Capítulo UHL 1229 - Esperança
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O Curupira continuou, mas a lembrança daquela fase carregava um tipo de tensão interna que nem ele conseguia esconder completamente. Não era mais a tensão da guerra, onde você mede forças e calcula as probabilidades. Era a tensão de saber que um desastre ganhou pernas e começou a caminhar pelo universo com uma vontade própria.
"Depois que o Reino da Luz foi obliterado, Gold ficou no céu por alguns instantes." Ele disse: "E houve gente suficiente viva, em pontos distantes, para ver o que ele fez em seguida. Para ver para onde ele olhou."
O Curupira então falou da Dinastia Yang como quem toca numa ferida que não era dele, mas que ele reconhecia como inevitável. Ele disse que o olhar de Gold não foi longo, não foi contemplativo, não foi o tipo de olhar de quem escolhe um alvo imediato. Foi um olhar de registro, como se tudo estivesse sendo reordenado dentro da cabeça dele e aquele nome tivesse sido colocado numa lista, não para agora, mas para o fim.
"Ele olhou para a Dinastia Yang." O Curupira disse: "Olhou por tempo suficiente para que as pessoas entendessem que aquilo não estava esquecido. E os que viram juraram que o que o olhar dele dizia era simples: essa conta não vai ser paga agora. Vai ser paga quando sobrarem apenas as faturas."
O Curupira explicou por que a Dinastia Yang entrou naquele cálculo: Diferente do Reino da Luz, a Dinastia Yang não tinha marchado contra a própria raça. Não tinha se tornado um braço militar dos deuses. Mas o reino de Yang Zai estava intacto, e isso, num planeta que tinha sido mutilado, era uma obscenidade gritando.”
“Não havia como um núcleo daquele tamanho permanecer de pé sem ter feito algum tipo de acordo. E, para Gold, naquele estado, qualquer acordo com os deuses, pelo motivo que fosse, era uma traição.”
"Ele concluiu que eles tinham feito algum tipo de entendimento com os deuses." O Curupira continuou: "Não era nefasto como o de Zaki. Não era uma traição explícita no sentido de levantar espadas contra o próprio povo. Mas era omissão."
O Curupira usou essa palavra como se ela tivesse um peso físico.
"Omissão." Ele repetiu: "E, quando você está naquele lugar onde Gold estava, naquele abismo de ódio e falta de vontade de compreender as razões dos outros, omissão não parece neutralidade. Parece uma escolha deliberada, parece um ato de covardia. Parece que você está deixando o mundo morrer enquanto preserva o seu quintal."
Ele disse, então, a parte que tornou aquilo inevitável.
"Naquele estado, Gold não tinha espaço para meios termos." O Curupira contou: "Ou você era um aliado. Ou você era um inimigo. E todos tinham visto o que ele fazia com inimigos."
O Curupira não disse que isso era justo ou injusto. Ele apenas descreveu o que a dor tinha feito. Ela tinha transformado a moral em uma linha reta. Uma linha reta que, quando sustentada por alguém daquele nível, era o mesmo que uma condenação.
"Mas, mesmo naquele estado, naquele momento, ele priorizou." O Curupira continuou, contrapondo: "E isso é importante. Porque, por mais que ele estivesse fora de si, por mais que parecesse um demônio aos olhos dos sobreviventes, havia uma lógica interna guiando o próximo passo."
“A lógica era simples… Primeiro os deuses.”
O Curupira disse isso como quem aponta para o centro do tabuleiro.
"A conta principal que ele tinha para acertar era conosco." Ele disse: "Com os deuses."
“E foi por isso que Gold não desceu sobre Yang Zai naquele instante.”
“Ele deixou a Dinastia Yang de pé por alguns segundos a mais, não porque perdoou, mas mas porque adiou.”
“E aquele adiamento, para alguém como Gold, era uma ameaça mais clara do que qualquer palavra.”
"Depois disso, ele desapareceu." O Curupira contou: "Do mesmo jeito que tinha chegado. Repentino. Avassalador."
Ele descreveu o deslocamento como os poucos que viram descreveram: não foi um voo bonito, não foi um rastro elegante de luz. Foi uma violência no tecido do espaço. O céu pareceu se deformar ao redor do ponto em que ele saiu, como se a realidade tivesse sido puxada com a mão aberta e soltada. Para quem estava do lado humano, aquilo soou como uma mensagem não falada sendo dirigida a Yang Zai: eu estou indo, mas eu volto. E quando eu voltar, a sua omissão vai ser cobrada.
O Curupira disse que, assim que Gold partiu, ele voltou exatamente para o ponto onde Krishna estava antes, no vazio onde o corpo de Amara tinha sido usado como isca. Mas Krishna não estava mais lá.
Krishna, ao saber do que estava acontecendo em Decarius, já tinha se deslocado para o planeta humano com pressa, e os dois acabaram se desencontrando, como dois astros passando por órbitas diferentes no mesmo instante.
"Foi um desencontro que ninguém esperava." O Curupira disse, antes de explicar: "Porque nós tínhamos certeza de que Krishna e Gold se encontrariam ali de novo. Naquele ponto. Naquele lugar onde tudo tinha sido decidido."
Ele explicou que, por alguns instantes, isso gerou algo estranho no panteão: uma sensação de que talvez Krishna tivesse escapado do confronto. Talvez fosse possível ganhar tempo. Talvez Gold tivesse perdido o foco e estivesse só destruindo Decarius. Talvez a dor dele fosse grande, mas não estava organizada o suficiente para perseguir o guardião.
"E aí veio a parte que nos gelou." O Curupira continuou: "Porque Gold decidiu fazer com Krishna o que nós tentamos fazer com ele."
Ele disse isso sem enfeite.
"Ele decidiu atrair." O Curupira falou: "E decidiu usar os nossos mortos como iscas."
A frase ficou no ar por um instante, porque naquele ponto já não havia mais guerra. Havia terror.
O Curupira descreveu o que aconteceu nos momentos seguintes como algo que foi sentido em todos os cantos. Gold não ficou em um único lugar. Ele se tornou o próprio movimento. Ele se tornou um rumor que virava verdade no instante seguinte. E, pior do que isso, ele começou a aparecer em todos os pontos do cosmos onde havia presença divina, como se o universo inteiro tivesse se tornado pequeno demais para esconder um único deus.
"Ele era visto em todos os cantos." O Curupira disse: "Um planeta. Depois outro. Um corredor vazio. Um domínio isolado. Um posto avançado. Um mundo que achava que não chamaria atenção."
Ele descreveu como os deuses foram caçados.
"Gold caçava e matava devagar." O Curupira disse: "Devagar no sentido de não encerrar rápido. Devagar no sentido de dar tempo."
"Ele queria dar tempo para outros tentarem ajudar." Ele continuou: "E morrerem junto."
O Curupira explicou que, por mais absurdo que parecesse, Gold transformou o reflexo natural do panteão em uma armadilha. Quando um deus gritava por socorro, outro deus sentia a obrigação de ajudar, sentia o instinto de não deixar um irmão cair sozinho. E quando esse irmão chegava, ele encontrava Gold. E morria também.
"Eles eram como moscas sendo atraídas pela luz." O Curupira disse, e a comparação saiu com desprezo porque era isso que eles viraram. Moscas.
E ele descreveu o terror como um sentimento que não era individual.
"Cada deus começou a esperar quando seria a sua vez." O Curupira contou: "E isso era um veneno. Porque, quando você vive esperando a sua morte, você para de obedecer as ordens. Para de planejar. Para de lutar. Você só procura um buraco para se esconder."
“E a maioria fez exatamente isso.”
"A maioria ficou apavorada demais para procurar Gold." O Curupira disse: "Apavorada demais para responder a qualquer pedido de socorro."
Ele deixou claro que não era uma estratégia. Não era um cálculo. Era medo puro.
"Eles não estavam procurando vencer." O Curupira continuou: "Eles estavam procurando onde se esconder."
O Curupira então disse que houve um processo de retirada em massa.
"Por causa disso, houve um retorno em massa para o Reino Divino." Ele falou: "Éramos como crianças correndo para perto do pai."
A imagem saiu amarga porque era verdadeira. Os deuses que ainda não tinham sido atacados abandonaram suas posições, abandonaram as frentes, abandonaram os planos, e correram de volta para casa. Sem honra. Por nada mais que sobrevivência.
"Eles queriam ficar perto do Pai de Todos." O Curupira disse: "Porque, na cabeça deles, só ele podia protegê-los. Só ele podia colocar Gold no seu devido lugar."
Ele disse isso e, por um instante, houve um silêncio leve, como se até o Curupira sentisse vergonha de admitir a infantilidade daquela reação coletiva. Mas a vergonha não mudava o fato.
"Foi o que aconteceu." Ele concluiu: "Nós voltamos em massa. Nós enchemos o Reino Divino. E nós esperamos."
“E então, depois de muitas conversas quebradas, de muitos deuses morrendo longe, de muitos retornos precipitados, houve algo que, por alguns instantes, pareceu um fio de esperança.”
"Depois de muitos Grandes Deuses… só Krishna teve coragem de ir até Gold." O Curupira disse.
Ele não falou de coragem como elogio moral. Falou como uma necessidade. Porque naquele momento não havia nada de bonito no que acontecia no universo. Havia apenas a ideia de que alguém precisava parar aquilo, e se alguém ia tentar, teria que ser Krishna. O guardião. O braço direito do Pai de Todos. O único que, na mente deles, ainda podia encarar o Profano e sair de pé.
"E quando Krishna finalmente foi…" O Curupira continuou, e a voz dele baixou um pouco, como se lembrasse o peso daquele instante: "Houve um momento de esperança entre nós."
Ele deixou claro o quão frágil aquela esperança era, e mesmo assim ela existiu.
"Não existia esperança de paz." Ele disse: "Existia esperança de controle. A esperança de que a ordem voltaria."
“A esperança de que Gold seria contido e de que o panteão ainda era maior do que o desastre que ele mesmo tinha acordado.”
