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Capítulo UHL 1232 - Pequenos

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Tenham uma boa leitura!]


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O Curupira retomou com um silêncio curto, daqueles que eram uma forma de preparar a própria língua para não mentir. O que ele ia dizer não precisava de enfeites, e mesmo assim parecia grande demais para caber em qualquer frase.


"A luta entre Gold e o Pai de Todos durou mais do que qualquer outra." Ele disse.


Ele não acrescentou nenhuma comparação. Não disse “na história”, não disse “nas eras”, não disse “na criação”. Não precisava. Todo deus que viveu aquele dia entendeu que aquilo tinha atravessado o limite do que o universo consegue suportar e ainda continuar com aparência de normalidade. O Curupira disse que, naquele período, era como se o cosmos inteiro tivesse prendido a respiração. Não era uma metáfora poética para dar peso. Era uma sensação física. Era o modo como a existência parecia ficar suspensa, como se até o vazio tivesse ficado esperando para ver se continuaria sendo vazio no segundo seguinte.


"Não havia mais batalhas acontecendo… Em lugar nenhum." O Curupira continuou.


Ele disse isso com uma convicção estranha, como se ainda fosse absurdo. Não porque faltasse ódio, nem porque o panteão tivesse virado virtuoso, e sim porque lutar tinha perdido o sentido. O universo estava assistindo ao próprio teto ser testado. E por isso, nenhuma disputa menor importava. Nenhum fronte valia a energia. Nenhum reino, nenhuma raça, nenhuma vingança particular parecia relevante quando duas presenças daquele nível estavam colidindo em algum lugar. 


O Curupira disse que foi o momento mais próximo de uma paz universal que ele já tinha visto, e a palavra paz, ali, era nojenta de usar, porque ela nasceu do medo absoluto.


"Se houve um instante de paz universal… foi aquele." Ele disse.


Ele explicou que não foi uma paz conquistada. Foi uma paz de paralisação. Uma paz de quem se encolhe no canto e espera. 


Enquanto a batalha mais destrutiva que o universo já viu acontecia, protagonizada por dois seres grandiosos o bastante para serem tratados como entidades, ninguém mais brigou. Ninguém mais investiu. Ninguém mais ousou mover uma única peça. Mesmo os que ainda tinham chance de vantagem em algum canto do cosmos pararam. Porque a matemática era simples: o que quer que você ganhasse, você podia perder no próximo tremor. E pior: você podia nem existir mais para aproveitar.


"Durante aquela luta, era como se o resultado de qualquer disputa pequena fosse nada." O Curupira disse: "Nada chegava perto do que podia acontecer depois."


Ele falou depois com aquele peso que só existe quando o futuro vira uma pergunta. O Curupira disse que ninguém sabia se existiria um futuro. Nem deuses, nem humanos escondidos, nem criaturas de mundos distantes que nem entendiam a palavra panteão. Tudo estava sob a mesma ameaça. A possibilidade real de que, se Odin e Gold levassem aquela colisão até o limite, a criação inteira poderia ceder.


"Era como se todo mundo estivesse sob um teto de vidro." O Curupira disse: "E fosse feito de vidro."


Ele insistiu nessa sensação porque ela era comum em todos os relatos que chegaram depois. Tudo parecia frágil demais. Todo ser vivo parecia uma peça de porcelana largada no meio de um terremoto. Não importava o tamanho do seu poder, a sua história, a sua arrogância. Diante daquilo, todo mundo era pequeno. Todo mundo era inútil. E o mais humilhante era saber disso.


"As auras deles cresciam." O Curupira continuou: "Cresciam como se estivessem disputando espaço dentro do próprio universo."


Ele descreveu como, no começo, parecia uma troca de impactos que já era impossível de acompanhar. Depois, virou algo mais estranho: a própria presença dos dois começou a deformar o entorno antes mesmo de qualquer golpe. O Curupira disse que a criação não reagia mais aos ataques. Ela reagia à existência deles no mesmo lugar. Era como se o cosmos fosse uma coisa sensível, um animal enorme, e aqueles dois estivessem pressionando seus pontos vitais.


"Os impactos ficaram mais violentos." Ele disse: "E os efeitos… ficaram mais bizarros."


Ele escolheu essa palavra porque não havia outra melhor. Não era só destruição. Não era só energia. Não era só a distância sendo rasgada. Era o comportamento estranho do mundo. Trechos de espaço que pareciam dobrar e desdobrar como se tivessem perdido a noção de geometria. Intervalos de tempo que pareciam alongar e encurtar de um jeito que fazia até os deuses se confundirem com a própria percepção. O Curupira disse que, naquele período, o universo ficou diferente, como se suas leis tivessem sido desordenadas por mãos grandes demais, e isso era feio e lindo ao mesmo tempo.


"Foi feio." O Curupira disse: "Feio por causa do medo. Feio por causa da destruição. Feio por causa de tudo que a gente sente quando percebe que pode ser apagado sem nenhum significado."


Ele não tentou fingir que esse medo não existia, porque existiu. E era um medo que diminuía até os mais arrogantes. Um medo que fazia a ideia de divindade parecer ridícula, porque divindade, naquele contexto, era só mais um corpo esperando a própria vez.


"Mas foi lindo também." Ele continuou.


E essa beleza não era beleza moral. Era uma beleza de exceção. A beleza de um evento que ninguém veria de novo, porque ninguém suportaria que aquilo se repetisse. Era único. Era perigoso. Era o universo sendo levado a um estado que não deveria acontecer. 


Coisas que desafiavam lógica apareciam e sumiam como se fossem reflexos. E o Curupira disse, com um peso quase triste, que nada disso aconteceria de novo sem outra catástrofe da mesma magnitude. Para ver aquilo, o preço tinha sido a vida de incontáveis mundos, a ruína de Decarius, o colapso de galáxias, a morte de Krishna. 


O preço tinha sido o próprio sentido.


"Parecia que nunca ia terminar." O Curupira disse.


Ele explicou como a duração corroía por dentro. Não era só esperar alguns minutos. Eram horas, e as horas pareciam não obedecer direito. Era como se o tempo, naquele período, tivesse virado uma coisa elástica. O panteão dentro do Reino Divino tentou manter ordem, tentou fingir controle, tentou repetir para si mesmo que Odin estava no comando. Mas repetir algo não muda o que você sente no osso quando uma onda chega e faz o Reino Divino tremer de novo, e de novo, e de novo. 


O Curupira disse que, em algum momento, muitos acreditaram que Odin já tinha vencido, porque as ondas ficaram mais firmes, mais consistentes, como se a mão dele estivesse estabilizando o campo. Outros acreditaram que Gold tinha vencido, porque por instantes a pressão parecia vir direto para o Reino Divino, como se a destruição estivesse sendo arrastada para casa.


"Eu ouvi deuses rezando." O Curupira disse, e a palavra rezando, ali, não era religião. Era desespero: "Rezando como crianças. Como se houvesse alguém para escutar e pedir fosse mudar alguma coisa."


Ele deixou isso claro para que não houvesse ilusão sobre quem eles eram naquele momento. Por trás dos títulos e das eras, havia apenas seres apavorados porque o guardião tinha caído e a última barreira era Odin. Se Odin falhasse, não haveria mais proteção. Não haveria mais retorno. Não haveria mais renascimento confortável. Haveria só a queda.


"E então…" O Curupira continuou: "Aos poucos, algo mudou…"


Ele não disse que foi de uma vez. Disse que foi um detalhe pequeno no começo, tão pequeno que ninguém quis acreditar. Um tipo de direção. Uma trajetória que começou a se repetir. As ondas, antes caóticas, começaram a se inclinar para um mesmo sentido. As pressões, antes espalhadas, começaram a puxar o Reino Divino do mesmo jeito, como se a tempestade, por fim, tivesse escolhido um rumo.


"Era uma trajetória constante." O Curupira disse: "Pequena no começo, mas constante."


Ele descreveu como os deuses começaram a se olhar de novo, só que dessa vez não com alívio. 


Com pânico.


"A trajetória levava ao Reino Divino." Ele disse.


O Curupira contou que ninguém queria dizer isso em voz alta, e ninguém queria nomear, porque nomear fazia parecer real. E a ideia era absurda demais para caber no orgulho deles…


A ideia de que o Pai de Todos estava cedendo.


"Não fazia sentido." O Curupira disse: "Aquilo era impensável."


O Pai de Todos era o ponto fixo. A certeza. O fim de qualquer discussão. Mas se ele cedia, então o universo não tinha mais nenhum alicerce. Se ele cedia, então a visão do Fim dos Tempos não era mais um medo. Era um diagnóstico.


"E mesmo assim… Mesmo que não quiséssemos acreditar…" O Curupira continuou, com a voz mais baixa, como se estivesse confessando um pecado: "A trajetória continuou. E continuou. E continuou."


Ele descreveu o momento em que isso começou a ganhar uma forma coletiva. Não foi um anúncio. Foi uma percepção espalhada, uma verdade surgindo em vários cantos ao mesmo tempo, como se o próprio Reino Divino tivesse entendido.


"Ninguém queria acreditar." O Curupira repetiu: "Mas a sensação era essa: o Pai de Todos estava sendo empurrado. E Gold… estava ganhando terreno."


O Curupira deixou essa frase cair como um corpo no chão. Porque aquela frase, sozinha, mudava tudo que eles tinham usado para justificar a guerra. Mudava a crença de invencibilidade. Mudava a lógica de controle. Mudava o medo. 


O panteão, que por eras tratou o universo como sua propriedade, percebeu que sua casa estava prestes a receber o próprio incêndio que tinha acendido.


"E foi aí que o alívio morreu de vez." O Curupira concluiu: "E a paz universal, aquela paz de medo, virou só mais uma lembrança curta, esmagada pelo entendimento de que o fim talvez não estivesse depois da guerra."


"Talvez o fim estivesse chegando agora."




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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