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Capítulo UHL 1233 - A Primeira Queda

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Tenham uma boa leitura!]


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O Curupira disse que, quando a trajetória começou a apontar para o Reino Divino, a primeira coisa que morreu não foi um deus.


Foi a disciplina.


Até aquele momento, mesmo com medo, mesmo com perdas, ainda existia uma estrutura interna. Existia a ideia de que o Pai de Todos tinha dado ordens e essas ordens eram um alicerce. Existia hierarquia. Existia a crença confortável de que o panteão, por pior que estivesse, ainda funcionava como um corpo. 


Contudo, a luta se aproximando mudou isso do jeito mais cruel possível, porque colocou uma pergunta no meio do Reino Divino que ninguém queria encarar em voz alta: e se ele estiver perdendo?


"Foi aí que a discussão começou." O Curupira disse: "Não como um debate organizado. Era mais como uma febre. Um sentimento que foi se espalhando de grupo em grupo, de corredor em corredor, até se transformar em gritos."


Ele descreveu o Reino Divino naquele instante como um lugar lotado demais. Os que tinham retornado em massa ainda estavam ali, comprimidos, respirando o mesmo medo. O domínio, que sempre foi vivido como um centro inviolável, naquele dia parecia pequeno. A cada nova onda que chegava, a cada tremor, a cada distorção no ar, o Reino Divino parecia encolher.


"E a cada quilômetro que nós sentíamos a luta se aproximando, as vozes aumentavam." O Curupira continuou: "Porque não existia mais como fingir que era só uma sensação."


Ele disse que, no começo, as conversas eram murmúrios cuidadosos. Ninguém queria ser o primeiro a pronunciar o que parecia blasfêmia. Ninguém queria ser o primeiro a admitir, mesmo como hipótese, que o Pai de Todos pudesse estar cedendo. Só que o corpo não obedece a nenhum dogma. O corpo sente. E, quando sente, a mente arruma palavras para justificar o que o corpo já percebeu.


"Houve dois lados." O Curupira disse: "E eu não vou fingir que um era puro e o outro era covarde. Os dois estavam reagindo ao mesmo terror."


Ele começou pelos que queriam fugir.


"Eles diziam que precisávamos sair." O Curupira contou: "Que o Reino Divino não podia ser o palco. Que o Pai de Todos precisava de espaço. Que ele tinha nos mandado ficar lá por um motivo. Que a pior coisa que poderíamos fazer era atrapalhar."


Ele descreveu o argumento deles com precisão, porque ele o ouviu vezes demais para esquecer. Essas vozes vinham carregadas de devoção, mas também de pânico. Eles falavam “obedecer” como quem se agarra numa tábua no meio do mar.


"Eles repetiam: 'Ele não vai perder'." O Curupira disse: "E, quando a palavra perder ameaçava existir, eles engoliam. Eles chamavam de absurdo. Eles chamavam de ofensa. Era como se a própria possibilidade contaminasse."


E aí vinham as possibilidades. Não como uma estratégia sólida, mas como uma boia emocional.


"Talvez o Pai de Todos esteja atraindo Gold." O Curupira repetiu, citando o que ouviu: "Talvez ele esteja conduzindo a luta para um lugar específico. Talvez ele esteja abrindo essa trajetória de propósito. Talvez ele esteja deixando Gold ganhar terreno para dar confiança, para que ele se exponha, para que o golpe final seja mais limpo."


O Curupira disse que essas hipóteses eram construídas e reconstruídas com desespero, como se cada “talvez” fosse um selo. Eles falavam e, enquanto falavam, pareciam acreditar um pouco mais, porque acreditar era a única forma de continuar respirando.


"Eles usavam cada possibilidade como um bote salva-vidas." O Curupira disse: "Chamem de esperança, chamem de fé, chamem de cegueira. Era isso. Um lado inteiro do panteão estava se agarrando ao hábito de confiar."


Ele disse que esse hábito existia por um motivo. Por eras, confiar em Odin tinha funcionado. O Pai de Todos sempre tinha sido o ponto fixo. Quando tudo tremia, ele era o que não tremia. Então, para muitos, a própria ideia de fugir não era covardia. Era lealdade ao método que sempre venceu.


"Eles diziam: 'Se ele mandou ficar longe, nós ficamos'." O Curupira contou: "E havia orgulho nisso. Havia devoção. Havia também medo disfarçado de moral."


Do outro lado estavam os que queriam lutar.


"Eles diziam que não havia para onde fugir se o Pai de Todos perdesse." O Curupira continuou: "E essa frase, dita assim, era como jogar uma pedra em um templo."


Ele descreveu a reação dos outros a essa frase. Rostos se fechavam. Olhares endureciam. Alguns chegavam a gritar “blasfêmia”. Outros repetiam “ele não perde” como se fosse uma lei natural. Mas os que defendiam ir ao combate não recuavam, porque, na cabeça deles, havia uma lógica simples: se o fim está vindo, a obediência não salva ninguém.


"Eles não estavam só com medo." O Curupira disse: "Eles tinham um sentimento genuíno de dever."


Esse lado falava de fraternidade. Não uma fraternidade de aparência, mas um laço real entre deuses que já tinham lutado juntos em outros tempos. Eles falavam de Odin como alguém que merecia apoio, não porque era Pai de Todos, mas porque era o centro que sustentava a existência deles.


"Eu ouvi um Grande Deus dizer: 'Se ele cair, nós caímos junto. Então por que ficar parado?'" O Curupira contou.


Ele disse que esses não eram apenas impulsivos. Muitos eram, sim. Sempre havia os afobados. Mas também existiam deuses que eram calculistas, que entendiam os riscos, e mesmo assim defendiam a ida. Eles argumentavam que as circunstâncias tinham mudado. As ordens eram claras, mas ordens existem dentro de um contexto. E o contexto estava se quebrando.


"Chega um momento em que você precisa escolher entre ser obediente ou ser útil." O Curupira disse: "E esse lado começou a acreditar que utilidade importava mais do que a reverência."


“Eles diziam que não era só a vitória. Era o bem-estar do Pai de Todos. Era garantir que a visão do Fim dos Tempos não acontecesse. Era impedir que o universo entrasse naquilo que eles estavam sentindo na pele como quase-realidade.”


"Eles falavam como se fossem soldados de verdade." O Curupira disse: "E isso é curioso, porque nós nunca fomos soldados. Nós sempre fomos donos. Mas naquele dia, até os donos ficaram pequenos o bastante para pensar como soldados."


O Curupira disse que, na visão dele, ninguém estava errado na discussão. Isso não era uma tentativa de equilibrar moral. Era o reconhecimento de que ambos os lados estavam tentando lidar com algo que nenhum deus foi feito para lidar: a possibilidade de impotência.


"Um lado queria confiar." Ele disse: "Porque confiar sempre funcionou."


"O outro lado queria agir." Ele continuou: "Porque ficar parado parecia loucura."


Então ele descreveu a escalada como algo inevitável. 


A cada nova onda, a cada novo tremor, a cada sinal de aproximação, o Reino Divino ficava mais barulhento. O que antes era sussurro virou argumento em voz alta. O que antes era argumento virou acusação. E acusação, entre deuses, vira faísca.


"Chamaram de covardes." O Curupira disse: "Chamaram de traidores. Chamaram de arrogantes. Chamaram de loucos."


Ele disse que ouviu deuses mais velhos chamando os mais novos de imprudentes, como se a juventude fosse o motivo do ímpeto. Ouviu deuses mais novos chamando os mais velhos de acomodados, como se a experiência fosse apenas um jeito de justificar o medo.


"E no meio disso…" O Curupira continuou: "As ondas continuavam chegando."


O Curupira descreveu uma cena que, para ele, foi o ponto onde o panteão começou a quebrar de verdade. Um corredor amplo próximo aos portões internos, onde grupos se acumulavam, onde os que tinham retornado estavam espremidos em camadas, cada um querendo estar mais perto do centro, mais perto da sala do Pai de Todos, mais perto da ilusão de segurança.


"Um Semideus gritou que ia embora." O Curupira disse.


Foi a primeira deserção aberta. Não foi uma retirada estratégica. Não foi um reposicionamento. Foi uma fuga. E o som daquela declaração atravessou o lugar como uma bofetada.


"Ele disse que não esperaria o teto cair." O Curupira contou: "Disse que ninguém tinha direito de exigir que ele morresse parado. Disse que obedecer era suicídio."


O Curupira explicou que, naquele instante, o panteão se dividiu em forma física. Alguns deram um passo para trás, como se a frase tivesse infectado o ar. Outros avançaram, como se fossem arrancar a língua do Semideus.


"E aí, sem ordem, sem autorização, sem consulta… alguns bateram em retirada." O Curupira disse.


Não foi um deus só. Foi um punhado. A visão da fuga fez outros lembrarem que também tinham pernas. E quando isso aconteceu, o que era uma discussão virou um movimento em massa. Não uma massa gigantesca, mas o suficiente para quebrar a sensação de controle.


"E outros foram atrás deles." O Curupira continuou: "Para punir."


O Curupira descreveu isso com um nojo silencioso. Punição por fuga num cenário onde o próprio Pai de Todos talvez estivesse cedendo. Era isso que o panteão fazia quando não sabia o que fazer: tentava impor ordem interna através da violência horizontal.


"Eu vi Protetores perseguindo Semideuses." Ele disse: "Vi Grandes Deuses gritando ordens como se gritar fosse segurar alguma coisa."


Ele disse que alguns dos que queriam punir eram do grupo da obediência. Para eles, desertar não era só covardia. Era um risco operacional. Era abrir uma brecha. Era espalhar pânico. Era traição à ordem.


"E outros abandonaram o Reino Divino na direção oposta." O Curupira disse: "Foram na direção da luta."


Esse foi o ponto em que o caos virou total, porque agora havia três vetores diferentes acontecendo ao mesmo tempo: fuga sem ordem, perseguição para punir, e investida para interferir na batalha.


"E tudo isso aconteceu ao mesmo tempo." O Curupira disse: "Com a luta se aproximando. Com o Reino tremendo. Com o medo no ar."


Ele descreveu o instante em que deuses começaram a bater em deuses.


"De repente, havia socos." Ele disse: "Havia técnicas pequenas, contidas, não por compaixão, mas por medo de destruir o próprio chão do Reino Divino."


O Curupira deixou claro como isso era grotesco: um panteão lotado, apavorado, brigando entre si enquanto duas entidades colidiam no vazio e ameaçavam trazer o fim para a porta deles.


"Eu vi um Grande Deus segurar outro pelo pescoço." O Curupira disse: "Vi ele dizer: 'Você não vai sair daqui'."


"Eu vi o outro responder: 'Eu não vou ficar para morrer na tua fé'." O Curupira continuou: "E então eles se atacaram."


Ele disse que, naquele ponto, o conceito de hierarquia desmoronou. O panteão sempre funcionou com uma naturalidade cruel: quem é maior manda. Quem é menor obedece. Quem questiona é esmagado. Só que agora, diante da ameaça absoluta, tamanho não garantia obediência. O medo não respeitava nenhum título.


"Semideuses desobedeciam Protetores." O Curupira disse: "Protetores passavam por cima de ordens claras. Grandes Deuses não coordenavam mais nada. Só gritavam."


O Curupira falou do próprio sentimento naquele caos. Não como heroísmo, nem como vergonha. Como constatação.


"Eu vi a estrutura quebrar." Ele disse: "E eu entendi que, mesmo que o Pai de Todos vencesse, o panteão já estava ferido por dentro."


Ele descreveu uma cena específica: um grupo de Semideuses tentando abrir uma rota de saída por conta própria, empurrando outros para o lado, pisando em quem caía, correndo como criaturas sem nome. Um Protetor tentou barrar, usando a própria presença como muro, e um Semideus, em desespero, atacou o Protetor por trás. Não para matar. Para escapar. Para criar espaço.


"E aquilo seria impensável em qualquer outro dia." O Curupira disse: "Mas naquele dia… o impensável virou rotina."


Outro grupo, formado por deuses que queriam ir até Odin, tentou forçar passagem em direção ao ponto de saída do Reino Divino que os levaria na direção do combate. Eles gritavam “dever”, gritavam “ajuda”, gritavam “nós não vamos ficar olhando”. Para eles, ficar era traição. E para os outros, sair era traição. E quando duas traições se encaram, não existe conversa.


"Houve uma briga feia ali." O Curupira disse.


Ele disse que viu um Protetor ser partido ao meio por um Grande Deus, não porque o Grande Deus quisesse matar irmão, mas porque o Protetor segurava a passagem. O Protetor virou sangue e energia no ar do Reino Divino, e o choque daquela morte interna fez outros recuarem, por percepção: se estamos matando uns aos outros aqui dentro, então já acabou.


"E aí o pânico aumentou." O Curupira disse.


O Curupira contou que alguns começaram a se afastar do centro e buscar rotas internas, como se pudessem se esconder dentro do próprio Reino Divino. Outros tentaram se aproximar de Odin, como se ficar perto fisicamente fosse proteção, mesmo sem saber onde ele estava naquele instante. Outros começaram a destruir amuletos e canais de comunicação, como se silenciar a informação fosse silenciar o medo.


"E eu vi isso também." O Curupira disse: "Vi deuses arrancando o próprio vínculo de comunicação, como se isso impedisse o fim de entrar."


O Curupira descreveu o Reino Divino naquele momento como um lugar onde ninguém sabia mais qual era a ordem verdadeira. Odin tinha mandado ficar. Odin tinha mandado não se aproximar. Mas as ondas vinham. A trajetória vinha. E cada nova aproximação parecia dizer que a ordem não estava funcionando.


"A obediência virou uma aposta." O Curupira disse: "E a utilidade virou outra aposta."


Ele repetiu que ninguém estava errado, porque todos estavam tentando sobreviver e, ao mesmo tempo, tentando salvar o que ainda podia ser salvo. Só que tentar não bastava. No panteão, tentativa sem coordenação vira desastre.


"E foi isso que aconteceu." O Curupira disse.


Ele descreveu uma sequência de eventos que, para ele, foi o ponto de ruptura final. Um grupo grande de desertores conseguiu abrir uma rota e escapar do Reino Divino para algum lugar do cosmos, sem destino, sem plano, apenas fuga. Um grupo de perseguidores foi atrás, jurando punição. E um terceiro grupo, inflamado pela ideia de dever, usou a brecha aberta pela fuga para tentar sair na direção da batalha, como se aquela rota fosse agora um caminho permitido.


"Foi quando tudo virou um caos de verdade." O Curupira disse. Porque agora havia deuses em trânsito, deuses perseguindo deuses, deuses se afastando do centro, deuses tentando se aproximar da luta. E cada movimento interno criava mais atrito. A cada atrito, mais violência. A cada violência, menos hierarquia.


"Eu vi Protetores dando ordens e sendo ignorados." O Curupira disse: "Vi Semideuses cuspindo no chão do Reino Divino e dizendo que não iam morrer ali. Vi Grandes Deuses ameaçando uns aos outros como se fossem rivais antigos."


E, no fundo de tudo, a trajetória continuava.


"Cada quilômetro que a luta se aproximava… era como jogar óleo no fogo." O Curupira disse: "O barulho crescia. A estupidez crescia. A coragem falsa crescia."


Ele falou que alguns dos que queriam ir até o combate diziam que Odin precisava deles, e outros, mais lúcidos, diziam que Odin tinha mandado ficar porque qualquer deus que se aproximasse seria pulverizado e ainda atrapalharia. 


Essa segunda frase era odiada, porque era verdade.


"Ninguém queria aceitar que não tinha lugar pra nós naquela luta." O Curupira disse: "Porque aceitar isso era aceitar que nós não controlávamos mais nada."


E foi nesse ponto que o Curupira resumiu o que ele viu como a destruição real do panteão naquele dia, antes mesmo de qualquer resultado do confronto entre Odin e Gold.


"O panteão foi destruído ali." Ele disse: "Antes da batalha chegar. Se é que chegaria."


Não destruído em número, embora muitos tivessem morrido nas brigas internas. Destruído em conceito.


"A hierarquia caiu." O Curupira continuou: "O respeito virou medo. O dever virou orgulho. A obediência virou desculpa. E a fraternidade virou briga."


Ele disse que, olhando para trás, aquilo era inevitável. Porque o panteão foi construído para mandar e ser temido, não para suportar a ideia de perder. E quando a ideia de perder entrou pela porta, tudo que sustentava a ordem divina começou a apodrecer de dentro.


"Nós fomos bons em esmagar os outros." O Curupira disse: "Mas nunca fomos bons em aguentar a possibilidade de sermos esmagados."


Ele deixou o silêncio existir por alguns instantes, e quando voltou a falar, a frase veio como algo que ele não gostava de admitir.


"E naquele caos, enquanto nós brigávamos entre nós, a luta continuava vindo." O Curupira disse: "E o Reino Divino… que sempre foi a nossa casa… começou a parecer uma armadilha."




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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