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Capítulo UHL 1198 - O Mentiroso que Fala a Verdade

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Tenham uma boa leitura!]


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O Curupira deixou, por necessidade, o silêncio existir por mais um instante. Porque a criação, quando começa a enxergar que até as intenções “certas” podem gerar os piores resultados, precisa de um intervalo para não enlouquecer.


Então, depois de uma pausa calculada, ele falou: "Eu vou deixar uma coisa clara antes de ir mais fundo."


O grupo inteiro ficou atento.


Zao Tian manteve o olhar nele.


Jaha também.


"Eu não fui um ator direto naquela operação." O Curupira disse.


"Eu não estive ao lado de Loki."


"Eu não estive ao lado de Zaki."


"Eu não sei todas as nuances."


"Eu não tenho como saber cada diálogo, cada discussão, cada palavra dita quando eles estavam sozinhos."


Ele sustentou aquilo com firmeza, como se quisesse impedir que o grupo o transformasse em um narrador absoluto de algo que nem ele presenciou.


"Eu sei o que era reportado." Ele explicou.


"Eu sei as ordens que o Pai de Todos dava a ele."


"Eu sei o que foi documentado."


"Contudo, eu não posso reconstruir o que eles eram, exatamente, quando não havia relatórios."


Jaha assentiu, não com alívio, mas com respeito à honestidade.


"Então você vai falar do que foi registrado." Ele disse.


O Curupira confirmou.


"Sim." Ele respondeu. E então ele abriu o próximo bloco da história como quem abre uma porta para um corredor que cheira a traição mesmo quando ninguém tentou trair.


"No começo… a aproximação de Loki e Zaki foi feita nos bastidores."


A frase bateu em Zao Tian como uma coisa errada.


Bastidores.


Escondido.


Ele sentiu a própria irritação subir, mas segurou, porque, no fundo, ele já sabia que isso teria sido necessário.


O Curupira prosseguiu: "Ela ficou escondida daqueles em quem Zaki mais confiava."


Ele fez uma pausa curta, como se escolhesse o nome que mais importava ali.


"Inclusive Gold."


O nome de Gold, dito naquele contexto, apertou o ar.


Zao Tian sentiu o corpo do grupo reagir de leve, não por medo de Gold, mas pelo peso do que aquela relação representava.


Gold era o mestre.


Era a raiz.


Era o símbolo de uma liberdade construída contra o panteão.


E o Curupira explicou isso sem teatralidade.


"Gold sempre teve aversão aos deuses." Ele disse, antes de reconhecer: "Justificadamente."


"E a mera hipótese de seu discípulo mais proeminente ser amigo e confidente de um deus…"


Ele terminou com uma conclusão até óbvia: "Seria catastrófica para o plano do Pai de Todos."


Jaha franziu a testa e comentou: "Odin sabia que Gold não aceitaria."


O Curupira assentiu.


"Não aceitaria." Ele respondeu.


"Nem como estratégia."


"Nem como um ‘mal necessário’."


"Gold não era um homem que aceitava o panteão como parceiro. Para ele, o panteão era uma ameaça. Sempre foi."


Zao Tian sentiu a garganta apertar.


Parte dele queria dizer que Gold estava certo, mas ele não disse.


Ele só ouviu.


O Curupira respirou devagar e, então, entrou na parte que fazia o nojo se formar.


"E Loki não era um santo." Ele disse.


Não era uma provocação. Era um fato.


"E parte do trabalho dele… era sugestionar."


A palavra sugestionar acendeu algo nos olhos de Zao Tian.


Jaha também endureceu.


"Sugestionar como?" Jaha perguntou, já desconfiando da resposta.


O Curupira respondeu com precisão, sem tentar mascarar o que aconteceu.


"Com mentiras." Ele disse: "E não apenas em conversas abertas."


Depois de dizer aquilo, ele olhou para o vazio, como se aquela lembrança fosse antiga demais para ser dita com o mesmo tom de um relatório.


"Enquanto Zaki achava que estava sozinho… Loki estava no Domínio da Miragem Eterna."


A menção daquele tesouro trouxe uma tensão imediata. Zao Tian sentiu os dedos fecharem no mesmo instante.


Ele odiava aquela coisa.


"Então ele invadia a solidão de Zaki." Zao Tian disse, e aquela frase saiu como nojo.


O Curupira não negou.


"Sim." Ele respondeu, antes de acrescentar: "E fazia isso sem que Zaki tivesse como perceber a fonte."


Jaha soltou o ar, irritado, e disse com desprezo: Não importa se foi ordem ou não..."


"Isso é repulsivo de qualquer forma."


Zao Tian concordou sem falar. 


Ele não precisava completar.


O Curupira aceitou a repulsa como parte inevitável daquela conversa.


"Eu entendo." Ele disse, e comentou: "Eu não estou aqui para pedir que vocês gostem."


"Eu estou aqui para explicar como foi."


Então ele sustentou o olhar em Zao Tian e disse: "E eu também não estou dizendo que Loki era inocente."


Zao Tian estreitou os olhos e disse, já antecipando: "Mas você está dizendo que ele não fez do jeito que nós imaginamos."


O Curupira assentiu.


"Sim." Ele respondeu: "E é aí que a história fica mais incômoda."


Depois, ele deixou a frase respirar e, então, trouxe o contraponto que parecia contradizer tudo o que eles imaginavam: "Loki reportou, reiteradas vezes… que sugestionar Zaki era difícil demais."


Jaha franziu o cenho.


"Difícil?" Ele repetiu.


Zao Tian também reagiu do mesmo jeito. Ele não acreditava que qualquer coisa fosse difícil para Loki, não quando se trata de dobrar percepções.


O Curupira continuou.


"Quase impossível." Ele completou.


O grupo ficou preso na palavra impossível, como se ela estivesse deslocada no universo.


Zao Tian foi o primeiro a perguntar, porque aquela frase mexia com uma noção que ele odiava.


"O que você quis dizer com isso?" Zao Tian perguntou.


Jaha acompanhou, direto.


"O Dom de Loki tem falhas?" Ele disse.


O Curupira assentiu, mas não como quem fala de fraqueza, e, sim, como quem fala de regras.


"O Dom de Loki… não é absoluto." Ele disse, e então explicou, com uma clareza dura: "Ele funciona com uma força que diminui proporcionalmente ao nível de poder do alvo."


Zao Tian estreitou os olhos, atento.


Jaha ficou imóvel, como se estivesse tentando medir a implicação em termos concretos.


O Curupira prosseguiu.


"Vocês conhecem a essência." Ele disse: "E eu vou repetir de forma objetiva, para não haver confusões."


Ele respirou, e então descreveu como quem lê um trecho de manual: "Quando Loki diz uma mentira e ela é aceita… o corpo e a mente do alvo passam a agir como se aquilo fosse real."


"Se Loki diz que alguém está morto… a mente pode desligar."


"O corpo pode entrar em inércia."


"A pessoa não morre de fato… mas acredita estar morta."


Zao Tian sentiu um arrepio, pois aquilo sempre foi uma das coisas mais nojentas sobre Loki.


Não era um Dom bonito.


Era um tipo de violação.


Jaha, por sua vez, apertou os dedos e perguntou: "Então por que não funcionava em Zaki?”


O Curupira respondeu.


"Porque Zaki era poderoso demais." Ele disse: "Para Loki, ele era… alto demais."


Ele escolheu as palavras com cuidado, tentando não soar como reverência.


Zao Tian entendeu o que aquilo significava. Quanto mais poderoso o alvo, mais a mentira perde aderência. E mais a realidade do alvo resiste.


"Loki sabia disso." O Curupira continuou, antes de completar: "E ele estava pisando em ovos o tempo inteiro, porque, se ele contasse uma mentira grande demais…"


Ele deixou a frase abrir sozinha o abismo para onde ela direcionava.


Zao Tian completou com uma raiva suave "Zaki perceberia a manipulação."


O Curupira assentiu.


"E se percebesse…" Ele continuou: "A reação não seria dócil."


Depois de dizer aquilo, ele olhou para Zao Tian e afirmou: "Seria o tipo de fratura que o Pai de Todos temia o tempo todo."


Jaha fechou os olhos por um instante. 


Então ele abriu e falou como quem está montando um mecanismo: "Então Loki não podia empurrar uma narrativa absurda sobre Zaki."


"Ele só podia… sugerir pequenas coisas."


O Curupira confirmou.


"Mentiras pequenas." Ele disse: "Sugestões."


"Insinuações."


"Uma sensação deslocada aqui."


"Uma dúvida plantada ali."


Zao Tian sentiu nojo. Ele não gostava de imaginar Zaki sendo tocado por isso, nem por um segundo. E ele não gostava de imaginar que aquilo foi feito sob um pretexto de “proteção”.


"Isso é desprezível." Zao Tian disse, e a voz dele não subiu, mas ficou dura.


Jaha concordou: "Não muda."


O Curupira não discutiu.


"Eu sei." Ele respondeu: "Mas eu preciso que vocês entendam o que isso gerou."


Ele respirou, e a frase seguinte veio como uma peça inevitável: "Loki precisou se adaptar."


Zao Tian não respondeu.


Jaha também não.


Porque eles sabiam o que aquela adaptação significava.


Quando você não consegue controlar pelo Dom, controla pelo laço.


"Ele precisou de outra estratégia." O Curupira disse: "Ele precisou se aproximar… de verdade."


A palavra de verdade ali soou estranha, porque, na boca de um deus da mentira, de verdade parece sempre uma armadilha.


Contudo, o Curupira não estava brincando com a semântica ali. Ele estava descrevendo uma mudança prática.


"Se ele não podia dominar Zaki com mentiras…" Ele pausou: "Ele precisava ficar perto o suficiente para perceber a direção antes dela virar uma queda."


Jaha franziu a testa.


"E Odin sabia disso?" Ele perguntou.


O Curupira assentiu.


"Sabia." Ele respondeu: "E foi por isso que o Pai de Todos alertou Loki muitas vezes."


Zao Tian prestou atenção na palavra “alertou”.


"Alertou como?" Jaha perguntou.


O Curupira respondeu com o tom de quem conhece bem o que é um superior que não pode falhar.


"Para manter o foco." Ele disse: "Para não confundir objetivo com vínculo."


"Para lembrar que a amizade dele tinha uma função maior."


Depois, ele olhou para o grupo e completou: "Porque, no medo dele, uma amizade sem controle entre Loki e Zaki era… imprevisível."


Zao Tian apertou os dedos e perguntou: "E Loki obedecia?"


O Curupira hesitou um instante.


"Nos registros… Loki foi profissional." Ele disse: "Ele se aproximou pensando em um bem maior."


A frase caiu com estranheza.


Profissional.


Loki.


Bem maior.


Nada disso combinava, e, ainda assim, o Curupira estava falando como quem descreve uma transformação lenta, e não uma absolvição.


"E parece que isso… o inspirou." O Curupira continuou.


Zao Tian estreitou os olhos.


"Inspirou?" Ele repetiu, confuso.


O Curupira assentiu.


"Sim." Ele disse, antes de explicar: "Porque, ao estar ao lado de Zaki, Loki começou a ver algo que ele não via da mesma forma antes."


Ele respirou, e afirmou: "Que Decarius e o resto da criação… precisavam de paz."


Jaha ficou quieto, pois, a palavra “paz", naquele universo, é quase uma blasfêmia.


Ela é sempre usada por quem quer poder, mas a forma como o Curupira disse não parecia uma propaganda.


Parecia uma descoberta incômoda.


"Não era só a paz como ausência de guerras por alguns anos." O Curupira continuou: "Mas a paz como um símbolo."


"Um ponto que inspirasse."


"Um modelo que absorvesse culturas agressivas sem precisar esmagá-las."


Zao Tian sentiu um incômodo.


A ideia era bonita demais para ter vindo de Loki. E bonita demais para não ter sido usada como arma em algum momento.


Jaha, no entanto, estava atento ao que realmente importava.


"Então eles conversavam." Jaha disse: "Discutiam o conceito."


O Curupira assentiu.


"Discutiam bastante." Ele respondeu.


"O que é paz."


"Como se alcança."


"Como se sustenta."


Ele olhou para o grupo.


"E eles chegaram a uma conclusão que, na época, parecia… funcional."


Zao Tian franziu o cenho.


"E qual era essa conclusão?" Ele perguntou.


O Curupira respondeu com um bloco de ideias que soou como um projeto.


"Que a criação não precisava apenas de força para derrubar tiranos." Ele disse: "Ela precisava de um alicerce."


"De uma referência."


"De um conjunto de elementos que tornasse a guerra… vergonhosa."


Jaha prendeu a respiração.


Zao Tian ficou imóvel, porque ele sabia para onde aquilo apontava.


E o Curupira falou.


"Zaki era o primeiro elemento." Ele disse.


"O símbolo."


"A face."


"A voz."


Zao Tian sentiu o estômago apertar.


Zaki como símbolo da paz…


Zaki como o rosto…


Zaki como a voz…


Aquilo parecia uma sentença escrita para dar errado.


"Todos confiavam em Zaki." O Curupira continuou: "E foi isso que fez Loki e o Pai de Todos enxergarem nele um potencial que não era só de combate, pois, se havia alguém capaz de unir sem forçar… era ele."


Jaha franziu a testa, porque ele não gostava da ideia, e perguntou: "E o segundo elemento?"


O Curupira respondeu: "Uma nação modelo."


"Um lugar."


"Uma estrutura."


"Um conjunto de normas e cultura que provasse, na prática, que a prosperidade e o respeito podem existir juntos."


Zao Tian balançou a cabeça ao escutar aquilo e concluiu antes mesmo do Curupira terminar, porque aquela parte era óbvia: "E a dissuasão." 


O Curupira assentiu.


"Sim." Ele respondeu: "Zaki não precisaria derramar sangue o tempo inteiro para proteger essa nação."


"Porque a mera existência dele… seria essa dissuasão."


Jaha ficou quieto.


Ele entendia o mecanismo.


Uma figura inquestionável.


Um ícone moral.


Uma força que ninguém quer enfrentar.


Isso cria ordem sem guerra.


Só que o preço de criar um ícone é sempre a fragilidade do ícone. E, quando ele cai, ele leva todos junto com ele.


Zao Tian falou isso com uma dureza clara: "Isso é perigoso."


O Curupira não negou.


"Era perigoso." Ele respondeu, antes de explicar: "Mas, na época… parecia ser a alternativa menos destrutiva."


Ele respirou, antes de dar outro ponto: "E é aí entra a diferença entre Zaki e Gold."


Zao Tian sentiu, com desconforto, o nome de Gold soar de novo.


Jaha também.


O Curupira, por sua vez, prosseguiu.


"Gold era mais poderoso." Ele disse: "E ninguém negava isso."


"Mas Gold não tinha carisma."


"Ele não tinha paciência."


"Ele não tinha disposição para ser esse símbolo."


Zao Tian entendeu pelo menos aquela parte.


Gold queria a liberdade.


Ele queria que o panteão recuasse.


Ele queria que a criação respirasse.


E depois… Ele só queria sumir.


"Gold foi gerado pela necessidade." O Curupira continuou: "Ele surgiu porque o universo precisava de uma ruptura."


"Contudo, ele não era alguém feito para conduzir a criação ao próximo estágio."


Ele olhou para o grupo, antes de  concluir: "Ele não queria conduzir."


"Ele só queria ser deixado em paz."


Jaha respirou acenou e comentou: "Então, para Loki… Zaki era a continuidade."


O Curupira assentiu.


"Para Loki… e para o Pai de Todos naquele ponto." Ele respondeu: "E é aqui que a parte mais incômoda entra."


Zao Tian franziu o cenho.


"Qual parte?" Ele perguntou.


O Curupira respondeu com uma frase simples, porém, distópica.


"Loki usou mais verdades do que mentiras." Ele disse.


O grupo travou.


Zao Tian sentiu a irritação subir de novo, porque aquilo soava como uma tentativa de limpar o nome Loki.


E ele não deixou isso passar.


"Não tente mudar o que ele é." Zao Tian disse, irritado.


Jaha também: "Não torne isso mais palatável." 


O Curupira assentiu com calma, e disse: "Eu não estou tentando tornar palatável." 


"Eu estou tentando mostrar o porquê isso funcionou por um tempo."


Ele então olhou para Zao Tian e explicou: "Se Loki tentasse construir esse vínculo só com mentiras… Zaki teria percebido."


"Então Loki precisou dizer verdades."


"Verdades sobre a guerra."


"Sobre a miséria da criação."


"Sobre o fato de que os humanos lutavam entre si mesmo quando os deuses não colocavam a mão ou estavam sequer olhando."


Naquele momento, Zao Tian ficou quieto. Porque isso era verdade. E por ser verdade, era justamente o tipo de coisa que podia ser usada para conduzir alguém sem que esse alguém percebesse.


"Então Loki acreditou." O Curupira continuou: "Ou, pelo menos, passou a agir como alguém que acreditava que o que eles estavam fazendo era o começo de algo inovador."


"De algo benéfico."


"E essa crença… foi a parte que o Pai de Todos temia."


Jaha franziu a testa com a mudança no tom.


"Por quê?" Ele perguntou.


O Curupira respondeu com a frieza de quem entende o risco de um projeto perfeito.


"Porque uma ideia bonita demais… vira uma religião." Ele disse: "E uma religião em torno de um homem… vira uma arma."


Zao Tian sentiu o estômago apertar, porque ele entendeu.


O símbolo da paz pode, ao mesmo tempo, virar o símbolo da imposição.


A nação modelo pode virar um império modelo.


O rosto pode virar um ídolo.


E o ídolo, quando ameaçado, justifica qualquer coisa.


Calmamente, o Curupira concluiu, com um peso controlado.


"Para se aproximar de Zaki e afastá-lo da rota do fim… Loki precisou caminhar junto com ele na direção de algo grande."


"E, no começo, esse grande parecia bom."


Ele olhou para Zao Tian e Jaha, aceitando o nojo deles, mas mantendo o foco no que aconteceu.


"E Loki acreditou que estava usando verdades para salvar."


"E verdades também conduzem."


"Às vezes… melhor do que mentiras."


O grupo ficou paralisado, porque, naquele instante, a história tinha ganhado um tipo de tragédia pior do que “um vilão que corrompeu um herói”.


Era a tragédia de um mecanismo de proteção.


Uma contenção que virou um vínculo.


Um vínculo que virou um projeto.


Um projeto que precisava de um símbolo.


E um símbolo, quando cresce demais, vira exatamente o tipo de risco que Odin tentou impedir desde o começo.


Naquele momento, Zao Tian respirou fundo para digerir tudo, e, pela primeira vez desde que o nome Zaki foi mencionado, ele percebeu um detalhe que o incomodou mais do que Loki.


Se Loki precisou usar verdades para conduzir… Então a queda de Zaki talvez não tenha começado com uma mentira.


Talvez tenha começado com uma ideia.



O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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