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Capítulo UHL 1195 - O Futuro

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Tenham uma boa leitura!]


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O silêncio que surgiu parecia interminável.


O Curupira tinha soltado a última frase como se atirasse uma pedra lançada no centro de um lago, mas as ondas não eram água…


Eram olhos.


A primeira reação não veio em palavras. Veio de algo mais instintivo.


O grupo inteiro olhou para Zao Tian.


Não foi uma acusação declarada. Não foi um julgamento. Foi aquele reflexo antigo que a criação desenvolve quando algo grande demais encosta num nome específico e, por um segundo, tudo se reorganiza em torno dele.


Luz.


Manipulador da luz.


A palavra tinha sido dita no passado como uma ideia distante, mas agora ela estava ali, presa na garganta de todos, tentando encontrar um rosto no presente.


Zao Tian não se mexia. Ele sentiu o peso dos olhares encostando nele como uma pressão física, como uma mão invisível tentando forçar uma conclusão que ninguém ali tinha coragem de dizer em voz alta. E, ainda assim, a conclusão tentava nascer.


Coincidência?


Era possível que fosse, mas coincidências não costumam atravessar milênios e morrer exatamente no colo de alguém.


Zao Tian também estava surpreso. Perturbado. E a parte mais desconfortável era que, por trás do choque, a mente dele tinha começado a puxar um emaranhado de fios, como se aquela frase tivesse encostado em um nó que já existia e que ele vinha ignorando.


Gold.


Odin.


Heimdall.


A guerra que nunca deveria ter acabado daquele jeito.


O jeito como Heimdall falava da luz, às vezes, não como um elemento, mas como um problema estrutural.


A forma como o universo reagia quando alguém crescia demais nesse caminho.


A Lei de Geb.


A rivalidade escancarada entre funções universais.


E a própria existência de Zao Tian… que sempre foi errada demais para ser somente azar.


Ele sentia o peito apertar e, por um segundo, teve vontade de abrir a boca e despejar tudo que estava se formando, mas ele não deixou isso acontecer.


Não porque estivesse escondendo, mas porque ele nem sabia o que era, exatamente, aquilo que estava se formando.


Ele só sabia que era grande demais para sair sem controle. E, ao mesmo tempo, ele sabia que qualquer frase dele naquele instante poderia virar algo muito maior do que sua intenção.


Então ele permaneceu quieto, com os olhos fixos no Curupira, como se o silêncio dele fosse uma parede erguida para impedir que o grupo se alimentasse de suposições.


Jaha, que também tinha olhado para Zao Tian por reflexo, foi o primeiro a forçar a cabeça de volta para o trilho da lógica.


Ele respirou uma vez, firme, como se estivesse arrancando a própria mente do pânico.


"Como assim… o Pai de Todos viu o futuro?" Jaha perguntou.


A voz dele não tremeu, mas havia nela uma tensão controlada, uma exigência de explicações.


"Ele pode fazer isso?"


"Isso é um Dom?"


"Esse é o Dom de Odin?"


As perguntas não eram só curiosidade. Eram até uma questão de sobrevivência. Porque, se Odin pode ver o futuro, então nada do que eles fazem é livre. E, se ele pode mudar o futuro, então eles podem estar vivendo numa guerra que já foi decidida antes mesmo de começar.


O Curupira não respondeu com pressa.


Ele encarou Jaha com uma atenção respeitosa, como se reconhecesse que, naquele momento, a única coisa que impedia a criação de desmoronar por dentro era um cérebro tentando organizar o horror.


"Eu vou te responder da forma mais honesta possível." Ele disse. E, pela primeira vez desde que entrou no tema, ele mostrou um tipo de limite pessoal.


"O Dom do Pai de Todos… se ele tem, é um mistério até para nós." Mesmo saindo da boca do Curupira, essa frase soou como se fosse errada.


Até deuses, que chamam outros de ferramentas, não saberem o que Odin é… era como admitir que existe um abismo dentro do próprio panteão.


"Você está me dizendo que nem vocês sabem o que ele é?" Zao Tian perguntou, e a pergunta saiu mais baixa do que o normal, porque ele mesmo sentiu a gravidade do que estava dizendo.


O Curupira assentiu.


"Eu estou dizendo que existe uma diferença entre estar perto do Pai de Todos… e compreendê-lo." Ele respondeu.


"Ele é a fonte da ordem no Reino Divino."


"Ele é a única presença que faz as leis existirem sem precisar enunciá-las."


"Mas o que ele faz com o tempo… com o futuro…" O Curupira pausou, e a pausa não foi teatral. Foi cuidada: "Isso nunca foi completamente explicado a ninguém."


Jaha sustentou o olhar e insistiu: "Mas ele consegue ver.".


O Curupira confirmou.


"Consegue." Ele disse: "Ele é capaz de ver o futuro."


A frase foi simples, mas por trás dela havia um desabamento inteiro.


"E ele é capaz de alterar o futuro." O Curupira continuou.


Essa segunda frase caiu com o peso de algo que não deveria existir no universo.


Zao Tian sentiu o grupo inteiro reagir de novo, não com vozes, mas com os corpos: pequenos movimentos, respirações mais curtas, como se cada um tentasse lembrar que ainda tinha direito ao próprio destino.


Jaha não desfez a expressão. Ele só estreitou o olhar, mais afiado, e perguntou: "Como você sabe disso?"


"Como você sabe que ele altera?"


Dessa vez, o Curupira olhou para o próprio corpo por um instante, não com orgulho, mas como quem usa a única coisa que conhece para explicar algo que é maior do que a referência.


"Eu vou te dar um paralelo." Ele disse. E então ele falou de si mesmo, não como um deus e sim como uma condição.


"O meu Dom… se é que vocês querem chamar assim…" Ele começou: "Me dá a capacidade de ver todo o futuro que me afeta."


Zao Tian franziu a testa, pois o Curupira não estava tentando se engrandecer com aquilo. A forma como ele falou parecia… quase resignada.


"Não é uma visão como vocês imaginam." Ele continuou.


"Não são flashes."


"Não são imagens."


"É uma certeza total."


"Uma leitura completa do que me envolve, do que me atravessa, do que eu influenciei e do que vai atravessar aqueles que eu toquei na história."


Ele deixou isso assentar primeiro, porque a criação tende a achar que a visão do futuro é um poder absoluto.


E então ele desmontou essa ilusão.


"Mas eu não posso mudar nada do que eu vejo." O Curupira disse.


A frase, daquela vez, carregou uma crueldade discreta.


Zao Tian percebeu isso antes de reagir, porque aquela era uma dor que não precisava de lágrimas para existir.


"Não por falta de força." O Curupira esclareceu.


"Não por falta de vontade."


"É por impossibilidade imutável."


Após aquela frase cair, ele olhou para o grupo e falou com uma honestidade quase ofensiva: "Eu posso saber o que eu vou dizer."


"Eu posso saber o que eu vou fazer."


"Eu posso saber o que vai ser feito comigo."


"E, ainda assim, eu não consigo sair da linha."


"Eu não consigo escolher um caminho que me desvie do que está escrito."


A palavra escrito, ali, não tinha misticismo. Tinha um tom de fatalidade.


"Para mim…" Ele continuou: "O futuro inteiro já existe como um texto completo."


Ele ergueu uma mão de vinhas, como se segurasse algo invisível.


"Eu sou como um livro com início, meio e fim."


"Eu conheço cada página."


"Eu conheço cada capítulo."


"Eu conheço o meu último parágrafo."


E então ele concluiu com uma simplicidade que tornava aquilo pior.


"E eu não posso reescrever nenhuma linha."


Quando ele terminou, o grupo permaneceu quieto.


Dessa vez, não era um silêncio de choque. Era um silêncio de compreensão e compaixão.


Mesmo quem odiava deuses reconhecia que aquilo era uma prisão de um tipo que nenhuma criatura consegue conceber.


Saber tudo e não poder mudar nada…


Zao Tian sentiu um incômodo estranho no peito, algo que não era uma empatia plena e nem repulsa. Era uma percepção cruel de que até um deus pode ser reduzido a uma função que o rasga por dentro.


"E você se acostumou com isso?!" Jaha disse, mais do que perguntou.


O Curupira assentiu.


"Eu me acostumei porque não existe alternativa." Ele respondeu.


"Você pode chamar de crueldade."


"Você pode chamar de destino."


"Mas, para mim, isso é só… o meu papel neste mundo."


"Eu nasci assim."


"E eu parei de lutar contra isso há muito tempo."


Zao Tian manteve o olhar fixo nele, e então perguntou: "Então qual é a diferença do Pai de Todos?"


A pergunta veio carregada, porque ali estava o núcleo do terror. Se Odin vê como o Curupira vê, mas consegue mudar… então Odin não é só uma ferramenta. 


Ele é um autor.


O Curupira demorou um pouco para responder, como se a própria comparação exigisse um outro nível de respeito.


"A diferença é que os olhos do Pai de Todos não apenas enxergam." Ele disse: "Eles escolhem."


A frase foi curta, mas ela reconfigurou tudo.


"Eu não sei até que ponto." O Curupira continuou, honesto: "Eu não sei qual é o alcance. Eu não sei como ele faz, nem o que ele sacrifica para enxergar."


"Mas eu sei o que eu vi."


Ele olhou para Zao Tian, e Zao Tian percebeu que aquela parte não era sobre teorias. Era sobre uma memória.


"Eu vi o Pai de Todos mudar ações."


"Eu vi ele interromper linhas do tempo."


"Eu vi ele construir contenções, sem explicação nenhuma, onde antes não existiam e não precisavam até o momento chegar."


"Eu vi ele agir como alguém que está tentando impedir um evento específico de nascer."


A palavra impedir, na boca do Curupira, era pesada, porque Odin, com aquele poder, não impede pequenos eventos.


Ele impede colapsos.


"E desde o dia em que ele disse que viu o Fim dos Tempos…" O Curupira continuou: "Ele nunca mais foi o mesmo."


Zao Tian sentiu a própria pele arrepiar.


"Foi por isso que ele matou Heimdall." Jaha concluiu, e a frase saiu mais como um cálculo do que como uma emoção.


O Curupira assentiu.


"Foi o primeiro golpe dele contra o futuro que ele viu." Ele respondeu.


Zao Tian logo estreitou os olhos e questionou: "O primeiro?"


O Curupira acenou em concordância, antes de confirmar: "O primeiro.”


E então ele seguiu para a frase seguinte: "Porque a maior desconfiança do panteão… e do próprio Pai de Todos… naquela época… recaía sobre Heimdall."


O grupo reagiu com uma tensão diferente.


"Por quê?" Zao Tian perguntou: “Ele não estava ajudando?”


O Curupira respondeu, firme, sem desviar: "Porque se existia alguém capaz de manipular a luz a ponto de causar o fim e tinha um histórico para se tornar suspeito…"


Ele pausou, e a pausa foi o suficiente para que a mente de todos completasse o resto.


"Era Heimdall. Dentro do panteão, ele tinha o onjunto de capacidades mais perigoso de todos."


O grupo ficou imóvel.


Zao Tian sentiu o olhar de todos querendo voltar para ele de novo, como se aquela frase tivesse criado uma segunda onda de associação.


Luz.


Visão.


Controle.


Mas ele não se moveu. Ele não deu a ninguém uma reação que pudesse virar uma prova de nada.


Só que, por dentro, os fios estavam se juntando mais rápido agora. Porque ele entendia uma coisa, com uma clareza dolorosa: Odin não matou Heimdall por ódio.


Odin matou Heimdall por medo.


E quando alguém como Odin sente medo… é inevitável que o universo inteiro esteja em risco.


Jaha respirou fundo e perguntou, buscando um ponto que a mente dele precisava para não enlouquecer: "Mas como matar Heimdall muda alguma coisa?" 


"Se Odin viu o futuro, Heimdall seria essencial. Então Odin arrancou a visão do universo para evitar que ela… virasse uma arma?"


O Curupira inclinou a cabeça.


"Você está chegando perto." Ele disse: "Mas não é só isso."


Zao Tian sentiu o peito apertar mais.


"Então diga." Ele falou.


O Curupira sustentou o olhar nele por um momento mais longo do que antes. E, naquela sustentação, havia algo que parecia antigo demais para ser culpa e novo demais para ser medo.


"Se o Pai de Todos acreditou que o Fim dos Tempos seria causado por um manipulador da luz…" O Curupira disse: "Então ele precisou fazer duas coisas imediatamente."


"Ele precisou impedir que essa possibilidade fosse observada… e reforçada."


"E ele precisou impedir que alguém, dentro do próprio panteão, usasse a onisciência como ferramenta para acelerar ou causar o que ele viu."


Zao Tian sentiu o sangue gelar, pois a frase parecia sugerir um detalhe ainda pior: Heimdall não era só suspeito.


Heimdall era um catalisador.


Mais uma vez, o Curupira não entregou tudo de uma vez. Ele não tinha esse hábito.


Mas ele abriu a porta certa.


"Eu não sei o que o Pai de Todos viu, com precisão." Ele disse: "Mas eu sei que, a partir daquele dia… ele começou a trabalhar para mudar esse futuro."


"E ele fez isso como só ele poderia."


"Com decisões que ninguém ousaria tentar compreender."


Zao Tian apertou os dedos.


O grupo inteiro estava preso na conversa, e, por baixo de tudo, existia uma pergunta que nenhum deles queria fazer primeiro, porque parecia um mau agouro.


Mas ela estava ali.


Se Odin viu um manipulador da luz causando o fim… e se Zao Tian é um manipulador da luz… então a pergunta inevitável não era “quem”.


Era “quando”.


E Zao Tian, sem dizer isso em voz alta, entendeu que aquela história não estava só falando do passado.


O tempo inteiro… ela esteve apontando para ele como se o futuro estivesse tentando escrever o nome dele antes dele ter a chance de escolher quem seria.




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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