Capítulo UHL 1223 - A Dor Mais Profunda 7
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Os dias seguintes viraram um ritmo constante de trabalho.
O rabugento reclamava do vento, reclamava das trilhas, reclamava do frio, reclamava das botas, reclamava do jeito como Gold respirava e, ainda assim, acordava cedo e subia primeiro em cada montanha. Ele conhecia as montanhas como quem conhece um parente difícil, e sabia onde elas escondiam as coisas boas, sabia onde elas puniam, sabia onde elas enganavam.
E Gold, sem pressa, apenas seguia.
Não porque não tinha urgência dentro dele, mas porque ele aprendeu, naquele período curto e estranho, que a pressa mata o que ele queria preservar. Uma flor daquela não perdoava violência. O jardim que ele imaginava para Elira não podia nascer da brutalidade.
O rabugento insistia em dizer que tudo aquilo era perda de tempo, que eles iriam ser assaltados de novo, ou que eles nunca conseguiriam a quantidade que Gold precisava.
Contudo, quando a flor reagia ao humor deles, quando as cores ficavam mais vivas perto de Gold sem que ele tentasse forçar, o rabugento ficava quieto por alguns segundos, como se aquilo irritasse e fascinasse ao mesmo tempo.
As discussões continuaram. Sempre.
Só que, pouco a pouco, o barulho virou um trabalho em equipe.
Um apontava para uma pedra. O outro soltava a terra.
Um reclamava da lerdeza. O outro reclamava do jeito errado de puxar.
E assim as flores começaram a aparecer.
Não como um milagre. Como resultado do trabalho entre eles.
Depois de muitos dias, quando os recipientes estavam cheios, quando as mãos deles já tinham memória muscular de tanto cavar e de tanto segurar as raízes com cuidado, Gold olhou para a coleção e finalmente soltou o ar como alguém que tinha terminado uma tarefa importante.
Eram muitas flores.
Não era o horizonte inteiro que ele sonhava, mas tinha o bastante para começar um jardim que crescesse com o tempo, o bastante para que, quando Elira se aproximasse, as cores explodissem e ela sorrisse, o bastante para que ela entendesse, sem precisar de nenhuma palavra, que o pai dela pensava nela o tempo inteiro.
O rabugento, por sua vez, encarava os vasos como se estivesse olhando para uma fortuna.
Ele tinha empilhado a parte dele com um cuidado exagerado, como se qualquer toque errado pudesse transformar todo aquele dinheiro em pó.
"E isso aqui…" Ele murmurou, fazendo as contas com os olhos: "Isso vale muito."
Gold assentiu.
"Eu imaginei." Ele disse.
O rabugento apertou os lábios, tentando não sorrir, mas o canto da boca dele escapou por um segundo e depois ele fingiu que não.
"Eu tô rico." Ele falou, como se a frase fosse absurda demais para ser verdadeira.
Gold olhou para ele com um tipo de satisfação tranquila.
"Você trabalhou por isso." Ele disse.
O rabugento bufou, já quase por reflexo, mas a bufada não tinha a mesma agressividade de antes.
"Trabalhei." Ele admitiu: "E você quase me matou de raiva."
Gold sorriu.
"Eu te agradeço mesmo assim." Ele disse: "Eu não teria conseguido sem você."
O rabugento demorou a responder. Ele olhou para os vasos, depois olhou para Gold, como se estivesse tentando decidir se aceitava o elogio ou se transformava aquilo em mais uma reclamação.
"Você também não atrapalhou tanto quanto eu achei que ia atrapalhar." Ele disse por fim, como se estivesse oferecendo a maior gentileza que sabia oferecer.
Gold inclinou a cabeça, aceitando como se fosse um presente.
"Isso já é muito vindo de você." Ele respondeu.
O rabugento revirou os olhos, mas o brilho de satisfação ainda estava ali, teimoso.
Gold então olhou para ele com uma curiosidade sincera, como se, só agora, depois de dias juntos, a pergunta tivesse virado necessária.
"Qual é o seu nome?" Ele perguntou.
O rabugento pareceu ofendido.
"Agora você quer saber meu nome?" Ele disse. "Depois de me arrastar por cada montanha e vale do planeta?"
Gold não se justificou.
"Eu devia ter perguntado antes." Ele admitiu: "Mas eu não pensei nisso."
O rabugento ficou quieto por um instante e então respondeu com um certo orgulho.
"Zhevalk." Ele disse.
O nome tinha um som áspero, como pedra batendo em pedra.
Gold assentiu.
"Zhevalk." Ele repetiu, gravando.
Zhevalk cruzou os braços como se o nome dele exigisse respeito.
"E você?" Ele perguntou, desconfiado: "Qual é o seu nome de verdade?"
Gold piscou devagar.
A pergunta, para ele, era estranha.
Seu nome, naquele ponto, quase nunca era só um nome. Mas ali, naquele planeta, naquele contexto ridiculamente pequeno perto do que ele era, Gold decidiu não mentir.
"Gold." Ele disse.
Zhevalk franziu a testa imediatamente.
"Gold…" Ele repetiu, como se estivesse puxando um fio na memória.
Ele olhou para o céu, depois para o chão, tentando lembrar onde tinha ouvido algo parecido.
"Eu já ouvi um nome parecido em algum lugar." Ele disse, desconfiado: "Talvez em alguma história. Talvez em alguma conversa de velhos."
Gold não reagiu, e Zhevalk balançou a cabeça, como se concluísse que a lembrança era inútil.
"Mas deve ser outra coisa." Ele murmurou: "Tem muita gente com nomes parecidos por aí."
Ele nunca imaginaria. Nem se tivesse ouvido, lá no fundo da cultura dele, algo sobre um humano que humilhou o panteão, ele nunca encaixaria aquela lenda no homem que passou dias ajoelhado nas pedras, oferecendo ferramentas finas para não quebrar raízes, discutindo por musgos e por trilhas como se aquilo fosse importante.
Gold observou a reação dele e não disse nada.
Aquele anonimato era confortável por um motivo simples.
Ali, ele era só um pai que queria dar um presente para a filha. E aquilo era muito bom.
Zhevalk então olhou para os vasos de novo, e a empolgação voltou.
"Eu vou vender tudo." Ele disse: "Vou vender bem. Vou comprar terras. Terras boas. E vou me aposentar."
Gold assentiu, aprovando.
"É um bom plano." Ele disse.
Zhevalk estreitou os olhos.
"Você não vai me dizer pra investir em outra coisa?" Ele provocou, desconfiado: "Você parece esse tipo de pessoa."
Gold riu baixo.
"Compre a sua terra." Ele respondeu: "E descanse. Você merece."
Zhevalk bufou, mas pareceu satisfeito de novo.
Gold então olhou para as flores na parte dele, e o olhar dele ficou distante por um segundo, como se já enxergasse o jardim pronto em outro mundo.
"Eu vou fazer o jardim." Ele disse: "Do jeito que eu falei."
Zhevalk soltou um som entre riso e reclamação.
"Você é doente." Ele disse, mas o tom não era mais de ofensa. Era quase de respeito.
Gold sorriu.
"Eu vou voltar pra casa." Ele continuou, e a palavra casa saiu com um calor discreto: "Já faz alguns dias que eu não dou notícias. Eu estou com saudades."
Zhevalk abriu a boca para dizer alguma coisa.
Talvez fosse um conselho.
Talvez fosse mais uma reclamação.
Talvez fosse uma tentativa torta de agradecer.
Mas ele não teve tempo de fazer isso.
Gold sentiu primeiro.
Não foi uma visão.
Não foi um som.
Foi um deslocamento na estrutura do ar, um tipo de pressão que ele reconhecia mesmo quando vinha de longe. O instinto dele, aquele que nunca dormia de verdade, puxou o corpo inteiro para o alerta em uma fração de segundo.
Ele não pensou. Ele só se moveu.
Gold pegou Zhevalk e puxou para trás dele com um gesto firme, colocando o próprio corpo entre o companheiro e o horizonte.
"Fica atrás." Ele disse, e a voz dele não era mais a de um pai. Era de alguém que conhece o perigo.
Zhevalk tentou reclamar, mas o som morreu quando o mundo mudou.
No horizonte, uma explosão aconteceu.
Não foi uma explosão de montanha.
Não foi um acidente.
Foi um rasgo.
A linha distante do vale virou luz e choque, e a luz engoliu o campo de visão como se o próprio planeta tivesse sido perfurado por dentro. O som chegou atrasado, mas quando chegou, não foi apenas um som. Foi um peso esmagando o ar, empurrando pedras, derrubando árvores, arrebentando o chão como se o mundo tivesse sido socado.
Milhões morreram naquele instante.
Não dava para ver corpos, mas dava para sentir a vida sumindo como se fosse uma chama apagada em massa.
Zhevalk gritou algo incoerente, e Gold não respondeu.
Enquanto isso, o impacto atravessou as montanhas e veio como uma parede.
O lugar onde eles estavam foi destruído.
A rocha rachou.
As árvores próximas viraram poeira.
O ar se encheu de fragmentos.
O chão levantou e caiu de novo.
E, no meio disso, só uma área ficou intacta… O espaço exato onde Gold estava, com Zhevalk colado atrás dele.
Era como se o mundo tivesse sido apagado em volta e alguém tivesse desenhado um círculo onde a destruição não entrava.
Quando a poeira começou a baixar, Zhevalk estava ofegante, com os olhos arregalados, sem entender o que tinha acontecido e nem por que ainda estava vivo.
Gold, porém, olhava para o horizonte com uma expressão que não combinava com aquele planeta.
Ele reconheceu a ameaça e a covardia.
"Deuses…" Ele murmurou. E a palavra saiu pesada.
Zhevalk, por sua vez, tremia.
"Deuses?" Ele repetiu, como se fosse impossível.
Gold não explicou. Naquele momento, ele já estava medindo o tamanho do problema, e o problema era grande demais para caber no roteiro que ele tinha para aqueles dias.
A guerra não tinha começado ali, mas tinha encostado.
Gold olhou para a direção onde a explosão tinha ocorrido e, por um instante curto, o olhar dele hesitou.
Ele podia ir. Podia tentar entender. Podia impedir mais uma explosão. Podia salvar gente que nem sabia que precisava ser salva.
E, ao mesmo tempo, havia outra imagem na cabeça dele.
Elira acenando.
Amara sorrindo.
A promessa de voltar antes do aniversário.
Por causa disso, Gold ficou parado pelo tempo de uma respiração, ponderando se devia ajudar ou voltar para casa. E, enquanto ele ponderava, o horizonte ainda ardia como se o universo inteiro tivesse decidido lembrar, de repente, que a paz, para ele, sempre foi uma coisa provisória.
