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Capítulo UHL 1218 - A Dor Mais Profunda 2

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Tenham uma boa leitura!]


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O silêncio que veio depois daquela revelação tinha densidade.


Zao Tian ainda tremia, com o rosto molhado e a garganta apertada, como se estivesse respirando através de uma ferida. A declaração de pesar tinha saído dele num impulso que não parecia dele, e, no instante em que as palavras escaparam, a própria ideia de “pesar” pareceu pequena demais para caber no que estava acontecendo dentro do peito.


O grupo inteiro entendeu sem precisar de explicação.


A maioria deles já sabia, havia tempo demais, que Gold coabitava naquele corpo


Ming Xue foi a primeira a perder o controle.


Ela não fez um som alto, mas os olhos dela encheram e o ar que entrou não saiu do mesmo jeito. O rosto dela endureceu num esforço inútil de segurar, e então ela apenas deixou as lágrimas caírem, como se qualquer resistência fosse uma forma de desrespeito a uma dor que não era dela e, ainda assim, estava esmagando tudo ao redor.


Gu Ren baixou a cabeça. A mão dele fechou e abriu duas vezes, sem propósito, como se tentasse segurar alguma coisa que não existia ali. Quando ele ergueu os olhos de novo, estavam vermelhos, e havia uma indignação na forma como ele respirava, como se cada expiração fosse um esforço para não quebrar junto.


Kyon ficou imóvel por alguns segundos longos, encarando Zao Tian como se tentasse encontrar no rosto dele um ponto de ancoragem, um lugar onde pudesse dizer algo útil. 


Ele não encontrou. E quando percebeu que não existia frase que resolvesse aquilo, o próprio Kyon piscou devagar e as lágrimas vieram, silenciosas, sem o menor espetáculo.


Ryuuji apertou os lábios, com os ombros tensos e o olhar fixo no chão como se o chão fosse mais suportável do que encarar o que estava acontecendo. Mas o ar no peito dele começou a falhar do mesmo jeito, e, no momento em que o soluço quase escapou, ele apenas deixou sair, sem fingir força, pois aquilo não era uma cena para se manter inteiro.


Ming Xiao passou a mão no rosto, uma vez, duas, como se pudesse apagar a sensação de impotência. A mão dele tremeu, e, quando ele respirou fundo, foi tarde. 


A expressão dele se quebrou, e ele chorou, com um tipo de vergonha que vinha não de fraqueza, mas de não ter feito nada, nunca, para impedir que alguém como Gold tivesse passado por aquilo.


Hildeval tentou sustentar o papel que sempre sustentava, o de rocha, o de âncora, o de alguém que aguenta para o resto poder cair. Ficou ereto, olhou para frente, manteve o maxilar duro. Mas a tentativa durou pouco, pois os olhos dele ficaram úmidos e, quando uma lágrima escorreu, ele não limpou. Deixou cair. 


Ele entendia o que aquilo significava melhor do que queria admitir: o ser mais forte que já existiu, o ser que dobrou o universo, tinha sido o ser que mais sangrou por dentro, e não havia força que salvasse alguém disso.


Singrid ficou com os olhos fixos em Zao Tian como se estivesse observando um ferimento aberto.


Ela não chorou imediatamente. Ficou com a respiração curta, os dedos juntos, a postura tensa. E então, quando o choro de Zao Tian ficou mais forte, como se o corpo dele estivesse perdendo a batalha contra a própria dor, Singrid deixou escapar um som baixo e os olhos dela encheram. As lágrimas vieram com uma espécie de fúria, como se ela estivesse chorando não apenas por compaixão, mas por revolta contra o fato de que alguém pode sofrer daquele jeito e o universo ainda continuar existindo.


Ragnar desviou o olhar para o lado, não por indiferença, mas porque a expressão dele ficou perigosa. Havia uma raiva crescendo junto com a tristeza, uma raiva que ele não sabia colocar em lugar nenhum naquele instante. Ele respirou forte, uma vez, duas, e o rosto dele ficou úmido sem que ele percebesse.


Gins tentou dizer alguma coisa e não conseguiu. A boca abriu, fechou, e então ele apenas ficou ali, com os olhos cheios, olhando para Zao Tian como se estivesse pedindo perdão por não ter sido capaz de proteger alguém que ele nem conheceu, mas que, de algum jeito, parecia agora parte da vida deles todos.


Jaha encostou a mão no próprio peito, como se sentisse uma dor física. Ele não tinha palavras. Nunca teve quando o assunto era esse tipo de perda. Então ele só ficou de pé, engolindo o ar com dificuldade, e chorou com o rosto duro, como se estivesse tentando não desmoronar, e desmoronando mesmo assim.


Cruz permaneceu rígido por mais tempo do que os outros. O orgulho dele, ou o instinto de não demonstrar, ainda tentou segurar. Mas o olhar dele estava diferente. Não era o olhar do julgamento, nem o olhar do desafio. Era um olhar de impotência, e a impotência, para Cruz, sempre foi mais difícil de suportar do que a dor.


Ele se aproximou um passo, lento, como se estivesse entrando num lugar sagrado onde não se pisa sem cuidado. Olhou para Zao Tian, viu o rosto do amigo tomado por um choro que não era dele, e entendeu de vez que a dor que vazava ali não era uma dor qualquer. Era a dor de Gold atravessando um corpo novo como se o corpo novo fosse papel.


Cruz não tocou em Zao Tian. A vontade veio, mas ele não tocou. Ele apenas ficou perto o suficiente para estar presente e longe o suficiente para não invadir.


E então ele chorou também.


Foi quando o grupo inteiro, quase ao mesmo tempo, começou a chorar junto, que o ambiente mudou de vez. Não era mais apenas Zao Tian sendo esmagado por algo interno. Era um luto coletivo, uma empatia tão pesada que parecia uma extensão do próprio Gold, como se a dor dele, por um instante, tivesse encontrado testemunhas verdadeiras.


Zargoth não participou. Não por frieza, mas porque ele não entendia o que estava acontecendo. 


Ele olhava para os rostos, para Zao Tian, para o Curupira, e havia um limite claro ali, uma muralha que ele não atravessava. Ele não tinha a peça que faltava, e o grupo, naquele instante, não tinha coragem de colocar essa peça na mão dele. Não era segredo por prudência. Era respeito pelo próprio peso da coisa.


Zao Tian tentou falar de novo e não conseguiu.


O que saiu foi um som partido, meio engasgado, e a mão dele foi ao próprio peito, como se tentasse arrancar de dentro algo que estava queimando.


"Gold…" Ele murmurou, com a voz falhando.


Ele não sabia com quem estava falando. Não sabia se falava para dentro, se falava para si mesmo, se falava para o vazio.


Mas a resposta veio em sentimento.


A pressão aumentou.


O choro ficou mais forte.


Foi como se a presença dentro dele tivesse ouvido e, ao ouvir, tivesse se lembrado de tudo com ainda mais violência.


O Curupira esperou. Ele sabia que aquela pausa não era tempo para respirar. Era tempo para suportar.


Quando finalmente voltou a falar, havia algo no olhar que mostrava que ele também carregava culpa por estar sendo a boca daquele relato.


"É por isso que eu sempre digo nós." O Curupira disse. Ele não tentou colocar a culpa toda em Odin como se os outros fossem apenas peças.


"Nós fizemos a guerra." Ele disse: "E nós fizemos o pior dela com a certeza de que o fim justificava tudo."


Ele olhou para Zao Tian e então continuou, sem suavizar.


"Quando Krishna matou aquela garota, ele não matou um obstáculo militar. Ele matou uma linha que nem estava participando da guerra. E isso acordou algo que não dorme."


Zao Tian soluçou de novo, e o grupo inteiro pareceu soluçar junto, como se o som tivesse puxado todos pela mesma corda.


O Curupira prosseguiu.


"Amara chegou depois." Ele disse: "E eu nunca vi alguém atravessar o universo com aquele tipo de pressa sem virar pó no meio caminho."


"Ela não veio com nenhum exército. Não veio com suporte. Não veio com aliados. Ela veio como uma lâmina que não se importa se vai quebrar, desde que corte."


"E ela cortou." O Curupira disse.


Ele olhou para o grupo, como se soubesse que a escala do que estava prestes a descrever precisava ser colocada de um jeito que não virasse um exagero gratuito.


"Eu não estou falando de planetas agora." Ele disse. "Eu não estou falando de continentes. Eu estou falando de galáxias."


"Quando Amara e Krishna começaram a trocar golpes de verdade, não havia mais guerra local." O Curupira disse: "O espaço ao redor virou um campo de destruição contínua. E aquilo não era uma consequência colateral pequena. Era o próprio cenário sendo arrancado do lugar."


Ele então disse que as duas presenças se moviam rápido demais para serem acompanhadas por quem não estava naquele nível.


"Cada choque deles era como se a criação tivesse sido atingida com um martelo." O Curupira comentou.


"Braços de galáxias foram apagados." Ele disse: “Foram apagados no intervalo entre um golpe e o próximo."


O Curupira encarou um ponto no vazio, como se estivesse vendo de novo.


"Galáxias inteiras, com milhões, com bilhões de planetas, simplesmente deixaram de existir." Ele disse: "Viraram poeira, viraram energia dispersa. E o silêncio que sobra quando uma galáxia morre não parece com nada que vocês conhecem."


A garganta de Zao Tian apertou de novo, e o choro dele, por alguns segundos, ficou quase sem ar. O grupo sentiu isso como se alguém estivesse apertando o próprio peito deles junto.


"Aquela única luta quase ceifou mais vidas do que a guerra inteira." O Curupira disse, e não disse isso por impacto teatral. Disse porque era verdade no balanço mais frio possível.


"A guerra matou trilhões." Ele continuou: "Mas quando você começa a apagar galáxias, o número perde sentido. Você não soma planeta. Você soma possibilidades. Você soma histórias que nunca serão escritas. Você soma vidas que nem chegaram a ter a chance de existir."


“Parecia que eles iriam destruir o universo inteiro." Ele disse: "Porque o que eles eram, naquele instante, era maior do que qualquer limite que a criação soubesse impor."


Ele falou então de Krishna, e pela primeira vez, na voz dele, havia a admissão de algo que quase nunca era admitido: vulnerabilidade real.


"Krishna foi ferido." O Curupira disse.


"E não foram ferimentos pequenos." Ele continuou: "Foram marcas que entraram para a história."


"Houve momentos em que o corpo dele não deveria ter continuado em pé." Ele disse: "Houve momentos em que a presença dele quase caiu de vez. E eu não estou falando de cansaço. Eu estou falando de fim."


Ele disse então o que manteve Krishna vivo, e a forma como disse deixou claro que aquilo era parte do arsenal divino, parte da estrutura de alguém que sabia que um dia enfrentaria algo grande demais.


"Mas ele tinha a Raiz da Grande Mãe como suporte." O Curupira disse.


"Ele levou aquilo consigo durante toda a guerra. E naquela luta, ele usou." O Curupira disse: "Usou porque, se não usasse, ele teria sido subjugado."


Zao Tian sentiu o ódio dentro do peito se mexer de novo, como se o nome do objeto não importasse, mas o fato de Krishna ter sobrevivido importasse demais.


O Curupira prosseguiu.


"Amara feriu Krishna de um jeito que eu nunca vi ninguém ferir." Ele disse: "Ela não estava tentando ganhar terreno. Ela estava tentando destruir."


“O ódio dela era combustível e também era veneno.”


"Ela se movia como alguém que não queria mais existir depois daquela luta." O Curupira disse: "Mas ela queria que ele não existisse primeiro."


E, naquele ponto, o Curupira deixou claro que Krishna não recusou ajuda quando ela veio.


"Outros Grandes Deuses se juntaram." Ele disse.


Ele não listou nomes naquele instante, porque não era a lista que importava. Era o fato.


"Krishna era o segundo abaixo do Pai de Todos, e ainda assim ele aceitou uma mão." O Curupira disse: "Não por humildade. Por necessidade. Por sobrevivência."


Ele disse que aqueles deuses chegaram como reforços, tentando cercar, tentar abrir brechas, tentar diminuir a pressão.


"E Amara matou." O Curupira disse: "Ela matou pelo menos cinco Grandes Deuses."


O grupo inteiro respirou errado ao mesmo tempo, como se o número tivesse peso físico.


"Cinco." O Curupira repetiu, porque, em uma guerra divina, cinco não era um número comum: "E cada morte de um Grande Deus não é só uma queda. É uma parte do cosmos mudando de forma."


Ele disse que, a cada deus que Amara destruía, ela parecia ficar mais vazia por dentro e, ao mesmo tempo, mais violenta.


"Ela estava se desgastando." O Curupira disse: "E vocês entendem o que isso significa quando eu digo desgastando, porque não era só um cansaço muscular. Era gasto de existência."


Ele descreveu a luta como algo tão descomunal que, por um tempo, ninguém em Decarius sabia que aquilo estava acontecendo.


"Decarius estava morrendo do próprio jeito." Ele disse: "E, longe dali, o universo estava morrendo por outro motivo."


A dor no rosto de Zao Tian não diminuiu, mas o choro dele mudou. Ficou mais silencioso por um momento, como se o corpo dele estivesse tentando sobreviver ao excesso. O grupo continuou chorando, alguns já sem lágrima, mas com a expressão quebrada, com o peito pesado, porque a compaixão tinha virado uma espécie de luto que não tinha lugar para se colocar.


O Curupira então falou do fim.


"Mesmo com ódio fortalecendo, mesmo com aquela dor fazendo ela atravessar limites que ninguém atravessa só com técnica, ela começou a cair." Ele disse.


"Ela caiu porque estava sozinha contra uma estrutura inteira." O Curupira disse, antes de admitir: "Caiu porque, por mais que você queira punir o universo, o universo não te devolve a mesma medida. Ele só te esmaga se houver mãos suficientes para isso."


Ele disse que Krishna, ao fim, estava literalmente um caco.


"Krishna estava acabado quando a luta terminou." Ele acrescentou, sem suavidade: "No sentido real. Se não fosse a Raiz, se não fosse a ajuda, se não fosse o fato de ele ter conseguido sobreviver tempo suficiente para a exaustão dela crescer, ele não teria terminado de pé."


Então… ele falou a última parte com frieza.


"Amara morreu." O Curupira disse. E aquela frase caiu como uma pedra.


"Krishna a matou." Ele continuou: "Não com cerimônia. Não com honra. Matou porque era o que ele fazia. Matou porque a guerra precisava que ele fizesse. Matou porque o Pai de Todos precisava que Amara não existisse mais depois do que aconteceu com a filha dela."


O choro de Zao Tian voltou com força, como se o corpo dele tivesse segurado por alguns segundos e agora estivesse pagando com juros.


Ele levou a mão ao rosto e apertou, sem conseguir parar.


O grupo inteiro chorou mais uma vez, por perceber que Gold tinha sobrevivido a tudo aquilo carregando uma dor que não tinha onde cair, e, quando finalmente encontrou um minuto de paz, o universo tinha mostrado de novo que paz era uma palavra que nunca foi permitida a ele.


O Curupira respirou fundo, e o olhar dele ficou duro.


"Depois disso, o panteão ficou gelado." Ele disse.


"A morte da garota, a explosão de Amara, a destruição de galáxias, a quantidade de vidas perdidas em minutos… Tudo isso foi apenas o prelúdio da verdadeira catástrofe que estava prestes a acontecer…”


“Porque aquela garota tinha um pai… Aquela esposa tinha um marido…”


“E, apesar de todos nós estarmos procurando ele desde o início…”


“Nós nunca imaginamos o terror que estávamos atraindo para nós mesmos e para todo o universo!”


O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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