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Capítulo UHL 1187 - Aviso

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Tenham uma boa leitura!]


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O agradecimento de Zao Tian ficou no ar como uma coisa estranha, fora de lugar naquele cenário, porque não era um agradecimento para aliados, nem para exércitos, nem para um povo.


Era para algo que ninguém ali entendia direito. E, no entanto, ninguém riu.


Ninguém ironizou, porque, depois do que Uhr’Gal tinha acabado de sobreviver, até o orgulho aprendia a ficar quieto por alguns minutos.


Zargoth manteve o corpo firme ao lado de Zao Rei, mas o olhar dele acompanhou o movimento sutil do céu, como se esperasse que a prisão voltasse a se fechar só para provar que a esperança é uma armadilha.


Os orcs em volta estavam muito mais tensos.


Eles tinham recuperado o céu, mas não tinham recuperado a paz.


A memória ainda estava fresca, e a memória, naquele mundo, era quase um órgão.


Você sentia.


No meio daquilo tudo, Zao Tian respirou devagar, tentando não dar ao corpo o luxo de tremer.


O braço direito ainda doía, mas a dor era pequena perto do que poderia ter acontecido ali.


Ele olhou para Zao Rei de novo.


Não como irmão, por um instante, mas como prova de que a intenção de Samir tinha falhado.


A raiva voltou com tudo, mas ele empurrou tudo aquilo para o fundo.


Não agora.


Agora ele precisava de informação, não de raiva.


Finalmente, Zao Tian virou para Zargoth.


"Conte como tudo aconteceu." Ele pediu: "Desde o começo. Sem pular nada."


Zargoth segurou o olhar de Zao Tian por um momento, como se medisse o peso da pergunta.


Ele não era um homem de contar histórias.


Ele era um homem de sobreviver.


Contudo, ele sabia que aquele era o tipo de conversa que define o próximo golpe, e não o anterior.


"O Curupira surgiu do nada." Zargoth começou: "Como se o vazio tivesse parido um mundo."


Alguns orcs perto deles apertaram a mandíbula.


A forma como Zargoth falava do deus ainda carregava um ranço de insulto involuntário, porque era assim que um povo descreve algo que não deveria existir.


"Eu tentei contato." Zargoth continuou: "Mais de uma vez. Eu usei cada protocolo, cada rito, cada forma que existe para falar com algo grande o suficiente para esmagar o céu. E ele não respondeu."


Zao Tian manteve o rosto neutro, mas a atenção dele prendeu em um detalhe: "Ele não respondeu nenhuma vez?"


"Nenhuma." Zargoth confirmou: "Ele apenas ficou ali. Observando. Como se já tivesse decidido que nossa voz não importava."


Shara’Kala fechou os punhos.


"Isso é típico." Ela disse, amarga: "Eles aparecem, impõem presença, e esperam que todos se ajustem ao peso deles."


Zargoth nem olhou para ela. Ele não precisava concordar para que todos soubessem que aquela frase tinha uma verdade muito clara para todos.


"Depois…" Zargoth continuou, e o tom dele mudou, ficando mais sombrio: "Depois eu tentei falar com você."


Zao Tian sentiu o ar apertar: "Sim, você tentou me chamar."


"Eu tentei." Zargoth disse: "Porque Zao Rei falou seu nome."


Zao Rei abriu a boca, como se fosse se defender, mas Zargoth ergueu a mão, pedindo silêncio.


Não por desrespeito, mas, sim, por urgência.


"Ele insinuou." Zargoth continuou, olhando para Zao Rei rapidamente e depois voltando para Zao Tian: "Insinuou que talvez o Curupira estivesse ali por causa de você. Que talvez fosse uma consequência do seu caminho, da sua guerra, do que segue seu nome."


Alguns orcs ao redor apertaram os olhos na direção de Zao Tian.


A velha superstição ganhava força em silêncio.


Mau agouro.


A mesma palavra que não era dita, mas era pensada.


Zao Tian não reagiu.


Ele já tinha ouvido isso de humanos.


De aliados.


De inimigos.


Então, ouvir de orcs não mudava a substância.


"Eu tentei entrar em contato com você." Zargoth repetiu: "Foi aí que o Curupira cobriu o planeta."


O som de respiração contida percorreu o grupo, porque mesmo quem já tinha vivido aquilo preferia não ouvir de novo.


Zargoth descreveu o processo com a frieza de quem precisou observar e manter o povo de pé.


"Foi rápido." Ele disse. "Uma prisão foi se formando ao redor de Uhr’Gal como se nosso céu tivesse sido tomado por um corpo vivo. Eu ainda tentei contato. Eu ainda tentei negociar. E, mais uma vez, nada."


Zao Tian encarou Zargoth e deduziu: "E depois vieram as flechas."


"Vieram." Zargoth confirmou: "E não estavam mirando em orcs. Eu não entendi isso na hora, mas eu vi coisas impossíveis. Flechas atravessando paredes e deixando sangue no ar. Guerreiros caindo sem nenhuma ferida visível. O Curupira estava atacando alguma coisa que nós não conseguíamos enxergar."


Zao Tian assentiu devagar enquanto mencionava: "Samir."


Zargoth olhou para o chão por um instante, como se a confirmação colocasse ordem em um terror que antes era caótico.


"Sim." Ele disse: "Agora eu sei que era ele."


Na mesma hora, um orc próximo cuspiu no chão, como se quisesse expulsar o nome da realidade.


Samir tinha sido uma presença invisível em suas casas, e isso era mais ofensivo do que um exército inteiro invadindo Uhr’Gal.


Zao Tian ficou quieto por alguns segundos, absorvendo a sequência.


O Curupira surge.


Ignora o contato.


Zargoth tenta chamar Zao Tian.


O planeta é coberto.


As flechas começam.


Samir tenta matar Zao Rei.


O nó apertou em outro lugar, mais alto, e a voz de Jaha entrou antes mesmo de Zao Tian perguntar: "Zao Rei acelerou a ação dele."


Zao Tian rapidamente virou o rosto para Jaha.


Jaha, por sua vez, não estava apontando culpa. Ele estava apontando a mecânica.


Causa e efeito.


"Explique." Zao Tian pediu.


Jaha assentiu e olhou para Zao Rei com respeito suficiente para não transformar aquilo em uma acusação.


"Samir estava à espreita." Jaha disse: "Ele estava esperando o momento ideal para romper a estrutura política e emocional da aliança."


Zao Rei franziu o cenho e comentou: "Eu não entendo..."


"Entende, sim." Jaha respondeu, num tom mais calmo do que o conteúdo da frase: "Você falou em chamar Zao Tian. Você falou o nome dele. Você sugeriu a possibilidade de ele vir. Isso mudava o nível de risco para Samir."


Zargoth estreitou os olhos, absorvendo.


Jaha continuou.


"Samir não quer confrontar Zao Tian." Ele disse: "Ele quer evitar o confronto direto porque sabe o que pode acontecer se ficar exposto tempo demais. Então ele se move na sombra. Ele se move antes. Ele só age quando acha que consegue terminar o serviço sem chamar a atenção do predador maior."


Zao Tian sentiu o estômago endurecer ao escutar aquilo.


Jaha não parou.


"Na mente dele, aquele foi o último segundo seguro." Jaha disse: "Se você chegasse, o plano dele morreria. Então ele decidiu agir naquele instante. Matar Zao Rei. Criar a reação em cadeia. Arruinar a aliança. Fazer você perder controle. Fazer humanos e orcs se destruírem. E, no caos, colher o que restasse."


Zao Tian olhou para o irmão.


Zao Rei estava pálido, não de fraqueza, mas de perceber que tinha sido o alvo de uma estratégia inteira e provavelmente estava sendo seguido há dias pelo seu assassino.


Shara’Kala rosnou de raiva do quão baixo Samir era, antes de comentar: "E ele quase conseguiu."


Zao Tian respirou fundo e acenou.


A linha que Jaha montou fazia mais sentido do que eles queriam que fizesse, e era muito amarga porque era limpa demais para ser uma coincidência.


"É provável." Zao Tian disse, e a concordância não foi de alívio: "Ele estava esperando. E quando a possibilidade de eu aparecer ficou real… ele se apressou."


Zargoth virou o rosto para Zao Rei, e por um instante a expressão dele ficou mais dura, como se ele prometesse silenciosamente que não deixaria alguém encostar naquele humano de novo.


Zao Tian, então, deixou a próxima pergunta sair.


"Então por que o Curupira fez isso?" Ele perguntou, mais para si mesmo do que para o grupo: "Por que ele cercou Uhr’Gal? Como ele sabia que Samir estava aqui?"


O silêncio que veio foi um silêncio de limite, porque aquela pergunta não era sobre política.


Era sobre divindade.


Sobre percepção.


Sobre um ser que via coisas que ninguém ali via.


Para responder, Jaha ergueu os olhos para o céu… Para o lugar onde a presença do Curupira agora ocupava a órbita de Uhr’Gal como uma lua estranha.


Um mundo inteiro pendurado no céu, quieto, como se tivesse se acomodado no lugar como se aquele fosse sempre o destino dele.


"Só existe um ser que pode responder isso com exatidão." Ele disse. E completou, como se fosse óbvio: "Ele."


Zao Tian seguiu o olhar.


Ali estava o Curupira.


De novo em forma de mundo.


Não esmagando Uhr’Gal.


Não envolvendo.


Apenas… presente.


Como uma segunda lua, e, por isso mesmo, mais assustadora, porque a proximidade parecia uma escolha deliberada.


Zao Tian olhou para cima e ficou sério.


Zargoth soltou um ar curto, quase um aviso.


"Boa sorte." Ele disse: "Até agora ele não respondeu nenhuma tentativa de contato minha."


Zao Tian assentiu, e, por um instante, a culpa voltou a bater.


Não por causa do ataque nos Shui.


Por causa de Uhr’Gal.


Por causa do irmão.


Por causa do tipo de guerra que o orbita e que puxa deuses para perto de mundos que só queriam respirar.


Ele olhou para Zao Rei rapidamente, como se precisasse ver o irmão inteiro antes de fazer o próximo gesto.


Então… Ele ergueu o rosto para o céu e perguntou: "Podemos conversar?"


Nada aconteceu por um segundo.


E aquele segundo foi longo o suficiente para Zargoth cerrar a mandíbula, como se esperasse a humilhação do silêncio de novo.


Shara’Kala também ficou rígida, pronta para insultar o céu se fosse preciso, porque era assim que ela se protegia.


Então o Curupira se mexeu.


Foi um ajuste lento, pesado demais para ser confundido com o vento.


O mundo no céu mudou de posição, e, na borda dele, algo começou a se estender.


Uma vinha.


Uma coisa viva, grossa, cheia de fibras que se torciam como músculos, descendo do céu como se o próprio espaço estivesse sendo costurado por uma raiz.


Orcs em volta recuaram por instinto.


Alguns guerreiros ergueram armas.


Outros ficaram paralisados.


Porque era impossível para um orc olhar para aquilo e não sentir o mesmo pânico de quando o céu se tornou um predador.


A vinha continuou descendo.


Ela atravessou a distância com uma calma quase ofensiva, como se milhares de quilômetros fossem apenas um corredor curto para o Curupira. E, mesmo descendo devagar, ela atraía o olhar de todo mundo.


Ela parecia puxar consigo uma sensação de peso, como se a presença do deus escorresse pelo caminho.


Zao Tian não se moveu.


Ele sustentou o olhar.


Ele tinha pedido conversa, e agora teria que aguentar a resposta.


Quando a vinha se aproximou do solo, o ar ao redor mudou, como se o vento do planeta ficasse mais denso, mais carregado de algo que não é humano.


Então, a vinha tocou o chão com delicadeza demais para aquilo que era, e, diante de todos, começou a se reorganizar.


Fibras foram se separando.


Tranças foram se abrindo.


Galhos se dobraram.


A estrutura toda subiu, se contraiu, e, pouco a pouco, virou uma figura de pé.


Uma figura humanoide, feita de vinhas, com braços definidos, torso, pernas. E a cabeça… a cabeça foi o detalhe que prendeu o olhar de todos como um golpe.


O cabelo parecia feito de folhas vermelhas, densas, como um manto vivo que se movia com o vento.


Os olhos dele eram avermelhados e calmos.


Finalmente… O Curupira estava ali. 


Traduzido em uma presença que você era possíel encarar sem enlouquecer de imediato.


Zargoth deu um passo à frente por reflexo, ficando entre o Curupira e Zao Rei, mesmo sabendo que aquilo era inútil.


Shara’Kala ficou imóvel, e a garganta dela travou por um segundo, porque, por mais que fosse orgulhosa, aquele era um tipo de ser que não precisava provar nada para esmagar um povo inteiro.


Ming Xue observou a estrutura do corpo, cada fibra, cada detalhe, e percebeu que aquela forma era uma concessão. Uma tentativa de ser entendido.


Jaha apenas olhou.


Sem medo aparente e com a mente trabalhando, como sempre.


Zao Tian, por sua vez, manteve o olhar fixo no Curupira.


Ele não baixou a cabeça.


Ele não levantou o queixo em desafio.


Ele apenas se colocou no meio da própria pergunta.


O Curupira, por sua vez, inclinou a cabeça de leve, como se estivesse reconhecendo que a criação falava sua língua agora.


E a voz dele veio…


"Precisamos conversar." O Curupira disse.


A frase não carregava ameaça nenhuma direta.


Carregava… inevitabilidade.


Zargoth fez menção de falar, mas parou.


Shara’Kala abriu a boca para exigir uma explicação, mas sentiu o próprio corpo hesitar, não por submissão, e sim por um instinto que dizia que gritar com aquilo não mudaria nada.


O Curupira olhou ao redor, e, por um instante, pareceu observar não só o grupo, mas o planeta inteiro.


Era como se ele visse cada orc respirando.


Cada criança escondida.


Cada guerreiro tentando ser corajoso.


Então os olhos vermelhos voltaram para Zao Tian.


"E está na hora da criação entender o que a espera." Ele continuou, e a palavra “criação” soou como algo maior do que qualquer raça, maior do que políticas, maior do que alianças: "Está na hora de entender por que a guerra que está por vir é inevitável."


Nesse momento, o vento passou entre as vinhas do corpo dele, e o som que aquilo fez foi parecido com folhas roçando, mas a sensação não era calma.


Era um prenúncio.


Zao Tian sentiu o peito apertar quando escutou aquilo, porque, naquele instante, ele entendeu uma coisa simples.


O Curupira tinha vindo para avisar. E avisos, no universo de Zao Tian, quase sempre significavam que o pior ainda não tinha começado.




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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