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Capítulo UHL 1205 - O Início da Queda

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Tenham uma boa leitura!]


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O relato da partida de Gold e Amara não deixou apenas silêncio no ar. Deixou um tipo de vazio que parecia ocupar um espaço físico. E, quando o Curupira parou de falar, por um instante, ninguém soube onde colocar os olhos, porque olhar para qualquer coisa parecia pequeno demais.


Até Shara'Kala ficou mais quieta.


E isso, por si só, era incomum.


Ela não era do tipo que se permitia ser tomada por pena de ninguém, muito menos por uma história humana. Mas aquilo não tinha nada de simples para ser chamado de “história”.


Era uma ferida antiga sendo aberta com precisão demais.


Zargoth também não conseguiu dizer nada.


O khan orc parecia ter engolido algo que não descia pela garganta.


Os orcs sabiam sobre Gold.


Não como um mito distante, mas como uma figura tão grande que atravessou até os mundos mais fechados e orgulhosos.


Eles sabiam que foi Zaki quem o afastou. Sabiam do isolamento como um fato histórico.


O que ninguém sabia… era o motivo real.


O dia em que aconteceu.


O gesto real.


E, agora que a verdade tinha sido entregue sem espaço para mais fantasias, os dois pareciam ter dado um nó por dentro. Porque aquela explicação era pior do que qualquer versão que já tivesse circulado.


Não por ser mais “cruel”, mas por ser mais íntima.


Mais humana.


Mais vergonhosa.


Mais irreversível.


Desde aquele evento, um burburinho de proporções universais nasceu. E, como toda fofoca que não tem corpo, ela virou mil coisas.


Alguns diziam que Zaki tentou dar um golpe pelo trono.


Outros juravam que ele apunhalou Gold pelas costas com uma arma envenenada.


Havia quem insistisse que os deuses ajudaram a iniciar um golpe.


Havia quem afirmasse que foram os deuses que mexeram com a cabeça de Zaki, como se ele tivesse sido usado como uma ferramenta sem vontade.


Assim, as histórias continuaram crescendo, distorcendo, mudando de forma conforme os séculos passavam e conforme cada povo precisava de uma versão que fizesse sentido para a própria crença.


No fim, ninguém mais sabia o que era verdade.


Cada um escolheu acreditar no que parecia… mais confortável.


Mas ali…


Sabendo exatamente como aconteceu…


Porquê aconteceu…


E o que cada um sentiu enquanto fazia…


Tudo ficou claro de um jeito que não dava alívio para a consciência.


Aquela história trazia consigo um grande peso. Um fardo que, depois de escutar, todos eles deveriam carregar.


As mentes do grupo pareciam cheias demais. Quase prestes a estourar. Mas a dos dois orcs ali eram diferentes.


Era como se eles estivessem tentando encaixar, à força, uma coisa que não tinha encaixe:


Gold e Zaki… como mestre e filho.


A proximidade que eles tinham.


O carinho deformado pela brutalidade do treinamento…


A honra de deixar falar primeiro…


A espada levantada…


O corte…


E o olhar final.


Zargoth apertou a mandíbula de uma forma primitiva e instintiva, e o som foi quase imperceptível.


Shara'Kala não piscava, mas o olhar dela perdeu, por um instante, aquela segurança de quem sempre sabia onde terminava a fraqueza alheia e começava a própria força.


Porque aquilo que ela escutou não era fraqueza.


Era bem pior.


Aquilo era uma tragédia que nenhum poder resolve. E, naquele ponto, uma coisa ficou impossível de manter de pé…


As comparações.


Aquela mania que o mundo, os mundos, tinham de olhar para Zao Tian e dizer que ele era “um novo Zaki”...


Não dava mais para ser aceita.


Não depois de ouvir isso.


O próprio Curupira já tinha desenhado, sem querer ou querendo, a diferença entre eles.


Zaki tinha bons motivos e se perdeu.


Zao Tian, por sua vez, não estava se perdendo.


Zao Tian tinha um caminho reto diante dele. Um caminho que levava aos deuses como inimigos. E, quer o universo aprovasse ou não, esse caminho era coerente e perseguido por ele.


Era tão simples que parecia até previsível…


Zao Tian, com bons motivos ou não, sabia o que queria dos deuses: O fim de todos eles.


Aquela era o tipo de linha que Gold teria entendido sem precisar de nenhuma explicação.


Zao Tian não comentou o que sentia, porque ele não tinha nenhum interesse em defender o que pensava.


Nem em se justificar.


A verdade é que, naquele momento, ele estava ocupado demais tentando não transformar o próprio ódio em um movimento precipitado.


Ming Xue continuava próxima dele.


Sem dizer uma única palavra.


Sem fazer qualquer insistência.


Só a sua presença…. Já era o suficiente.


Jaha, ao contrário, parecia tentar cercar cada detalhe antes que a memória evaporasse.


Ele estava carregado.


Não de emoção apenas, mas de um tipo de mapa. De uma implicação.


E ele percebeu, logo cedo, o que o Curupira faria a seguir.


Porque aquela história, daquele ponto em diante, não poderia mais ser contada do mesmo jeito.


O Curupira, por sua vez, observou o grupo por mais alguns instantes. E a forma como ele olhava não era de julgamento…


Era a confirmação de que o que ele tinha dito tinha atravessado todos. Até os que não queriam.


Então ele respirou, como quem muda de seção.


"E agora…" Ele disse.


A voz dele não ficou mais leve.


Ficou mais distante.


"Eu posso dizer uma coisa ou outra sobre Gold e Amara."


O grupo prendeu a atenção de novo.


"Mas a partir daqui… as coisas terão que seguir mais os caminhos de Zaki e dos deuses." O Curupira avisou, antes de explicar: "Porque é isso que eu tenho."


"Relatos."


Ele não disse aquilo como uma desculpa.


Disse como um limite pessoal.


Aquele era um limite imposto pela própria forma como a história foi registrada.


Gold, enfim, saiu do palco. E, quando o homem mais forte sai do palco em questão, o universo inteiro fica sem uma referência.


"Gold e Amara partiram de Decarius." O Curupira disse. E aquela frase foi como uma porta batendo.


"Eles deram as costas para Zaki…"


"Deram as costas para a humanidade…"


"Deram as costas para a criação..."


Ao escutar aquilo, Shara'Kala fechou os dedos, devagar, como se aquela parte fosse especialmente difícil de aceitar. Porque, para um orc, abandonar a criação inteira não era apenas um gesto.


Era um conceito.


Era… impossível de compreender sem sentir dor.


"E os dois desapareceram." O Curupira continuou: "Não havia relatos deles em lugar algum."


"Nenhuma aparição."


"Nenhum rastro."


"Nenhuma intervenção."


Enquanto falava, ele olhou para o grupo como se dissesse: entendam o tamanho disso.


"Todo o universo perdeu o contato com os dois aliados mais fortes que existiam naquela época."


O silêncio existiu de novo, mas agora tinha outra natureza.


Era medo. Medo do que acontece quando as duas maiores âncoras de uma era simplesmente soltam as mãos do mundo.


Zao Tian sentiu o estômago apertar, porque ele conhecia Gold o suficiente para entender o significado real de “desaparecer”.


Quando Gold decide sumir, não é o mesmo que uma fuga.


É um sinal de desistência.


Um sinal de que ele desistiu de tentar mudar aquilo que não dava para ser mudado.


O Curupira prosseguiu, com a mesma precisão que arrancava a vida de um passado que devia ter ficado enterrado.


"Depois que eles partiram…" Ele disse: "Zaki também se isolou."


A informação surpreendeu alguns ali, mas, ao mesmo tempo, fazia sentido.


Zaki tinha feito o que fez. 


Ele tinha visto o sangue.


Ele tinha visto o olhar.


Ele tinha visto o adeus.


E, por mais que acreditasse estar certo, havia coisas que uma pessoa não consegue atravessar sem se quebrar por dentro.


"Por um tempo, ele ficou triste." O Curupira disse: "Triste por ter feito o que fez."


"E Loki tentou apoiá-lo."


O Curupira então acrescentou, sem crueldade, apenas com lucidez: "O humano teve que se reerguer sozinho."


Jaha respirou fundo.


Ming Xue manteve o olhar fixo.


Zargoth parecia tentar engolir aquilo e falhar.


Shara'Kala… Ficou ainda mais imóvel, pois, para ela, ouvir que Loki “tentou apoiar” era quase grotesco, considerando o que aquela presença representava.


O Curupira, então, encostou no ponto inevitável.


"Zaki precisava voltar à ativa." Ele disse: "Ele precisava continuar."


"Não por orgulho, mas porque o paraíso que ele estava construindo, naquela época, já era grande demais para ser abandonado por um monarca.”


"E ele voltou… Alguns dias depois."


A frase veio simples.


Sem alarde.


Como se o retorno tivesse sido uma obrigação, e não uma escolha.


Entretanto, o Curupira não deixou aquilo parecer um “recomeço”.


Ele não deu ao grupo esse conforto ou essa ofensa.


"Contudo…" Ele disse. E, quando a palavra saiu, o ambiente inteiro pareceu antecipar o pior: "Aquele homem começou a se afundar."


A pausa foi curta, e depois veio o termo certo, o termo que não era místico, mas era definitivo: "Numa escuridão que não tinha limites."


Zao Tian apertou a mandíbula, mas não interrompeu.


Ele sentiu, em alguma parte de si, que aquele era o começo do tipo de queda que não acontece com um empurrão.


Acontece com passos dados com as próprias pernas.


Pequenos passos…


Passos justificados…


Sempre “por um bom motivo”.


Enquanto isso, o Curupira continuou, e a imagem que ele escolheu não foi grandiosa.


Foi cotidiana.


Contudo, foi a melhor forma de descrever uma destruição lenta.


"Zaki começou a se enterrar numa areia movediça." Ele disse: "Uma na qual ninguém conseguia puxá-lo para fora."


A frase ficou no ar, porque todo mundo ali entendeu o tipo de coisa que isso significa.


Não era uma queda dramática. Era um afundamento. E a pior parte do afundamento é que, por muito tempo, quem está afundando acredita que ainda está no controle.


Naquele instante, o grupo percebeu algo que doeu tanto quanto a traição…


A criação tinha perdido Gold e Amara. E, em troca, ela tinha ficado com Zaki e Loki.


Um monarca quebrado. E um deus que sabia exatamente como transformar uma ideia bonita em um destino catastrófico.


Do jeito que o Curupira estava conduzindo a história, ficou claro que o que vinha a seguir não seria uma explosão única.


Seria uma sequência.


Um encadeamento de “faz sentido”.


De “é necessário”.


De “é para o bem”.


Até ninguém mais lembrar onde foi que a linha foi cruzada pela primeira vez.


O Curupira ainda não tinha dito o próximo passo, mas a forma como ele parou por um instante, antes de continuar, já avisava ao grupo inteiro que a areia movediça tinha começado a puxar.


E, dali em diante, tudo que parecia uma solução virava um novo problema.




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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