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Capítulo UHL 1211 - Paralelos

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Tenham uma boa leitura!]


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O Curupira ficou alguns segundos quieto depois de dizer que o Reino da Luz tinha virado uma espécie de ponte que os deuses usaram para entrar em Decarius.


Aquela pausa se fez necessária, pois o narrador sabia que, a partir dali, a história deixaria de ser uma sequência de eventos e viraria um período inteiro de tempo acumulado. 


Agora, viraria uma era.


"Passou muito tempo desde aquele dia." Ele disse, por fim.


Agora, a voz dele estava mais baixa, como se ele tivesse que diminuir o volume para caber em séculos sem transformar aquilo em um resumo apressado. E o grupo, por instinto, ficou ainda mais quieto, porque todo mundo entendeu o que significava um deus falar de tempo dessa forma: não eram anos. Não eram décadas. Era o tipo de duração que muda gerações.


"Foram séculos de contato entre os deuses e o Reino da Luz." O Curupira continuou.


Ele não descreveu esse contato como guerra. Também não descreveu como um paraíso perfeito. Ele descreveu como algo que, na superfície, parecia funcionar bem demais para alguém de fora não suspeitar. Os deuses iam e vinham. O Reino da Luz se mantinha estável. O povo vivia com abundância. E a paz interna parecia quase inquebrável.


"E eles pareciam viver bem." O Curupira disse.


"Zaki era cada vez mais querido pelo seu povo." Ele continuou, e a palavra querido, ali, era uma forma de retrato. Porque o amor, em larga escala, não é neutro. 


Zao Tian permaneceu calado, mas o olhar dele, fixo, denunciava que ele não estava ouvindo aquilo como quem escuta um relato distante. Ele estava montando, peça por peça, um mecanismo. Jaha, por sua vez, acompanhava como alguém que enxerga o desenho estrutural de uma sociedade sendo moldada por décadas até virar aquilo que não reconhece mais.


"O isolamento…" O Curupira disse: "Fez o resto."


"Sem contato real com as nações exteriores…" O Curupira continuou: "O povo do Reino da Luz foi se desligando completamente de tudo ao redor."


O que ele citou não foi um desligamento brusco. Foi um processo lento. E processos lentos eram mais assustadores, porque eles crescem com raízes fortes. 


"Por gerações." Ele disse. E repetiu, para cravar a ideia: "Por gerações."


A palavra “gerações” ali não significava apenas filhos e netos. Significava uma população inteira crescendo sem uma referência externa, crescendo acreditando que o mundo era aquilo que via, e que o resto era rumor.


"Eles passaram a enxergar o Reino da Luz como se fosse a única coisa que existisse no mundo." O Curupira disse.


A frase soou absurda, mas ao mesmo tempo inevitável. Se tudo que alguém conhece é prosperidade, conforto, presença divina e um líder tratado como escolhido, então a própria ideia de que existem outros modos de viver vira coisa de selvagem, de atrasados, de ignorantes.


"E como eles viam, por gerações, as maravilhas que tinham lá…" O Curupira continuou: "E que os outros provavelmente não tinham…"


"Eles passaram a chamar os externos de 'selvagens'."


O termo pareceu sujar o ar.


Ming Xue não reagiu com expressão, mas a forma como ela respirou, silenciosa e firme, foi carregada, porque, chamar alguém de selvagem é o primeiro passo para justificar qualquer coisa contra esse alguém. 


Não é só uma palavra. É uma permissão social.


"Selvagens." O Curupira repetiu, como se quisesse que o grupo sentisse a textura do desprezo contido ali: "E isso… Não nasceu do povo sozinho."


"Foi consolidado." O Curupira continuou. "Alimentado."


"Guiado."


Ele olhou para Zao Tian e Jaha, e não havia dúvida de que o alvo daquela frase era Zaki.


"Zaki moldou o comportamento do Reino da Luz com a mesma maestria com que moldava o próprio caminho marcial." O Curupira disse.


A comparação não era poética. Era funcional. Zaki tinha disciplina para crescer. E ele usou essa disciplina para moldar o mundo ao redor. 


Ideais viraram hábitos. Hábitos viraram cultura. Cultura virou religião. E, quando essa religião vira uma nova forma de cultura, o pensamento contrário vira heresia antes mesmo de ser transformado em palavras.


"Ele acreditava que estava construindo o melhor lugar possível." O Curupira disse: "E esse era o perigo. Porque o tirano mais estável não é aquele que sabe que é um tirano. É aquele que se convence de que é um salvador.” 


Enquanto o Curupira falava, o grupo parecia ver o Reino da Luz como uma coisa viva, crescendo por dentro, isolada do resto do mundo, alimentada por deuses e pelo culto, e começando a produzir uma geração inteira de pessoas que não conheciam nada além daquele céu.


"Enquanto isso…" O Curupira disse, e a mudança de foco foi tão precisa que parecia um bisturi. "Pemma Wangchuck viveu um novo caminho."


A menção de Pemma naquele ponto criou um contraste involuntário. Porque Pemma tinha sido o monstro da era antiga. E Zaki era o santo que o mundo tinha amado. Só que o Curupira estava prestes a inverter o peso simbólico dos dois.


"Ele viveu uma redenção." O Curupira continuou: "E, dessa vez… foi real."


A frase não absolvia os crimes de Pemma, mas declarava algo que o grupo inteiro já tinha ouvido antes, e que agora voltava como uma consequência concreta: Pemma cumpriu a promessa.


"Como ele prometeu naquele dia… ele nunca mais matou." O Curupira disse. E então ele descreveu o que isso significava na prática.


"Pemma viveu praticamente como um monge." Ele disse: "Vagando de um lugar para o outro… Buscando ajudar naquilo que podia."


A imagem era quase ofensiva para quem tinha vivido sob o nome do Tirano. Mas era exatamente por isso que importava. A redenção real não é confortável. Ela é humilhante. Ela não parece épica. Ela parece pequena e persistente.


"Um homem daqueles era capaz de erguer uma cidade inteira em minutos." O Curupira continuou, e a frase carregava uma escala absurda: alguém capaz de mover o mundo com as mãos… escolhendo viver como um andarilho. Escolhendo não usar o seu poder como uma ferramenta de domínio, mas como uma ferramenta de reparo.


"E mesmo assim…" O Curupira disse: "Havia quem não aceitasse nenhuma ajuda dele."


Ele não disse isso com indignação. Disse como fato inevitável, porque o perdão não é uma obrigação. O trauma coletivo não se dissolve só porque o culpado cansou de ser culpado.


"A maioria das pessoas daquele tempo sequer viveu na era de conquista de Pemma." O Curupira continuou: "Mas por causa do que seus antepassados sofreram… Ele ainda era enxergado como um demônio."


"E mesmo quando era hostilizado…" O Curupira disse: "Pemma não revidava."


“Ele poderia esmagar qualquer um com um movimento de mãos.”


“Poderia.”


“Mas não fazia.”


"Mesmo que cuspissem no rosto dele…" O Curupira continuou: "Ele baixava a cabeça."


"Pedia desculpas."


"E seguia."


A cena que ele descreveu não era bonita. Era humilhante. Era o que resta quando alguém tenta pagar uma dívida que não tem valor numérico. 


Pemma não buscava aceitação. Buscava coerência com a promessa. E, naquele contraste, o Curupira encaixou a frase que fazia o paralelo encaixar.


"Foi assim que o mundo assistiu…" Ele disse: "Um tirano se tornando um santo…"


"E um santo se tornando um tirano."


Aquela frase ficou no ar, pesada.


Zao Tian não mudou de expressão, mas a mente dele pareceu se mover. Porque, naquele instante, ele enxergou o tipo de ironia que o universo gosta de construir: um homem que matou por prazer aprendendo a carregar culpa, e um homem que pregava paz aprendendo a carregar arrogância.


“Enquanto isso acontecia, o resto do mundo não ficou parado.” O Curupira continuou: “Pelo contrário… Ele ficou inquieto por tempo demais.”


"Os exércitos cresceram pelo mundo afora." 


Ali, ele falou sobre a consequência psicológica de viver sob uma ameaça constante.


"Todas as principais nações temiam, o tempo inteiro, o dia em que Zaki marcharia contra elas." Ele completou.


“E esse medo não produzia só defesas. Produzia paranoia. Produzia alianças frágeis. Produzia espionagem. Produzia corridas de cultivo. Produzia ambições desesperadas.”


"Porque ninguém sabia quando." O Curupira disse: "Ninguém sabia se."


"Eles só sabiam que a possibilidade existia."


Em sociedades, uma possibilidade constante vira uma realidade psicológica. As pessoas começam a agir como se já estivesse acontecendo, porque não agir parece uma forma de ingenuidade mortal.


Foi então que o Curupira trouxe Odin de volta para a conversa, não como uma figura distante, mas como a mente que acreditou, por um tempo, que tinha vencido o destino.


"O Pai de Todos…" O Curupira disse: "Naqueles dias, parecia menos atormentado."


A frase, por si só, era estranha. Odin e tranquilidade raramente existiam na mesma frase sem uma provável tragédia.


"A visão do Fim dos Tempos… parecia não persegui-lo mais." O Curupira continuou.


"Por muito tempo…" O Curupira disse: "Ele pensou que tinha impedido esse destino."


A cena era clara: se os humanos estavam sendo “controlados” através do Reino da Luz, se Zaki era aliado dos deuses, se a prosperidade parecia estável e a humanidade parecia ter um vigia… então Odin poderia achar que o medo do fim dos tempos tinha sido resolvido.


Contudo, o destino não se engana por muito tempo. E o Curupira falou a próxima frase como quem coloca a mão em uma ferida que nunca fechou.


"Mas um dia…" Ele disse: "A visão voltou."


“Não voltou diferente.”


“Não voltou mais fraca.”


“Voltou igual.”


"O Pai de Todos viu exatamente aquele futuro de novo." O Curupira continuou: "Onde tudo acabava."


A frase foi curta, mas o efeito foi enorme, pois significava que toda a estratégia de séculos… podia ser só uma ilusão de controle.


"Aquilo deixou o Pai de Todos transtornado." O Curupira disse: "Preocupado."


"Ele tinha seus motivo para ficar daquele jeito, porque, de alguma forma que só ele podia sentir…" O Curupira continuou, e a voz dele ficou ainda mais grave: "Ele sabia que o seu próximo sono estava perto."


A palavra sono, ali, naquele contexto de mundo e da história, tinha a forma de uma bomba relógio. 


Tudo de ruim acontecia enquanto ele dormia.


Se Odin dormisse, a vigilância do panteão desaparecia. Se Odin dormisse, o jogo ficava nas mãos de outros deuses… e de um humano chamado Zaki que, naquele ponto, já se via como um escolhido do destino.


"Ele sabia que, ao dormir…" O Curupira explicou: "O início do fim teria uma chance de acontecer sem ele lá para impedir."


Naquele ponto da história, o grupo ficou ainda mais sério, porque agora a linha que ligava tudo estava exposta.


Foram séculos de uma ponte construída com prosperidade, lavagem cerebral e presença divina… e, ainda assim, o destino que Odin temia retornava como uma maldita visão. Como uma sentença. Como um aviso de que os seus esforços e planos nunca foram suficientes.


Zao Tian não falou, mas a quietude dele, naquele momento, era diferente. Era um tipo de entendimento frio e realista que sabia se colocar no lugar do inimigo.


Se Odin viu o fim dos tempos acontecer e sabia que estava prestes a voltar para o seu sono, então era tudo ou nada. 


Ou ele resolvia o problema do jeito que fosse necessário, custe o que custar, ou ele poderia nem acordar mais.


Se estivesse no lugar dele… Zao Tian faria isso.



O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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