Capítulo UHL 1209 - O Retorno
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O que veio depois daquela reunião entre Daren e os outros não foi uma guerra imediata. Foi algo mais lento, mais corrosivo, e por isso mesmo mais difícil de controlar, porque foi um clima de tensão constante.
Não havia um clima de ameaça aberta, com exércitos marchando e estandartes no horizonte, mas um de desconfiança que se infiltra nas conversas, nas rotas, nos tratados, nos convites e nas recusas. Aquele tipo de desconfiança que não explode; ela apodrece. E, quando apodrece o suficiente, qualquer gesto vira pretexto de suspeita, qualquer silêncio vira conspiração e qualquer tentativa de conciliação parece uma armadilha.
O Curupira deixou o grupo sentir isso antes de continuar, e a forma como ele olhava não era de quem estava narrando um drama; era de quem estava descrevendo uma doença social.
"Depois daquela reunião…" Ele disse, com a voz mais baixa, quase como se o passado tivesse ficado mais pesado com o tempo: "O mundo humano nunca mais ficou unido."
A frase parecia simples, mas o peso que ela carregava era enorme. Porque o mundo humano tinha sobrevivido ao Tirano, tinha sobrevivido a guerras que duraram gerações, tinha sobrevivido ao colapso de eras. E, ainda assim, era depois de uma reunião… depois de um pedido de assassinato… depois de uma votação… que a união apodreceu.
"Entre todos, se instaurou um clima de desconfiança corrosivo." O Curupira continuou: "E aquilo culminou no afastamento das nações umas das outras."
Ele não disse “por medo de Zaki” apenas. Disse por medo de tudo o que Zaki representava e pelo medo do que cada líder poderia fazer se, de repente, a necessidade moral começasse a justificar medidas extremas.
A reunião tinha deixado marcas invisíveis, pois o simples fato de Daren ter pedido permissão para matar um monarca humano amado tinha colocado uma pergunta na mente de qualquer liderança: se eles foram capazes de cogitar isso… do que mais seriam capazes?
"Eles começaram a evitar encontros." O Curupira explicou: "Evitar a proximidade. Evitar acordos. Evitar qualquer coisa que pudesse ser interpretada como uma forma de alinhamento."
Aquela era a natureza de um mundo que já tinha visto o que acontece quando símbolos viram armas. Só que, dessa vez, o símbolo era o próprio Zaki, e isso deixava tudo ainda mais perigoso, porque ninguém queria ser visto como “contra a paz”. Ninguém queria ser visto como “contra o Monarca da Luz”. Ninguém queria ser visto como o lado feio de uma história que, na superfície, tinha apenas promessas bonitas.
"Metade do mundo se afastou por prudência." O Curupira continuou: "E a outra metade… se afastou por medo de parecer prudente demais."
Jaha respirou lento, como se aquilo confirmasse uma coisa que ele já sabia desde antes: sistemas políticos desabam primeiro pelo fator simbólico, não pelo material. Geralmente, não é o alimento que acaba primeiro; é a confiança.
Ming Xue estava escutando com uma atenção focada, mas a forma como o olhar dela permanecia firme mostrava que ela entendia o que aquilo significava na prática: O isolamento cria delírios. E delírios, quando alimentados por fé e poder, viram leis marciais.
O Curupira então trouxe uma exceção, e ela importava exatamente por ser rara.
"Apenas Halfkor e Moira continuaram tendo algum grau considerável de proximidade." Ele disse: “O Rei Esmeralda e a Santa da Água, por mais diferentes que fossem em natureza e território, tinham algo em comum: ambos sabiam o que era carregar um mundo nas costas sem precisar se esconder atrás de um panteão ou de uma religião. Eles tinham força própria. Eles tinham um povo próprio. Eles tinham uma identidade que não dependia de aprovações externas.”
"E mesmo assim…" O Curupira acrescentou: “A proximidade deles já não era tão forte quanto antes."
“Era uma proximidade de vigilância mútua. De cautela. De presença. Era o tipo de laço que existe quando dois líderes entendem que, se ficarem sozinhos, um dia pode não existir mais um mundo para ser governado.”
Depois de dizer aquilo, o Curupira respirou, e então trouxe o ponto que fechava o círculo da manipulação.
"Loki contou para Zaki tudo o que aconteceu naquela reunião." Ele disse.
A frase fez o ambiente mudar de novo. Não por surpresa, porque aquilo era coerente demais para surpreender. Mas por confirmação: Loki não só assistiu. Loki transformou a informação em mais combustível a seu favor.
Zao Tian não piscou, mas o olhar dele ficou mais opaco, como se tivesse acabado de encontrar uma linha reta entre a infiltração e as consequências.
"Loki não contou a Zaki como um aviso neutro." O Curupira continuou: "Ele contou como uma prova."
"Uma prova de que os outros não confiavam em Zaki."
"Uma prova de que o mundo inteiro estava disposto a traí-lo."
"Uma prova de que a paz que ele pregava… era, para os líderes, apenas uma
ameaça com outra roupa."
O Curupira não dizia isso como se tivesse ouvido Loki falar. Ele dizia como uma análise de efeito. Porque, se Zaki já estava se afundando, nada seria mais eficiente do que colocar, diante dele, a certeza de que o mundo tinha considerado matá-lo.
Isso não traz alguém de volta à razão. Isso empurra alguém para o extremo.
"E isso afastou o Monarca da Luz ainda mais dos outros." O Curupira disse: "Não só dos líderes… mas da própria ideia de que ele devia explicações a alguém."
Aquele pensamento era perigoso, porque, naquele ponto, Zaki não estava apenas isolado. Ele estava convencido. E convicção, quando misturada com a fé popular e um poder crescente, vira uma espécie de permissão interna para agir sem freio.
"Depois de saber que cogitaram matá-lo, ele passou a agir sem filtro nenhum." O Curupira continuou: "Sem freio."
"Sem diplomacia."
"Sem paciência."
Ele deixou a lista curta, mas cada palavra era como um martelo: não havia mais moderadores. Não havia mais contrapeso. Se Halfkor e Moira ainda estavam por perto, era como duas mãos tentando segurar um homem que já tinha decidido correr para dentro do abismo. E, naquele cenário, tudo que restava era um pouco de tempo até a primeira demonstração pública do que Zaki chamava de justiça.
O Curupira fez uma pausa curta, e o grupo inteiro pareceu sentir o presságio do que vinha.
"Foi nesse meio tempo…" O Curupira disse: "Que Zaki encontrou Pemma Wangchuck."
A frase não veio com alarde, e talvez isso fosse o que mais incomodava, porque significava que a história não precisava de espetáculo para ser brutal. Ela apenas precisava de um encontro.
"O momento de mostrar a sua ‘justiça’ chegou." O Curupira concluiu, e a palavra justiça saiu com um tom tão neutro que parecia uma faca.
Ele então descreveu o início do confronto, e a forma como ele falou deixou claro que não foi uma batalha gloriosa. Foi uma invasão. Um ataque. Um cerco feito por um exército que acreditava estar fazendo o bem.
"O Bárbaro da Terra se defendeu do exército que o atacou." O Curupira disse.
A frase, por si só, já colocava a moralidade num lugar desconfortável: Pemma era um tirano derrotado, mas, naquele dia, foi atacado. E se defendeu.
"E ele massacrou todos." O Curupira continuou, mas o Curupira não parou no óbvio. Ele trouxe o detalhe que tornava tudo mais estranho.
"Contudo, enquanto lutava, Pemma estava diferente." Ele disse, antes de explicar: "Ele não tinha mais aquele velho prazer em matar."
A frase fez Ming Xue respirar um pouco mais fundo. Não por pena fácil, mas porque ela conhecia o peso da palavra prazer quando associada a matar. Quem mata por prazer é um tipo de monstro. Quem mata por desespero é outra coisa. E a diferença entre essas duas coisas muda o que significa justiça.
"Pemma estava chorando." O Curupira continuou, e o modo como ele disse “chorando” não foi para criar emoção; foi para declarar um fato que contradizia a imagem do Bárbaro Conquistador como um mito imutável.
"Ele queria ficar em paz." O Curupira explicou: "Ele queria parar de ser procurado."
"Ele queria apagar tudo o que fez."
"Mas aquilo era impossível."
A frase caiu como um golpe. Porque era verdade demais, e a verdade nunca é confortável. Não existe apagar. Existe carregar. Existe pagar. Existe tentar. E, naquele dia, Pemma entendeu uma coisa que todo tirano derrotado eventualmente entende: as sombras não desaparecem porque o tirano cansou de ser quem era.
"Naquele dia…" O Curupira disse: "Ele viu que as sombras do que ele fez o perseguiriam pelo resto da vida."
“O massacre terminou como terminam todos os massacres: com silêncio e corpos.”
E então veio a parte inevitável, a parte que não era mais sobre um exército, mas sobre um símbolo contra o outro. Porque Zaki não tinha ido até ali para ver soldados morrerem. Ele tinha ido para mostrar a sua justiça.
"Depois daquele massacre, Pemma foi atacado diretamente por Zaki." O Curupira disse.
"Pemma até se defendeu no começo." O Curupira continuou: "Por instinto."
"Por reflexo."
"Por sobrevivência."
"E depois…" O Curupira fez uma pausa curta, como se aquele detalhe fosse a quebra real da cena: "Ele se rendeu."
"Ele desistiu de lutar."
Zargoth apertou os dedos como se aquilo doesse. Shara'Kala manteve o olhar duro, mas, por dentro, parecia haver um incômodo genuíno. Porque um orc entende a rendição de um jeito específico: rendição é admitir que não há mais honra em resistir. Rendição é escolher carregar o peso em vez de morrer lutando só para manter uma imagem.
“E Zaki… não aceitou aquilo como uma rendição. Ele aceitou como uma oportunidade.” O Curupira falou, antes de completar: "Zaki não teve misericórdia."
Ao terminar de dizer aquilo, a voz dele não carregou raiva, e a ausência de raiva era o que tornava aquilo pior. Porque significava que Zaki não estava “fora de si”. Ele estava dentro de si. Ele estava convencido.
"Ele mataria Pemma naquele dia." O Curupira concluiu: “E, por um segundo, parecia que nada poderia interromper aquela execução.”
Foi então que o Curupira disse a frase que, por si só, parecia impossível: "Mas foi nesse momento… que Gold reapareceu."
"Depois de anos sem dar as caras." O Curupira acrescentou.
A frase carregava o absurdo: o homem que tinha dado as costas para a criação inteira resolveu aparecer… no exato instante em que Zaki ia executar a sua justiça contra um dos maiores monstros que a humanidade já conheceu.
"Ele impediu Zaki." O Curupira disse.
Depois, o Curupira então explicou o motivo, e essa parte era a verdadeira ruptura do dia: "Gold viu sinceridade no arrependimento de Pemma."
A frase, como foi dita, não absolvia Pemma. Não apagava os mortos. Não apagava a escravidão. Apenas dizia que, naquele instante, Gold não viu um tirano. Viu o que restou dele.
"E ele aceitou a promessa de Pemma de nunca mais matar." O Curupira continuou, antes de prosseguir: "E colocou Pemma sob a asa dele."
A imagem era forte demais, e foi exatamente por isso que o grupo sentiu o peso: Gold não estava escondendo Pemma. Ele estava fazendo uma declaração.
"Ele jurou para o mundo inteiro…" O Curupira disse, e a voz dele ficou ainda mais fria, como se reproduzisse um tipo de fala que não precisa de emoção porque já é maior que qualquer emoção: "Que quem tocasse naquele homem, enquanto ele vivesse uma vida de redenção, teria que se ver com ele."
A ameaça, dita assim, não parecia ódio. Parecia uma lei natural. Parecia uma regra do universo: encoste e morra.
O Curupira então virou a lente para Zaki, e aí veio o ponto que doeu mais do que qualquer morte do dia.
"Naquele dia, Gold tratou Zaki com um profundo desprezo." Ele disse.
A palavra desprezo já tinha aparecido antes, naquele olhar em que Gold virou as costas no Reino da Luz. Só que agora o desprezo não era silencioso e íntimo. Agora ele era público. Era uma confirmação diante do mundo inteiro de que o laço estava morto.
"Ele praticamente não falou com Zaki." O Curupira continuou: "Ele não discutiu."
"Ele não tentou convencer."
"Ele não tentou resgatar nada."
O Curupira fez uma pausa e concluiu com uma crueldade que não vinha de uma intenção cruel, mas da realidade dos fatos: "Era como se Zaki nem estivesse ali."
"Como se ele fosse um qualquer."
Jaha, ao escutar aquilo, ficou com o olhar fixo num ponto vazio, como se estivesse imaginando a cena e entendendo o impacto político e psicológico dela.
"O tom das ameaças de Gold era tão frio que parecia impessoal." O Curupira disse: "Era como se ele estivesse falando com o mundo… e Zaki fosse só um obstáculo no caminho da frase."
"E foi nesse momento que Zaki viu Gold se colocar contra ele de novo. Impedindo-o de fazer o ‘certo’."
O Curupira não disse aquilo como se concordasse com Zaki. Ele disse como fato psicológico.
Zaki acreditava. Zaki realmente acreditava que estava fazendo o correto. E ver Gold, o único homem que podia dizer “não” para ele sem precisar de apoio, se colocar entre ele e a execução… foi um tipo de humilhação que não produz reflexão. Produz obsessão.
E se Gold reapareceu e escolheu ficar contra Zaki, então a catástrofe deixou de ser uma previsão distante, porque aquele homem que Zaki admirava se tornou, naquele dia, seu inimigo.
