Capítulo UHL 1204 - Um Último Presente
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Tenham uma boa leitura!]
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Vendo seu marido num estado claro de confusão, Ming Xue não disse nada. Ela apenas tocou a mão de Zao Tian.
Foi um gesto pequeno, quase discreto demais para quem não estivesse atento, mas, naquele instante, ele valeu mais do que qualquer frase que qualquer um ali pudesse ter dito.
Aquele era o jeito dela dizer que estava ali, que ele não precisava atravessar aquilo sozinho, nem mesmo dentro do próprio silêncio.
Zao Tian não olhou para ela de imediato, mas sentiu.
Ele sentiu o calor. Sentiu o peso humano do gesto. E isso, por alguns segundos, foi a única coisa que impediu a agitação dentro dele de virar uma erupção.
O Curupira percebeu também. E, pela primeira vez desde que começou a narrar, ele deixou a postura de contador de história e mostrou um traço raro de delicadeza.
"Você precisa de um tempo?" Ele perguntou.
Zao Tian respirou fundo.
O ar entrou e saiu como se arranhasse o peito por dentro, mas ele não se permitiu desmoronar.
Ele não daria a ninguém, nem mesmo a si mesmo, o prazer de vê-lo perder o controle ou até mesmo desmoronar naquele momento.
"Eu estou bem." Zao Tian respondeu, segurando os seus sentimentos dentro de si, como sempre fazia.
A voz dela saiu controlada. Sem tremor. Sem desculpa.
Logo em seguida, ele soltou a mão de Ming Xue devagar, não por rejeição, mas porque precisava manter o próprio corpo sob seu comando. E então olhou para o Curupira.
"Continua." Ele disse.
O Curupira assentiu, mas não voltou à história de imediato.
Ele observou Zao Tian por mais um instante, como se estivesse lendo algo que ninguém mais podia ler.
E então… Ele falou o que pensava.
"Eu notei uma coisa em você." Ele disse.
Jaha ergueu levemente o olhar.
Ming Xue também.
O grupo inteiro sentiu que aquelas palavras não eram parte do passado, e sim do presente.
O Curupira prosseguiu.
"Durante toda a parte da história sobre a redenção dos deuses." Ele disse, com calma: "Sobre deuses tentando fazer o bem..."
Ele fez uma pausa curta, olhando nos olhos de Zao Tian, antes de concluir: "O seu olhar não mudou."
Zao Tian não respondeu.
O Curupira então continuou, com a mesma precisão incômoda que sempre teve quando descrevia a história.
"Alguns aqui tiveram dúvidas." Ele disse, olhando para os outros: "Alguns acreditaram por um instante."
"Alguns quiseram acreditar."
Jaha não negou.
Ninguém negou.
Porque era verdade.
A ideia de que um inimigo pode mudar sempre seduz, nem que seja por um segundo, quando a história é contada de forma humana. Quando o outro lado dela vê a luz.
"Mas você não acreditou em nenhum momento." O Curupira então disse. E logo em seguida ele soltou o que era mais direto, e mais perigoso de dizer em voz alta.
"Quando você olha para mim… Eu consigo ver que você quer me matar."
A frase caiu no ar como uma pedra.
Ming Xue apertou os dedos por uma fração de segundo, instintivamente.
Jaha permaneceu atento.
Zargoth, ainda confuso com metade das implicações daquele universo, apenas sentiu que aquela era uma frase que não devia ser dita à toa.
Zao Tian, por sua vez, não negou.
Ele também não confirmou.
Ele só manteve o olhar parado, como se aquilo fosse irrelevante diante do que estava tentando segurar por dentro.
O Curupira não se ofendeu com a reação dele.
Ele não fez drama quanto a isso.
Ele apenas constatou…
"Esse tipo de ódio não se apaga." Ele disse, antes de completar: "E, se você teme algum dia ser parecido com Zaki…"
Enquanto falava, ele inclinou o rosto um pouco, como se ajustasse a própria leitura do que via.
"Pode ficar tranquilo."
Mesmo escutando aquilo, Zao Tian continuou em silêncio. E o Curupira concluiu, com uma frieza que não era provocação, e sim honestidade: "Você não tem intenção nenhuma de ter amizade com deus algum."
Aquela frase parecia simples, mas carregava um destino inteiro dentro dela.
"Bem lá no fundo…" O Curupira continuou: "Você quer me matar mesmo que eu não ofereça perigo algum a vocês."
Zao Tian não piscou.
Não porque aquilo fosse mentira, mas porque ele não queria dar forma para aquilo com palavras.
O Curupira respirou e finalizou a análise com uma sentença mais do que verdadeira: "Isso te torna mais parecido com Gold… do que com Zaki."
O grupo ficou quieto. E sem esperar uma resposta, veio a parte que fechou o círculo: "Se existe algum lado para se tomar na história que eu contei até aqui…"
O Curupira soltou: "Você já tomou."
"Talvez sem perceber."
"Talvez antes mesmo de saber o que aconteceu."
Ele olhou ainda mais fundo nos olhos de Zao Tian e encerrou: "Você tomou o lado de Gold."
Zao Tian não respondeu.
E o Curupira não insistiu.
Ele apenas soltou a última comparação que queria fazer, como se estivesse desenhando a diferença de dois caminhos que nunca mais se cruzariam do mesmo jeito.
"Zaki queria construir um mundo pacífico e diferente." Ele disse: "E você…"
Ele pausou.
"Você quer destruir as ameaças ao seu mundo de uma vez por todas, independentemente do que elas sejam, para que nunca mais voltem."
Zao Tian sustentou aquele olhar por um instante a mais.
Ele concordava com aquela análise.
Depois, sem dar ao Curupira o luxo de prolongar o assunto, ele repetiu: "Continue."
O Curupira assentiu. E, então, ele retornou ao passado, ao ponto exato em que tudo tinha quebrado.
"Depois de fazer o que fez…" Ele disse, devagar transportando a imaginação do grupo de volta àquele palácio: "Zaki não baixou a espada."
A frase, por si só, foi como uma segunda ferida.
"Ele manteve a lâmina erguida." O Curupira continuou: "E ficou na frente de Loki."
"Protegendo."
Zao Tian sentiu uma onda de nojo subir de novo, mas não interrompeu.
Jaha também não.
Ninguém queria ouvir, mas todos precisavam saber o que aconteceu a seguir.
"Mesmo depois de ter ferido Gold, Zaki não pediu desculpas." O Curupira disse.
Não havia julgamento no tom dele. Apenas a constatação de que aquele detalhe importava.
Porque desculpas, ali, teriam sido uma tentativa de voltar. E Zaki, naquele momento, já não estava tentando voltar.
"Gold ficou imóvel por alguns instantes." O Curupira continuou.
Depois, ele escolheu as palavras com cuidado, como se esse tipo de silêncio fosse o mais difícil de descrever.
"Provavelmente porque ele não queria acreditar no que tinha acabado de acontecer."
O grupo não se mexeu, pois a imagem era clara demais.
O Curupira prosseguiu.
"E Amara também não falou nada."
Ele suspirou.
"Ela estava tão chocada quanto ele."
“O silêncio de Amara era um tipo de respeito e de espanto que viviam lado a lado.”
“Ela não interveio.”
“Não porque não pudesse, mas porque havia coisas que, quando acontecem, até quem é forte demais para o resto mundo entende que não se corrige com palavras.”
"Ela esperou Gold decidir o que faria." O Curupira disse.
"E quando ele fez algo…"
Ele pausou, como se aquela sequência de ações fosse um ritual.
"Gold passou a mão pelo corte..."
"E olhou para o próprio sangue."
“Em seguida, veio o gesto que doeu mais do que um ataque.”
"Ele deu as costas para Zaki."
A frase pareceu simples, por ser curta, mas era o fim de uma era.
"Gold não disse nada." O Curupira continuou.
"Ele não xingou."
"Ele não revidou."
"Ele não reagiu."
Ele respirou, como se deixasse o grupo sentir o tamanho daquilo.
"Ele apenas lançou um olhar para Zaki."
E o Curupira escolheu o termo certo: "Com desprezo."
Aquele tipo de sentimento não era um desprezo que vinha de superioridade.
Era um sentimento que vinha de alguém que, por dentro, acabou de desistir.
"Era um olhar que encerrava qualquer laço que existia entre eles." O Curupira disse: "E depois… Ele virou e foi embora."
O ambiente inteiro pareceu ficar mais frio só com aquela imagem.
O Curupira prosseguiu com um detalhe que Loki confidenciou, e a tensão voltou a se condensar em outro formato.
"Loki contou ao Pai de Todos…" Ele disse: "Que, nos últimos momentos daquele olhar, ele sentiu que devia ficar parado."
Ele olhou para o grupo.
"E que Zaki também devia ficar parado."
Jaha franziu levemente o cenho, como se a própria lógica do medo estivesse falando alto ali.
"Porque…" O Curupira completou: "Se qualquer um dos dois se movesse…"
Ele não precisou dramatizar. Ele apenas falou.
"Gold mataria."
Zao Tian apertou os dedos.
Não por surpresa, mas porque aquilo confirmava o que ele já tinha sentido no fundo do coração: que Gold, naquele instante, não estava hesitando por fraqueza.
Ele estava se segurando por escolha. Por afeto.
O Curupira, por sua vez, concluiu, com a dureza de um veredito que ninguém pediu para ouvir.
"Naquele olhar… Gold esgotou a última gota de afeto que tinha por Zaki."
"E deu a ele um último presente… O direito de sobreviver."
O Curupira disse o direito, não o perdão. Não a reconciliação.
O direito.
Era como se fosse a última coisa que um mestre ainda podia conceder a um discípulo sem destruir a si mesmo.
O Curupira deixou esse peso cair, e então adicionou o final que selava tudo.
"Amara… assim como Gold… deu as costas para Zaki."
“Ela não iniciou outra discussão.”
“Ela não tentou resgatar o que havia entre eles.”
“Não brigou. Não suplicou.”
“Em respeito ao seu amado, ela apenas o seguiu e apoiou sua decisão.”
"Os dois saíram do palácio sem dizer." O Curupira disse. E, no fim, a voz dele ficou baixa de novo enquanto ele concluía: "E aquela foi a última vez… Que eles pisaram no Reino da Luz."
Assim que o Curupira terminou de contar aquela história, o clima era de luto. Porque, naquele instante, o grupo entendeu que não foi só uma relação que morreu.
Foi uma perspectiva inteira.
Foi um ponto de estabilidade.
Foi a âncora invisível que impedia certas possibilidades de acontecerem cedo demais.
Ao fim daquela parte do relato, Zao Tian manteve o olhar fixo no Curupira, mas, por dentro, ele não estava vendo o deus.
Ele estava vendo Gold…
Virando as costas…
Com seu próprio sangue nos dedos...
Com seu desprezo como um adeus…
E com a certeza de que, dali em diante, o mundo não teria mais o mesmo limite para o que os deuses poderiam tentar.
Naquele silêncio final, Ming Xue voltou a tocar a mão dele, de leve, como se dissesse, sem proferir palavras, que o mundo podia estar quebrando de novo, mas ele não precisava ficar sozinho dentro do som dessa quebra.
