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Capítulo UHL 1210 - Uma Ponte Perigosa

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Tenham uma boa leitura!]


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O que aconteceu no encontro entre Gold e Zaki foi o tipo de evento que cria raízes. E o Curupira observou o grupo por alguns instantes, como se medisse o quanto daquilo ainda estava sendo absorvido e o quanto já tinha virado certeza. E, quando voltou a falar, a voz dele tinha a mesma cadência de antes, mas agora carregava um peso diferente, porque o que vinha a seguir não era mais sobre o mundo reagindo a Zaki. Era sobre Zaki reagindo ao mundo. E, em especial, reagindo a Gold.


"Depois daquele dia…" Ele disse: "O Monarca da Luz ficou ainda mais sombrio."


A palavra sombrio não foi usada como metáfora poética. Foi usada como um diagnóstico. Zaki não ficou apenas irritado, nem apenas humilhado. Ele ficou comprometido com um sentimento que ele decidiu nutrir, como se fosse um combustível que não podia se perder. Aquela frustração não evaporou com o tempo, porque ele não quis que evaporasse. Ele a transformou numa espécie de disciplina interna.


"Ele foi impedido." O Curupira continuou: "Publicamente. Por alguém que ele ainda chamava, por dentro, de mestre… mesmo quando fingia que já não chamava."


A frase não era uma gentileza com Zaki. Era crueldade com a verdade. Porque o que Gold fez naquele dia não foi apenas impedir uma execução. Foi mostrar ao mundo que ele não reconhecia mais Zaki como alguém digno de diálogo. Foi fazer Zaki sentir, pela segunda vez, a mesma coisa que o corte no Reino da Luz tinha causado: o mundo se mover sem ele. Como se ele não fosse mais o centro moral de nada.


"E esse desprezo…" O Curupira disse: "Criou nele um objetivo muito claro."


Ele então olhou para Zao Tian por um instante, e depois para Jaha, como se soubesse que os dois entenderiam antes de qualquer um.


"Ultrapassar Gold."


A frase veio direta, e o ar pareceu endurecer por um segundo. Porque "ultrapassar" não era um desejo inocente. Era uma forma de ambição absoluta. Era um tipo de meta que transforma o resto do mundo em um detalhe. E o Curupira continuou, colocando o motivo no lugar exato, onde ele se tornava mais perigoso do que qualquer vingança.


"Não para humilhar." Ele disse. "Não apenas para provar."


"Mas para tornar real o que ele idealizou."


Aquela era a essência do problema. Zaki não queria vencer uma pessoa. Ele queria vencer um obstáculo que existia dentro da própria realidade. Ele queria ser o homem que faz a história dobrar. E, quando alguém começa a pensar assim, tudo se torna justificável.


"Ele começou a treinar e avançar com um ritmo que ninguém entendia." O Curupira continuou: "Um foco que não era só grande… era insano."


A palavra insano era uma forma de dizer que não havia mais equilíbrio. Era o tipo de foco que não deixava espaço para descanso, para dúvida, para amizade, para paciência. Era um foco que devora todo o resto. E o Curupira não descreveu aquilo como uma forma de superação admirável. Descreveu como um sinal de que a cabeça de Zaki estava sendo moldada pelo próprio crescimento.


"A frustração deu a ele ambição suficiente para acelerar o próprio caminho marcial." Ele disse: "E a velocidade… começou a mudar a forma como ele se enxergava."


Jaha inclinou o rosto, quase imperceptivelmente, como se a frase encaixasse numa lógica que ele já conhecia: quanto mais poder alguém acumula, mais fácil é confundir possibilidade com destino. E, quando a solidão e o culto entram na equação, o erro deixa de ser um risco e vira uma certeza.


"À medida que crescia mais e mais…" O Curupira continuou: "Zaki começou a se ver como um candidato a novo ser supremo."


A expressão de Shara'Kala não mudou, mas a tensão no corpo dela aumentou. Para um orc, a ideia de "ser supremo" não era filosofia. Era uma hierarquia real. Era um poder que decide o que é certo sem pedir permissão. E, naquele mundo, já existia um Pai de Todos. Já existia um Reino Divino. A ideia de um humano se ver como candidato a isso era, por si só, um presságio de guerra absoluta.


"Ele começou a acreditar que era um escolhido pelo destino." O Curupira disse: Não foi uma crença que nasceu do nada. Ela nasceu de um conjunto de evidências que, para um homem isolado, pareciam inevitáveis: o Reino da Luz prosperava, o povo o venerava, o caminho marcial se abria para ele numa velocidade anormal, e os líderes humanos tinham se afastado, como se fossem pequenos demais para acompanhá-lo. Quando um homem assim olha para o mundo, ele não enxerga mais relações. Ele enxerga sinais.”


"E ele começou a se enxergar…" O Curupira completou: "Como aquele que alcançaria, sem sombra de dúvidas, o topo."


“Não era esperança. Era certeza. E certeza, nesse nível, não é motivação. É um delírio funcional.”


Depois de dizer aquilo, o Curupira fez uma pausa curta, porque agora o grupo conseguia ver a trajetória completa: Zaki não estava apenas caindo. Ele estava subindo… errado. Ele estava crescendo… torto. Ele estava se tornando maior… e mais vazio.


"E o mundo humano…" O Curupira disse em seguida: "Ajudou a empurrá-lo."


Ele não culpou as nações por se afastarem. Ele apenas colocou o efeito no lugar certo: quando líderes se afastam de um símbolo, o símbolo para de ter contradição. Para de ter diálogo. Para de ter limite. E, no caso de Zaki, esse isolamento foi o presente perfeito para Loki.


"Sem aliados no mundo humano…" O Curupira continuou: "Zaki deu a Loki a oportunidade que ele queria desde o começo."


A voz dele ficou mais fria: "Entregar as chaves do Reino da Luz nas mãos do Pai de Todos."


A frase não era uma metáfora bonita. Era literal no sentido político e espiritual. Porque, ao cortar laços com o mundo humano, Zaki deixou um espaço vazio onde a influência precisava entrar de algum lugar. E Loki entrou.


"Loki empurrou Zaki para o Reino Divino." O Curupira disse.


Ele não disse "guiou". Não disse "conduziu". Disse empurrou. Porque, naquele ponto, não era uma viagem diplomática. Era uma substituição de referências. Zaki estava trocando o mundo humano pelos deuses. Estava trocando a prudência por aplausos. Estava trocando contrapesos por validação.


"E, aos poucos…" O Curupira continuou: "Os deuses passaram a ser aliados e amigos."


Jaha apertou a mandíbula. Ming Xue permaneceu em silêncio, mas o olhar dela endureceu um pouco, como se aquela palavra, amigos, soasse como a pior mentira do universo naquele contexto. 


"Até que um dia…" O Curupira disse, e a pausa antes da frase foi diferente, mais lenta, como se ele reconhecesse o tamanho do marco: "Zaki foi o segundo humano em toda a história a pisar no Reino Divino."


O ar pareceu parar.


O Curupira não dramatizou mais do que isso, porque não precisava. O fato era pesado o suficiente. Não era uma visita qualquer. Era uma quebra de fronteira. Era um reconhecimento. Era um gesto do panteão dizendo: este homem é útil.


"Ele foi convidado." O Curupira continuou: "Assim como Gold foi um dia."


E então ele cravou o detalhe que colocava a cena acima de qualquer diplomacia comum: "Pelo Pai de Todos, em pessoa."


Zargoth engoliu em seco. Shara'Kala manteve o rosto rígido, mas os olhos dela pareciam mais atentos do que nunca, porque a ideia de Odin convidar um humano era uma declaração de respeito. E a história já tinha mostrado o que acontece quando os deuses decidem que um humano merece atenção.


"Eu estava lá naquele dia." O Curupira disse, e a frase veio sem orgulho. Sem vaidade. Só como um posicionamento de testemunha. E ele acrescentou, de imediato, o que importava: "Mas eles conversaram sozinhos por um longo tempo."


"Zaki e o Pai de todos."


A forma como o Curupira falou "sozinhos" fez o ambiente ficar ainda mais tenso, porque todo mundo ali entendeu o que isso significava: nenhum deus menor, nenhum grande deus, nenhum aliado, nenhum intermediário. Não houve filtro. Não houve testemunha. Não houve registro confiável. Foi um encontro de vontades.


"Nem Krishna esteve presente." O Curupira acrescentou, e essa frase tinha um peso próprio, porque Krishna era a barreira. Era o tipo de presença que impede coisas de acontecerem sem controle. 


O fato de Krishna não estar ali significava que Odin queria liberdade. Queria intimidade. 


"E até hoje…" O Curupira concluiu: "O que eles conversaram permanece um mistério."


Ele não disse isso como se fosse um segredo divertido. Disse como se fosse a peça mais perigosa da história inteira.


Contudo, o Curupira não deixou o grupo preso no vazio da falta de informação. Ele trouxe algo que ele viu, algo que ele podia afirmar com precisão.


"Há uma coisa que eu deixo frisado." Ele disse: "Zaki suportava a aura esmagadora do Pai de Todos… de forma bastante tranquila."


A frase caiu como uma pedra. E, desta vez, até Jaha pareceu se inclinar por dentro, porque aquilo não era um detalhe. Era uma escala. Era o tipo de evidência que colocava aquele homem fora do alcance da maioria dos cálculos humanos.


"Isso mostrava que, naquela altura do tempo…" O Curupira continuou: "Ele já era superior aos Grandes Deuses."


"Mesmo fortalecidos pelo canibalismo."


Zao Tian manteve o rosto firme, mas havia algo de quase ácido no silêncio dele. Porque, para ele, aquilo só confirmava o que sempre foi verdadeiro: o panteão não respeita ninguém. Ele usa. E, se Zaki já era superior aos Grandes Deuses, então Zaki era o instrumento perfeito… e também o risco perfeito.


"O próprio panteão tinha dificuldade de sustentar-se por muito tempo perto do Pai de Todos sem a intervenção das barreiras de Krishna." O Curupira disse


O grupo trocou um olhar rápido, e naquele olhar havia medo puro, porque, se aquilo era verdade, então a reunião em que Daren pediu permissão para matar Zaki não tinha sido um exagero. Tinha sido uma previsão.


O Curupira prosseguiu: "E quando a conversa terminou… houve uma aproximação ali."


Ele não explicou como. Não explicou o tom. Não explicou o conteúdo. Mas a palavra aproximação era suficiente. 


"Zaki foi declarado, pelo próprio Pai de Todos, um aliado dos deuses." O Curupira continuou.


Aquele título, dito assim, parecia simples. Mas ele carregava o tipo de peso que mudava tudo. Porque se Zaki era aliado dos deuses, então o Reino da Luz deixava de ser apenas um reino humano e passava a ser uma extensão do panteão.


O Curupira continuou: "Sob aquele título, Zaki recebeu apoio do panteão para tudo que precisasse."


O Curupira falou aquilo com frieza, e talvez fosse frieza demais para ser só um relato. Parecia um tipo de nojo contido, porque ele sabia o que aquilo significava no xadrez dos deuses: Zaki virou um selo vivo. Um selo de legitimação. Um humano que fazia o panteão parecer razoável de novo.


"Ele chegava a dar ordens a alguns Grandes Deuses." O Curupira continuou: "E ninguém questionava. Porque ele estava sob o aval do Pai de Todos."


A frase terminou como uma sentença de hierarquia. E, naquele instante, o grupo inteiro conseguiu enxergar a cena com uma clareza brutal: deuses que, antes, olhavam humanos como brinquedo… agora aceitavam receber ordens de um humano, porque, se Zaki carregava o aval de Odin, então obedecer a Zaki era o mesmo que obedecer a Odin.


"Depois disso…" O Curupira disse: "Zaki passou a frequentar o Reino Divino."


"E alguns deuses passaram a frequentar o Reino da Luz."


Esse era o tipo de troca que parece bonita para quem não entende o que estava acontecendo. Parecia integração. Parecia uma sociedade. Parecia o sonho pregado por Zaki. E, no entanto, a forma como o Curupira falava deixava claro que aquilo era uma infiltração oficial. Era o panteão entrando pela porta da frente, com bênção e aplausos.


"Os deuses supriam todas as necessidades do Reino da Luz." O Curupira continuou: "Tornando aquele lugar cada vez mais próspero."


"Mais pacífico."


"Mais parecido com um paraíso."


"Mas por baixo dessa máscara…" O Curupira disse, e a voz dele ficou um pouco mais rígida: "Zaki escondia outra coisa..."


"Ele acreditava que a máscara era a personalidade verdadeira." O Curupira frisou, porque, na visão dele, Zaki não estava fingindo para manipular. Ele estava se convencendo. Ele estava apaixonado pela própria imagem. E essa é a forma mais estável de arrogância: aquela que se acha moral.


"Por baixo do idealista…" O Curupira disse: "Crescia uma personalidade cada vez mais arrogante."


"Mais narcisista."


"Mais certa de si."


Aquelas palavras não vieram como insulto. Vieram como uma descrição de evolução. E o Curupira não precisou dizer mais nada para que o grupo entendesse que, quando um homem se vê como escolhido, quando ele é tratado como aliado dos deuses, quando ele dá ordens a Grandes Deuses e ninguém questiona, quando ele transforma o próprio reino num paraíso sustentado pelo panteão… a ideia de humildade morre sem fazer barulho.


Zao Tian permaneceu em silêncio, mas naquele silêncio havia uma linha firme. Porque ele conseguia ver o fim desse processo com clareza suficiente para sentir nojo antes mesmo de acontecer. Zaki tinha sido empurrado para o Reino Divino, e lá encontrou a validação perfeita para o delírio perfeito. E, ao aceitar aquilo, ele não só se distanciou do mundo humano.


Ele se colocou acima dele.


O Curupira respirou de novo, como quem se prepara para continuar, e a última frase que ele deixou antes da próxima etapa carregava o peso de um aviso que já estava atrasado.


"Foi assim que o Reino da Luz deixou de ser apenas um reino." Ele disse, antes de completar: "E virou uma ponte."


"Uma ponte para os deuses voltarem a caminhar entre os humanos… sem precisar de guerra."


"Sem precisar de conquista."


"Sem precisar derramar sangue."


Ele então concluiu: "Porque o sangue… viria depois. Quando ninguém mais conseguisse lembrar qual foi o primeiro passo que deixou isso parecer aceitável."



O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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