Capítulo UHL 1200 - Afastamento
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O grupo ficou em silêncio por alguns instantes depois da última frase do Curupira, mas, dessa vez, era um silêncio de surpresa.
Era como se o mundo inteiro tivesse acabado de revelar que uma das coisas mais citadas na história, o Reino da Luz, não nasceu de um plano, nem de uma guerra, nem de um decreto.
Ele nasceu de gente teimosa demais para deixar um homem ficar sozinho.
Zao Tian foi o primeiro a reagir de um jeito que ninguém esperava.
Ele soltou um riso curto, quase involuntário.
Não era deboche. Era aquele tipo de riso que escapa quando a imagem mental é perfeita demais.
"Isso…" Ele começou, e teve que respirar de novo, porque a cena era absurda: "Isso é muito a cara dele."
Jaha olhou de canto, curioso.
Zao Tian balançou a cabeça, ainda com um sorriso preso, e completou: "Gold odiava gente."
"Ele era arrogante, ranzinza…"
"Ele queria sumir do mundo."
"Ele queria descansar."
E a próxima frase saiu com a ironia inevitável: "E o universo respondeu criando um reino em volta dele."
Alguns do grupo deixaram escapar expressões que, se não eram risos, eram, no mínimo, o reflexo de reconhecer o absurdo.
Mesmo quem não tinha humor naquele momento entendeu por que aquilo era engraçado.
Era cruel, mas engraçado.
O Curupira não sorriu.
Ele apenas aceitou que aquele era um dos raros pontos em que o peso do destino permitia uma nota de ironia satisfatória.
Jaha, por outro lado, estava diferente.
Aquela conversa não estava esmagando ele como esmagava os outros.
Ela estava se alimentando.
A mente dele tinha fome.
Cada detalhe era um mapa.
Cada frase era como ouro, e, por isso, Jaha perguntou, rápido, antes que alguém voltasse a desviar para a parte moral: "E o início do projeto?"
"Como Zaki e Loki começaram de verdade?"
E ele já emendou nas perguntas, como quem não consegue evitar a peça óbvia: "Gold deve ter descoberto."
A pergunta abriu um espaço muito amplo. E o Curupira, pela primeira vez desde que começou a narrar, mudou o tom.
Dessa vez, não foi o tom de quem quer explicar algo, mas sim o tom de alguém que carregava uma espécie de respeito extremamente pesado.
"Eu preciso…" Ele começou, e parou.
O grupo percebeu a pausa.
Aquilo não era uma hesitação por falta de memória. Era como se o Curupira estivesse lidando com uma presença.
Zao Tian sentiu primeiro.
Não com os olhos, mas com o corpo.
Era aquele desconforto sutil que ele já tinha aprendido a reconhecer desde que Gold se instalou dentro da sua consciência.
Jaha também percebeu.
"De uma permissão?" Jaha perguntou, sem maldade, só tentando seguir a lógica.
O Curupira assentiu.
"Sim." Ele respondeu.
Depois, ele olhou para Zao Tian por um instante, e o olhar não era acusação, mas de aviso.
"Se eu começar a dizer isso, eu não estarei falando de alguém que está morto."
Ele deixou a frase cair com cuidado, e depois completou: "Eu estarei falando de alguém que… ainda está aqui."
O grupo travou, entendo muito bem o que o Curupira queria dizer, com exceção de Zargoth, que ficou perdido por não saber sobre Gold e Zao Tian..
A percepção de que Gold estava ouvindo não era nova, mas, naquele momento, ela ficou real de um jeito que incomodou mais do que qualquer ameaça divina.
Porque aquilo era mais do que ouvir. Era ter o seu passado sendo exposto enquanto ele estava ali, preso numa mesma sala invisível.
Zao Tian sentiu o peito apertar.
Não por medo de Gold, mas por uma sensação que ele detestava sentir…
Constrangimento.
A ideia de Gold sendo forçado a escutar lembranças que ele passou a vida inteira enterrando… Era incômoda e triste.
O Curupira ficou quieto por alguns segundos, como se estivesse ouvindo algo que ninguém mais tinha acesso.
Então ele soltou o ar devagar.
"E parece… que está tudo bem." Ele disse.
Jaha prendeu a respiração, fascinado com o deus.
Zao Tian, por sua vez, sentiu o olhar se endurecer.
Ele não gostava da ideia de “permissão”, mas também sabia que, com alguém como Gold, aquilo não era uma cerimônia.
Era um limite.
O Curupira prosseguiu, e, antes de voltar ao Reino da Luz, ele fez questão de tocar no ponto que justificava aquela permissão.
"Eu já disse antes…" Ele falou, e a voz dele voltou para aquele tom resignado: "Eu vejo o futuro que me envolve."
"Eu sei o que eu vou dizer."
"Eu sei o que eu vou fazer."
"E eu não consigo desviar."
Ele então olhou para Zao Tian, tentando acalmá-lo, e completou: "E eu já me vi contando isso."
A frase caiu como um golpe silencioso.
Jaha entendeu o que aquilo significava, e, por isso, ele assentiu, devagar.
"Isso deve doer para ele." Jaha murmurou, mais para si do que como uma pergunta.
O Curupira confirmou.
"Deve." Ele disse. E, pela primeira vez, ele falou de Gold com algo que parecia… compaixão: "Eu acredito que também não vai querer que ninguém veja o rosto dele enquanto lembra."
O grupo ficou imóvel.
Zao Tian, por sua vez, sentiu uma vontade estranha de olhar para o lado, como se pudesse ver Gold fisicamente ali, escondendo a expressão.
Mas não havia rosto para olhar.
Havia apenas o peso.
O Curupira então completou, com uma honestidade que deixava tudo pior e, ao mesmo tempo, muito mais humano.
"Vocês sempre acharam que ele não falava do passado por arrogância."
"Por falta de paciência."
"Por desprezo."
Ele respirou, como se discordasse de tudo, e continuou: "E isso existe nele, mas não é o núcleo."
Zao Tian franziu o cenho, atento.
O Curupira continuou, devagar, como se escolhesse cada palavra para não provocar uma explosão silenciosa dentro da consciência do próprio Zao Tian.
"É difícil falar sobre aquilo sem… quebrar."
Ele não usou a palavra chorar de imediato. Ele apenas deixou o grupo sentir o que aquilo significava.
"Gold não aceita que ninguém enxergue uma única fraqueza nele." O Curupira disse.
"Ele nunca aceitou. Mesmo quando era inevitável."
Zao Tian sentiu a garganta apertar de pena. E uma parte dele, contra a vontade, compreendeu.
Aquilo era simplesmente reconhecer que existe um tipo de dor que, quando você é o mais forte, vira uma vergonha.
"E ele sempre foi consciente da própria condição." O Curupira concluiu.
"De ser o mais forte."
"De ser incontestável."
"De ser o lugar onde todo mundo encosta as esperanças."
O silêncio caiu, dessa vez sem humor.
Gold estava escutando, mas não interferiu.
Ele continuava ali, como sempre.
Ouvindo.
Sem dizer nada.
Como se a única forma de suportar fosse fingir que aquilo não era com ele.
Jaha, ainda faminto por entender, respirou fundo e puxou a conversa de volta para o ponto técnico, quase como um favor.
"Então…" Ele disse, com cuidado: "Como começou?"
O Curupira assentiu, e, enfim, voltou ao Reino da Luz.
"Zaki começou com testes." Ele disse: "Implementações sutis."
"Leis pequenas."
"Costumes que pareciam só ajustes de convivência."
Ele olhou para o grupo.
"Coisas que ninguém chamaria de revolução no início."
Zao Tian estreitou os olhos e pediu: "Diga exemplos."
O Curupira não listou como um burocrata, mas como alguém que viu o desenho de um sistema.
"Normas de mediação." Ele disse.
"Regras de propriedade e de passagem."
"Proteções para quem tinha um cultivo abaixo da média."
"Protocolos de resolução de conflitos que evitavam que cada discussão virasse um duelo."
Enquanto escutava, Jaha assentiu, absorvendo cada palavra como se aquilo fosse a raiz de uma cultura inteira.
"E tudo isso foi crescendo." O Curupira continuou.
"Com o tempo, o Reino da Luz prosperou."
"Os recursos ficaram mais acessíveis."
"As medicinas que facilitavam o cultivo e os avanços existiram com mais abundância."
"Treinar ficou mais fácil."
Ele deixou a consequência se formar na mente de todos antes de dizer: "E isso gerou um poder bélico gigantesco."
Ao cair daquela frase, o grupo reagiu com um tipo de desconforto.
Paz e poder bélico na mesma frase nunca soavam bem.
"Comparados a outras nações…" O Curupira disse: "Os soldados do Reino da Luz eram, pelo menos, dois, três níveis mais fortes."
Zao Tian sentiu o incômodo.
Paz sustentada por dissuasão… Era inevitável, mas era um caminho que sempre beirava o abismo.
"E Gold?" Jaha perguntou, rápido: "Ele acompanhava?"
O Curupira assentiu.
"Acompanhava." Ele disse.
"Mas do jeito dele."
"Ele aparecia no palácio quando queria conversar com os empregados."
"Quando queria sumir por algumas horas do barulho do mundo."
"E quando queria dar uma dura em Zaki."
Zao Tian soltou um ar curto, porque isso era o que ele esperava.
"Por estar se distraindo com o reinado." O Curupira completou: "E por estar se esquecendo de treinar."
Jaha ficou quieto, porque a imagem era clara demais.
Um rei tentando construir paz, e o mestre aparecendo para lembrar que paz sem força é só um intervalo.
"Gold era incansável quanto à evolução constante." O Curupira disse.
"Ele cobrava muito."
"Ele cobrava o tempo inteiro."
"E Loki reportou isso muitas vezes."
A menção de Loki trouxe de volta o incômodo, porque, mesmo enquanto Zaki reinava e Gold cobrava, Loki observava tudo por baixo.
Registrando. Medindo. E, ao mesmo tempo, convivendo.
"Mestre e discípulo…" O Curupira continuou: "Eles tinham uma relação que, para quem olhasse de fora…"
Antes de completar o que tinha a dizer, o Curupira fez uma pausa necessário e um adendo: "E fizesse vista grossa para os insultos constantes que Gold dirigia a Zaki…"
A frase arrancou uma expressão breve em Zao Tian, porque ele conseguia imaginar as cenas.
Gold chamando Zaki de inútil.
De distraído.
De mole.
E, ainda assim, voltando sempre.
"Era muito próxima da relação entre pai e filho." O Curupira concluiu.
O grupo absorveu aquilo como se fosse um impacto.
Jaha ficou imóvel.
Zao Tian sentiu um desconforto que ele nem soube nomear.
Gold gostava… Cuidava… Se preocupava.
Era difícil encaixar isso no mito do monstro isolado. E o Curupira disse exatamente isso.
"Gold gostava de Zaki." Ele afirmou.
"Gold se preocupava com seu discípulo."
"Gold cuidava, do jeito dele."
Zao Tian engoliu seco, e o Curupira prosseguiu: "E então, sem interferir em nada nas políticas… Gold, por um tempo, se afastou um pouco do palácio."
A frase fez o ar mudar, porque o afastamento é sempre um sinal de mudança.
Jaha franziu o cenho ao escutar aquilo.
"E Loki achou que tinha sido descoberto." Jaha concluiu, rápido.
O Curupira assentiu.
"Sim." Ele disse.
"Ele relatou essa preocupação."
"Ele estava com medo."
Várias hipóteses surgiram nas mentes de todos, mas, antes que o grupo pudesse especular mais, o Curupira completou com o detalhe que virou a chave: "Mas esse medo perdeu força quando Loki e Zaki descobriram o motivo real."
Zao Tian franziu o cenho.
"Qual?" Ele perguntou.
O Curupira respondeu, e a resposta caiu como algo que não deveria existir dentro daquela linha do tempo.
"Gold tinha desenvolvido um relacionamento amoroso."
O grupo travou enquanto fechava os olhos.
Até Jaha ficou quieto por um instante, porque aquilo era… pessoal demais.
"Com outra discípula." Enquanto todos sentiam o que estava por vir, o Curupira continuou. E então ele disse o nome que carregava um peso próprio.
"O nome dela era Amara."
A menção dela trouxe um silêncio diferente ao ambiente.
Amara, aquela que tirou de Daren o título de Demônio da Escuridão.
O Curupira colocou mais uma peça fundamental naquele tabuleiro.
O ponto, ali, era que Gold não estava se afastando por suspeita. Ele estava se afastando porque, mesmo sendo Gold… Mesmo sendo o mais forte… Mesmo sendo incontestável…
Ele ainda era humano o suficiente para criar um vínculo que não tinha nada a ver com reinos, política, guerras divinas ou até mesmo o panteão.
E isso, por si só, era uma reviravolta.
Porque, se Gold, porventura, se distraiu com Amara…
Se ele esteve menos presente…
Se ele deixou Zaki respirar mais do que deveria…
Então o palco perfeito para o projeto de Loki e Zaki também estava ganhando espaço para crescer. E, naquele espaço, uma ideia bonita podia virar uma nova cultura.
Uma cultura podia virar um sistema.
E um sistema, sem perceber, podia começar a se confundir com um destino.
