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Capítulo UHL 1196 - Aquele que Tentou Impedir o Fim

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Tenham uma boa leitura!]


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A palavra “quando” ficou no ar como se tivesse peso.


Não era uma pergunta dita. Era uma coisa que já tinha se alojado nas mentes de todos e começado a crescer por conta própria.


Zao Tian sentiu isso com clareza porque ele sentia o grupo como se fosse um organismo em volta dele. Cada respiração mais curta, cada olhar que voltava e saía dele com cautela, cada tentativa discreta de não transformar a suspeita em uma acusação.


Ninguém queria ser o primeiro a dizer, porque dizer é tornar real. E tornar real era assumir que eles estavam ali, naquele instante, ao lado de alguém que poderia ser o nome por trás do fim.


Zao Tian manteve o rosto imóvel e não ofereceu nada para o medo se agarrar. Ele não tinha uma defesa pronta para aquilo, porque, naquele momento, ele não tinha certeza de nada.


Ele só sabia que aquilo estava errado demais para ser ignorado e era grande demais para ser resolvido com um juramento.


Jaha, por outro lado, fez o que sempre fazia quando tudo ameaçava virar um caos emocional.


Ele procurou uma falha lógica. 


Então, ele olhou do Curupira para Zao Tian, e depois para o vazio, como se estivesse organizando um mapa invisível na mente.


"E se não for ele?" Jaha perguntou.


Aquela frase não foi um alívio. Foi uma tentativa de manter a conversa viva: "E se a ideia de ‘manipulador da luz’ for maior do que um nome específico?"


Ninguém respondeu de imediato, mas a pergunta tirou o grupo da beira do colapso. Ela abriu espaço para alternativas, e alternativas são a única coisa que impede uma mente de virar um cárcere.


Jaha continuou, sem pressa, mas com firmeza.


"A primeira pessoa que me vem à minha cabeça é Gold." Ele disse.


O nome foi dito baixo, mas teve um impacto como se fosse gritado.


Zao Tian sentiu o corpo inteiro ficar mais atento ao redor.


Gold, naquele universo, não era só um humano do passado. Ele era o fator que mudou tudo, a medida de comparação que nenhuma criatura queria ter que encarar.


Jaha sustentou o olhar no Curupira, e disse: "Gold era um cultivador da luz."


"Ele foi o ser mais poderoso que a criação produziu."


"E, pelo que você mesmo disse, ele foi o único que conseguiu impor termos ao Pai de Todos, e isso significa que ele tocou num nível que nenhum outro tocou."


Jaha então pausou, como se escolhesse as próximas palavras para que a pergunta saísse limpa.


"Então por que Odin não apontou para ele?" Jaha perguntou, antes de acrescentar: "Por que ele não desconfiou de Gold em vez de desconfiar de Heimdall?"


A pergunta não era agressiva, pois era a pergunta certa. Porque, se Odin via o futuro e viu um manipulador da luz causando um fim, o nome mais óbvio era Gold. E se o nome mais óbvio não foi escolhido, então havia algum detalhe que ninguém ali tinha visto.


Zao Tian percebeu que o grupo inteiro esperou a resposta como se esperasse uma sentença.


O Curupira, por sua vez, não desviou. Ele pareceu, por um instante, aliviado por alguém ter puxado aquele fio, como se aquilo fosse necessário para que a conversa não morresse na direção errada.


"Você tem razão." O Curupira disse.


A afirmação foi seca, direta, e não tentou diminuir o valor da pergunta.


"Essa era a primeira hipótese coerente." Ele olhou para Jaha com respeito e falou, e então continuou: "Mas o Pai de Todos não pensava assim."


Zao Tian estreitou os olhos quando ouviu aquilo.


"Por quê?" Ele perguntou, e a voz saiu mais baixa e surpresa do que o normal.


O Curupira respondeu com algo que não era uma justificativa, e sim um limite da própria visão.


"Eu não sei como os olhos do Pai de Todos funcionam." Ele disse: "Eu não sei como ele vê o futuro."


"Mas eu sei o que essa visão fez com ele."


O Curupira manteve a voz estável, mas a lembrança que ele puxou parecia pesada.


"Ele não pôde ver tudo." Ele afirmou: "E uma das coisas que ele não teve certeza… foi se ele estaria acordado ou dormindo quando o fim chegasse."


Essa frase abriu um corredor inteiro na mente do grupo. Se Odin não sabia se estaria acordado, então ele não sabia se estaria presente para impedir. E se ele não sabia se estaria presente, então ele não sabia se teria controle.


Zao Tian sentiu um gosto ruim na boca, mas o Curupira prosseguiu.


"Isso importa porque, se ele está dormindo, ele não age." Ele disse: "E se ele não age, o Reino Divino fica entregue às próprias tendências."


A palavra tendências ali tinha um significado cruel. Não era sobre escolhas pontuais. Era sobre natureza.


Jaha, entretanto, respirou, pensativo, e disse: "Então, para ele, o perigo não era Gold."


O Curupira assentiu.


"Não era." Ele respondeu: "E por outro motivo também."


Ele sustentou o olhar no grupo e expôs: "A confiança que ele tinha em Gold era genuína."


"O Pai de Todos não via em Gold um responsável pela catástrofe."


"Ele via em Gold… um tipo de correção. Um tipo de equilíbrio."


Zao Tian franziu o cenho, pois havia algo profundamente desconfortável em ouvir um deus falar de Gold desse jeito, como se Gold fosse um elemento necessário, e não apenas um inimigo antigo do panteão. O maior inimigo de toda a história do panteão.


"Gold teve chances de exterminar." O Curupira continuou: "Ele podia ter matado mais."


"Ele podia ter reduzido o panteão ao medo e depois ao pó."


"Contudo… ele não fez isso."


O Curupira falou aquilo com uma frieza que tornava a afirmação ainda mais forte.


"Ele fez o que fez por liberdade." Ele disse: "E, por incrível que pareça para vocês… por paz para a criação."


Zao Tian sentiu a garganta apertar. Parte dele queria cuspir uma frase, qualquer frase, para dizer que nada disso apagava o sangue. Mas ele não interrompeu, porque ele reconheceu o ponto: Gold não lutou para se sentar num trono. Ele lutou para arrancar a criação debaixo de um.


"E Odin entendeu isso." O Curupira disse: "Ele não concordou com tudo."


"Ele não aprovou os métodos."


"Mas ele reconheceu a intenção."


Jaha pareceu absorver aquilo com uma atenção quase reverente, não por idolatria, mas por coerência.


"Então Odin apostou nele." Jaha murmurou.


O Curupira confirmou: "Ele apostou."


"Até a última gota de esperança."


E então ele foi além, com uma frase que reorganizou o mapa moral do panteão: "O Pai de Todos via em Gold algo parecido com ele."


Na mesma hora, o grupo reagiu como se aquela comparação fosse ofensiva por si só.


Zao Tian sentiu isso na pele. Comparar Odin a Gold parecia errado em qualquer língua e ponto de vista.


O Curupira, no entanto, não recuou no que disse.


"Não no poder exercido." Ele esclareceu: "Não na origem."


"Ele enxergava isso na função primordial."


Ele olhou para Zao Tian por um instante, e Zao Tian entendeu que aquela parte não era dirigida ao grupo inteiro. Era dirigida à pessoa que tinha que liderar a próxima guerra.


"O Pai de Todos acreditava que o universo precisava de equilíbrio." O Curupira disse: "Uma força que impedisse a soberania divina."


Houve uma pausa curta, antes de prosseguir: "E uma força capaz de impedir o caos de virar lei."


Ao escutar aquilo, Jaha franziu a testa, e disse: "Você está dizendo que, para Odin, Gold virou um contrapeso."


O Curupira assentiu.


"Exatamente." Ele respondeu: "A criação tinha Gold."


"Os deuses tinham Odin."


"E isso mantinha o sistema de pé de um jeito que nunca aconteceu antes."


Zao Tian sentiu um arrepio ruim percorrer sua espinha, porque aquilo implicava que Odin não via Gold como um inimigo que precisava ser apagado. Odin via Gold como algo que, se apagado, faria o universo pender para um lado. E mesmo que fosse o dele, Odin não queria isso.


"E então…" Jaha começou, mas não terminou, porque o resto era inevitável. Se Odin confiava em Gold e via nele um contrapeso, por que a visão apontou para luz e o fim, juntos?


O Curupira respondeu antes que a pergunta fosse dita: "O Pai de Todos não apontou para Gold."


"Ele apontou para o próprio panteão."


A frase caiu com um peso diferente do que qualquer acusação contra um humano. E Zao Tian sentiu isso de forma estranha. Não era alívio, mas, sim, uma preocupação mais sofisticada.


Se Odin suspeitou do panteão, então ele suspeitou de imortais, de seres que não morrem de verdade, de seres que podem atravessar eras carregando o mesmo vício.


"E isso… era a definição mais crua de sua moralidade." O Curupira completou.


A palavra moralidade, na boca dele, soou como uma coisa antiga e quase esquecida.


"E de sua responsabilidade." Ele corrigiu, como se a primeira palavra fosse pouco.


Depois, o Curupira seguiu explicando o que queria dizer e o que Odin pensava: "Os meus irmãos foram tiranos por muito tempo."


"E para eles… o Fim dos Tempos não teria o mesmo peso que tem para vocês."


Zao Tian estreitou os olhos e perguntou: "O que você quer dizer com isso?"


O Curupira respondeu sem suavizar: "Vocês olham para um fim e veem extinção."


"Nós… renascemos."


Ele não disse isso com orgulho. Disse como um fato.


"E um deus que perde a moral…" Ele continuou: "Pode olhar para um colapso e pensar que vai sobreviver a ele."


Após falar, o Curupira deixou o resto da ideia se formar sozinho no grupo, porque ela era feia demais para ser entregue em uma frase completa.


E depois de alguns segundos, ele completou, com calma: "Se tudo acaba, nós voltamos."


"E então reconstruímos."


"E dessa vez… do jeito que quisermos."


O silêncio do grupo apertou de novo.


A ideia de um fim como uma ferramenta de reinício era tão monstruosa quanto racional para uma mente que não teme morrer.


Zao Tian sentiu o estômago embrulhar, com nojo da possibilidade, enquanto comentava: "Então Odin desconfiou de vocês porque sabia do que eram capazes de fazer."


O Curupira confirmou.


"Ele desconfiou do panteão." Ele disse: "E ele agiu como alguém que não pode errar."


Jaha se inclinou um pouco, tenso e perguntou: "Como ele agiu, exatamente?"


O Curupira respondeu com a primeira camada do que veio depois do assassinato de Heimdall.


"Ele fez uma devassa no Reino Divino." Ele disse.


A palavra devassa ali era exata. Não era um ajuste. Não era uma vigilância leve. Era uma varredura completa.


"O Pai de Todos manteve todos os deuses com afinidade com a luz sob vigilância constante." O Curupira continuou.


"Protetores."


"Semideuses."


"Grandes Deuses."


"Não importava a posição."


"Se tocava a luz… era observado."


Zao Tian sentiu um alvo nas costas, porque aquilo significava que, desde aquele dia, qualquer coisa que se aproximasse do elemento luz estava, de alguma forma, marcada pelo medo de Odin.


"Observado como?" Jaha perguntou, e havia nele uma curiosidade quase dolorida.


O Curupira não entrou em detalhes visuais, não porque faltasse, mas porque o mecanismo era o que importava.


"Por meios que vocês não têm." Ele disse: "Por critérios que vocês não imaginam."


"Ele não procurava só o poder necessário para dar causa." O Curupira acrescentou: "Ele procurava uma motivação."


"Ele procurava um impulso."


"Ele procurava uma fratura. Um elo fraco na corrente."


Zao Tian entendeu o peso dessa lista, porque poder sem intenção é só força, mas intenção com poder é destino.


"E não foi só uma vigilância." O Curupira continuou. E ele hesitou por um instante, como se avaliasse se devia mesmo expor aquilo.


Então… ele expôs.


"Alguns foram confinados." Ele disse: "Não como forma de punição."


"Como contenção."


Zao Tian apertou os dedos e deu nome ao termo: "Prisioneiros".


O Curupira não negou.


"Praticamente." Ele respondeu: "E ninguém ousou chamar isso de injustiça na frente dele."


Jaha ficou quieto por um momento. Então ele falou, como quem tenta aproximar Odin de algo compreensível.


"Ele estava desesperado." Jaha disse.


O Curupira não respondeu de imediato. Ele olhou para além deles, para um ponto que não existia na realidade do grupo, e a voz dele mudou, bem pouco, para algo mais baixo.


"Eu já vi o Pai de Todos conversar sozinho." Ele confessou.


A frase prendeu o grupo inteiro.


Zao Tian levantou o olhar de imediato.


"Odin conversando… sozinho?" Ele repetiu, como se aquilo fosse uma contradição.


O Curupira assentiu.


"Não era um ritual." Ele disse: "Não era um discurso."


"Não era pose."


Ele deixou a frase seguinte sair como um pedaço de verdade íntima demais para ser contada por um deus.


"Ele pedia para não ter que ir para o sono."


O ar pareceu travar.


Zao Tian sentiu, por um instante, o mundo se inverter, porque o Pai de Todos, aquele que parecia ser a própria serenidade, implorando para não desaparecer… era uma imagem que não cabia na mente.


"E ele dizia por quê?" Jaha perguntou, e a voz dele foi mais cuidadosa agora, quase como se a pergunta pudesse profanar algo.


O Curupira respondeu com simplicidade.


"Porque o universo precisava dele." Ele disse: "E porque… os filhos dele precisavam dele."


Zao Tian sentiu um choque atravessar o corpo, não porque achou bonito, mas porque aquilo dava dimensão ao problema.


Se Odin tinha consciência de que o panteão desandaria sem ele, então a visão do fim não era só um futuro distante. Era um futuro que poderia começar no instante em que ele fechasse os olhos.


Jaha respirou fundo, e o foco dele voltou para o presente, como se ele não pudesse permitir que aquela conversa virasse um luto por Odin.


"Então Odin não tocou na criação..." Jaha disse, puxando o fio que mais importava.


"Ele não atacou Gold."


"Ele não atacou os mundos."


Ele olhou para o Curupira.


"Ele fez isso tudo dentro do panteão."


O Curupira confirmou.


"Sim." Ele disse.


"Ele matou deuses."


"Ele confinou deuses."


"Ele destruiu reputações."


"Ele obrigou o panteão a se olhar no espelho."


"E ainda assim… ele não tocou na criação."


Zao Tian sentiu algo se mexer dentro dele.


Não era admiração. Era estranhamento. Porque se Odin era capaz de matar Heimdall por uma visão, então ele também seria capaz de destruir mundos por garantia. Mas ele não fez.


Isso significava que havia um limite moral real, ou um limite estratégico absoluto.


Jaha percebeu isso e fez a pergunta que completava a linha: "Então ele também considerou outros cultivadores da luz na criação?!" 


"Se não era Gold… e se a visão falava de luz… então existiam outros, mesmo que menores."


Depois, ele olhou para Zao Tian por um segundo, e disse: "E ele teria que observar todos."


O Curupira assentiu, e desta vez a confirmação dele veio com um peso maior.


"Ele observou." Ele disse, antes de explicar: "Depois de estabilizar o panteão… ele voltou os olhos para fora."


Zao Tian sentiu uma tensão estranha, porque aquilo tocava na própria existência dele como se fosse uma mão antiga, muito anterior à vida dele, já o marcando.


Jaha, por sua vez, foi direto.


"Ele caçou?" Ele perguntou.


"Ele assassinou a criação?"


O Curupira negou num primeiro momento.


"Não." Ele disse. E a firmeza dessa palavra fez o grupo respirar, ainda que pouco.


"O Pai de Todos não saiu executando criaturas." Ele continuou: "Ele não transformou a criação em um alvo."


Depois de afirmar aquilo, ele olhou para Zao Tian, e ponderou: "Não naquele período."


Zao Tian engoliu seco diante da insinuação.


"Então o que ele fez?" Zao Tian perguntou.


O Curupira respondeu com uma frieza que tornava aquilo ainda mais perturbador: "Ele exigiu um certo… acompanhamento."


"Ele queria relatórios… Detalhes."


Ele fez uma pausa curta entre as palavras, como se cada uma fosse uma camada de controle, e prosseguiu.


"O Dia a dia."


"As Emoções."


"A Evolução."


"As Motivações."


Jaha franziu a testa enquanto ele enumerava.


"Ele acompanhava… sentimentos?" Ele perguntou, quase incrédulo.


O Curupira assentiu.


"Sim." Ele disse, antes de explicar: "Porque, para ele, o risco não nascia apenas do poder."


"O risco nasce do motivo."


Ele não disse isso como teoria. Ele disse como o tipo de conclusão que o Pai de Todos teria para decidir se o universo vive ou morre.


"Ele queria saber quem crescia com gratidão." O Curupira continuou.


"Quem crescia com algum vazio."


"Quem crescia com amor pelo seu mundo."


"E quem crescia com raiva de tudo."


O grupo ficou quieto.


Zao Tian sentiu a frase encostar nele como um golpe lento, porque ele sabia onde ele mesmo se encaixaria nessa lista durante muito tempo da vida dele.


Jaha sustentou o olhar e a frieza enquanto completava: "Ele analisava o grau de risco."


O Curupira confirmou.


"Em tempo real." Ele respondeu.


"E, ainda assim… ele não tocava."


"Ele observava."


"Ele tentava entender."


"Ele tentava prever antes de agir."


Zao Tian apertou os dedos e perguntou: "E o que ele concluiu?" 


O Curupira olhou para ele por um instante longo demais.


"Ele concluiu que o problema não estava resolvido." Ele disse: "E foi por isso que ele mudou."


"Como?" Zao Tian perguntou.


O Curupira respirou devagar, como se estivesse colocando as próximas palavras numa ordem que pudesse explicar.


"Eu não posso te dar a sequência inteira com toda a riqueza de detalhes." Ele disse: "Porque ela é longa. E porque ela não termina em uma decisão só."


Ele sustentou o olhar em Zao Tian, e continuou: "Mas eu posso te dizer o que ele passou a ser depois da visão."


A frase soou como um aviso.


"O Pai de Todos… virou alguém que não confiava mais nem na própria paz." O Curupira disse: "E quando um ser como ele perde a confiança na estabilidade… tudo o que vem depois é uma nova forma de controle."


Diante daquela resposta, Jaha respirou fundo e fez a pergunta final, a que ninguém queria, mas todos precisavam.


"E o manipulador da luz…" Ele disse, e a frase ficou um instante no ar, pesada demais: "Ele encontrou algum nome?"


Zao Tian sentiu o grupo se prender de novo, como se aquela pergunta puxasse os olhos de volta para ele.


Mas ninguém falou nada.


Ninguém acusou.


Porque todos ainda sabiam: havia coisas demais por entender antes de transformar aquelas revelações em uma conclusão.


O Curupira olhou para Jaha, depois para Zao Tian, e respondeu com uma honestidade cruel.


"Ele não encontrou um nome."


"Ele encontrou um risco."


Ele fez uma pausa curta, antes de finalizar: "E foi isso que nos condenou."


Zao Tian sentiu o peito apertar, não por medo de morrer, mas por perceber que, naquele universo, até a esperança pode ser tratada como uma variável de um relatório. E, pela primeira vez desde que o Curupira começou a falar, ele entendeu um detalhe que era pior do que a suspeita.


Odin não estava atrás de culpados. Ele estava atrás de garantias. E o problema é que garantias não existiam quando a luz, a consciência e a vontade entravam na mesma equação.




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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