Capítulo UHL 1192 - Novos Deuses
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Tenham uma boa leitura!]
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O Curupira não respondeu de imediato.
Ele manteve o olhar em Zao Tian como se estivesse escolhendo, com cuidado, em qual ponto do passado a história precisava começar para não parecer uma tentativa de absolvição.
Quando ele finalmente falou, a primeira frase foi simples, até demais.
"A paz estava sendo mantida." Ele disse.
Não houve ironia na voz dele, e foi isso que tornou a frase mais difícil de engolir. Porque, se aquilo era verdade, então o universo tinha conhecido um intervalo de respiração que a criação nunca imaginou existir.
"E muita coisa aconteceu antes da guerra virar uma mera possibilidade na mente do Pai de Todos." O Curupira continuou.
Ele não citou datas, porque milênios não serviam para a criação como serviam para deuses. Em vez disso, ele citou o processo.
"Quando os Aasimares surgiram, não foi apenas a fome dos Grandes Deuses que diminuiu." Ele disse: "Foi a forma inteira de sustentação do Reino Divino que mudou."
Zao Tian não interrompeu, mas a expressão dele deixou claro que ele queria a parte desagradável sem adorno.
E o Curupira entregou.
"Antes dos Aasimares, os Protetores e os semideuses eram alimento para nós, os Grandes Deuses." Ele disse.
A frase caiu sem pompa, como se não merecesse ser embelezada por nenhuma palavra extra.
"Não era uma punição." O Curupira acrescentou, porque sabia que a mente humana tentaria organizar aquilo em alguma forma moral: "Era uma espécie de função. Como reposição. Como um combustível de continuidade."
O grupo ao redor ficou mais quieto.
Mesmo quem não entendia toda a hierarquia divina compreendia um detalhe: se havia uma escala de devoração, então a ideia de família entre deuses sempre foi uma ilusão.
O Curupira prosseguiu com o mesmo tom.
"Os Aasimares deram a esses deuses menores uma alternativa." Ele disse: "E apesar de ter surgido esse novo horizonte… Não foi algo imediato."
Zao Tian estreitou os olhos.
"Por quê?" Ele perguntou.
"Porque deuses não renascem quando alguém quer." O Curupira respondeu, e, naquela frase, existia um desgaste que parecia vir de memórias antigas.
"O tempo de renascimento é aleatório." Ele explicou: "Você não traz um deus de volta por conveniência. Você espera."
"Você espera, e espera, e espera." Ele continuou: "E no meio desse tempo, você perde recursos, perde peças, perde a capacidade de se defender contra o inesperado."
Zao Tian entendeu o que aquilo implicava e sentiu um incômodo mais frio do que a raiva, pois o universo divino também tinha limitações, só que as limitações deles eram medidas em milênios.
"Então levou muito tempo para o sistema mudar." Zao Tian disse.
"Levou eras." O Curupira corrigiu.
"Várias reencarnações de Protetores e semideuses aconteceram antes que a cadeia mudasse." Ele continuou: "Antes que os Aasimares existissem em número e em padrão suficiente para serem usados como substitutos."
Ele não disse "substitutos" com piedade. Para o contexto, era uma palavra técnica dentro de uma lógica que não tinha espaço para compaixão.
"E quando isso aconteceu…" o Curupira prosseguiu: "Esses deuses menores também começaram a se fortalecer."
"Porque antes disso, eles não eram só peças." Ele disse: "Eles eram a carne do jogo."
O silêncio do grupo ficou denso, mas ninguém falou, porque não existia uma frase que resolvesse uma coisa dessas. Existia apenas a necessidade de entender.
Zao Tian, mesmo com o estômago apertado, puxou a conversa de volta para o ponto que importava para o presente.
"E nesse período?" Ele perguntou: "O que aconteceu com os Grandes Deuses?"
O Curupira olhou para além de Zao Tian, não para o espaço, mas para alguma linha de lembrança que parecia atravessar o próprio corpo dele.
"Nesse período… nós nos reinventamos." Ele disse.
A frase soou errada, quase absurda, e por isso Zao Tian respondeu na mesma hora.
"Reinventaram como?" Ele questionou.
O Curupira não se irritou. Ele já parecia esperar aquele ceticismo, porque ele mesmo teria sido cético se alguém tivesse dito aquilo para ele.
"Orientados pelo Pai de Todos..." Ele disse: "Nós tentamos nos transformar naquilo que a criação precisava que nós fôssemos."
Ele não prometeu que todos conseguiram.
Ele não prometeu pureza.
Ele apenas afirmou que houve uma tentativa.
"E o que isso significa, na prática?" Zao Tian insistiu.
O Curupira respondeu com a parte que, para a criação, era a mais improvável.
"Depois de muito tempo restritos ao Reino Divino, nós voltamos a ter contato com vocês." Ele disse.
O grupo se mexeu. A palavra contato, no contexto de deuses, parecia sempre significar dominação.
O Curupira, porém, antecipou essa leitura.
"Não foi para governar." Ele disse.
"Não foi para impor."
"Foi para ajudar."
Aquela frase parecia simples, mas ela deslocava a narrativa inteira para um lugar que nenhum deles tinha imaginado existir.
"Como?" Zao Tian perguntou, e a pergunta saiu mais áspera do que ele queria, porque ele não conseguia acreditar.
"Com vigilância." O Curupira respondeu, e apontou para o centro do que sustentava aquela mudança: "Nós éramos monitorados o tempo inteiro pelo Pai de Todos."
"Ele não nos deixou soltos." Ele continuou: "Ele não deu espaço para o ego voltar a virar uma lei.”
“Ele observava. Ele corrigia. E quando alguém passava do limite, era contido."
Zao Tian sentiu um calafrio, porque aquela frase confirmava duas coisas ao mesmo tempo: Odin era a única contenção possível entre os deuses… e justamente por causa disso, sem ele acordado, tudo desandava.
"Sob a supervisão do Pai de Todos, nós começamos a usar nossos Dons do jeito que eles deveriam ser usados desde o princípio." O Curupira disse, antes de enumerar: "Para apoiar a criação."
"Para salvar vidas."
"Para guiar."
"Para resolver conflitos que vocês, naquele período, ainda não tinham maturidade para resolver sem se destruir."
Ele falou isso sem humilhar a criação, e sim como quem descreve uma fase de crescimento real.
"A criação estava vivendo uma realidade nova." O Curupira continuou: "O cultivo tinha se espalhado."
A palavra espalhado, ali, tinha um peso enorme, porque ela tocava naquilo que Gold tinha deixado no universo: a possibilidade de crescer e resistir se o panteão tentasse segurá-lo pelo pescoço.
"E diferente de antes…" o Curupira disse: "Agora existiam artistas marciais."
"A criação estava vivendo experiências que nunca teve antes." Ele explicou: "Vocês estavam aprendendo a lidar com o poder, com a liberdade, com o risco."
"E nós…" Ele pausou, como se ainda achasse estranho dizer aquilo em voz alta: "Nós ajudamos vocês a não se destruírem no processo."
Ao escutar aquilo, Zao Tian apertou a mandíbula. Cada frase que o Curupira dizia parecia uma grande mentira quando se pensava nos deuses como eles são hoje e foram no princípio.
"Vocês ajudaram sem tentar impedir? Sem tentar reinar?" Ele perguntou.
"Sim." O Curupira respondeu.
"E isso foi uma mudança real." Ele continuou. "Eu estava lá!”
“Eu mesmo atestei que tínhamos mudado, porque, antes, o instinto dos meus irmãos era podar qualquer galho que começasse a se destacar. Era limitar. Era reduzir a criação ao que ela suportaria sem ameaçar a soberania deles."
"Mas naquele período…" Ele disse, e a frase veio quase como um registro histórico: "O instinto deles foi reeducado."
Zao Tian ouviu e sentiu uma raiva profunda querer encontrar um buraco para entrar em seu coração, porque ele não queria acreditar de jeito nenhum que os deuses tentaram mudar e foram bons um dia. Mas ele segurou.
Ele segurou porque aquela coisa queria manter em sua mente a imagem que ele tinha pintado dos deuses e não aceitar mudar em nada a sua concepção.
Zao Tian odiava os deuses desde os seus 15 anos de idade, e querer que um homem de mais de mil anos mude de opinião somente porquê alguém disse que ele não está totalmente certo não é razoável ou sequer racional de se esperar.
"Vocês forçaram o contato?" Zao Tian perguntou, porque ele queria pegar o Curupira em algum tipo de contradição: "Vocês forçaram algum culto? Forçaram obediência?"
O Curupira negou na hora, e a negação dele não teve orgulho. Só teve sinceridade.
"Nós respeitamos quem não queria contato." Ele disse.
"Vocês sempre tiveram gente que não aceitava deuses." Ele continuou: "Gente que não queria intervenção, não queria conselhos, não queria a nossa presença."
"E nós não os forçamos a aceitar." Ele afirmou: "Nós ajudamos onde éramos chamados. E onde não éramos… nós passávamos direto e seguíamos para o próximo planeta."
O grupo ao redor, mesmo os mais calejados, parecia não saber onde colocar aquela informação, porque um universo onde deuses ajudam sem exigir um único joelho no chão parecia um universo de outra dimensão.
"Nós estávamos diferentes, e muitos dos meus irmãos…" O Curupira prosseguiu: "Fizeram amizades reais com a criação."
A palavra real era muita pesada ali.
Quando escutou, Zao Tian sentiu um impulso quase ridículo de rir, não de humor, mas de incredulidade. Contudo, ele não riu.
"E você está dizendo que isso durou." Ele falou. Ele tentou ser sério, mas deu para sentir uma ironia que veio do fundo de seu coração.
"Duas coisas duraram." O Curupira respondeu: "O esforço. E o tempo."
Quando respondeu aquilo, ele olhou para Zao Tian como quem sabe que aquela parte era o primeiro degrau de uma escada que só terminava em queda.
"Milênios se passaram." Ele acrescentou.
“Milênios de deuses tentando ser diferentes.”
“Milênios de uma paz que, vista de fora, pareceria impossível.”
Ao cair da voz dele, a pergunta que veio se formou sozinha na boca de Zao Tian, como uma lâmina subindo do fundo da mente:
“Se isso aconteceu…”
“Se vocês mudaram…”
“Então o que foi que aconteceu para tudo terminar da forma que terminou?”
