Capítulo UHL 1201 - A Verdade Vem à Tona
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Tenham uma boa leitura!]
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A história que o Curupira estava contando era grandiosa demais para caber numa simples página. E, ainda assim, o grupo continuava esperando que, na próxima esquina, aparecesse algo fácil.
Um culpado.
Um ato isolado de maldade.
Um ponto preto no meio do branco.
O Curupira percebia isso com nitidez.
Ele percebia nas pausas longas que fazia. Percebia na forma como Jaha fazia perguntas como quem tenta achar a engrenagem secreta que explica tudo.
Ele percebia, principalmente, na forma como Zao Tian endurecia sempre que a narrativa ameaçava tocar em algo que não podia ser reduzido a um vilão.
Ele sentia que todos queriam encontrar um culpado ou uma explicação, e deixou o silêncio permanecer por alguns instantes, e então falou, não para responder a uma pergunta, mas para corrigir uma expectativa que estava criando muita ansiedade.
"A história de vocês…" Ele disse, olhando para o círculo como se estivesse olhando para dentro de um tempo inteiro: "Ela ficou preta no branco porque vocês só herdaram o resultado."
Com aquelas palavras, ele não acusou. Ele não defendeu ninguém.
Ele apenas constatou.
"Vocês estão esperando que, em algum ponto, eu diga: foi aqui." Ele explicou o que percebia: "Foi aqui que a maldade entrou. Ou foi aqui que tudo virou irreversível."
O Curupira respirou devagar, e comentou: "Mas não foi assim."
O grupo ficou parado.
Zao Tian, por sua vez, apertou o maxilar, como se aquilo incomodasse por ser verdadeiro até demais.
Quanto a Jaha… Ele inclinou um pouco a cabeça, atento.
"O que aconteceu…" O Curupira continuou: "Foi uma sequência de escolhas que, naquele tempo, faziam sentido para quem estava vivendo o momento."
Ele sustentou a palavra vivendo, como se fosse necessário lembrar que, no passado, ninguém tinha o privilégio do futuro.
"Hoje, com tudo destruído, é fácil escolher um nome e chamá-lo de culpado."
"É fácil olhar para uma decisão antiga e dizer: isso era óbvio."
O Curupira então balançou a cabeça, sentindo que todos estavam equivocados: "Mas, naquele presente, a história só ia até o presente."
"Ela não ia até a ruína."
"Ela não ia até a queda."
"Ela não ia até a dor de vocês."
O silêncio ficou mais pesado, mas de um jeito diferente.
Era uma incômoda sensação de estar sendo lembrado de que o julgamento, às vezes, é um luxo de quem chegou depois.
"Houve chances reais de tudo dar certo." O Curupira disse: "E houve chances reais de tudo dar errado."
"Os maus agiram com bondade em algum momento."
"E os bons agiram com maldade em algum momento."
Ele não dramatizou isso. Ele apenas deixou tudo em seu devido e merecido lugar, como uma verdade simples e desagradável, mas real: "Porque, para quem estava vivendo naquele tempo, aquilo parecia… Estar funcionando."
Zao Tian ergueu o olhar, e o Curupira olhou de volta enquanto dizia: "Esse deve ser o ponto que mais dói."
"Para vocês, o tempo inteiro parece que tudo vai dar errado."
"Para eles, o tempo inteiro parecia que tudo estava dando certo."
Ele fez uma pausa, e concluiu: "Não dá para julgar os antigos com uma régua diferente daquela que eles tinham na mão."
Jaha engoliu seco.
Zao Tian não respondeu.
E o Curupira entendeu que aquele era o máximo de espaço filosófico que eles suportariam antes de pedir a próxima peça concreta.
Então ele retornou ao tabuleiro.
"Amara." Ele disse.
O nome caiu no círculo com um peso próprio.
Zao Tian sentiu o desconforto, mesmo sem querer.
Jaha ficou atento.
O Curupira prosseguiu sem pressa.
"Amara era a segunda pessoa mais forte do mundo." Ele disse: "Perdendo apenas para Gold."
A frase soou como uma sentença, porque, se Gold já era um absurdo, então Amara era o único ser vivo que ainda permitia alguma comparação, mesmo que a comparação fosse injusta.
"E quando eles se uniram…" O Curupira continuou.
"Não existia uma única união em toda a criação que pudesse ser comparada."
Ali, ele não falou só de amor.
Ele falou de poder.
Falou de uma combinação que fazia o universo inteiro se recalcular, porque duas forças daquele tamanho juntas não eram um casal comum.
Os dois, juntos, eram um evento.
"Aquele foi um casal fora da curva." O Curupira disse: "Extremamente poderoso."
"E, naquela época… eles estavam felizes."
A palavra felizes, ali, pareceu quase ilegal.
Era como se o universo não tivesse direito de permitir felicidade a quem carregava tanto sangue e tanta história.
Contudo, o Curupira não estava inventando isso.
Ele estava apenas relatando. E o que aconteceu… Aconteceu.
"Gold tinha vivido tempo demais como um homem cercado pelo peso do próprio nome." Ele disse, antes de continuar: "Amara… tinha vivido tempo demais como uma função ou uma expectativa."
Ele fez uma pausa e mencionou: "O Demônio da Escuridão..."
Zao Tian estreitou os olhos quando ouviu, porque aquela palavra, naquele círculo, não era um título bonito.
Era uma responsabilidade.
Um fardo.
Era o tipo de peso que, mesmo hoje, Daren carregava como se fosse uma sentença eterna.
E o Curupira confirmou o que vinha logo atrás do que começou.
"Amara, quando se juntou com Gold, devolveu suas responsabilidades." Ele disse, antes de deixar claro: "Ela empurrou o título de Demônio da Escuridão de volta para Daren."
Com calma, ele olhou para o grupo e relatou: "Por causa das ausências constantes de Amara, Daren passou a cuidar do Reino da Escuridão mais tempo do que gostaria."
A frase não tinha pena, mas tinha um tipo de ironia amarga, porque Daren, que sempre foi o homem do dever, foi obrigado a ser ainda mais o homem do dever.
Enquanto isso…
"Gold e Amara viajaram." O Curupira continuou.
"Pelo universo."
"Sem pressa."
"Sem guerras."
"Sem um plano."
Ele sustentou a próxima frase como se fosse uma coisa quase absurda de existir.
"Eles agiram como se fossem… só dois seres vivos aproveitando um tempo bom."
Zao Tian sentiu o peito apertar de leve quando escutou aquilo.
Ele gostou de saber que Gold estava sendo feliz, mas não houve puramente uma emoção romântica.
Havia também uma implicação estratégica.
Porque, se Gold se afastou, o mundo provavelmente mudou.
Se Gold respirasse, o mundo respirava.
Se Gold parasse de olhar para o tabuleiro por alguns anos…
O tabuleiro teria liberdade demais.
"Essa lua de mel durou anos." O Curupira disse: "E, durante esses anos… Zaki estava indo bem como Monarca."
A palavra bem teve um peso enorme, pois o “bem” de um monarca daquele nível significava estabilidade.
Significava prosperidade.
Significava que o projeto que Loki e Zaki desenhavam parecia estar dando frutos.
"E como Zaki estava indo bem…" O Curupira continuou.
"Gold se afastou ainda mais."
Zao Tian franziu o cenho e perguntou, sem perceber que tinha falado: "Ele confiou?"
O Curupira assentiu.
"Confiou o suficiente para não ficar em cima." Ele respondeu.
"Confiou o suficiente para viver sua própria vida."
Quando caiu, aquela frase bateu em Zao Tian como uma coisa estranha.
Gold vivendo?
Gold escolhendo viver?
Isso era uma reviravolta tão grande quanto qualquer golpe de espada.
Jaha, também conhecendo aquela figura, puxou ar devagar, e perguntou, mais baixo: "E durante esse tempo… Loki e Zaki…"
O Curupira não precisou de mais para responder: "Eles se aproximaram."
"Cada vez mais."
Ele fez uma pausa curta, e então prosseguiu: "O vínculo deles ficou mais real."
"Mais cotidiano."
"Era cada vez menos uma missão e mais uma convivência."
Zao Tian sentiu-se irritado, porque, do jeito que o Curupira estava narrando, aquilo não era um plano de vilão.
Era uma progressão natural.
E isso era o que tornava tudo mais perigoso.
"Até que chegou um dia…" O Curupira continuou.
"E esse dia não veio com nenhum presságio."
"Não veio com trombetas."
"Não veio com anúncio algum."
Ele olhou para o círculo.
"Ele veio como qualquer dia comum em que alguém decide falar uma verdade."
Jaha apertou os dedos.
Zao Tian ficou imóvel, com muita espectativa.
O Curupira prosseguiu.
"Gold e Amara voltaram para visitar Zaki."
"Para dar uma notícia."
"Para atualizar o mundo, do jeito que gente poderosa faz quando aparece depois de sumir por tempo demais."
O Curupira respirou.
"E foi ali…"
Ele não fez suspense.
Ele não quis espetáculo.
Ele apenas soltou a frase do jeito que era: “Que a verdade sobre Loki foi revelada."
O grupo inteiro endureceu.
Zao Tian sentiu o coração bater mais forte.
Jaha ficou imóvel, como se tivesse parado de respirar.
O Curupira completou, e o detalhe final foi o que tornou tudo mais difícil de engolir.
"A verdade não foi descoberta por Gold."
"Não foi descoberta por Amara."
"Não foi um acidente."
Ele sustentou o olhar no círculo.
"Ela foi revelada pelo próprio Zaki."
O que veio depois daquelas palavras foi a sensação de que um ponto de estabilidade tinha acabado de ser arrancado do chão.
Porque, se Zaki foi quem revelou a verdade…
Então, naquele momento específico, ele achava que aquilo era seguro.
Ele achava que aquilo era justificável.
Ele achava que aquilo fazia sentido.
E, de repente, tudo que estava sendo construído por anos ficou exposto ao olhar de quem mais odiava os deuses.
Gold.
Dentro da consciência de Zao Tian, o peso ficou mais denso.
Não como uma ameaça clara, mas como uma ferida antiga sendo tocada com o dedo.
O Curupira percebeu. E, mesmo assim, continuou, porque a história não tem o costume de parar para respeitar ninguém.
"A partir dali…" Ele disse: "A história começou a correr de um jeito diferente."
"Porque uma verdade dita na hora errada…"
Ele não completou a frase. Ele deixou o grupo entender sozinho.
Uma verdade dita na hora errada não precisa ser uma mentira para ser destrutiva.
Ela só precisa ser o suficiente para quebrar a confiança que sustentava uma relação inteira.
E naquele dia, no Reino da Luz, com Gold e Amara presentes, a palavra “Loki” deixou de ser uma coisa de bastidores e virou realidade.
Virou presença.
Virou conflito.
E o projeto de paz, que parecia estar indo tão bem…
Se viu, pela primeira vez, encarando o risco de ser destruído por dentro.
