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Capítulo UHL 1226 - A Dor Mais Profunda 10

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Tenham uma boa leitura!]


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Gold ainda ficou um segundo suspenso no ar depois que a esperança morreu. Não foi indecisão. Foi um instante de lucidez crua, aquela lucidez que aparece quando a mente percebe que, se ela ceder ao impulso agora, tudo ao redor é destruído. 


O corpo morto de Amara nas mãos de Krishna era a confirmação final de que o universo não tinha mais nada para negociar com ele. Mesmo assim, por um intervalo curto demais para ser contado como tempo, Gold segurou a própria reação como quem segura uma lâmina no punho para não cortar a mão. A dor dele não era só perda; era a vergonha de ter acreditado, por segundos, que poderia estar errado. E essa vergonha, naquela altura, era um combustível explosivo.


Krishna estava parado no vazio, com a postura firme e os olhos presos no horizonte, como se esperasse o momento em que o humano finalmente cedesse ao papel que ele tinha preparado para ele. O corpo de Amara era uma isca e também era provocação. Era ele dizendo, com a simplicidade mais cruel possível, que até o amor de um ser como Gold podia ser usado como uma ferramenta.


Gold não falou.


A resposta veio como movimento.


Ele avançou com uma velocidade que, para qualquer outro olhar, não existiria. O ar ao redor de Krishna não teve tempo de reagir. Não houve som de deslocamento, não houve clarão, não houve aviso. Foi só um impacto que chegou antes do próprio conceito de defesa.


O punho de Gold encontrou Krishna no centro do torso.


Aquilo não foi um soco de luta. Foi um veredito.


A luz que se condensou naquele golpe era densa, absoluta, comprimida até virar violência pura, e quando tocou Krishna, o espaço ao redor tremeu como se tivesse sido atingido junto. 


Para Gold, o mundo ainda estava lento o suficiente para ver o corpo do Grande Deus ceder um milímetro antes de ser arrancado dali. Para Krishna, houve apenas um choque e, no instante seguinte, distância.


Ele desapareceu no horizonte como um cometa invertido.


Gold colocou tanta força naquele golpe que o próprio espaço cedeu para acomodar o deslocamento de Krishna. O Grande Deus atravessou camadas de ar, de vazio, de luz, sem ter tempo de se ajustar, e o rastro que ele deixou foi um fio de distorção onde a realidade parecia ter sido puxada e soltada com brutalidade.


O corpo de Amara, no entanto, não seguiu com ele.


Gold já o tinha tomado.


O movimento foi limpo, calculado, o único gesto delicado dentro de uma ação capaz de quebrar o cosmos. Ele segurou Amara com cuidado, como se a simples ideia de machucá-la mais fosse um crime. 


A cabeça dela tombou contra o braço dele, pesada e fria, e naquele contato a dor se tornou física de um jeito que quase fez o peito de Gold rasgar por dentro.


Por um instante, outros olhos se voltaram para o ponto onde Krishna tinha sido lançado. Havia deuses ali, um Grande Deus, Protetores, Semideuses, sombras de poder que tinham permanecido perto para assistir ao espetáculo. E nenhum deles conseguiu fazer nada. Não por falta de vontade, mas por falta de tempo para entender o que tinha acontecido. 


A presença de Gold, naquele ponto, era tão avassaladora que o resto parecia pequeno e lento demais.


E então ele desapareceu.


Não foi uma fuga. Mas ele desapareceu.


O lugar onde ele estava deixou de ter Gold dentro, como se a realidade tivesse sido editada.


O espaço se dobrou e se fechou, e o silêncio ficou.


Os deuses que estavam ali ficaram atordoados por um instante incompreensível, porque a guerra tinha sido construída para forçar Gold a aparecer, e agora que ele tinha aparecido, nenhum deles sabia o que fazer com a verdade de que ele se movia em um nível onde a maioria não era sequer relevante.


Gold reapareceu em Decarius.


A mudança de cenário foi tão brusca que, por um segundo, parecia que o próprio universo tinha trocado o chão sob ele. 


Lá, o ar era pesado, saturado de fumaça, sangue e energia residual. O céu era uma cúpula suja, com manchas de luz quebrada, rasgos que ainda não tinham cicatrizado. O planeta inteiro tremia como um animal ferido que se recusa a morrer, e cada tremor carregava dentro dele o eco de confrontos que tinham apagado nações inteiras. O cheiro, por sua vez, era o cheiro de uma civilização em chamas.


Gold pairou por um instante, segurando Amara, e abriu a percepção como quem arranca os próprios olhos para fora do crânio.


Ele procurou por vida…


E o que encontrou foi devastação.


Halfkor estava morto.


A assinatura dele não existia mais em lugar nenhum. Não havia rastro, não havia brasa. Era uma ausência completa, do tipo que não deixa esperança de resgate.


Moira estava morta.


O ponto que antes parecia uma base de resistência, a marca viva de uma liderança que sustentava o mundo, também tinha sido apagado. Não havia calor, não havia retorno, não havia nada.


Pemma Wangchuck… não estava mais ali.


Gold sentiu o que restava como se fosse uma cicatriz no próprio planeta. Pemma tinha queimado a própria alma. Literalmente. Ele tinha usado a essência da própria existência como combustível para criar uma prisão, uma prisão de diamantes de sangue, onde Geb ficaria selado para sempre. 


Aquele selo era um sacrifício permanente. Era uma obra feita com a promessa de nunca mais matar e com a escolha final de pagar o preço mais alto, não para vencer, mas para impedir que o planeta fosse apagado de vez.


Gold sentiu a presença do selamento como uma dor profunda no coração de Decarius.


E sentiu também as consequências.


O planeta estava de pé, mas de joelhos.


A maior parte da humanidade tinha virado memória. 


O que ainda respirava estava concentrado onde a resistência tinha sido dura demais para ser quebrada com facilidade. Duas regiões que se mantinham de pé.


O Reino da Escuridão e a Dinastia Yang.


O resto era silêncio. Era fumaça. Era vazio.


Gold olhou para o horizonte e, mesmo sem mover um músculo, soube onde o próximo golpe iria cair, porque as presenças que se moviam no tabuleiro estavam claras demais. Zaki e o Reino da Luz seguiam como uma maré organizada. Ao lado deles, os Grandes Deuses que ainda estavam de pé depois das lutas contra Moira, Halfkor e Pemma se deslocavam com uma clara intenção... Eles estavam indo para o Reino da Escuridão. Eles estavam indo para Daren. Estavam indo para erradicar a última ameaça humana que ainda respirava em solo humano.


Gold sentiu essa marcha como se fosse uma pressão na pele, e ao mesmo tempo, em outro canto do planeta, outra vida se apagava.


Elijah.


Gold sentiu Elijah como uma chama tremendo no fim, uma presença grande demais para morrer em silêncio, mas ferida demais para continuar. Ele tinha acabado de matar Tânatos e Poseidon, e Gold sentiu o resíduo das assinaturas dos dois se dissolvendo, como cinzas em vento. 


A vitória de Elijah tinha sido real, e por isso tinha sido cara demais… 


Ele estava com ferimentos mortais, segurando o corpo de pé por pura teimosia, esperando o fim com a dignidade amarga de quem já não tem mais nada para negociar com a morte.


Gold foi até ele.


No instante seguinte, Gold estava ali, pairando diante de Elijah, com o corpo de Amara nos braços.


E naquele momento, o planeta sentiu.


A dor de Gold não foi um sentimento discreto.


Foi uma onda avassaladora. Uma coisa que atravessou o ar como um peso e fez as energias ao redor se dobrarem, em reação. 


O ódio dele era tão grande que parecia um campo gravitacional. A tristeza era tão profunda que parecia um buraco negro. O mundo inteiro, naquele ponto, entendeu que algo tinha mudado, mesmo sem saber o quê.


Gold estava chorando.


Não com lágrimas contidas. Chorando de verdade, com o rosto molhado, com a expressão quebrada, com o corpo carregando Amara como se carregasse o único pedaço do universo que ainda tinha forma. 


Ver Gold daquele jeito era indecente, como se alguém tivesse violado uma regra secreta da criação. O ser mais poderoso ali não parecia uma arma. Parecia um homem destruído, e isso era pior do que qualquer ameaça.


Elijah olhou para ele com carinho.


Ele não esperava ver aquilo.


Nunca imaginou.


Ele e Gold nunca se deram bem. Nunca foram aliados naturais. O atrito entre eles existiu por tempo suficiente para virar um hábito. E mesmo assim, ao ver Gold com Amara nos braços, ao sentir a dor que vinha dele como um terremoto interno, Elijah não teve espaço para orgulho.


Ele fechou os olhos por um instante.


Um gesto simples.


Um gesto de pêsames.


Como alguém que reconhece um luto que é maior do que qualquer desavença antiga.


Elijah estava morrendo, mas ainda tinha forças para um ato final.


Com a lentidão de quem já não tem pressa, ele estendeu as mãos.


Gold não reagiu.


Não protegeu o corpo de Amara.


Não se recusou.


Ele apenas permitiu.


Elijah, então, pegou Amara dos braços de Gold com cuidado, como se ela fosse um corpo sagrado, como se o respeito fosse a única coisa que ainda cabia naquele mundo em ruínas.


"Eu vou enterrá-la comigo." Elijah disse.


A voz dele saiu baixa, desgastada, mas firme. Ele não estava oferecendo aquilo como um favor. Estava oferecendo como uma promessa.


"Eu vou cuidar dela do outro lado."


Gold ouviu isso e o choro dele piorou.


Ele chorou como uma criança.


Não porque era fraco.


Porque estava vazio.


Porque não havia mais estrutura interna para segurar nada.


Ele tinha perdido tudo, absolutamente tudo, e naquele instante a única coisa que restava era a humilhação de aceitar ajuda de alguém com quem ele nunca conseguiu construir paz.


E ele aceitou.


Elijah segurou Amara contra o próprio peito, e o gesto parecia dizer que, mesmo ferido mortalmente, ele ainda podia carregar uma responsabilidade final que fosse humana.


Ele abriu os olhos e encarou Gold.


O tempo de Elijah era curto, mas a lucidez dele ainda existia.


"Acaba com tudo." Elijah pediu. Implorou.


Aquilo foi a súplica de alguém que também tinha perdido tudo e queria vingança.


Elijah sabia o que vinha a seguir. Sabia que o Reino da Luz e os Grandes Deuses estavam se aproximando do Reino da Escuridão. Sabia que Daren estava prestes a receber o peso total do panteão, e que o fim de Decarius estava na boca do próximo ataque.


Gold, por sua vez, ergueu o olhar…


Ainda chorando…


Mas agora havia algo diferente no choro…


A água no rosto dele não era só luto…


Era raiva…


Era uma raiva que não tinha mais um freio moral…


Uma raiva que não tinha mais nada a perder…


E ele acenou em concordância.


Foi um gesto simples. Um gesto que parecia calmo demais para o que significava.


Contudo, Elijah entendeu. E, por um instante curto, antes da morte terminar de levar o resto dele, Elijah pareceu aliviado por saber que o panteão inteiro, e todos os seus aliados, iriam pagar pelo que fizeram a eles. Principalmente pelo que fizeram a Gold.




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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