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Capítulo UHL 1206 - Religião

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Tenham uma boa leitura!]


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A primeira coisa que o grupo entendeu, depois de alguns minutos com aquela areia movediça pairando no ar, foi que não existia mais retorno.


Não para Gold.


Não para Amara.


E, dali em diante, também não para Zaki.


O Curupira ficou calado por tempo suficiente para que todo mundo sentisse o peso daquela nova fase, e então ele retomou com uma voz que já não carregava o choque do evento… carregava a consequência.


"Foi depois que ele voltou à ativa." Ele disse, devagar: "Que a mudança ficou… acentuada."


Ninguém interrompeu.


Ninguém ousou transformar aquilo em debate, porque agora o grupo tinha uma 

régua nova. E essa régua era cruel.


Era a régua que dividia o “antes” do “depois”.


"O primeiro movimento dele…" O Curupira continuou: "Foi procurar um homem que o mundo inteiro preferia fingir que tinha virado poeira."


O olhar de Jaha apertou.


Zao Tian não desviou.


Shara'Kala ficou rígida.


Zargoth, por sua vez, respirou pelo nariz, como se já soubesse o nome antes mesmo de ouvi-lo, pois eles conheciam um pouco sobre a história humana.


"Pemma Wangchuck." O Curupira disse E, ao dizer, ele acrescentou os títulos que vinha junto com ele:


"O Tirano."


"O Bárbaro Conquistador."


Mesmo entre os orcs, aquilo nome não era só um nome. Era um símbolo antigo.

Um símbolo de um mundo que quase foi quebrado por uma guerra que muitos ali já tinham ouvido como lenda, e alguns povos, como os orcs, conheciam.


Zao Tian não falou.


Ele não precisava.


A simples forma como o Curupira tinha dito “o primeiro movimento” já transformava aquilo em um degrau de uma escada muito maior.


"Depois que a campanha dele foi interrompida por Yang Zai e Halfkor…" O Curupira disse, mantendo o tom no lugar certo: "Pemma se isolou."


"Ele se escondeu em algum lugar do mundo."


"Sem exército."


"Sem novos sinais de que estaria planejando uma retomada de sua campanha."


Ele olhou para o grupo. E a forma como ele olhou deixava claro que o contexto importava.


"O mundo tinha mudado." O Curupira continuou: "Não era mais aquele mundo vulnerável de antes."


"Não era mais aquele mundo em que uma única força fazia todo tudo tremer."


Depois de dizer aquilo, ele começou a enumerar, não como um historiador, mas como alguém montando um quadro tático.


"Yang Zai ainda estava no trono da Dinastia Yang."


"Halfkor era o Rei Esmeralda, comandando um exército gigantesco e poderoso."


"Moira, a Santa da Água, já tinha seu território. E o Mar dos Monstros, sob o comando dela, era o lar de criaturas suficientes para formar um exército próprio."


Ele então fez uma pausa curta, como se fosse óbvio.


"E o Reino da Escuridão… nunca foi um alvo."


"Por causa de Daren."


"E isso não mudou."


O Curupira olhou para Zao Tian por um instante, mas não por provocação. Era só para marcar o último ponto.


"E Zaki era o Monarca da Luz…"


"O Reino da Luz era o maior exemplo de prosperidade e estabilidade daquele tempo."


"Não havia espaço para um novo conquistador naquele mundo."


Ele deixou essa frase assentada, porque, naquele cenário, a caça parecia… desnecessária.


E ainda assim…


"Mesmo com tudo isso." O Curupira disse: "Zaki decidiu que Pemma ainda era perigoso."


Jaha franziu o cenho, e o gesto parecia dizer: perigoso como?


O Curupira respondeu antes que a pergunta saísse.


"Ele falou em justiça." Ele disse: "Justiça pelos mortos."


"Justiça pelos escravizados."


A voz dele não carregava sarcasmo, mas carregava o peso do detalhe mais estranho: "Uma justiça por uma guerra que ele não viveu."


"Zaki não era nascido naquela época."


A frase soou como uma pedra caindo em água parada. Porque justiça, ali, parecia mais do que justiça.


Parecia uma necessidade.


Parecia uma compensação.


Parecia um homem tentando provar alguma coisa para o mundo… e para si mesmo.


"Ele declarou que Pemma devia ser eliminado." O Curupira continuou. E então veio o ponto central: "Aquela foi a primeira decisão questionável de Zaki diante do mundo externo."


O que Zaki fez não era apenas uma ação.


Era um anúncio.


Era um recado.


Era um teste público do que o Monarca da Luz achava que tinha direito de fazer.


O grupo sentiu isso.


Shara'Kala sentiu.


Zargoth sentiu.


Até Ming Xue, que raramente se deixava levar por política, entendeu que havia um perigo novo ali: Quando um símbolo de paz começa a decidir quem merece viver, a paz muda de significado.


"Alguns aplaudiram." O Curupira disse, e ainda reforçou: "E aplaudiram com força."


"Disseram que ele estava certo."


"Disseram que Pemma era uma sombra pesada demais para continuar viva."


"Disseram que a memória daquela guerra precisava finalmente perder o corpo."


Ele respirou.


"E muitos… queriam ver o Tirano morrer."


Isso era simples, afinal, esse tipo de vontade de justiça sempre encontra um aplauso fácil.


Mas o Curupira não parou aí.


"Outros ficaram preocupados." Ele disse: "E não porque gostassem de Pemma."


"Mas porque não viam sentido em caçar alguém derrotado."


"Em caçar um homem escondido."


"Em caçar um fantasma."


Jaha mordeu o interior da bochecha, como se o próprio cérebro tentasse entender o que havia por trás daquela necessidade.


Zao Tian permaneceu imóvel, mas o olhar dele parecia mais duro.


Não por empatia com Pemma, mas porque ele reconhecia o padrão.


O padrão de alguém que começa a justificar ações com palavras bonitas.


Zaki não era nascido naquela época, mas ele estava herdando aquela guerra como se fosse dele. Como se precisasse resolver algo velho para tapar um buraco que abriu dentro dele quando Gold virou as costas.


"Ele caçou Pemma por muito tempo." O Curupira continuou: "E essa caça virou uma comoção global."


"Metade do mundo queria ver ele vencer."


"Metade do mundo queria que ele parasse."


O Curupira não dramatizou.


Ele não precisava. Porque todo mundo ali conseguia enxergar a cena: O Monarca da Luz viajando, investigando, interrogando, forçando caminhos até um homem.


Enquanto isso, o mundo inteiro estava olhando para aquilo como se fosse um espetáculo, e, ao mesmo tempo, como se fosse um presságio.


"Durante a caçada, a devoção dentro do Reino da Luz cresceu." O Curupira disse: "E cresceu rápido."


"A melhora de vida era real."


"A prosperidade era visível."


"A estabilidade era constante."


E então veio a frase que doeu por ser precisa demais para definir para onde aqueles sentimentos levaram: "A admiração finalmente virou uma religião."


Zargoth pareceu se encolher por dentro ao ouvir isso.


Shara'Kala fechou a expressão, como se reconhecesse o perigo de um povo que para de admirar e começa a venerar.


"Zaki virou um protagonista global." O Curupira continuou: "E, com isso…"


Ele pausou por um segundo, antes de continuar: "Veio a migração."


"Pessoas de todos os lugares."


"Gente buscando abrigo."


"Gente buscando poder."


"Gente buscando fazer parte da nova era que Zaki estava construindo."


O Curupira olhou para o grupo, um a um, e completou: "E muitos foram para o Reino da Luz."


"Porque ali era onde o futuro parecia estar."


Depois daquele ponto, a consequência não demorou a vir.


"O nível de poder do Reino da Luz cresceu de forma expressiva." Ele disse: "Mais gente."


"Mais cultivo."


"Mais soldados."


"Mais influência."


O que o Curupira narrou era inevitável, pois quando a prosperidade e sensação de um líder forte começa a reinar, aquilo se transforma em um imã que atrai cada vez mais pessoas para essa realidade que está sendo vendida como um sonho.


E essa mesma concentração de pessoas vira uma ferramenta à disposição do líder.


Zaki, aos poucos, começou a perder o filtro.


Não foi de um dia para o outro. Foi como uma represa trincando. E, numa dessas trincas, o Curupira disse que o Monarca começou a falar o que antes ele só sugeria.


"Com tanta gente ao seu lado, ele começou a pregar abertamente…" O Curupira disse: "Que a relação de inimizade entre deuses e humanos tinha que acabar."


A frase caiu como um choque.


Não porque a ideia de paz fosse absurda, mas porque, vinda depois da partida de Gold…


Vinda depois do corte…


Vinda depois do choque…


Aquilo soava como uma mudança desesperada.


Era como se Zaki estivesse tentando provar, com a voz e com a fé, que o mestre estava errado.


"Ele dizia que, se todos aceitassem isso…" O Curupira continuou: "Nunca mais haveria guerra."


"Nunca mais haveria fome."


"Nunca mais haveria pobreza."


Jaha prendeu a respiração, não por encanto, mas porque ele percebeu a estrutura.


Aquela era uma promessa grande demais para caber em qualquer realidade.


Shara'Kala deixou escapar um ar de desconfiança.


Zargoth pareceu, pela primeira vez, temer o Reino da Luz mais do que temia qualquer exército. Porque aquilo… não era diplomacia.


Era doutrinação. 


E a doutrinação, quando vem de um homem amado como salvador, vira lei sem nem precisar ser escrita.


"O mundo ficou chocado." O Curupira disse: "Principalmente os líderes."


Ele olhou para Shara'Kala e Zargoth por um instante, não por acusá-los, mas porque eles eram líderes e sabiam o que aquilo significava.


"E muitos começaram a ter medo de se aproximar de Zaki."


"Medo de se aproximar do Reino da Luz."


A razão daquele afastamento era simples.


Eles não tinham medo de serem atacados, mas, sim, de serem contaminados por aquelas ideias absurdas.


Medo de que, ao chegar perto, as palavras de Zaki começassem a parecer… razoáveis.


Medo de que o que era prudência virasse covardia.


Medo de que o que era resistência virasse hesitação.


Medo de que, em algum ponto, discordar do Monarca da Luz virasse um pecado, também.


Depois de dizer aquilo, o Curupira ficou alguns segundos sem dizer nada. E, quando voltou a falar, a voz dele tinha a mesma calmaria de sempre, mas agora carregava algo que doía mais do que o ódio.


Um aviso.


"Foi assim que a areia movediça começou a puxar de verdade." Ele disse: "Com uma decisão que parecia justiça."


"Com uma caça que parecia proteção."


"Com uma promessa que parecia esperança."


Ele olhou para o grupo: "E, a partir daí… cada passo que Zaki deu parecia ter um bom motivo. Pelo menos para ele e para os que o seguiam."


A frase terminou sem um ponto final visível, porque todo mundo ali entendeu que, quando o bom motivo vira hábito, a linha já foi cruzada há muito tempo, e ninguém percebeu.




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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