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Capítulo UHL 1237 - A Grande Incerteza

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Tenham uma boa leitura!]


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O Curupira continuou como quem ainda escuta, por trás do presente, aquele gemido antigo do Reino Divino sendo ferido. A memória dele não era feita de imagens bonitas. Era feita de pressão, de vibração, de uma sensação física que atravessava o corpo inteiro como se o corpo fosse só um instrumento para medir a ruína.


"Eu fiquei assistindo." Ele disse.


A frase veio simples, mas ela carregava um absurdo: um deus do tamanho de um planeta, um Grande Deus, um ser que sempre foi visto como uma presença, como ameaça, como algo que não pode ser ignorado… reduzido a espectador.


"Eu fiquei assistindo ele tentar matar a Grande Mãe." O Curupira repetiu, como se precisasse cravar, para si mesmo, que aquilo era real: "E eu não fiz nada."


Ele explicou que não era por falta de coragem e não era por falta de vontade. Era por falta de lugar. Não existia lugar para ele ali. Não existia gesto que não fosse ridículo. Não existia técnica que não fosse um sopro diante do que Gold estava fazendo com a raiz do ciclo. O Curupira disse que, naquele instante, ele percebeu que a palavra impotência tem camadas, e que ele tinha vivido, naquele dia, a camada mais profunda.


"Eu era grande demais para ser útil." Ele disse: "E pequeno demais para impedir."


Ele contou que Iara continuava com ele, presa ao mesmo silêncio que tinha salvado os dois até ali. Ela tremia, e o tremor dela não era só medo de morrer. Era medo de perder a própria estrutura de existir. Medo de ver a promessa do retorno, aquela promessa suja que sustentou a crueldade de tantos deuses, ser arrancada com a mão de um homem.


"E eu também tremia." O Curupira confessou: "Eu tremia porque eu sabia o que aquilo significava."


Ele descreveu Gold como uma presença fixa diante da Grande Mãe, não como alguém em fúria descontrolada, mas como alguém num estado ainda pior: determinação sem emoção visível. A raiva tinha virado trabalho. A dor tinha virado um catalisador. O ódio, naquela escala, tinha parado de gritar.


"Gold estava tendo sucesso." O Curupira disse.


Ele contou que cada ataque de Gold não parecia atingir só a árvore. Parecia atingir o fundamento. Parecia atingir aquilo que sustentava o “depois” do universo. A luz dele escorria por rachaduras que não eram rachaduras de madeira, eram rachaduras na lógica da vida. O tronco da Grande Mãe, que sempre foi uma certeza para eles, começou a falhar como uma muralha que descobre que pode cair.


"O Reino Divino gemia como se fosse um corpo." O Curupira disse: "E a Grande Mãe… a Grande Mãe gritava."


Ele não descreveu o grito como som comum. Ele descreveu como uma presença que atravessava tudo, como se o próprio tecido, ferido, tentasse chamar o universo para se defender. Era um lamento que fazia o ar vibrar e fazia até o Curupira sentir uma dor estranha em lugares internos que ele não sabia nomear. Ele disse que não era culpa. Não era arrependimento. Era o instinto do organismo universal se contorcendo porque alguém estava puxando sua raiz.


"Eu vi a casca escurecer." Ele disse: "Vi veias de luz morrerem. Vi o brilho interno falhar e depois voltar com fúria, como um animal sangrando e ainda assim tentando morder."


Ele disse que, por um tempo que ele não sabe medir, porque o tempo ali era uma coisa quebrada, Gold continuou atacando. E o Curupira continuou parado, com Iara, aceitando que aquele era o fim, aceitando que não existia mais alicerce para nada.


"Eu pensei: é isso." Ele disse: "É o Fim dos Tempos, e a visão do Pai de Todos estava certa."


Ele falou a palavra certa com uma amargura que parecia mais do que admissão. Era a humilhação final de entender que a obsessão de Odin não era só paranoia. Era um diagnóstico. E que a tentativa de evitar o fim tinha sido o caminho mais curto para alcançá-lo.


"Ele dizia que viria por um usuário da luz." O Curupira continuou: "E veio."


Ele disse que, naquele instante, não havia mais nada para fazer e nem o que salvar. Não era um pessimismo qualquer. Era uma constatação fria. O panteão tinha sido apagado. O Pai de Todos estava morto. A fonte do retorno estava sendo rasgada. A guerra tinha consumido galáxias inteiras. E o universo inteiro estava sob um estado de fragilidade que nenhum ser vivo sabia como lidar.


"E eu só esperei." O Curupira disse, e a frase soou como um gesto de rendição: "Esperei o fim."


Ele contou que o fim não veio como um apagão suave. Veio como o aumento contínuo de uma violência que o cosmos não conseguia mais acomodar.


"Até que…" Ele disse, e a voz dele apertou um pouco: "Até que eu não pude mais ver."


O Curupira explicou que o momento em que ele perdeu a visão do que acontecia não foi uma escolha dele. Foi uma consequência de um único ataque de Gold, um golpe que atravessou a Grande Mãe num ângulo que abriu algo dentro dela como se abrisse um reservatório.


"Uma quantidade absurda de energia irrompeu de dentro da Grande Mãe." Ele disse. E, enquanto dizia isso, ele deixou claro que não era energia no sentido comum de explosão ou clarão. Era a energia primordial. A energia da raiz. Algo que estava acumulado ali como pressão, como origem, como alimento de renascimentos incontáveis. Quando aquilo foi perfurado, o universo reagiu como se tivesse sido rasgado numa artéria.


"Foi como se o universo tivesse sido atingido por dentro." O Curupira disse: "Como se a própria casa tivesse explodido."


Ele contou que não houve tempo para proteger Iara com cuidado. Não houve tempo para ajustar nada. O golpe veio e o tudo deixou de ser um lugar com direção. A massa de energia se expandiu e empurrou tudo ao redor com uma força que não parecia uma expulsão. Era como se a realidade, naquele ponto, tivesse decidido cuspir o que estava perto para não ser destruída junto.


"Eu fui lançado." O Curupira disse: "E Iara comigo."


Ele descreveu a sensação como um arrancar. O corpo dele, que sempre foi pesado e dominante, foi tratado como poeira. O espaço ao redor dele se dobrou de um jeito impossível, e o deslocamento não foi uma viagem. Foi teleportação por violência. Um arremesso tão absurdo que a distância perdeu o sentido.


"Eu fui parar muito longe." Ele disse: "Muito longe mesmo."


Ele explicou que, naquele instante, o espaço foi sacudido de tal forma que ele e Iara atravessaram o universo em um piscar de olhos. Antes, ele sentia a Grande Mãe. Depois, ele não sentia mais. Antes, ele estava no Reino Divino. Depois, ele estava em outro lugar onde as constelações tinham outro desenho, onde a textura do vazio era outra, onde a própria orientação parecia errada.


"Foi do outro lado do universo." O Curupira disse.


Ele descreveu o choque do destino: ser arrancado de casa como uma folha, atravessar tudo, e cair em um silêncio que parecia falso de tão repentino.


"Eu não podia mais ver Gold." Ele disse: "Não podia mais ver a Grande Mãe."


Contudo, o Curupira deixou claro que, mesmo sem ver, ele sentia.


"Eu sentia os alicerces da existência tremerem." Ele disse: "Não os meus. Não os deuses. Tudo."


Ele explicou essa sensação como um tremor que não vinha do chão, porque não havia chão. Era um tremor no tecido. Uma vibração na regra. Como se as leis que mantêm as coisas no lugar estivessem sendo puxadas por uma mão invisível. Ele sentiu isso em si, em Iara, no espaço ao redor, como se o universo estivesse rangendo.


"Era como se tudo estivesse prestes a cair." Ele disse.


Iara, dentro dele, não tinha palavras. O Curupira não tentou inventar o que ela falou. Ele disse apenas que sentiu o medo dela virar uma espécie de vazio. Não era mais pânico. Era aquela anestesia cruel que vem quando o organismo entende que não há reação útil.


"Ela parou de tremer por um segundo." Ele disse: "E isso me assustou mais do que o tremor."


Ele contou que, naquele ponto, ele teve certeza de que aquilo era o fim dos tempos.


"Eu pensei: é agora." O Curupira disse: "É agora que tudo termina. E não termina porque alguém venceu. Termina porque o universo não aguenta mais."


Ele disse que esperou o fim por mais alguns ataques.


Mesmo de tão longe, ele conseguia sentir quando Gold atacava de novo, porque cada ataque era um abalo que atravessava o cosmos. O Curupira descreveu isso como ondas de violência chegando com intervalos irregulares. Às vezes vinha um golpe e parecia durar tempo demais, como se a vibração se arrastasse. Às vezes vinha outro e era rápido, como uma facada que você sente e só depois entende.


"Eram ataques extremamente violentos." Ele disse.


Ele descreveu o que sentia em cada um deles. Uma compressão, como se o universo estivesse sendo apertado em um punho. Uma expansão, como se o universo fosse rasgado e tentasse se recompor. Uma sensação de deslocamento do próprio “aqui”, como se o lugar onde ele existia quisesse virar outro lugar.


"Eu senti o tempo falhar." O Curupira disse: "Senti a distância deixar de ser distância. Senti como se o universo inteiro estivesse sendo mexido como uma bacia de água."


Ele disse que, nesses momentos, a mente dele voltava para o mesmo pensamento: não há mais nada para salvar. Não há motivo. Não há futuro.


"Eu aceitei que estava tudo acabado." Ele disse.


E então veio a parte surpreendente.


"Mas de repente… tudo parou." O Curupira disse.


Ele não disse isso com alívio imediato, porque o cérebro não consegue aceitar uma virada dessas sem suspeitar. Ele disse como quem ainda se assusta ao lembrar. Uma hora, a existência estava tremendo sob golpes que pareciam quebrar as leis. Na outra, silêncio.


"Parou de uma hora para a outra." Ele repetiu.


O Curupira descreveu aquele instante como uma ausência súbita de pressão. Como se alguém tivesse retirado um peso do cosmos. 


"Eu não senti mais a presença de Gold." Ele disse.


Ele não disse isso como se Gold tivesse morrido, porque ele não sabia. Ele disse como um fato sensorial: o ruído que era Gold no universo tinha sumido. O Curupira, que antes sentia cada golpe como um abalo, de repente não sentia mais nada.


"E eu não ouvi mais os gritos da Grande Mãe." Ele continuou.


Ele disse que aquilo foi mais estranho do que qualquer destruição, porque a Grande Mãe gritava com a própria estrutura. Era um som que atravessava o domínio, atravessava o vínculo. E, de repente, não havia mais.


"Foi como se alguém tivesse fechado a boca do universo." O Curupira disse.


Ele contou que ficou esperando o próximo golpe. Esperando o próximo tremor. Esperando o colapso final que ele tinha aceitado. E nada veio.


"Eu esperei." Ele disse: "E não veio."


Ele descreveu o que aconteceu dentro dele nesse intervalo. Não foi paz. Foi confusão. Foi a mente tentando interpretar o silêncio e falhando. Porque o silêncio, naquele contexto, não significava vitória nem derrota. Significava que algo tinha mudado de forma tão brusca que nenhum deles tinha recursos para entender.


"E ninguém até hoje entende o que aconteceu." O Curupira disse.


Ele disse que alguns especularam. Alguns disseram que Gold, ao tentar matar a Grande Mãe, destruiu o próprio caminho de retorno e se apagou junto. Outros disseram que Odin, mesmo morto, tinha deixado um último recurso, e esse recurso foi ativado com a ameaça existencial à Grande Mãe. Outros disseram que o universo, por alguma razão que ninguém compreende, corrigiu a si mesmo e expeliu aquele conflito para um lugar onde não pode ser sentido.


O Curupira não afirmou nenhuma dessas coisas. Ele deixou claro que tudo isso eram tentativas desesperadas de dar forma a uma lacuna. Qualquer uma delas podia ser verdade, mas ele não podia comprovar.


"Eu só sei o que eu senti." Ele reconheceu: "E eu senti… o fim chegando. E depois senti… o fim sendo interrompido."


Ele explicou que esse “interrompido” não parecia uma salvação. Parecia uma suspensão. Parecia algo que não devia acontecer.


"E foi isso que ficou comigo." O Curupira concluiu, e a frase veio quase como um sussurro, apesar do tamanho do que carregava: "A certeza de que nós quebramos o universo… e a certeza de que o universo, por algum motivo, ainda não caiu."


Ele parou por um instante, como se precisasse escolher com cuidado a última imagem daquele trecho.


"Eu fui arremessado para o outro lado da criação e esperei o fim." Ele disse: "E, quando o fim não veio, eu entendi que existia uma coisa pior do que morrer… Era ter que viver depois disso sem saber o que foi feito do monstro que nós criamos… e sem saber se o universo ficou de pé por misericórdia, proteção do Pai de Todos… ou é só porque ele ainda está acumulando a queda e vai implodir de uma hora para a outra."




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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