Capítulo UHL 1230 - A Queda do Guardião
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Tenham uma boa leitura!]
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O Curupira falou de Krishna como quem fala de um nome que, por muito tempo, funcionou como âncora psicológica para o panteão. Não porque fosse amado, não porque fosse justo, mas porque era a presença que tornava a ideia de derrota uma coisa distante. E foi por isso que o momento em que Krishna decidiu ir até Gold abriu aquele fio de esperança entre os deuses. Um fio curto, frágil, quase patético, mas real.
"Gold não fazia distinção." O Curupira disse: "Não importava se era um Grande Deus, Protetor ou Semideus. Para ele, naquela fase, nós éramos uma coisa só. Um conjunto. Um mesmo erro. A mesma culpa. E a mão dele esmagava igualmente."
O Curupira explicou que isso era o que tornou a caçada ainda mais insuportável para o resto do panteão. A hierarquia, que sempre serviu para organizar medo e poder, perdeu o sentido. Um Protetor gritava e morria como um inseto. Um Grande Deus tentava responder e caía com a mesma facilidade que um irmão menor. Não havia honra na queda. Não havia importância no título. Havia apenas o fato de que Gold estava destruindo tudo que ainda tinha o direito de respirar.
"Mas Krishna…" O Curupira disse, e a pausa foi natural, como se até ele precisasse ajustar a garganta para falar o nome: "Krishna era outra classe."
Ele não disse isso como elogio. Disse como um reconhecimento da diferença real de natureza. Krishna não era só um Grande Deus forte. Krishna era o guardião de Odin. A mão que sustentava o panteão quando o Pai de Todos não se movia. A presença que, por eras, foi associada ao impossível de ser vencido.
"E quando eles começaram a lutar…" O Curupira continuou: "Outra sequência de galáxias sendo apagadas começou."
Ele falou galáxias com o peso correto, não como exagero. Galáxias, com tudo dentro. Com milhões ou bilhões de planetas cada. Com histórias que ninguém vai viver. Com vidas que nunca vão ser contadas. E não era uma consequência colateral pequena. Era o próprio campo de batalha sendo arrancado do mapa.
"Naquela luta, parecia que o Fim dos Tempos tinha realmente começado." O Curupira disse.
Ele explicou que, na prática, não havia sequer como reportar onde eles estavam com exatidão. O panteão estava acostumado a mapear, a marcar posição, a dizer ‘estão aqui’, ‘estão ali’, ‘a luta está nesse setor’. Só que, naquele confronto, isso virou uma piada. Não por falha de comunicação, mas porque os dois se moviam e atingiam uma extensão de poder que parecia abranger tudo.
"Eles não tinham um lugar." O Curupira disse: "Eles eram todos os lugares. Onde passavam, o cenário deixava de existir. Onde paravam, o espaço perdia a forma."
Ele contou que, mesmo à distância, os deuses sentiam a luta como uma pressão contínua. Um peso no peito. Uma vibração no tecido do universo. Não era só medo. Era a percepção do universo sendo ferido.
"Cada choque deles era um corte no cosmos." O Curupira disse: "E o pior era que você sentia, mas não via. Você sentia como um tremor no fundo da existência, e quando tentava localizar, já tinha mudado."
O Curupira falou então do Dom de Krishna. E ele não falou como quem vende um mito, porque não havia necessidade. A reputação do Dom já tinha sido provada.
"As barreiras de Krishna são consideradas indestrutíveis." Ele disse: "Não porque nós gostamos de exagerar, mas porque, até aquele dia, ninguém tinha quebrado."
O Curupira explicou de maneira direta o que essas barreiras significavam para eles. Não eram muros comuns. Eram contenções absolutas. Krishna criava um espaço fechado dentro do espaço, uma prisão que podia engolir e conter infinitas formas de matéria e energia sem ceder. O Dom dele era capaz de segurar o impacto de forças que fariam um mundo colapsar. E, pior, era capaz de conter parte da aura do Pai de Todos, o que, dentro da cabeça de qualquer deus, era a prova de que aquela defesa não tinha contrapeso.
"Nós chamávamos de invencível." O Curupira disse: "Era uma certeza operacional. Se Krishna estava em campo, havia sempre uma resposta possível. Sempre um modo de conter. Sempre um modo de ganhar tempo."
Ele então fez o contraste que doeu para ele dizer.
"Mas Gold superou o Dom de Krishna." O Curupira contou: "Do mesmo jeito que Amara quase superou. Do mesmo jeito que Amara forçou Krishna a sangrar e a usar as raízes da Grande Mãe."
O Curupira não escondeu que Amara teve uma vantagem específica naquela luta. E ele disse porque era a única forma de explicar como ela chegou tão perto.
"Amara tinha a antimatéria." Ele disse: "Uma capacidade quase única. Ela podia usar aquilo como uma arma contra coisas que, para nós, eram intocáveis. Era isso que perfurava as barreiras de Krishna. Era isso que criava a chance de vencê-lo."
A antimatéria, naquela escala, não era só destruição. Era negação. Era apagar matéria e energia de um jeito que o universo não gosta. Era exatamente o tipo de coisa que, contra um Dom de contenção, se torna uma ameaça real, porque ela não tenta quebrar por força, tenta anular o que está dentro, a própria existência.
"Foi isso que deu a ela a chance de quase matar Krishna algumas vezes." O Curupira afirmou.
Então ele apertou o ponto que fazia a vitória de Gold parecer ainda mais absurda.
"Gold não tinha isso." Ele disse: "Gold não tinha antimatéria. Gold não usava armas. Gold não trouxe nada além do próprio corpo e do próprio elemento."
O Curupira falou isso com uma honestidade amarga.
"Ele lutou com força bruta e luz." Ele disse: "E mesmo assim venceu."
Ele contou que, a distância, os deuses começaram a sentir algo que nunca tinham sentido antes: o guardião do Pai de Todos sendo empurrado para trás. Não em um golpe isolado. Não em um momento de surpresa. Mas num desgaste contínuo, como se a força dele estivesse sendo arrancada camada por camada.
"Nós sentíamos Krishna diminuindo." O Curupira disse: "Gradualmente. Como uma chama grande que vai sendo sufocada."
E então ele descreveu os picos.
"Quando ele usava as Raízes da Grande Mãe…" O Curupira continuou, e o jeito como ele disse Grande Mãe era quase ironia, porque nada naquela guerra merecia esse nome: "Nós sentíamos o aumento súbito."
Ele explicou que era como se Krishna, por um momento, voltasse a ser inteiro. Voltasse a ser o guardião invencível. Voltasse a ocupar o lugar que o panteão precisava que ele ocupasse. E o universo inteiro respondia com aquele salto, como se uma presença ferida tivesse sido reconstituída à força.
"E logo depois ele diminuía de novo." O Curupira disse. Ele disse isso como quem admite o pior dos cenários, pois a recuperação não era uma vitória, era um atraso. Era apenas um pouco mais de tempo antes do inevitável.
"Muitas raízes foram usadas." Ele afirmou: "Muitas. E eu digo isso porque nós sentíamos cada vez. Sentíamos como um puxão, como um retorno, como um lampejo de esperança. E cada vez a esperança durava menos."
O Curupira não disse quantas. Ele não precisava. O que importava era o fato de que Krishna recorreu a tudo o que tinha. O poder injusto que ele usou para sobreviver contra Amara, ele usou de novo e de novo. Só que, desta vez, isso não bastou.
"Nem com esse poder ele teve chance contra Gold." O Curupira disse.
Ele não descreveu a luta cena por cena, porque ele não tinha essa imagem. E ele não fingiu ter.
"Eu não consigo dizer exatamente como foi cada golpe." O Curupira continuou: "Porque não havia olhos perto o suficiente para voltar e contar, e quem tentou ficar perto morreu antes de registrar qualquer coisa. O que eu sei é o que nós sentimos."
“E o que nós sentimos foi a coisa mais pesada que um panteão pode sentir… o guardião caindo.”
"Gold venceu Krishna." O Curupira disse, e a frase veio como uma confissão que ainda doía.
Depois, ele deixou claro que, entre todos os deuses que morreram naquele período de caça, Krishna foi o que mais sofreu.
"Ele foi o que mais sofreu." O Curupira repetiu: "E isso não é uma retórica. Nós sentimos isso acontecer."
Ele disse que, em um certo ponto, a presença de Krishna no cosmos começou a se tornar agonia, não só enfraquecimento. Um tipo de vibração dolorosa que atravessava a rede divina e fazia até deuses distantes sentirem desconforto, como se o sofrimento dele estivesse vazando por algum vínculo que eles não conseguiam fechar.
"Eu não consigo nem imaginar o que Gold fez com ele." O Curupira disse: "E eu não digo isso por nenhum falso pudor. Eu digo porque era grande demais e pessoal demais. Era a vingança na sua forma mais pura."
O Curupira explicou que a vingança de Gold contra quem matou a amada não teve misericórdia nem pressa. O fim não foi rápido. E isso foi sentido como uma aflição.
"Krishna agonizou." Ele disse: "Agiu, resistiu, tentou conter, tentou recuperar, tentou ganhar tempo… E, no fim, agonizou até o último suspiro."
A frase último suspiro veio como se o Curupira estivesse ouvindo de novo aquele instante em que a presença do guardião, que por eras tinha sido um pilar entre os deuses, simplesmente sumiu.
Não foi uma queda gloriosa. Foi o começo de um silêncio que, no panteão, soou como o mundo sendo investido.
E então o Curupira completou: "Nós sofremos, mas a missão de Gold não terminava com Krishna.”
“O assunto não tinha sido encerrado com Krishna.” O Curupira apenas apontou o óbvio que todos os deuses sentiram no mesmo instante em que o guardião caiu.
"Ele tinha começado uma vingança contra nós." O Curupira disse: "E quando ele terminou com Krishna… Só havia um único ser no universo que poderia enfrentá-lo…"
“O próprio Pai de Todos.”
