


"Você mata ele e acha que acabou." Gold retrucou: "Você não sabe por que ele está sozinho, nem o que ele deixou armado lá dentro. Você não sabe o que ele precisa e nem como vai voltar para os irmãos."


A voz do Curupira entrou no meio como se fechasse a discussão com um único ponto técnico: "Ele vai abrir a porta."


Zao Tian sentiu o estômago apertar de novo, mas agora por outra razão.


Porta?


Uma passagem para um lugar de refúgio, um ponto de ancoragem fora de Uhr’Gal, onde Samir poderia se proteger e, pior, se reorganizar.


Zao Tian teve que engolir a vontade de atacar.


Ele diminuiu o ritmo, mantendo a distância exata em que podia ver sem tocar, seguir sem interferir.


O recuo foi uma derrota pessoal.


Ele sentiu isso como se estivesse cedendo terreno para alguém que não merecia.


Contudo, ele segurou a flecha firme, manteve a atenção, e deixou Samir continuar correndo, porque agora o objetivo tinha mudado de matar para capturar algo maior: o caminho.


Samir não olhou para trás de novo.


Ele começou a desacelerar em pontos específicos, como alguém que procura a geometria certa no meio do caos, e Zao Tian entendeu que ele estava escolhendo um lugar onde a influência do Curupira era menor.


Samir era um rato treinado para correr por rachaduras.


Zao Tian sentiu a raiva ficar mais afiada. Ele queria fazer alguma coisa.


Então, Samir, confiante, finalmente parou.


O corpo dele se posicionou de forma quase casual na camada paralela, como alguém que decidiu que já tinha corrido o suficiente.


Ele estendeu a mão no ar, e Zao Tian viu a realidade dobrar.


Foi um rasgo limpo, controlado, como se alguém tivesse desenhado uma linha e depois convencido o universo de que aquela linha era uma abertura legítima.


Uma fenda. Para um lugar que não tinha a assinatura do planeta orc, um refúgio que parecia existir fora daquela prisão, num ponto onde o Domínio da Miragem Eterna podia tocar algo próprio.


Samir deu um passo, ainda convencido de que ninguém o seguia.


Zao Tian viu o contorno do outro lado por um instante. E não foi só visão…


Foi um encaixe imediato de ameaça, como se algo dentro dele tivesse um nome pronto há muito tempo e só estivesse aguardando um rosto.


Samir não olhou para trás.


Ele não sentiu nada.


Porque, no momento em que Zao Tian tocou a flecha, a presença dele foi arrancada do plano que Samir considerava “seguro” e colocada numa dobra que não era o Domínio da Miragem Eterna, mas imitava o mesmo princípio: existir ao lado sem ser percebido por quem não tinha acesso àquela camada.


O Curupira o escondeu.


Era como se o deus dissesse, sem palavras, que ali a vantagem não era mais de Samir, e que o Domínio não era o único lugar onde a realidade podia ser usada como uma armadilha.


Zao Tian sentiu a distância absurda entre eles e o corpo principal do Curupira como um detalhe que deveria importar, mas não importava, porque a flecha na mão dele carregava uma totalidade impossível.


Mesmo separada, mesmo como um fragmento físico, ela tinha o Curupira inteiro dentro dela.


A mesma consciência.


A mesma leitura.


A mesma vontade, como se aquele ser não tivesse “partes”, apenas extensões.


Samir deu outro passo, e a fenda respondeu, pronta para engoli-lo.


O rasgo tinha estabilidade suficiente para atravessar camadas e tocar o plano real.


Era uma rota. E, quando a abertura se alinhou, Zao Tian viu o destino.


Uma pequena cidade.


Compacta, organizada demais para ser um acampamento improvisado, limpa demais para ser um refúgio de fugitivos comuns.


Havia construções baixas, ruas estreitas, fumaça discreta subindo em colunas finas, e gente circulando com a normalidade de quem não espera uma guerra no próprio quintal.


As vestimentas de todos eram azuis.


Não um azul qualquer, mas um azul específico, usado como identidade, como marca, como o uniforme de uma família que preferia se esconder atrás de aparência de ordem.


Zao Tian sentiu o estômago gelar, e, na mesma fração de segundo, a raiva dele encontrou um lugar preciso para se fixar.


"A família Shui…" Ele murmurou, tão baixo que, se houvesse ar ali, talvez nem o próprio som se completasse.


Aquilo não fazia sentido naquela escala.


Aquele pequeno mundo não deveria ter humanos.


Não deveria ter nada.


Nenhum relato, nenhum boato, nenhuma mentira inventada pelos inimigos tinha sequer citado o nome deles, porque a Trindade tinha escondido eles tão bem que parecia tê-los enterrado.


E ainda assim, ali estavam eles.


Próximos o suficiente para serem vistos.


Próximos o suficiente para serem alcançados.


Zao Tian não precisava ver clones para entender o que aquela cidade significava. Ele só precisava ver as roupas azuis e a forma como se moviam, como se tivessem tempo demais para construir uma vida numa região que deveria ser vazia.


Os Shui.


Os que carregavam o conhecimento de clonagem que vinha sendo usado como uma doença espalhada em silêncio, criando cópias, criando traições, criando versões falsas de gente que Zao Tian tinha jurado proteger.


Os que tinham feito aquilo antes.


Os que tinham feito aquilo a mando dos irmãos, em lugares que ele ainda nem tinha descoberto.


Samir entrou na fenda como quem volta para casa.


E ainda assim, ele não viu Zao Tian.


Zao Tian viu Samir atravessar e pisar no plano real, do outro lado, e sentiu o peso do instante em que o inimigo precisava existir de verdade para completar a travessia.


Foi aí que o corpo dele tentou se jogar junto.


O impulso foi violento, quase automático, porque matar Samir ainda parecia a solução mais limpa.


Mas agora havia algo maior do que a morte de um dos irmãos.


Havia uma porta aberta para outra raiz do problema.


Zao Tian respirou fundo, a flecha pulsou, e o Curupira respondeu na percepção dele com uma frase curta, como se confirmasse que ele estava vendo a verdade e não uma armadilha ilusória.


"Você viu."


Zao Tian apertou os dentes.


Ele queria entrar e esmagar Samir no primeiro segundo do outro lado, mas ele sabia o que isso significava: alarme, fuga, dispersão.


Os Shui evaporariam como sombra se percebessem que foram descobertos, e a Trindade, em algum lugar, receberia a informação de que aquele ativo tinha sido comprometido.


Zao Tian não tinha provas para o mundo, mas tinha certeza para si mesmo. E, naquele momento, a certeza era a sua arma.


Ele se aproximou da fenda sem tocar o limite, mantendo-se preso à camada escondida, observando.


A cidade tinha guardas?


Tinha selos?


Tinha rotas de saída preparadas?


Zao Tian viu alguns símbolos discretos nas entradas, marcas espirituais que eram pequenas demais para serem ostentação e organizadas demais para serem acaso.


Era um lugar preparado para existir sem ser encontrado.


Um lugar onde a Trindade guardava o que não podia ser perdido.


Samir caminhou entre eles como se fosse esperado, como se aquela gente soubesse quem ele era.


Alguns olharam para ele com respeito, outros com medo, mas ninguém tentou barrar.


Eles conheciam aquela presença.


Zao Tian sentiu a vontade de avançar latejar de novo.


Ele podia matar Samir ali e transformar aquela cidade em uma confusão, mas confusão era o melhor amigo de quem queria desaparecer.


E os Shui eram especialistas em desaparecer.


A flecha na mão dele tremeu, e a consciência do Curupira se impôs mais uma vez, sem gritar, sem dramatizar, apenas se colocando como uma regra do momento.


"Não corra antes de ver a toca inteira."


Zao Tian fechou os olhos por um instante e abriu de novo, agora com a raiva sendo usada como foco e não como ignição.


Ele precisava memorizar.


Precisava marcar.


Precisava, acima de tudo, levar aquilo para fora e conectar com o que já sabia: clones, infiltração, ativos escondidos, uma rede que ele vinha tentando mapear sem sequer ter o nome de algumas peças.


Agora ele tinha uma peça grande demais para ignorar.


Os Shui estavam ali, vivos, operando, intactos.


Isso significava que a Trindade ainda não tinha sido ferida no ponto certo.


Significava que havia linhas de produção que continuavam funcionando enquanto eles lutavam em frentes diferentes, apagando incêndios que os irmãos acendiam com calma.


Zao Tian sentiu uma vontade amarga de rir, mas não riu.


Era só ódio puro se reorganizando, porque o universo estava mostrando, com uma clareza cruel, que ele sempre tinha estado atrás.


Samir parou no centro da pequena cidade, diante de uma construção maior do que as outras, com uma entrada reforçada por selos e por uma densidade que Zao Tian reconheceu como espaço comprimido, como se o interior fosse maior do que deveria ser.


Um núcleo.


Um coração.


Um laboratório, ou algo equivalente, escondido sob a aparência de vida comum.


Zao Tian pensou em Ming Xue, em Cruz, em Ye Yang, em todos os nomes que ele não gostava de ver associados à palavra “cópia”.


Pensou na ideia de alguém usar o rosto de um aliado para plantar uma guerra no meio do grupo. E a raiva dele quase rachou por dentro, porque aquela era a definição de corrupção: não matar de frente, mas apodrecer a confiança.


Ele puxou a flecha um pouco, como se testasse se podia atravessar a abertura sem perder a proteção do Curupira.


E sentiu o aviso imediato, como um toque no nervo.


Se atravessasse agora sem escolher o momento, poderia ser percebido.


O Curupira estava escondendo ele, mas não estava prometendo invisibilidade absoluta no plano real da cidade.


Não contra os selos preparados pela Trindade.


Não contra os olhos de um grupo que vivia escondido para nunca ser encontrado.


Zao Tian manteve-se na borda, observando cada detalhe.


A forma como as pessoas se comunicavam por gestos e por olhares, evitando qualquer coisa que pudesse vazar informação pelo ar ou pela energia.


Eles eram cuidadosos demais para serem apenas refugiados.


Eles eram ativos.


Eles eram uma peça viva do plano dos irmãos.


E agora, por uma abertura que Samir acreditava ter usado em segurança, Zao Tian tinha acesso ao esconderijo mais bem enterrado que já tinha visto.


Ele sentiu o impulso de falar com o grupo através do amuleto, mas não podia. Ele não ia gritar em um lugar onde o inimigo podia escutar.


Então, ele fez a única coisa que podia fazer: guardou o que via como quem guarda munição.


E esperou, porque, pela primeira vez em muito tempo, ele não estava correndo atrás de sombras.


Ele tinha um endereço.


Ele tinha um nome.


Ele tinha a família Shui ao alcance dos olhos.


E, em algum lugar dentro daquele núcleo, havia algo que podia explicar por que Samir estava sozinho, por que o Curupira o caçava, e o que a Trindade estava tentando arrancar de Uhr’Gal por baixo de um deus que ocupava um mundo.


Zao Tian: "Eu achei vocês."





O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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