Capítulo UHL 1227 - O Desastre
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Agora, no presente, Curupira continuava o relato com o mesmo tom de antes, mas havia uma diferença visível na maneira como a voz dele sustentava as palavras. Não era mais só a frieza de alguém contando uma guerra. Era o cuidado de quem sabe que, dali em diante, o que existia já não era guerra.
Era algo completamente diferente.
Ele tinha parado no momento em que Gold desapareceu, no instante em que Gold tirou o corpo de Amara das mãos de Krishna e sumiu.
Ele não tinha visto os dias pacíficos de Gold, Amara e Elira, não tinha escutado as conversas de pai e filha, não tinha assistido ao esforço de Gold para fabricar um presente. O Curupira não tinha esse tipo de intimidade com o inimigo, nem era esse o tipo de informação que chegava ao panteão em meio a um massacre. O que ele sabia era o depois. O que ele sabia era o que foi sentido e o que foi relatado nas comunicações internas quando o impossível se impôs.
"Quando Gold chegou em Decarius, os sobreviventes sentiram." O Curupira continuou: "Sentiram antes de entender. Sentiram como se o próprio planeta tivesse sido tomado por um luto que não cabia nele. Muitos não sabiam quem era, muitos não sabiam o que ele tinha perdido, mas choraram mesmo assim. Choraram porque a dor dele estava no ar, esmagando tudo, e aquilo atravessava qualquer resistência humana."
O Curupira disse que a reação não foi apenas humana. Os deuses, Zaki e o Reino da Luz também sentiram. E, ao contrário dos humanos, eles entenderam o que aquele tipo de presença significava.
Para eles, não era apenas tristeza. Era um aviso.
"Os relatórios que chegaram pelo canal dos deuses foram confusos no começo." O Curupira disse: "Não era um relatório técnico, não era um relatório de movimentação. Era o mais puro medo travestido de descrição."
Ele contou que as primeiras frases foram repetidas mais de uma vez, como se os mensageiros quisessem que alguém superior dissesse que aquilo era um exagero.
"Algo está errado."
"Esse não é o mesmo Gold."
"Isso não parece com ele."
O Curupira repetiu essas palavras como se elas ainda estivessem presas no ar daquele dia.
"E no canal, foi perguntado o óbvio." O Curupira disse: "'O que há de errado? Por que vocês dizem isso?'."
Ele não precisava encenar a voz de Odin ou de qualquer outro. A estrutura da pergunta era suficiente. Era o comando exigindo alguma clareza.
"E aí Loki respondeu." O Curupira disse.
"Loki disse: 'Ele está mais… forte'."
A frase foi dita pelo Curupira do jeito que tinha sido dita por Loki na hora: com hesitação no meio, como se a palavra forte fosse pequena demais para descrever. E essa hesitação, na boca de um deus como Loki, foi o que espalhou um silêncio interno no canal.
"Vocês precisam entender o peso disso." O Curupira continuou: "Gold já era uma anomalia. Gold já era o Profano que humilhou o panteão. Ele já era o humano que conseguia existir fora do alcance do olho Heimdall. E, naquele dia, Loki viu algo diferente nele."
O Curupira não disse o que esse algo era em termos técnicos. Não porque não existisse, mas porque o que importava era o efeito. Se Loki, que tinha visto o universo inteiro e tinha um tesouro capaz de medir o mundo sem se expor, disse que Gold estava mais forte, então o panteão inteiro entendeu que algo tinha mudado de natureza.
"E então as comunicações começaram a falhar." O Curupira disse.
Ele não tentou suavizar. Não tentou dizer que foram interferências leves. Ele descreveu como um corte de sinal.
"Foi abrupto." Ele disse: "Como se alguém tivesse arrancado Decarius do resto do universo. Como se o planeta humano tivesse sido envolto por uma parede que não permitia som. Nenhuma mensagem saiu. Nenhuma confirmação voltou. Nenhum relatório continuou."
O Curupira deixou claro o que isso significava na prática. Em uma guerra onde tudo era monitorado, onde os deuses estavam acostumados a enxergar o campo inteiro, perder o canal de comunicação Decarius era como perder um olho em plena batalha.
"Por um tempo, nós não soubemos mais nada." O Curupira disse: "E é aqui que o relato fica sujo, porque o que veio depois não foi visto por nós. Foi reconstruído."
Ele explicou que soube do que aconteceu anos depois. Porque o mundo divino tinha seu próprio ritmo de queda e renascimento, e a informação só circulou quando alguns deuses que morreram naquele período renasceram mais tarde e voltaram ao tabuleiro. E, com eles, chegaram histórias.
"Chegaram relatos de sobreviventes humanos." O Curupira disse: "Em vários pontos do globo. Pessoas que viram tudo de longe, porque estavam longe o suficiente para não serem apagadas no primeiro instante."
O Curupira não chamou esses relatos de confiáveis com facilidade, mas ele disse por que acreditou neles.
"Quando relatos de regiões diferentes repetem a mesma imagem, quando sobreviventes que nunca se conheceram descrevem o mesmo tipo de cena, o mesmo tipo de som, o mesmo tipo de horror, não é coincidência. É uma memória coletiva do fim."
E ele disse, então, o que eles contavam.
"Gold atacou."
"E ele não atacou como antes." O Curupira continuou: "Ele não atacou como o Profano calculista que humilhava o panteão para provar uma tese. Ele atacou como uma criatura tomada por um ódio que não tinha mais propósito além de destruir."
O Curupira disse que Gold, primeiro, voltou-se para os deuses que ainda pisavam em solo humano. Os que estavam em Decarius naquele momento, sustentando o cerco, coordenando com o Reino da Luz e preparando o ataque final ao Reino da Escuridão.
"Ele começou um massacre." O Curupira disse. E então ele parou por um instante, porque a palavra massacre, por si só, não carregava a forma como aquilo foi descrito.
"Os relatos são unânimes em uma coisa." O Curupira continuou: "Ele podia ter matado cada um deles com três ou quatro golpes. Ele podia ter apagado vários de uma vez com uma ou duas técnicas. E ele escolheu não fazer isso."
O Curupira disse isso com uma espécie de nojo, mas não nojo de Gold. Nojo da imagem.
"Ele escolheu bater." O Curupira disse: "Bater de verdade. Bater até o espírito sair do corpo. Bater até a mente do deus entender que não havia saída e ainda assim continuar apanhando."
Ele explicou que isso não era uma necessidade de eficiência. Era apenas a intenção que Gold tinha de se vingar e descontar a raiva.
"Ele queria que doesse." O Curupira disse: "E ele queria que doesse em tempo real. O tempo inteiro, até o último suspiro."
Os relatos descreviam um céu que mudava de cor por causa do que acontecia embaixo. Por explosões de energia espiritual sendo arrancada à força de corpos que estavam morrendo.
"Quando um deus morre daquele jeito, a energia tenta sair." O Curupira disse: "E naquele dia ela saiu como um incêndio preso, explodindo de dentro pra fora. O céu de Decarius foi tomado por clarões que eram apenas cadáveres liberando, à força, o que sustentava suas existências."
Ele descreveu o Gold daquele dia do jeito que os sobreviventes descreveram, repetindo a imagem que se espalhou como lenda.
"Eles disseram que o Grande Arcanjo parecia um demônio." O Curupira disse: "Sua presença… Seu Comportamento…"
Gold não tinha controle. Essa foi a frase que apareceu mais de uma vez nos relatos.
"Ele batia com uma ignorância sem precedentes." O Curupira continuou: "Uma violência que não reconhecia limites, não concedia dignidade… Não demonstrava misericórdia."
Ele descreveu o que foi dito sobre a brutalidade de forma direta, sem tentar enfeitar.
"Ele arrancou membros de deuses à base de socos e chutes." O Curupira disse: “Corpos de deuses foram literalmente desmanchados como se fossem feitos de barro."
"Ele arrancou dentes." O Curupira continuou: "Arrancou todos. Como se quisesse impedir que eles falassem qualquer coisa enquanto estavam apanhando."
"E ele triturou os corpos." O Curupira disse: "Triturou enquanto as mentes ainda estavam ativas. Enquanto ainda havia consciência suficiente para entender a vergonha de morrer daquele jeito."
O Curupira não disse que isso era justiça. Ele não disse que isso era a vingança correta. Ele apenas descreveu como era: um ser fora da lógica agindo fora da lógica, como se tivesse decidido que sua consciência não respeitava mais qualquer regra.
"E quando os deuses começaram a cair, um por um, a estrutura da batalha em Decarius se desfez." O Curupira disse: "O cerco perdeu o comando. A ofensiva perdeu a coordenação. E foi aí que o caos ficou pior, porque quando uma máquina perde as mãos, as engrenagens continuam girando sozinhas e esmagam tudo que está perto."
Depois de matar os deuses que ainda estavam em solo humano, Gold voltou a atenção para o que ele chamou, no relato, de outros monstros.
"Desta vez, os traidores." O Curupira disse, antes de apontar o próximo alvo: “O Reino da Luz.”
A palavra traidor, ali, não era apenas acusação ideológica. Era o peso histórico de um reino humano que se voltou contra a própria raça para ajudar os deuses a exterminá-la.
"Assim como os deuses, o exército do Reino da Luz foi espancado até a morte." O Curupira disse.
Ele deixou claro que não eram dezenas. Não eram centenas. Não eram milhares.
"Eles falam em milhões." O Curupira continuou: "Milhões de soldados abatidos, um por um, porque Gold não estava buscando uma vitória militar. Ele estava fazendo um ato de punição."
Os relatos descreviam a mesma imagem repetida em campos distintos: Gold entrando como um vendaval sem forma, derrubando fileiras inteiras com as mãos, pés e joelhos, com a violência repetitiva de alguém que não quer terminar rápido.
"Ele quebrava crânios com o punho." O Curupira disse: "E quando um corpo caía, ele continuava indo como se o chão inteiro fosse uma lista."
‘Zaki tentou intervir.” O Curupira disse isso sem pressa, porque aquela tentativa era uma parte crucial do horror: o ex-discípulo que um dia acreditou em paz, tentando impedir um massacre e sendo incapaz.
"Zaki tentou proteger." O Curupira disse: "Tentou retirar soldados do caminho. Tentou erguer defesas. Tentou puxar sobreviventes."
"Mas desta vez…" Ele continuou, e a pausa no meio foi a mesma que Loki tinha colocado antes ao dizer “forte”: "Ele não conseguiu proteger ninguém."
O Curupira explicou que, naquele dia, a força de Zaki não era pequena. Mas o Gold daquele dia era diferente. Era maior do que qualquer medida antiga.
"Quando você está diante de alguém que perdeu tudo, e quando esse alguém é Gold, a palavra limite vira uma piada." O Curupira disse. E então ele relatou o momento em que a punição coletiva deixou de ser coletiva.
"Depois de terminar com aquele exército na frente de Zaki, Gold parou." O Curupira disse: "Parou porque a lista tinha acabado ali. E só tinha sobrado um nome em Decarius..."
“Zaki.” O Curupira não dramatizou. Ele apenas disse como foi entendido pelos que viram de longe.
"Gold olhou para ele." O Curupira disse: "E naquele olhar estava escrito que a vez de ele pagar tinha chegado. Não como um discípulo que falhou, mas como um traidor que participou do fim."
O Curupira respirou fundo, e o modo como ele respirou deixou claro que, embora ele estivesse contando aquilo com frieza, havia um desconforto real em admitir o que vinha a seguir.
"Eu não tenho detalhes do que Gold disse a Zaki." O Curupira continuou: "Porque o que aconteceu depois já não era relato comum. Era uma ruína tão grande que apagou a possibilidade de testemunho próximo. O que eu sei é o começo. O começo que todos repetem: Gold se voltou para Zaki."
"E quando ele se voltou…" O Curupira disse, com a voz mais baixa: "Até nós, do lado de fora, sentimos que Decarius tinha virado o centro de uma coisa que nenhum deus queria ter acordado."
"Porque a guerra começou para fazer Gold aparecer." O Curupira concluiu: "E no dia em que ele apareceu, nós descobrimos que existe uma diferença entre encontrar a caça e chamar o desastre pelo nome."
